Beilhique
Beilhique1 ou beylik é uma palavra turca que, ao pé da letra, refere-se a um território ("-lik") sob a jurisdição de um governante, que recebe o título de bei (Bey).
O beylik seria, a princípio, um estado vassalo de um sultanato, mas na história turca e islâmica o grau de vassalagem dos diversos beyliks variou bastante, havendo tanto os que não passavam de distritos quanto aqueles plenamente independentes, apenas ligados a um sultanato por questões de aliança ou tradição. Nesse caso, a palavra turca beylik teria uma conotação tão flexível quanto à de estado no português brasileiro.
Exemplos [editar]
Entrando em sua fase de decadência, o Sultanato de Rum2 distribuiu porções de terra nos confins do império a veteranos de guerra, para que estes defendessem, por encargo próprio, as fronteiras do sultanato. Assim surgiram beilhiques como Mentese, Karasi, Germiyan e o de Osman I.
O Império Otomano, por exemplo, surgiu em 1281 como um beilhique de menos de menos de 20 000 quilômetros quadrados, doado a Osman, sendo dependente do sultanato seljúcida de Rum. Porém, um século mais tarde, após os descendentes de Osman terem conquistado um império bicontinental de quase 300 000 quilômetros quadrados e terem reduzido a própria Constantinopla à condição de estado tributário, seu líder, Murad I, ainda era chamado Bey. Murad, contudo, reclamou oficialmente o título de sultão, em 1383.
Mentese sempre foi, oficialmente um beilhique, mas desde a sua fundação pelo turco oguz Mentese Bey, jamais foi um vassalo de fato, seja dos seljúcidas, seja dos otomanos, exceto nos últimos dez anos de sua história, quando trocou a vassalagem a Murad II pela manutenção de sua autonomia. O beylik de Mentese foi suprimido pelo próprio Murad II, em 1424.
Referências
- ↑ Dicionário Houaiss, verbete beilhique.
- ↑ Mapa Completo da Europa no ano 1300, Coleção Online Euratlas.