Beisebol do Brasil

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O Beisebol foi trazido ao Brasil, a partir de 1850, por norte-americanos que trabalhavam em empresas como Light, Companhia Telefónica, Frigorífico Armour e funcionários do consulado dos Estados Unidos.

História[editar | editar código-fonte]

Relatos afirmam que as partidas de organizadas pelo Mackenzie College, em 1910 atraiam mais público que os jogos de Futebol. Diversas equipes de Beisebol surgiram entre os anos 1900 e 1911, todas ligadas a agremiações de funcionários de empresas norte-americanas. Nos anos 1920 houve uma liga amadora comandada por um funcionário da companhia telefônica.

A influência japonesa no Beisebol brasileiro começou a partir de 1908, quando o navio Kasato Maru trouxe os primeiros imigrantes japoneses. Os primeiros equipamentos para a prática do esporte foram trazidos pelo Sr. Samejima nesta viagem. O primeiro time da colónia japonesa foi criado em 1918 pelo japonês Kenji Sassawara e chamava-se Mikado. Sassawara jogou primeiramente nos times norte-americanos até ser incentivado pelo consul do Japão, Sado Matsumura, a montar uma equipe para a colônia.

O impacto da vinda dos imigrantes japoneses foi grande, transformando os anos de 1925 a 1938 a primeira "era de ouro" do beisebol nacional. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a proibição de reunião pública e uso de língua e costumes por parte dos imigrantes oriundos dos países do Eixo pró-fascismo, o beisebol teve um intervalo até 24 de setembro de 1946 com a fundação da Federação Paulista de Beisebol e Softbol.

Em 1926, com a chegada de Isamu Yuba ao Brasil, o beisebol expande para o interior e outras cidades do estado de São Paulo. Com isso foram criadas ligas como a Noroeste, Paulista e Sorocaba, unidas pela ferrovia do café. Contudo o beisebol foi praticado até o início da Segunda Guerra Mundial, período do qual fez com que a prática do esporte no país ficasse estagnada.

O primeiro campeonato, aconteceu em 1936, época em que se registrou uma grande expansão dos japoneses no interior, foi realizado na cidade de São Paulo o Grande Torneio Nacional de Beisebol, com a participação de Bastos, Paraguaçu Paulista, São Paulo e Tietê. O time da Colônia Aliança, que ficou de fora da primeira edição do torneio, participou da segunda graças à adoção de um sistema de eliminatórias regionais que já eram defendidas desde antes. Da terceira edição em diante, o torneio passou a ser financiado pelo Jornal Nippak. Com a cobrança de ingressos, o torneio chegou até a sexta edição, realizada em 1941, ano que por causa da entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial, as associações japonesas foram fechadas, fazendo deste o último campeonato e partida oficial de beisebol no pré-guerra.[1]

Entre os pioneiros clubes paulistas estão: Coopercotia, São Paulo, Anhanguera, Gigantes, Ipiranga, Piratas, Osasco, Kodama e União Assahi (Santo André), vindo depois o, Faísca, Ipiranga e Piratas (que jogava com uma autorização para usar o escudo do São Paulo Futebol Clube. No interior do estado, os pioneiros foram Aliança, Mirandópolis, Bastos, Oaraguaçu Paulista, Tietê, Araçatuba, Junqueirópolis, vindo depois Pacaembu, Pereira Barreto, Getulina e Tupã. No Paraná, a formação de clubes iniciou-se por Curitiba, onde se formaram várias equipes.[2]

Com o desenvolvimento do esporte, principalmente no interior de São Paulo, onde os imigrantes japoneses trabalhavam em fazendas, organizaram-se torneios. Estes times foram a base para a fundação de uma federação, comandada pelo jornalista de A Gazeta Esportiva, Olimpio da Silva e Sá, seu primeiro presidente e que esteve à frente da entidade por 17 anos.

Diversos times, alguns apoiados por clubes tradicionais da cidade, como o Espéria surgiram com a construção do Estádio Municipal de Beisebol do Bom Retiro (Mie Nishi). O estádio foi o primeiro campo de beisebol construído por uma administração pública na América Latina.

Entre os anos 1960 e 1970 seleções de países como Japão, EUA, Itália, Panamá e Venezuela visitaram o país, que impulsionado por times semiprofissionais bancados por empresas de origem japonesa no Brasil, ampliaram a prática do beisebol.

