Baian I

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Bayan I)
Ir para: navegação, pesquisa

Baian I ou Batbaian[1] foi o khagan ávaro entre 562 e 602. Conforme o império dos gokturks se expandia para o ocidente, o Baian liderou um grupo de ávaros e búlgaros para longe do seu alcance, eventualmente chegando até a Panônia em 568.

Raides contra os francos e os lombardos[editar | editar código-fonte]

Em 562, os ávaros e os búlgaros haviam alcançado o baixo Danúbio: é bem provável que tenha sido neste ano que Baian se tornou o supremo khagan, pois seu predecessor, o cutrigur Zabergan havia morrido. Como aliados do Império Bizantino, que era governado na época por Justiniano I, os ávaros recebiam um presente em ouro para atacar outros nômades - sabires, utigures, cutrigures e saragures - nas terras do que seria futuramente a Ucrânia, uma tarefa que eles completaram, para a satisfação do imperador. Os ávaros de Baian conseguiram então a renovação da aliança, um aumento no tributo e terras para se assentarem.

Baian desejava a planície da Mésia, ao sul do baixo Danúbio, onde futuramente seria a Bulgária, como sua "terra prometida", mas os bizantinos estavam irredutíveis frente a possibilidade dos ávaros cruzarem o Danúbio. Assim, Baian e sua horda, em 563, circundaram os Cárpatos pelo norte e entraram na Germânia, onde eles foram interrompidos ao longo do rio Elba pelo rei franco Sigeberto I da Austrásia. Esta derrota os forçou a voltar por onde vieram até a região do baixo Danúbio novamente. Após uma tentativa pífia de forçar a passagem pelo rio quando o novo imperador bizantino, Justino II, lhes negou tanto a entrada como novo tributo, os ávaros marcharam novamente, desta vez para a Turíngia. Desta vez eles conseguiram derrotar Sigeberto (566), mas tiveram novamente que interromper a campanha pois os gokturks, que vinham perseguindo seus antigos súditos, eram agora uma ameaça real.

Os ávaros, tradicionalmente um povo nômade, precisavam desesperadamente tanto de abrigo quanto de pasto para o seu gado, mas a rota para a Panônia era bloqueada por montanhas impassáveis e cobertas de densas florestas: a cordilheira dos Cárpatos. Foi no crítico inverno de 566-567 que os ávaros, presos no que hoje é a região oriental da Alemanha, receberam uma embaixada de Alboíno, o poderoso governante dos lombardos e cunhado de Sigeberto, em busca de uma aliança para esmagar seus antigos inimigos, os gépidas. Estes últimos, por acaso, controlavam a única passagem do baixo Danúbio para os tão desejados pastos da Panônia. Assim, em 567, o reino gépida do rei Cunimundo foi atacado em dois frontes: do oeste vieram os lombardos e do norte, pela Morávia e pelo Danúbio, os ávaros. Baian esmagou as forças de Cunimundo e fez uma taça com o crânio do rei como um presente (e um aviso) ao seu aliado Alboíno (que ficou famoso por ter forçado a filha de Cunimundo, Rosamunda, que ele tinha tomado como noiva para si, a beber dela, o que selou seu próprio destino). Então, a horda ávara marchou contra Sirmio, que na época era fortemente defendida pelo que restava dos gépidas e por uma guarnição bizantina liderada pelo general Bonosus. Neste meio tempo, um grande número de eslavos se aproveitou da oportunidade e se assentou na Panõnia e, em 568, Alboíno e seus lombardos acharam por bem uma mudança para as arruinadas (após a Guerra Gótica de 535-554) - mas ainda cheias de promessa - terras da Itália, onde eles fundariam um reino que duraria muitos séculos. Antes disso, porém, eles firmaram um tratado com o khagan ávaro para que pudessem retornar para partes da Panônia e de Nórica (a região da moderna Áustria) se eles quisessem no futuro. Enfim, eles partiram com um grande contingente dos derrotados gépidas e diversas outras tribos germânicas.

Guerras contra o Império Bizantino[editar | editar código-fonte]

Após dez anos de uma tênue paz, Baian novamente marchou contra Sirmio, desta vez capturando-a das mãos bizantinas após um cerco de dois anos, e seguiu para Singiduno, expulsando os bizantinos do interior dos Balcãs e abrindo as portas para um incontrolável influxo de eslavos que, num período de não mais de cinco anos, inundaram toda a região semi-abandonada do Peloponeso. O ano era 582 e Baian agora se sentia capaz de atacar o império na Trácia e, quando Tibério II, que havia fracassado em suas tentativas de detê-lo, foi sucedido em Constantinopla por seu genro Maurício, ele conseguiu extorquir um enorme tributo em ouro dos bizantinos: 100 000 solidii ou, em outras palavras, quase 500 kg de ouro por ano.

Depois disso, os ávaros e os eslavos ainda atacavam o que sobrou das terras bizantinas na região enquanto Maurício fazia o que podia para defender a sua terra natal na Capadócia e a Armênia dos ataques do Império Sassânida. Por volta de 592, o imperador, tendo finalmente derrotado os persas, estava agora decido a se vingar e contra-atacou com força total, rapidamente invertendo os papéis nos Balcãs (veja Campanhas de Maurício nos Balcãs). Repetidas e pesadas derrotas abalaram as hordas ávaro-eslavas enquanto poderosos e organizados exércitos bizantinos invadiram a região ao norte do Danúbio, penetrando na Valáquia e, eventualmente, sob o comando do general Prisco, esmagaram o inimigo ao logo do rio Tisza, no coração da Panônia. Foi somente a revolta de Focas contra Maurício em 602 que, em última análise, salvou os ávaros e quase acabou com o Império Bizantino. No mesmo ano, o khagan Baian morreu, deixando seu império agora seguro e consolidado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Zabergan
Khagan ávaro
562-602
Sucedido por
Baian II

Referências

  1. Bury 2008, p. 332

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • In: Lászlo Makkai e András Mócsy. History of Transylvania: The period of Avar rule (em inglês). [S.l.: s.n.], 2001. Capítulo: 4. , vol. II. Página visitada em 18/05/2013.
  • Avar timeline" (em inglês) TurkicWorld. Página visitada em 18/05/2013.