Batalha do Helesponto

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Batalha do Helesponto
Parte da Guerras Civis da Tetrarquia
Mapa hellespont.png
Os estreitos de Helesponto e Bósforo demarcando o Propôntida.
Data julho de 324julho de 324
Local Helesponto (Dardanelos)
Desfecho Vitória de Constantino
Combatentes
Frota de Constantino I Frota de Licínio
Principais líderes
Crispo Abantus
Forças
200 embarcações 350 embarcações

A Batalha do Helesponto, nome de dois distintos combates navais, foi travada em 324 entre a frota de Constantino I, liderada pelo seu primogênito, Crispo, e uma frota maior, sob o almirante de Licínio, Abantus (ou Amandus). Apesar de estar em desvantagem numérica, Crispo conseguiu uma vitória decisiva.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Após sua derrota na Batalha de Adrianópolis, na Trácia, Licínio e seu exército principal recuaram para a cidade de Bizâncio. Ele deixou ali uma forte guarnição e cruzou o Bósforo com a maior parte de suas tropas. Para manter sua força em Bizâncio e para assegurar sua linha de comunicação entre a capital e seu exército na Ásia Menor, manter o controle dos estreitos que separavam a Trácia da Bitínia (Bósforo) e a Mísia (Helesponto) se tornou imperativo para Licínio. Constantino, se quisesse cruzar para a Ásia para destruir a resistência de Licínio, teria também que conquistar o controle marítimo dos estreitos. O exército principal de Licínio estava no Bósforo para vigiá-lo enquanto que o grosso de sua marinha se deslocou para cobrir o estreito do Helesponto. Ele também juntou uma segunda força sob seu recém-elevado co-imperador Martiniano em Lâmpsaco (atual Lapseki) na costa asiática do Helesponto[1] .

Licínio e Constantino I, os adversários na Batalha do Helesponto.

A Batalha[editar | editar código-fonte]

Enquanto Constantino estava liderando o cerco a Bizâncio, Crispo liderou uma força de 80 naus até o Helesponto. Abantus deu-lhe combate com uma frota de 200 naus. Porém, o tamanho das forças de Licínio acabaram mais atrapalhando do que ajudando no apertado estreito. Crispo conseguiu utilizar seus esquadrões mais compactos para sobrepujar a desengonçada armada adversária, afundando muitos dos navios de Licínio[2] .

Abantus recuou para a ponta leste do Helesponto para reagrupar sua frota. Crispo, por sua vez, aumentou sua frota com reforços vindos do mar Egeu e as duas frotas se re-encontraram no dia seguinte. Este segundo combate se deu perto de Galípoli e, para sorte de Crispo, uma tempestade arruinou muitos dos navios de Licínio que estavam ainda ancorados na costa. A nau de Abantus afundou e ele só conseguiu se salvar nadando até a costa. O resultado final foi que toda frota de Licínio, com exceção de quatro navios, foram destruídas, afundadas ou capturadas, uma vitória contundente de Constantino[2] .

Resultado[editar | editar código-fonte]

Esta vitória naval permitiu que Constantino transportasse seu exército para a Ásia Menor, utilizando-se uma frota de tranportes leves para evitar as forças de Martiniano[3] . Uma vez que Licínio soube da destruição de sua frota, ele retirou suas forças de Bizâncio. O exército de Constantino finalmente derrotou Licínio na Batalha de Crisópolis, a batalha final da guerra entre ambos e que terminou com a rendição de Licínio. Constantino então se tornou o único imperador do Império Romano.

Referências

  1. Lieu and Montserrat, pp. 47 and 60
  2. a b Odahl, pp. 179–180
  3. Grant (1985), p. 236

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Grant, Michael (1985), The Roman Emperors: A biographical Guide to the Rulers of Imperial Rome 31 BC-AD 476, London. ISBN 0-297-78555-9 (em inglês)
  • Lieu, S.N.C and Montserrat, D. (Ed.s) (1996), From Constantine to Julian, London. ISBN 0-415-09336-8 (em inglês)
  • Odahl, C.M., (2004) Constantine and the Christian Empire, Routledge 2004. ISBN 0-415-17485-6 (em inglês)
  • Pears, Edwin. "The Campaign against Paganism A.D. 324." The English Historical Review, Vol. 24, No. 93 (January 1909) : 1–17. (em inglês)