Batalha do Passo do Rosário

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Batalha do Passo do Rosário
Guerra da Cisplatina
Brandsen en Ituzaingo.JPG
Morte do Coronel Brandsen durante a batalha.
Data 20 de fevereiro de 1827
Local Margens do rio Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
Desfecho Vitória tática do exército republicano. Sem resultados estratégicos para o conflito.
Combatentes
Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg Império do Brasil Flag of Argentina (alternative).svg Províncias Unidas do Rio da Prata
Comandantes
Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg Marquês de Barbacena Flag of Argentina (alternative).svg General Carlos Maria de Alvear
   

A Batalha do Passo do Rosário ou Batalha de Ituzaingó foi uma batalha campal ocorrida em solo brasileiro durante a Guerra Cisplatina.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

A revolta de Juan Lavalleja, com o apoio das Províncias Unidas do Rio da Prata, contra o domínio do Império do Brasil sobre a Província Cisplatina, levou à declaração de guerra de D. Pedro I (1822-1831) aquele país, em Janeiro de 1826.

De início o imperador deu pouca atenção a esta revolta, dado que se encontrava face a outras questões, que se registravam em Províncias consideradas mais importantes ou estratégicas, como a do Maranhão, a do Pará, a de Pernambuco, a da Bahia e na própria capital, a cidade do Rio de Janeiro. Contava, assim, com poucos recursos para debelar o levante na mais meridional das provínciais do Império.

O pré-guerra[editar | editar código-fonte]

Contudo, quando a revolta rapidamente ganhou apoio da população uruguaia, deixando apenas as pequenas guarnições de Montevideu e da cidade de Colônia para enfrentá-la, D. Pedro teve que recrutar o mais rápido possível uma força de combate e enviá-la para o sul.

O próprio imperador pensou em comandar as forças que enviara à Província Cisplatina (nome do então Uruguai). Por motivo do falecimento de sua esposa, Dona Leopoldina, teve que regressar às pressas para o Rio de Janeiro, deixando no comando do Exército Imperial Felisberto Caldeira Brant, Marquês de Barbacena.

As Províncias Unidas do Rio da Prata também possuíam seus problemas. Estavam quase sempre em desacordo sobre políticas internas, e não poucas vezes promoviam lutas armadas entre si. A única coisa que as fazia ficarem unidas era seu ódio comum ao Império do Brasil e seu expansionismo, que consideravam uma ameaça.

Vendo a oportunidade de aplicarem um golpe no Império, apoiam o levante dos uruguaios contra a dominação brasileira. Este apoio era primeiramente político e logístico e, posteriormente, militar.

A convocação de tropas para lutar ao lado da forças de Juan Lavalleja é rápida; porém a luta pelo comando das forças opõe as províncias entre si e, depois, estas contra o próprio Lavalleja (que não escondia sua intenção de comandar as tropas combinadas). Por fim, o comando é dado a Carlos Maria de Alvear.

A batalha[editar | editar código-fonte]

Infantaria riograndense tentando resistir ao avanço das montoneras castelhanas.

A batalha foi resultado do avanço do exército sob comando de Carlos Maria de Alvear, do exército republicano, no final de janeiro de 1827 sobre as pequenas vilas e cidades da fronteira situadas do lado brasileiro. O visconde de Barbacena começa a perseguição do inimigo, vindo a achá-lo disposto à batalha no dia 19 de fevereiro.

Segundo alguns historiadores, Alvear escondeu seus movimentos de forma a fazer Barbacena acreditar que perseguia a retaguarda de um exército em retirada, quando na verdade todo efetivo de seu exército estava por perto.

Esta teoria se prende ao fato de que o Exército Imperial havia chegado ao local da batalha na noite do dia anterior ao seu desfecho. Apesar das objeções de alguns oficais sobre o cansaço das tropas, Barbacena estava convicto em iniciar o combate no dia 20. Por outro lado, o terreno escolhido por Alvear para dar combate era propício para a movimentação de unidades de cavalaria (as quais o Exército Republicano possuía em vantagem numérica de 3 para 1).

O Exército Imperial começa o combate na manhã do dia 20, avançando sua infantaria com apoio de cavalaria sobre o I corpo de tropas republicanas sob comando de Juan Lavalleja.

