Batalha do Estreito da Dinamarca

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Batalha do Estreito da Dinamarca
Segunda Guerra Mundial
Bundesarchiv Bild 146-1984-055-13, Schlachtschiff Bismarck, Seegefecht.jpg
O Bismarck atira contra o HMS Prince of Wales.
Data 24 de maio de 1941
Local Estreito da Dinamarca
Resultado Vitória alemã. Bismarck aborta sua missão.
Combatentes
Alemanha Nazi Alemanha Nazista Reino Unido Reino Unido
Comandantes
War Ensign of Germany 1938-1945.svg Günther Lütjens
War Ensign of Germany 1938-1945.svg Ernst Lindemann
War Ensign of Germany 1938-1945.svg Helmuth Brinkmann
Naval Ensign of the United Kingdom.svg Lancelot Holland †
Naval Ensign of the United Kingdom.svg John Leach
Naval Ensign of the United Kingdom.svg Ralph Kerr †
Naval Ensign of the United Kingdom.svg Frederic Wake-Walker
Forças
1 couraçado
1 cruzador pesado
1 couraçado
1 cruzador de batalha
2 cruzadores pesados
Baixas
1 navio danificado 1 navio destruído
1 navio danificado
1 428 mortos
9 feridos

A Batalha do Estreito da Dinamarca foi um confronto naval da Segunda Guerra Mundial entre navios da Marinha Real Britânica e Kriegsmarine que ocorreu no dia 24 de maio de 1941. As embarcações britânicas HMS Hood e HMS Prince of Wales lutaram contra os alemães Bismarck e Prinz Eugen, que estavam tentando entrar no Atlântico Norte para destruir comboios mercantes aliados.

Menos de dez minutos após os britânicos terem começado a atirar, um projétil do Bismarck atingiu o Hood perto do estoque de munição. Logo em seguida, o navio explodiu e afundou em três minutos. O Prince of Wales continuou no combate, porém passou por problemas com sua bateria principal que ainda não havia sido totalmente testada e arrumada. A batalha foi uma vitória tática dos alemães; entretanto, o Bismarck foi forçado a abortar sua missão por causa de danos nos tanques de combustível dianteiros, e eventualmente foi afundado três dias depois.

O início da caçada[editar | editar código-fonte]

Preparativos de combate[editar | editar código-fonte]

Na primavera de 1941, a espionagem britânica sabia que o Bismarck estava pronto para zarpar, mas uma série de contratempos atrasou a sua saída do porto polonês de Gdynia até o mês de maio. O plano estratégico original previa que o Bismarck se juntaria ao Scharnhorst e ao Gneisenau no Atlântico, com o objetivo de destruírem os comboios de navios mercantes que iam para a Grã-Bretanha. Os dois navios, porém, estavam em reparos quando o Bismarck ficou pronto para ser lançado ao mar.

Dadas as dimensões e a potência de fogo do Bismarck, o comando naval alemão sabia que a marinha britânica (a Royal Navy) havia se preparado com todas as suas forças. Assim, o couraçado e o Prinz Eugen, seu companheiro na caça aos navios mercantes inimigos, deviam passar, sem serem descobertos, do Báltico para o Mar do Norte, para daí entrarem no Atlântico. Assim, se o Bismarck conseguisse chegar ao mar aberto, seria impossível localizá-lo. A importância da missão era do conhecimento do almirante Günther Lütjens, comandante da força naval no Atlântico Norte, e do capitão Lindemann, comandante do Bismarck.

Livre para movimentação[editar | editar código-fonte]

Às 2 horas da madrugada de 19 de maio de 1941, o Bismarck partiu. Depois de se juntar ao Prinz Eugen, chegou às águas do Báltico e rumou para o Norte. Lütjens seguiu uma rota adequada para se manter fora do raio de ação dos bombardeiros ingleses, mas isso o obrigou a entrar em águas suecas. Às 12 horas de 20 de maio, um navio sueco avistou o Bismarck e cobriu-o (o que em linguagem náutica equivale a seguir-lhe a pista por meio de marcações) até o Norte. Vinte e quatro horas mais tarde, um Spitfire da RAF (Royal Air Force, a força aérea britânica) localizou-o no fiorde de Bergen. Com liberdade para se movimentar, o Bismarck criava muitos problemas táticos ao almirante John Tovey, comandante da Home Fleet britânica em Scarpa Flow, nas ilhas Orcadas: os alemães pretendiam empreender uma ação contra a Islândia ou tentavam entrar no Atlântico. Esta última hipótese era a mais perigosa e, logo que foi informado da detecção feita pelo Spitfire, Tovey deslocou as suas forças para bloquear todas as saídas do Bismarck. O cruzador Suffolk foi juntar-se ao Norfolk no estreito da Dinamarca, enquanto se alertava o resto da frota, incluindo o HMS Hood e o HMS Prince of Wales.

