Batalha do Somme

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Batalha do Somme
Primeira Guerra Mundial
British infantry Morval 25 September 1916.jpg
A infantaria britânica avançando para tomada de Morval, durante a Batalha do Somme.
Data 1º de julho a 17 de novembro de 1916.
Local Região do Rio Somme, nordeste da França.
Desfecho Sem vencedor definido;
  • Forças alemães recuam 64 km até a Linha Hindenburg entre fevereiro e março de 1917[1]
  • Favorecimento tático e estratégico aos Aliados (controverso)[2] [3] [4]
Combatentes
Reino Unido Reino Unido
França França
Austrália Austrália
Canadá Canadá
Nova Zelândia Nova Zelândia
África do Sul África do Sul
Flag of the German Empire.svg Império Alemão
Comandantes
Reino Unido Douglas Haig
Reino Unido Henry Rawlinson
França Ferdinand Foch
Flag of the German Empire.svg Erich von Falkenhayn
Flag of the German Empire.svg Max von Gallwitz
Flag of the German Empire.svg Fritz von Below
Forças
Mobilizados 850 mil homens em 24 divisões em julho.
Até novembro, aproximadamente 2 milhões de soldados, divididos em quase 100 divisões, combateriam no Somme
Mobilizados cerca de 800 mil soldados em 10 divisões (julho) e 50 divisões (novembro).
Baixas
620.000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados,
100 tanques destruídos e
782 aviões perdidos.[5]
450.000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados[6]

A Batalha do Somme, também conhecida como Ofensiva do Somme, foi travada entre julho a novembro de 1916, sendo considerada uma das maiores batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Tratou-se de uma ofensiva anglo-francesa, com o objetivo de romper as linhas de defesa alemãs, ao longo de 12 milhas (19 km), estacionadas na região do Rio Somme (França). As baixas foram elevadíssimas para ambos os lados, sobretudo para a Grã-Bretanha, ainda mais pelo fato de o objetivo não ter sido atingido.

Em verdade, a Ofensiva do Somme foi concebida para ser uma manobra secundária, cujo objetivo era desafogar o peso das forças alemãs sobre Verdun, palco dos combates mais violentos até então. No entanto, a violência dos combates no Somme fez com que as perdas para ambos os lados ultrapassasse as perdas de Verdun. A infantaria dos Aliados enfrentou um pesadelo de granadas, fogo de metralhadoras, arame farpado, lama, mas, em vinte dias de luta, não conseguiu avançar mais do que 8 km, porquanto os alemães encontravam-se em posição de vantagem no terreno, estrategicamente entrincheirados, quando se deu o ataque principal na frente norte do Rio Somme. Essa vantagem foi decisiva para o desfecho do confronto.

Se Verdun tornou-se um ícone que afetaria a consciência nacional da França, o Somme teria o mesmo efeito em gerações de cidadãos britânicos. A batalha é mais lembrada pelo seu primeiro dia, 1 de Julho de 1916, data em que os britânicos sofreram 57.470 baixas (19.240 mortos),considerado o mais sangrento dia na história do Exército britânico. Pela primeira vez, a sociedade britânica foi exposta aos horrores da guerra moderna, com o lançamento, em agosto, do filme A Batalha de Somme, que utilizava vídeos reais, a partir do primeiro dia da batalha.

Com mais de 1,2 milhão de vítimas (entre mortos e feridos), em cinco meses de combate, foi uma das operações militares mais violentas da História da humanidade. E, levando-se em conta os ganhos territoriais (cerca de 300 quilômetros quadrados), foi, decerto, uma das mais inúteis. Nunca em toda a história militar tantos pereceram por tão pouco. A batalha também marcou a estreia dos tanques de guerra.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A estratégia dos aliados para o ano de 1916 foi amplamente formulada durante uma conferência em Chantilly, realizada entre 6 e 8 dezembro de 1915. Foi decidido que ofensivas simultâneas seriam montadas pelos russos, no leste, os italianos (que haviam recentemente se unido à Entente), nos Alpes, e os anglo-franceses sobre a Frente Ocidental, comprimindo assim as potências centrais de todos os lados.

No final de dezembro de 1915, o General Sir Douglas Haig substituiu o General Sir John French como Comandante-em-Chefe da Força Expedicionária Britânica (BEF).