A falta de cobertura da mídia por considerar o Beisebol um esporte de colônia e a perda de patrocínio das equipes semi-profissionais no fim dos anos 1970 e 1980 (a coincidir com a crise económica no País) diminuíram o número de praticantes adultos no esporte, que por falta de incentivo interromperam carreiras como jogadores para trabalhar. Outro grande problema que fez com que diminuísse a prática do beisebol no País foram as migrações de "dekasseguis" (emigrantes brasileiros descendentes de japoneses) para o Japão em busca de melhores empregos.

Este cenário ainda hoje repete-se com a diferença de que muitos jogadores tentam sua sorte nas ligas profissionais do Japão e dos EUA em busca de dinheiro e maior sucesso. Porém, nas categorias de base, o Brasil tem apresentado bons resultados.

Os brasileiros conquistaram dois títulos mundiais: o da categoria infantil (até onze anos), em 1990, no Japão, e o de juniores (quinze e dezesseis anos), em Londrina, Paraná, no ano de 1993. O brasileiro Douglas Guen Matumoto foi considerado o melhor jogador defensivo nessa competição e a "promessa do ano".

Cenários[editar | editar código-fonte]

Os principais estádios de Beisebol do Brasil ficam em Londrina (Estádio Takeshi Sugeta) e em São Paulo (Estádio Mie Nishi). O Estádio Mie Nishi têm capacidade para 2.500 pessoas. O Estádio de Londrina pode receber o dobro de público. Ainda existe um outro centro de beisebol de relevância no País. No município de Ibiúna, a aproximadamente 55 quilómetros da cidade de São Paulo, o Complexo de Beisebol Yakult, sob gerência da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol. Este complexo possui três campos oficiais de Beisebol, uma quadra poliesportiva, uma piscina semi-olímpica, refeitório e alojamentos.

Beisebol no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

No Rio de Janeiro, o cenário atual aponta um progresso relativamente elevado em relação aos demais estados do país, apesar da falta de recursos materiais e financeiros, além da ainda pequena procura de adeptos ao esporte. Após a realização dos XV Jogos Pan-americanos no Rio, a modalidade obteve alguma visibilidade e assim aumentou o interesse pelo jogo. A Federação Carioca de Beisebol e Softbol é a entidade máxima no Estado, e está em processo de reformulação administrativa. Em 2007, o Campeonato Estadual teve realizada sua terceira edição, e sagrou como bicampeão o Cariocas, que em revanche pela final passada, levou a melhor sobre o Itaguaí pelo placar de 12 a 10. Os participantes desta edição foram o Cariocas, da Zona Sul do Rio de Janeiro; Itaguaí Bunka Clube, de Itaguaí; Latinos, da Zona Norte do Rio de Janeiro e Rio Nikkei, também da Capital.

A primeira disputa do Campeonato Carioca de Beisebol ocorreu em 2005 e seu primeiro campeão também foi o Cariocas. Em 2006, o Itaguaí Bunka Clube conquistou seu primeiro título. Com relação a participação em nível nacional, a edição inaugural do Torneio Nacional de Beisebol Iniciante em Ibiúna (SP), mostrou um bom nível dos clubes do Rio, representado pela terceira colocação do Latinos, seguido do Cariocas, em quarto lugar.

Firmado como um dos principais clubes do estado, o Cariocas Beisebol e Softbol já começa a colher os frutos pelos excelentes resultados e devido ao bom trabalho, iniciou recentemente seu time de principiantes, com o plantel formado por jovens entre 13 e 19 anos, que dispõe de condições de treino iguais às oferecidas aos campeões cariocas. Assim a instituição pretende consolidar sua força perante aos demais clubes e preparar uma nova geração de jogadores para o futuro.Para quem quiser jogar no Cariocas Beisebol e Softbol,é só ir no Cantagalo as Terças,Quintas às 15:30 e Domingo(sem horário determinado).

O interior do estado também conta com diversos times (que geralmente realizam amistosos contra os da capital) e campos improvisados para a prática do esporte. Em sua maioria também praticam softbol, e entre suas principais equipes estão Papucaia, Funchal e Piranema.

A estrutura física para a prática do beisebol no Estado é precária. Existe apenas um campo fixo para prática do esporte na cidade do Rio, localizado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na altura do Corte do Cantagalo, que é o atual de Centro de Treinamento do Cariocas Beisebol e Softbol,e do Latinos,pois onde treinavam vai ficar menor,desviando a possibilidades de treinos. Sua área equivale à metade de um campo de softbol e está permanentemente cheio de lama e mato. A Federação Carioca de Beisebol e Softbol entrou com um processo de adoção do campo no Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura. A assinatura do termo de adoção será feita esse ano(2008), com vigência de dois anos. Paralelamente, também há um audacioso projeto visando a construção de um campo com medidas oficiais na Cidade Universitária, localizada na Ilha do Fundão, com a possibilidade do surgimento de times universitários e o aumento da popularidade do esporte entre os estudantes.

