Beija-mão

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Registro da cerimônia do beija-mão na corte carioca de Dom João, um costume típico da monarquia portuguesa

O beija-mão é uma tradição de reverência a personalidades eminentes, praticada em várias culturas desde tempos remotos.

Na cultura lusófona suas origens são medievais, sendo um costume da monarquia portuguesa em Portugal depois herdado pela corte imperial brasileira. O beija-mão era uma cerimônia pública em que o monarca se colocava em contato direto com o vassalo, o qual, depois da devida reverência, podia aproveitar a ocasião para solicitar alguma mercê. A cerimônia tinha grande significado simbólico, lembrando o papel paternal e protetor do rei, invocava o respeito pela monarquia e a submissão dos súditos. Era grande o fascínio que exercia sobre o povo. No tempo de Dom João VI havia um protocolo preciso a ser seguido: a pessoa se aproximava, ajoelhava diante do rei, e beijava-lhe a mão estendida. Então levantava-se, fazia outra genuflexão e se retirava pelo lado direito.[1]

Dom João VI recebia seus súditos todas as noites, salvo domingos e feriados. Era sempre acompanhada com música e às vezes a cerimônia se estendia por longas horas, dada a grande afluência de pessoas.[1] Chegava a receber 150 pessoas por dia. José Antonio de Sá elogiou as audiências afirmando que Dom João "exercita o amor, e a confiança para o Soberano, e contém os ministros". Outra lembrança foi deixada por Henry L’Evêque: "o Príncipe, acompanhado por um Secretário de Estado, um Camareiro e alguns oficiais de sua Casa, recebe todos os requerimentos que lhe são apresentados; escuta com atenção todas as queixas, todos os pedidos dos requerentes; consola uns, anima outros.... A vulgaridade das maneiras, a familiaridade da linguagem, a insistência de alguns, a prolixidade de outros, nada o enfada. Parece esquecer-se de que é senhor deles para se lembrar apenas de que é o seu pai".[2] Oliveira Lima registrou que Dom João VI tinha um deleite especial na cerimônia, onde se misturavam livremente nobres e plebeus, e, "dotado da prodigiosa memória dos Braganças, nunca confundia as fisionomias nem as súplicas, e maravilhava os requerentes com o conhecimento que denotava das suas vidas, das suas famílias, até de pequenos incidentes ocorridos em tempos passados e que eles mal podiam acreditar terem subido à ciência d'el-rei".[3]

O beija-mão no Brasil deu origem ao primeiro sistema de transporte público instalado no país. Dom João muitas vezes se deslocava até a Fazenda de Santa Cruz, distante da cidade, o que tornava o acesso difícil. Como muitos não dispunham de um transporte, em 1817 Sebastião Fábregas Surigué obteve o privilégio de explorar um serviço de coches entre a cidade e Santa Cruz, e também para a Quinta da Boa Vista, outra das residências reais, que na época ficava na periferia.[4]

Seu filho Dom Pedro I,[5] e seu neto, Dom Pedro II,[6] mantiveram o hábito.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Casa Real: Nascimento do Príncipe da Beira: Beija-mão. O Arquivo Nacional e a História Brasileira
  2. Carvalho,Marieta Pinheiro de. D. João VI: perfil do rei nos trópicos. Rede Virtual da Memória Brasileira. Fundação Biblioteca Nacional, 2008
  3. Lima, Manuel de Oliveira. D. João VI no Brasil. Vol. II. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, de Rodrigues, 1908. p. 859
  4. As diligências do beija-mão. Museu Virtual do Transporte Urbano. Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano
  5. Silva, Luiz Geraldo. História do Brasil II - Símbolos e emblemas do primeiro reinado. Universidade Federal do Paraná
  6. Rocha, Levy. Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. Vitória: Secretaria de Estado da Educação/Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, 2008. 3ª Edição, p. 70

Ligações externas[editar | editar código-fonte]