Haig era favorável a uma ofensiva britânica na região do Flandres, uma vez que os inúmeros canais e portos da região poderiam favorecer o abastecimento das tropas. Sua ideia inicial era neutralizar os alemães a partir da costa do Mar do Norte, na Bélgica, local de onde os submarinos alemães partiam para afundar os navios que se dirigiam às Ilhas Britânicas.

Os preparativos da ofensiva[editar | editar código-fonte]

Plano de ataque aliado, 1 julho 1916.

Como os franceses se comprometeram, a qualquer custo, defender Verdun, a sua capacidade para desempenhar as suas funções no Somme desapareceram, e os encargos da ofensiva recaíram, portanto, sobre os britânicos. A França contribuiria com três corpos para a abertura do ataque (o I Exército Colonial, o XX e o XXXV Corpo do Exército).

Assim, o Conselho Interaliado julgou adequado aprazar a nova ofensiva para fins de junho.

A estratégia do ataque[editar | editar código-fonte]

O plano que finalmente surgiu podia ser dividido em três fases: primeiro, uma tremenda barragem de artilharia para matar os alemães e destruir suas trincheiras, posições fortificadas e obstáculos de arame farpado; segundo, o avanço e captura dessas posições pela infantaria; e terceiro, uma grande carga da cavalaria, que seguiria para o norte, atacando as posições alemãs remanescentes.

Apesar disso, Férran e o General Péti Henry Rawlinson, comandante do 4º Exército britânico, tinham consideráveis dúvidas a respeito da capacidade profissional dos soldados do novo exército. Tanto os generais alemães quanto os britânicos consideravam que tais tropas estavam insuficientemente treinadas, devido ao curto espaço de tempo decorrido. Rawlinson temia que as unidades se rompessem e se desorganizassem se corressem pelo terreno. Conseqüentemente, ele ordenou às suas tropas que marchassem para a frente em formação de parada. Essa decisão teria um efeito devastador no desenrolar da batalha.[7]

Haig teria ao todo 27 divisões (750 000 homens), 14 das quais apenas no assalto inicial. A participação francesa se limitaria a 5 divisões que iriam atacar ao sul. A ideia que prevalecia, desde o simples soldado aos oficiais do Estado Maior, era que a infantaria só teria que ocupar e colher o fruto maduro.

O bombardeio[editar | editar código-fonte]

Canhão de 8 polegadas abrindo fogo perto de Mametz.

Nos dias 25, 26, 27 e 28 de junho, o bombardeio continuou ininterruptamente e a chuva intensa contribuiu também para o atoleiro em que se tinha transformado o campo de batalha. Aqui e ali as trincheiras desabavam, bloqueando largos setores e soterrando as entradas de muitos abrigos. Ao fim desse período, alguns setores da linha da frente estavam já irreconhecíveis, transformados em autêntica paisagem lunar.

Desde o dia 26, densas nuvens de cloro pairando sobre a terra de ninguém foram avistadas pelas sentinelas alemãs, deslocando-se na direção de Serre, Beaumont e Fricourt. O gás, mais denso que o ar, descia por todos os buracos, como uma coisa viva e infiltrava-se em todas as aberturas.

Na ocasião, os ingleses lançaram mão os torpedos aéreos (obus).

O fatídico 1º de Julho de 1916[editar | editar código-fonte]

A corrida para o parapeito no início da ofensiva. 1 de julho de 1916.

Na maior parte das Divisões foi servida uma refeição quente que contribuiu para reconfortar as tropas depois da friagem da noite. Por volta das 06h30 da madrugada eclodiu um bombardeio sem paralelo contra toda a frente, desde o norte do Ancre até ao sul do Somme. Na hora seguinte "parecia que todos os fogos do inferno tinham sido lançados para nos destruir".[8] segundo a descrição de um soldado alemão. Às 7 horas algumas metralhadoras alemãs começaram a bater os parapeitos das trincheiras aliadas.

Uma massa de homens, cavalos e equipamentos em direção a Mailley-Maillet.