Enquanto Tovey acreditava que o Bismarck ainda estivesse próximo do fiorde de Bergen, o couraçado alemão já navegava para o Norte. Só na noite de 21 de maio o almirante britânico descobriu que o rastro do Bismarck desaparecera (de fato, ele voltara a navegar a 12 horas). Tovey deixou imediatamente Scarpa Flow para ir ao King George V, acompanhado do porta-aviões Victorius, quatro cruzadores e sete destroyeres. O cruzador Repulse zarpou de Firth of Clyde (no canal do Norte) para juntar-se à força principal no Atlântico. Entretanto, Tovey tinha que esperar que o Bismarck fosse localizado.

O Bismarck é localizado[editar | editar código-fonte]

As embarcações moviam-se às cegas na imensidão do Atlântico e, devido à escassa disponibilidade de informações por parte dos serviços secretos alemães, Lütjens também se encontrava diante do dilema de ter que mover a rainha rumo ao perigo. Uma informação de reconhecimento, chegada a Lütjens na noite de 22 de maio, confirmava as suspeitas dos alemães de que a Home Fleet estivera fundeada em Scarpa Flow. Ordenou, então, uma mudança de rumo que, levando-o ao estreito da Dinamarca, colocaria o Bismarck no meio da frota britânica, que o julgava a centenas de quilômetros.

Os velhos cruzadores Norfolk e Suffolk tinham por missão patrulhar o Estreito da Dinamarca usando o radar do Suffolk para explorar a zona. Mas não foi o radar quem localizou os dois cascos cinzentos que avançavam na névoa, às 17h22 de 23 de maio, e sim uma lancha desse navio. O Suffolk virou-se para estibordo, para controlar e seguir com o radar os navios alemães, e chamar o Norfolk para se juntar à caçada.

Centenas de milhas mais longe, em pleno Atlântico, o almirante Tovey pôs-se imediatamente em ação assim que recebeu o sinal de rádio enviado pelo Suffolk informando-o da detecção. O HMS Hood, a maior e mais velha unidade da frota britânica, e o Prince of Wales, de construção mais recente, receberam ordem para interceptar o inimigo.

A destruição do Hood[editar | editar código-fonte]

O vice-almirante Holland, comandante do HMS Hood, sabia que a blindagem da coberta de seu navio era muito fraca para a batalha que era iminente e pensava que a melhor maneira de enfrentar o Bismarck seria fazê-lo de proa.

Às 5h53 de 24 de maio iniciou-se o combate. O Suffolk e o Norfolk mantinham-se afastados porque estavam conscientes do menor poder de fogo das suas baterias em relação às do navio adversário. O contato foi muito breve: o Hood e o HMS Prince of Wales foram os primeiros a disparar, mas a resposta do alemão foi mortal. Na quinta salva de canhão, o Bismarck acertou o paiol de munições do Hood, provocando uma grande explosão. O navio partiu-se ao meio antes de afundar com os 1.419 homens que constituíam a tripulação; apenas três sobreviveram.

O Bismarck e o Prinz Eugen manobraram para atacar o Prince of Wales, mas o comandante do navio britânico preferiu fugir, dadas as condições desfavoráveis do Prince of Wales em ralação a seus adversários..

Danos sofridos em combate[editar | editar código-fonte]

O Bismarck conseguira uma vitória rápida e decisiva, mas um projétil perfurara-lhe o casco junto à linha de flutuação e a água entrava em abundância. Agora era impossível dar caça aos navios mercantes que se dirigiam para a Grã-Bretanha. Lütjens decidiu rumar para a França para reparos, mas não conseguiu safar-se do Norfolk nem do Suffolk, que continuavam a vigiar o Bismarck.

O afundamento do Hood obrigou o almirantado britânico a fazer entrar em ação outros navios. Foi dada a ordem à força H, constituída pelo porta-aviões Ark Royal, pelo cruzador Renown e por uma grande quantidade de embarcações menores, para que deixassem Gibraltar e rumassem para o Norte. Entretanto, durante as horas de luz do dia 24 de maio, os couraçados King George V e Rodney e o porta-aviões Victorius estavam no Atlântico para caçar o Bismarck, ao mesmo tempo que o Prince os Wales, o Norfolk e o Suffolk o vigiavam decididamente.

Quando as condições meteorológicas pioraram, a missão dos perseguidores tornou-se mais difícil, o que representava uma vantagem para Lütjens. Às 18h30, os operadores de radar do Suffolk perceberam que tinham se aproximado com demasiada rapidez do Bismarck e que em pouco tempo o navio britânico ficaria no alcance de seus canhões. O Prince of Wales abriu fogo para defender o Suffolk antes que o Bismarck pudesse desaparecer no nevoeiro. Não houve perdas humanas, mas com esta ação Lütjens conseguiu cobrir a fuga do Prinz Eugen, que pôde seguir sozinho a rota até a França.

