Batalha de Tapso

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Batalha de Tapso
Guerra civil Cesariana
Caesar campaigns from Rome to Thapsus-fr.svg
Rota de César partindo de Roma até Tapso
Data 6 de Fevereiro de 46 a.C.
Local Tapso (Tunísia)
Desfecho Retumbante vitória de Júlio César
Combatentes
Populares Optimates
Comandantes
Júlio César Metelo Cipião †,
Marco Pórcio Catão Uticense
Forças
?? – pelo menos 10 legiões ?? – pelo menos 10 legiões e 60 elefantes
Baixas
??? (~1 000) ??? (~30 000)

A batalha de Tapso ocorreu no dia 6 de Fevereiro de 46 a.C. perto da cidade de Tapso (Thapsus), moderna Ras Dimas, na Tunísia. Foi a penúltima batalha da guerra civil entre Júlio César e a facção conservadora do senado romano (os Optimates), comandada por Catão, o Jovem (em Útica) e Metelo Cipião (no terreno). César alcançou uma vitoria expressiva e com este sucesso pôs fim à resistência no Norte de África.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Em 49 a.C., César deu início a uma guerra civil ao recusar as ordens do senado para desmobilizar o seu exército veterano das guerras da Gália e atravessar o rio Rubicão num acto de desafio. Os conservadores republicanos, então liderados por Pompeu, abandonaram a Itália e fugiram para a Grécia. César foi no seu encalço e derrotou os optimates nas batalhas de Dirráquio e Farsalo em 48 a.C. Pompeu foi assassinado pouco depois, enquanto procurava refúgio no Egipto de Cleópatra, mas os conservadores não desistiram e estabeleceram uma base no Norte de África. A facção passou então a ser liderada por Marco Pórcio Catão e Metelo Cipião, secundados por Tito Labieno um antigo comandante de César, Públio Átio Varo e os irmãos Sexto e Pompeu, o Jovem (os filhos de Pompeu). Após a pacificação das províncias helénicas e uma breve visita a Roma, César foi no seu encalço e desembarcou em Adrumetum (moderna Sousse) a 28 de Dezembro de 47 a.C. Consigo trazia a sua cavalaria e cerca de 5 legiões, entre as quais a V Alaudae, a XIII Gemina e a IX Hispana.

Entretanto, os conservadores estabelecidos em Tapso tinham conseguido recrutar um exército de cerca de 10 legiões romanas (~40,000 homens), suplementadas por pela cavalaria comandada por Tito Labieno e forças locais aliadas. O contributo do rei Juba I da Numídia foi um contingente de cerca de 60 elefantes de guerra. Os exércitos inimigos envolveram-se em escaramuças inconsequentes e ao longo das semanas seguintes, duas legiões afectas ao lado conservador desertaram para o campo de César.

No início de Fevereiro, César chegou a Tapso e montou um cerco à cidade, bloqueando a sua entrada sul com três linhas de fortificações. Os conservadores não podiam arriscar a perda desta posição e foram então obrigados a conceder batalha.

A batalha[editar | editar código-fonte]

O exército de Metelo Cipião contornou a cidade de Tapso, pelo lado norte, já em ordem para a batalha, com as divisões de elefantes posicionadas nos flancos. A disposição táctica de César seguiu o esquema das suas batalhas anteriores, com uma sólida linha de infantaria protegida nos flancos por divisões de archeiros e pela cavalaria. César, também como era seu hábito, tomou o comando do flanco direito. Como precaução adicional, dada a presença de elefantes de guerra, a cavalaria foi reforçada com 5 coortes de infantaria.

A batalha começou por iniciativa do trompeteiro de César: os seus soldados responderam tão vigorosamente a esta iniciativa, que César não teve outra escolha senão segui-los na sua carga. Os archeiros atacaram então os elefantes com sucessivas ondas de flechas e os animais do flanco direito entraram em pânico, atropelando os soldados do seu próprio exército. Os elefantes posicionados na esquerda mantiveram a ordem e carregaram sobre o centro da linha inimiga onde se encontrava a legião V Alaudae. César esperara esta manobra e equipara os legionários da V Alaudae com machados, muito mais eficazes contra as patas dos elefantes que as espadas curtas usadas pela infantaria romana. A legião conteve a carga com enorme bravura e pela coragem demonstrada, que salvou o dia, César atribuiu-lhes um elefante como emblema da legião. Após a perda dos seus elefantes de guerra, o exército de Metellus Scipio começou a perder terreno. A cavalaria cesariana atacou então a retaguarda do inimigo e com a fuga de Juba da Numídia a batalha ficou decidida.

Cerca de 10,000 soldados republicanos, incluindo o líder Metelo Cipião, foram massacrados no fim da batalha quando procuraram render-se. Este acto de crueldade é invulgar na carreira de César, que sempre demonstrou ser um vencedor misericordioso. Uma possível explicação para a contradição pode ser o facto de César, que sofrera um ataque de epilepsia durante o confronto, possa não ter estado presente neste momento decisivo.

Batalha de Tapso.

Resultado[editar | editar código-fonte]

Após a batalha, o cerco de Tapso foi reiniciado e a cidade caiu ao fim de pouco tempo. César prosseguiu então para Útica, na esperança de capturar Catão, mas este cometera suicídio assim que soubera da derrota de Metelo Cipião. Segundo Plutarco, César ficou bastante perturbado ao encontrar o seu arqui-inimigo morto, pois esperara ter a oportunidade de lhe conceder um perdão. Foi a segunda vez, depois do assassinato de Pompeu, que César perdeu a hipótese de mostrar magnimidade para com os seus principais adversários.

A batalha de Tapso foi um golpe brutal para a facção conservadora, que assim ficou sem a sua base africana, mas não marcou o fim da guerra civil. Tito Labieno e os irmãos Pompeu conseguiram fugir para a Hispânia, onde iam ser jogadas as últimas cartas deste conflito na batalha de Munda do ano seguinte.