As sentinelas alemãs, espreitando pelos periscópios, puderam então ver uma massa de capacetes a crescer nas trincheiras aliadas. A batalha estava prestes a começar. E o seu primeiro ato seria a "corrida pelo parapeito", um desafio mortal que para os aliados começaria na sua linha de trincheiras e acabaria no outro lado da terra de ninguém. Para os alemães começaria no fundo dos abrigos e terminaria no topo dos degraus desses mesmos abrigos. Quem perdesse a corrida provavelmente morreria. Toda a infernal preparação de artilharia dos últimos sete dias visava, em última instância, impedir os alemães de ganhar a corrida.

O aparente otimismo logo seria substituído pela amarga desilusão. Poucos segundos depois foram recebidos por mortíferos fogos de metralhadora e, de um modo geral, aqueles poucos que conseguiram chegar às trincheiras alemãs, deparavam com grandes extensões de arame farpado ainda intacto e nele se emaranhavam perdendo o ímpeto, sendo logo a seguir ceifados pelos fogos das metralhadoras ou queimados pelos lança-chamas.

Os alemães contavam com 6000 baixas entre mortos e feridos, de um total de 35 000 que guarneciam a frente.

O General Sir Douglas Haig, após o fracasso da ofensiva do dia anterior, resolveu abdicar de qualquer tentativa de surpresa e viu-se forçado a concentrar o fogo de artilharia em pequenos setores da trincheira que a infantaria ocuparia a seguir. Contudo os alemães rapidamente perceberam que teriam mais hipóteses de sobrevivência caso se abrigassem em crateras e buracos devidamente cobertos, em vez das trincheiras, nas quais se concentravam os fogos inimigos. Assim, quando os aliados avançavam eram logo colhidos por intensos e flanqueantes fogos de metralhadora e espingarda, oriundos dos locais mais diversos.

A batalha continua[editar | editar código-fonte]

Regimento Cheshire entocado em um trincheira perto de La Boiselle.

No dia seguinte, um grande ataque logrou penetrar a 2ª linha alemã entre Ginchy e Contalmaison e, novamente, a cavalaria explorou em direcção a High Wood, mas os alemães contra-atacaram com êxito, e a frente ficou consolidada ao longo da linha Ovillers-Contalmaison-Hardecourt-Barleux-Berny-Lihons.

A 15 de julho, a Brigada Sul-Africana entrou na luta, atacando através do bosque de Delville. A brigada acabou dizimada numa luta particularmente selvagem que se estendeu até o fim do mês.

Os ataques ingleses e franceses sucederam-se de 15 a 17 de julho, tentando forçar as linhas na direção de Bapaume e Peronne. As perdas formam enormes uma vez que o emprego massivo e sistemático da artilharia precedendo cada nova ofensiva impedia qualquer exploração do efeito surpresa, apanhando sempre os alemães devidamente preparados. Em 16 de julho, começou a luta por Pozières. A aldeia foi investida novamente nos dias 22 e 25 de julho, sempre sem sucesso

No lado alemão, a 17 de julho, a frente do Somme foi dividida em duas e o setor norte desde o Somme até Monchy-au-Bois (cerca de 30 km) foi atribuído ao recém-formado 1º Exército, para onde transitou quase todo o QG do 2º Exército. O 2º Exército ficou com o sector sul.

No dia 19, a defesa alemã foi reorganizada, com a ala meridional formando um novo exército, o 1º, sob o General von Gallwitz. A batalha orientava-se agora em 3 direções: a NE em direção a Bapaume, a leste para a Peronne, e a Sudeste, em direção a Nelles. A 20 de julho foi lançada uma nova ofensiva aliada combinada, que obteve poucos ganhos e viria a parar 5 dias mais tarde.

As tropas ANZAC[editar | editar código-fonte]

As tropas neozelandesas sofreram 8 mil baixas em seis semanas - perto de 1% da população do país à época. Para se ter uma ideia da violência dos combates, essas perdas foram equivalentes às perdas sofridas nos oito meses em que os neozelandeses lutaram na Batalha de Gallipoli.

Os combates de setembro e a estreia do tanque de guerra[editar | editar código-fonte]

Progresso da Batalha do Somme - julho/novembro de 1916.