Os aviões Swordfish entram em cena[editar | editar código-fonte]

Para o almirante Tovey, 24 de maio foi um dia nefasto: o Hood perdido, o Prince of Wales atingido e o Bismarck ainda estava operacional. Mas a ideia de que o navio de Lütjens pudesse fugir levou-o a empreender outro ataque, desta vez aéreo, antes que a noite caísse.

Os aviões Swordfish, a bordo do Victorius, eram naquela noite os únicos meios ao dispor de Tovey capazes de atingir o Bismarck, e 9 aviões, cada um deles apenas com um torpedo, decolaram pouco depois das 23 horas. A missão era temerária. Na sua maioria, os aviadores tinham pouca experiência, e tiveram de decolar em condições muito precárias de luz e tempo para atacar a fortaleza flutuante. Milagrosamente, os aviões localizaram o alvo e, com temerários voos picados, rasantes, lançaram os torpedos antes de regressarem ao Victorius sem qualquer perda.

Um dos torpedos atingiu o objetivo, mas só lhe causou danos ligeiros. Moderadamente satisfeito com os resultados da missão, Tovey decidiu desencadear outro ataque ao amanhecer, com o objetivo de enfraquecer o Bismarck até que os navios perseguidores de maior porte pudessem enfrentá-lo em combate.

De repente, pouco depois das 3 horas, o Bismarck desaparecia do radar do Suffolk. Com um golpe tático genial, Lütjens explorava o medo que os ingleses sentiam dos U-Boot. Durante a caçada, o Suffolk seguia o Bismarck, mas navegava em ziguezague de modo a tornar-se um alvo difícil para um eventual submarino. Assim que o Suffolk rumou a bombordo, Lütjens virou o seu navio todo a estibordo. No intervalo de tempo que o Suffolk levou para voltar à sua rota média, o Bismarck desapareceu do seu painel de radar.

Para Tovey seguiram-se 30 horas frenéticas consumidas em distribuir pelo Atlântico as forças reunidos com o objetivo de voltar a localizar-se a presa e desfechar o ataque final ao Bismarck. Finalmente, uma mensagem de rádio do Bismarck captada pela frota britânica permitiu estabelecer a sua posição aproximada.

A frota passou a segui-lo numa busca vã, até perceber que a posição não estava correta e que, na realidade, se afastava do Bismarck. Mas a sorte interveio de forma decisiva a favor dos ingleses.

Um golpe de sorte[editar | editar código-fonte]

Às 10h30 de 26 de maio, um hidroavião Catalina, da RAF, localizou o Bismarck navegando rumo ao leste, em direção a Brest, a uns 1.100 km de distância.

Quando Tovey recebeu a notícia da nova localização, decidiu que era o momento de fazer entrar em ação a Força H, que estava a cerca de 150 km do Bismarck. O Renown e o Sheffield, os dois couraçados da Força H, poderiam ter o mesmo fim do Hood num confronto direto contra o Bismarck e, por isso, Tovey decidiu voltar a atacar pelo ar.

Uma esquadrilha de Swordfish decolou do Ark Royal, o porta-aviões da Força H, mas a formação deparou com condições meteorológicas adversas. Os pilotos aproximaram-se do Bismarck e lançaram seus torpedos antes de regressarem. Por ter sido construido em segredo e ter entrado em operaçao logo após o seu termino, a tripulaçao sem muita experiência em combate nao conseguiram repelir todos os ataques e pelo menos dois torpedos atingiram o objetivo e um danificou o leme do navio alemão.

O encontro final[editar | editar código-fonte]

O cruzador pesado Norfolk disparou por duas vezes contra o Bismarck; a primeira vez no estreito da Dinamarca e a segunda na batalha final que resultou na destruição do navio alemão. O papel de sentinela, a cargo do Norfolk e do Suffolk, outro velho cruzador, teve uma importância fundamental para que os ingleses conseguissem interceptar o Bismarck no Atlântico. Durante o confronto em que o Hood explodiu, o Norfolk foi obrigado a manter vigilância a distância por causa do maior potência de fogo dos canhões do navio alemão.

Ao anoitecer, uma força naval constituída por destroyers passou a vigiar o couraçado, enquanto o grosso da frota britânica se colocava na posição estabelecida para a batalha final.

Devido a avaria no seu leme, o Bismarck navegava em circulos e cada vez mais a frota britânica se aproximava do seu alvo. Às 8h47 de 27 de maio, iniciava-se o encontro final com o Bismarck. O King George V e o Rodney começaram o ataque contra o navio alemão. O Norfolk também se juntou aos beligerantes, seguido pelo destroyer Dorsetshire. O Rodney conseguiu dar o primeiro golpe significativo quando um dos seus projéteis atingiu as torres de proa do Bismarck, deixando-as fora de ação. Gradualmente, os navios britânicos foram concentrando o tiro, decididos a dar o golpe de misericórdia.

Logo que o King George V e o Rodney se retiraram, o Dorsetshire dispara três torpedos contra o Bismarck, que não penetram no casco. Às 10h39, o couraçado afundou no Atlântico por acção voluntária da sua tripulação.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]