A firme resistência uruguaia começa a ceder em alguns pontos e as tropas brasileiras dirigem-se sobre as três ou quatro peças de artilharia que se encontravam no centro do esquema inimigo. Neste momento surge no campo de batalha a cavalaria republicana. Rapidamente a esquerda brasileira, formada por infantaria de voluntários com pouco adestramento militar, recua e corre para salvar-se. Em vão o Marechal José de Abreu tenta conter seus homens e acaba perecendo no combate.

A ala direita do Exército Brasileiro também recua, repassando as margens do córrego (braço do rio Santa Maria) para o lado brasileiro.

Somente o centro das forças brasileiras (mercenários alemães) mantêm posição. Resiste a diversas investidas da cavalaria inimiga. Por fim, as forças republicanas não conseguem quebrar a formação do centro do exército inimigo, mas já lhe atingem a retaguarda desguarnecida pelo recuo das alas. Barbacena ordena o recuo destas tropas. Elas saem do campo de batalha em formação, mas o mesmo não ocorre à esquerda e à direita do exército.

Alvear conquista o campo de batalha, mas não possui tropas descansadas para perseguir o adversário. Manda tocar fogo na mata que cerca o local da luta. Assim, o Exército Imperial pôde se reagrupar dias depois na retaguarda. Os cativos feitos por argentinos e uruguaios vieram sobretudo das unidades que formavam as alas das forças sob Barbacena.

Entre as munições abandonadas pelo Exército Imperial encontrava-se um cofre com uma partitura, entregue pelo Imperador ao Marquês de Barbacena, para que fosse interpretada após a primeira vitória imperial; em comemoração da batalha, o exército aliado republicano apoderou-se dela e batizou-a como marcha de Ituzaingó. Atualmente é interpretada quando traslada-se a bandeira da Argentina em atos oficiais, e é um dos três atributos que ostenta o presidente da República Argentina: bastão de mando, banda presidencial e marcha de Ituzaingo.

O terrestre e o naval. O contexto[editar | editar código-fonte]

De todo modo, o Brasil seguia com o domínio naval, já que desde a batalha de Monte Santiago as ações navais argentinas limitavam-se à guerra de corso. Montevidéu e Colônia do Sacramento seguiam sob o controle do Brasil. A supremacia naval foi decisiva, pois sem controle naval as Províncias Unidas não tinham meios para vencer o conflito.

""O exército está completamente desprovido de meios para sitiar a Montevidéu de maneira mais eficaz que pelo bloqueio terrestre, método que a experiência tem demonstrado ser infrutífero, enquanto existir o predomínio dos brasileiros no mar.""

(...) ""Esta guerra é, em sua essência, uma guerra naval e o domínio da Banda Oriental e de Montevidéu ainda assim não significariam nenhuma vantagem para Buenos Aires, enquanto o bloqueio naval puder ser mantido pelo inimigo"". Ponsonby a Canning [1]

O próprio José de San Martín dizia a Guido, em julho de 1827, que:

""Ambas vitórias podem contribuir para acelerar a conclusão da desejada paz; não obstante, direi a você francamente que, não vendo em nenhuma dessas batalhas caráter de decisivas, temo muito que, se o imperador conheça - o que já deve - o estado de nossos recursos pecuniários e, mais do que tudo, o de nossas províncias, venha ele resistir a concluir a paz e, sem mais do que prolongar a guerra por um ano, venha nos colocar em uma situação muito crítica"". [2]

Memória[editar | editar código-fonte]

Anualmente, o 4º Regimento de Carros de Combate - Regimento Passo do Rosário - (4º RCC), localizado em Rosário do Sul, Rio Grande do Sul, é o guardião ou mantenedor das tradições da Batalha Passo do Rosário.

Todos os anos o 1° RCG (Regimento de Cavalaria de Guardas), os Dragões da Independência, localizado em Brasilia, realiza uma formatura em memória à batalha do Passo do Rosário. Dela participam todos os militares do regimento, e ao término da formatura é realizada uma guarda fúnebre em homenagem aos que combateram em favor do país.

No episódio "O anjo da vitória", dos "Contos gauchescos" de Simões Lopes Neto, o narrador Blau Nunes fala dessa batalha, dita de Ituzaingo, da qual teria participado quando criança.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARROSO, Gustavo. História Militar do Brasil. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1935.
  • CARNEIRO, David. História da Guerra Cisplatina. Brasília (DF): Editora Universidade de Brasília, 1983. Série Coleção Temas Brasileiros, v. 41.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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