No fim de agosto o ritmo da ofensiva foi bastante reduzido pelo mau tempo. De qualquer modo, ao entrar setembro, as trincheiras alemãs haviam recuado o máximo de 8 km, no setor de Flaucourt, atribuído ao I Corpo Colonial, do 6º Exército Francês e encontravam-se agora sobre a linha Barleux-Villers-Carbonnel-Reugny. Do lado Alemão, Hindenburg havia sucedido a Falkenhayn em 29 de agosto.

De 3 a 14 de Setembro os Aliados desencadearam duas ofensivas que levaram a batalha a Barleux e Bouchavesnes, sendo esta última capturada.

Um tanque Mark I, setembro 1916.

A 20 de Setembro os alemães contra-atacaram em Bouchavesnes, mas foram repelidos e a 26 os ingleses entraram em Combles, um formidável reduto fortificado em cujos subterrâneos foram encontrados mais de 2000 cadáveres alemães.

Os ingleses haviam abandonado a ofensiva, e essa data - 17 de Novembro – se convencionou como o fim da 1ª Batalha do Somme.

Conclusões[editar | editar código-fonte]

Com efeito, do lado inglês, as baixas do Somme, tiveram um efeito a longo prazo sobre a mentalidade dos britânicos, que perceberam, aturdidos, que a guerra que sempre tinham visto ao longe, podia ameaçar de morte todos os seus filhos.

Mais tarde, já durante a 2ª Guerra Mundial, numa ocasião em que o General Marshall se encontrava em Inglaterra apresentando lógicos e convincentes argumentos a favor de uma invasão imediata do continente, Lord Cherwell retorquiu-lhe: "não vale a pena, o senhor está a argumentar contra as baixas do Somme".[9]

O futuro ditador alemão, Adolf Hitler, na época soldado da 6ª Divisão Bávara da reserva, lutou na Batalha do Somme e foi ferido com um tiro na perna em 7 de outubro de 1916.[10]

Referências

  1. Griffith, Paddy. Battle Tactics of the Western Front; The British Army's Art of Attack 1916–1918. [S.l.]: Yale University Press, 1994. p. 84. ISBN 0-300-05910-8
  2. Gilbert, Martin. The Somme: Heroism and Horror in the First World War. [S.l.]: Henry Holt and Company, 2006. p. 243. ISBN 0-8050-8127-5 - Os Aliados ganharam perto de 10 km de novos terrenos ao termino da batalha.
  3. Williams, John Frank. ANZACS, The Media and The Great War. [S.l.]: UNSW Press, 1999. p. 162.
  4. Sheffield 2003, p. 156
  5. The Battle of the Somme, historylearningsite.co.uk
  6. Prior & Wilson p. 128
  7. http://www.clubesomnium.org/arquivos/militaria/batalhas/Batalha_do_Somme.pdf)
  8. KEEGAN, Jonh, O Rosto da Batalha, Editorial Fragmentos,Ltda.
  9. KEEGAN,Jonh,O Rosto da Batalha,Editorial Fragmentos ,Lda.
  10. William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich, (Simon & Schuster, 1960), p. 30.
Commons
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Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • AAVV,Cours Commun D'Histoire Militaire,Tome IV,École Spéciele Militaire Interarmes.
  • AAVV,Lecciones de História Militar-Escuela Superior del Ejército
  • ESPOSITO,Colonel Vincent,The West Point Atlas of American Wars,Vol II,Frederick A.Praegen Publishers,New York
  • DIXON,Norman F.,Psicologia da Incompetência Militar,Publicações Dom Quixote,Lisboa,1977
  • FALKENHAYN,Erich von,Le Commandement Supreme de L'Armée Allemand,Paris,1921
  • JONES,Archer,The Art of War in the Western World,"Oxford Paperbacks-Oxford University Press"
  • KEEGAN,Jonh,O Rosto da Batalha,Editorial Fragmentos ,Lda.
  • MANGIN,Géneral-Comment Finit La Guerre,Librairie Plon,Paris
  • MIQUEL,Colonel,Enseignements Stratégiques et Tactiques de la Guerre de 1914-1918,2ª Edition,Charles-Lavauzelle & Cie,Editeurs Militaires,PARIS,1931
  • NORMAND Colonel ,L'evolution de la fortification de campagne en France et en Allemagne (1914-1918)-"Paris Berget-Leunault Editeurs-1921"
  • WYNNE,Capitão G.C.,If Germany Attacks,Faber,1940