Batalha dos Mastros

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Batalha dos Mastros
Expansão islâmica
Data 655
Local Costa da Lícia em Finike, no Mar Mediterrâneo
Resultado Vitória decisiva do Califado Rashidun
Combatentes
Califado Rashidun Império Bizantino
Comandantes
Abdullah bin Sa'ad bin Abi al-Sarrah Constante II
Forças
200 navios 500 navios
Baixas
Pesadas Pesadas
Batalha dos Mastros está localizado em: Turquia
Batalha dos Mastros
Localização da batalha dos Mastros no que é hoje a Turquia

A Batalha dos Mastros (em árabe: معركة ذات الصواري; transl.: Dhat Al-Sawari) ou Batalha de Fênix foi uma batalha naval cruzial travada em 655 entre os árabes muçulmanos liderados por Abdullah bin Sa'ad bin Abi'l Sarh e a frota do Império Bizantino sob o comando pessoal do imperador Constante II. Ela é considerada como "o primeiro conflito decisivo do islã nas profundezas"[1] .

Contexto[editar | editar código-fonte]

Na década de 650, o Califado Rashidun já havia destruído completamente o Império Sassânida e continuava sua vitoriosa expansão nos territórios do Império Bizantino. Em 645, Abdullah ibn Saad foi nomeado governador do Egito por seu irmão de criação, o califa Otman, em substituição ao semi-independente Amr ibn al-Aas. Otman permitiu que Muawiya realizasse raides na ilha de Chipre em 649 e o sucesso desta campanha foi o que incentivou o início das atividades navais pelo governador do Egito. Abdullah ibn Saad construiu um forte marinha e se mostrou um habilidoso comandante. Sob seu comando, a marinha muçulmana venceu diversas vitórias, incluindo a defesa de Alexandria de um contra-ataque bizantino em 646[2] .

Em 655, Muawiya comandou uma expedição na Capadócia enquanto que sua frota, sob o comando de ibn Saad avançou ao longo da costa sul da Anatólia. Aparentemente, o imperador Constante considerou a invasão naval mais perigosa, pois embarcou para dar-lhe combate à frente de uma grande frota.

A batalha[editar | editar código-fonte]

As duas forças se encontram na costa próxima ao monte Fênix na Lícia[3] , perto do porto de Fênix (atual Finike). De acordo com o cronista do século IX, Teófanes, o Confessor, conforme o imperador se preparava para a batalha, ele teve um sonho na noite anterior onde ele estava em Tessalônica; acordando, ele relatou-o para um intérprete de sonhos, que teria dito: "Imperador, antes não tivesses dormido e nem tido este sonho, pois sua presença em Tessalônica" (Thessalonike pode ser lida como θὲς ἄλλῳ νὶκην, ou seja, "dá vitória ao outro")[4] [5] .

Conforme os navios se alinhavam para o combate, Constante ergueu o estandarte da Cruz e cantou salmos com seus homens. Os árabes responderam erguendo o Crescente e tentou abafar os salmos declamando passagens do Corão. Tanto a Cruz quando o Crescente permaneceram montados nos mastros por toda a batalha, de onde vem o nome da batalha[6] .

Os árabes venceram a batalha, embora as perdas tenham sido pesadas para ambos os lados, com Constante escapando por pouco para Constantinopla[7] . De acordo com Teófanes, ele conseguiu escapar trocando uniformes com um de seus oficiais[4] .

Consequências[editar | editar código-fonte]

Embora a frota árabe tenha recuado após sua vitória[7] , a Batalha dos Mastros foi um marco importante na história do Mediterrâneo, para ambos os lados, pois ela iniciou um período de superioridade muçulmana tanto na terra quanto no mar. Pelos quatro séculos seguintes, o Mediterrâneo tornou-se um campo de batalha entre bizantinos e muçulmanos. Na sequência deste desastre, porém, os bizantinos conseguiram um período de respiro por conta da irrupção da Primeira Fitna entre os árabes, o que deu a Constante a oportunidade de reorganizar as defesas bizantinas, principalmente no Mediterrâneo ocidental e no Exarcado da África.

Referências

  1. Ridpath, John Clark. Ridpath's Universal History, Merrill & Baker, Vol. 12, New York, p. 483.
  2. Carl F. Petry (ed.), The Cambridge History of Egypt, Volume One, Islamic Egypt 640-1517, Cambridge University Press, 1998, 67. ISBN 0-521-47137-0
  3. Provavelmente o monte Olimpo ao sul de Antália, veja "Olympus Phoinikous Mons" em Barrington Atlas of the Greek and Roman World, map 65, D4.
  4. a b Teófanes, o Confessor, Chronographia, em J.P. Migne, Patrologia Graeca, vol. CVIII, col.705
  5. Veja Bury, John Bagnell (1889), A history of the later Roman empire from Arcadius to Irene, Adamant Media Corporation, 2005, p.290. ISBN 1-4021-8368-2
  6. Part Great Sea Battles Have Played in History, New York Daily Tribune, 4 June 1905.
  7. a b Warren Treadgold, A history of the Byzantine State and Society, Stanford University Press 1997, 314. ISBN 0-8047-2630-2