Os Jogos Panamericanos de 2007 não deixaram benefícios concretos à modalidade. As instalações construídas na Cidade do Rock para a competição foram temporárias, sendo desmontadas após o término da competição, não trazendo progresso no sentido de infra-estrutura à cidade.

O Campeonato Carioca de 2008 foi vencido pelo Rio Nikkey do Cosme Velho. Em uma partida emocionante com os Cariocas, o Nikkey venceu o jogo em 12 a 4, Ivo Tatiabana foi eleito o destaque do campeonato. Nesse ano de 2009 se espera a presenca além dos 6 times que disputaram o último campeonato, a presenca de mais três times: Escola Americana, Niteroi e Santa Cruz.

No Campeonato Carioca de Beisebol 2009, não deu outra. Rio Nikkey se consagrou bi-campeão estadual depois de vencer por virada os Latinos por 6 X 5 na prorrogacão. Os Latinos estavam vencendo por 5 X 1 até o 5o inning, quando um "gland-slam" do 3a base dos Nikkeys, Moreto, decretou o empate do time da Zona Sul do Rio. Abalados pelo empate e não conseguindo conter o time da colônia, os Latinos cederam 1 corrida e a incrível vitória do Rio Nikkey Cats (como agora são chamados, depois da união com o time Cats).

O Campeonato Carioca de 2009, contou com a participacão de 5 times: Cariocas, Latinos, Rio Nikkey Cats, Nova Friburgo e Cs Rookies.

Beisebol no rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

No Rio Grande do Sul, o esporte ainda está em crescimento. Hoje em dia tem 6 times, que disputam a Liga Gaucha de Beisebol , são: Hunters, de Santa Cruz do Sul; Bromos, de Pelotas; Farrapos, de Porto Alegre; Ceramica, de Gravatai; e Seinenkai, de Porto Alegre e Chimangos, de Porto Alegre.

Beisebol no Espírito Santo[editar | editar código-fonte]

No Espírito Santo (estado) as atividades de Beisebol tiveram início dentro da comunidade japonesa local. A equipe foi criada pela Associação Nikkei de Vitória (ANV), no ano de 1988. O professor Seiji Oku, da JICA, com o apoio de diversos associados, conseguiu algumas doações de equipamentos enviados do Japão, e começou a treinar a garotada. No início os treinos eram realizados em um campo localizado onde atualmente é o Clube Capixaba de Golfe, no município da Serra. Posteriormente os treinos passaram para o campo construído pela Prefeitura Municipal de Vitória ao lado da ANV, no Parque Pedra da Cebola. Essa foi uma importante mudança para o desenvolvimento do Beisebol no estado, especialmente por facilitar o acesso dos atletas. A equipe sempre se pautou na disciplina e dedicação, e com este espírito que o Departamento de Beisebol e Softbol tem trabalhado para desenvolver a modalidade na Grande Vitória. No ano de comemoração dos 20 anos da equipe (em 2008), foi conquistado o título de Campeã do II Torneio Nacional de Beisebol Iniciante.

Beisebol em São Paulo[editar | editar código-fonte]

Em São Paulo, a Liga Paulista de Beisebol teve início em 2008, tendo como campeã a equipe do centro universitário da FEI. A equipe vice-campeã foi outra relacionada a uma universidade (USP): a FARMIME, que veio a tornar-se a campeã da edição 2009, vencendo o Kanpai Team na final. O ano de 2010 marcou a maior edição da Liga, contando com 18 times, tendo sido muito disputada até a grande final; em um duelo entre indiscutivelmente os dois melhores times da temporada, o Bacamartes venceu a equipe do New Giants A e foi a grande campeã.[3]

Beisebol universitário no Brasil[editar | editar código-fonte]

O primeiro Campeonato Universitário de Beisebol no Brasil, foi realizado no ano de 1957. Atualmente, em São Paulo, ele é organizado pela Federação Universitária Paulista de Esportes (FUPE).

O Beisebol universitário é um grande meio de difundir o esporte no Brasil, principalmente entre os não descendentes de orientais. Muitos começam a ter o primeiro contato com o Beisebol somente na faculdade, pois não existe beisebol escolar.

Beisebol brasileiro no exterior[editar | editar código-fonte]

Em 2012 Yan Gomes se torna o primeiro brasileiro a jogar na MLB pelo Toronto Blue Jays e em 2013 Andre Rienzo se torna o primeiro arremessador a iniciar um jogo pelo Chicago White Sox.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]