Beja

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Beja
Brasão de Beja Bandeira de Beja
Brasão Bandeira
Beja Torre de Menagem.jpg
Torre de menagem do Castelo de Beja
Localização de Beja
Gentílico Pacense ou Bejense
Área 1 146,44 km²
População 35 854 hab. (2011[1] )
Densidade populacional 31,27 hab./km²
N.º de freguesias 12
Presidente da
Câmara Municipal
João Rocha (CDU)
Fundação do município
(ou foral)
1524
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Baixo Alentejo
Distrito Beja
Antiga província Baixo Alentejo
Orago São Sisenando
Feriado municipal Quinta-feira de Ascensão
Código postal 7800-000
Sítio oficial www.cm-beja.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Beja é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo, e pertencente à NUTS III Baixo Alentejo,[2] que sedia a Diocese de Beja, com 25.024 habitantes na sua área urbana.[3]

É sede de um dos maiores municípios de Portugal (em área geográfica), com 1 146,44 km² de área e 35 854 habitantes (2011),[1] subdividido em 12 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Cuba e Vidigueira, a leste por Serpa, a sul por Mértola e Castro Verde e a oeste por Aljustrel e Ferreira do Alentejo.

História[editar | editar código-fonte]

Panorâmica da cidade (vista a partir da torre de menagem do Castelo de Beja).
Estátua-monumento da Rainha Dona Leonor (de Álvaro de Brée).

Crê-se que a cidade foi fundada cerca de 400 anos a. C., pelos celtas, especificamente pelo povo dos célticos, um povo celta que habitava grande parte dos territórios de Portugal a sul do rio Tejo (atual Alentejo e Península de Setúbal), e também parte da Estremadura Espanhola, até ao território dos cónios (atual Algarve e parte do sul do distrito de Beja). Também é possível que tenha sido fundada pelos Cónios, que a terão denominado Conistorgis, embora a localização desta cidade ainda seja desconhecida. Os cartagineses lá se estabeleceram durante algum tempo, no século III a.C., um pouco antes da sua derrota e expulsão da Península Ibérica pelos romanos (latinos) no seguimento da segunda guerra púnica. Nos séculos III e II a.C. houve o processo de romanização das populações locais e esta cidade passou a fazer parte da civilização romana, pertencendo a uma região muito romanizada. As primeiras referências a esta cidade aparecem no século II a.C., em relatos de Políbio e de Ptolomeu.[4]

Com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano (mais especificamente da República Romana), ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, primeiro na província da Hispânia Ulterior e posteriormente na província da Lusitânia. Com o nome alterado para Pax Julia, foi sede de um conventus (circunscrição jurídica) pouco depois da sua fundação romana - o Convento Pacense (em latim: Conventus Pacensis), também teve direito itálico. Esta cidade albergou uma das quatro chancelarias da Lusitânia, criadas no tempo de Augusto. A sua importância é atestada pelo facto de por lá passar uma das vias romanas.

Os Alanos, Suevos e os Visigodos dominaram esta cidade depois da queda do Império Romano, tornando-a sede de bispado. No século V, depois de um breve período no qual haverá sido a sede da Tribo dos Alanos, os Suevos apoderaram-se da cidade, sucedendo-lhes os Visigodos. Nessa época a cidade passa a denominar-se Paca.

Do ano 714 (século VIII) ao ano de 1162 (meados do século XII), durante mais de 400 anos, esteve sob a posse dos Árabes, primeiro sob o Califado de Córdova e mais tarde sob domínio dos Abádidas do Reino Taifa de Sevilha, que lhe alteraram o nome para Baja ou Beja (existe outra cidade com este nome na Tunísia), uma alteração fonética de Paca (a língua árabe não tem o som "p").

Aqui nasceu o Al-Mutamid, célebre rei-poeta que dedicou muitas das suas obras ao amor a donzelas e também a mancebos homens.

No referido ano de 1162 os cristãos reconquistaram definitivamente a cidade. Recebeu o foral em 1524 e foi elevada a cidade em 1517. Beja foi o berço da notável família de pedagogos e humanistas do Renascimento que incluiu Diogo de Gouveia (1471 - 1557), professor de Francisco Xavier e conselheiro dos reis D. Manuel I e D. João III de Portugal, a quem recomendou a vinda dos jesuitas; André de Gouveia (1497 - 1548), humanista, reitor da Universidade de Paris e fundador do Real Colégio das Artes e Humanidades em Coimbra e o humanista António de Gouveia.

Criado pelo Rei D. Afonso V de Portugal em 1453, o título de Duque de Beja foi atribuído ao segundo filho varão, até à instituição da Casa do Infantado, em 1654, pelo Rei D. João IV, tendo-o como base.

A cidade manteve-se pequena os séculos seguintes, sendo muito destruída durante as Invasões Francesas entre 1807 e 1811. A partir do século XX notou um certo desenvolvimento económico, como a contrução de escolas (o novo Liceu em 1937), o novo Hospital (1970), assim como novas instalações judiciais e comerciais, embora muito do seu património antigo tenha sido destruído pelas novas construções, nomeadamente no centro histórico. Em 2011 foi inaugurado o Aeroporto de Beja sendo que no entanto a grave crise económica motivou a que este se mantivesse em fraco funcionamente e em situação de quase fecho.

Sóror Mariana Alcoforado[editar | editar código-fonte]

É atribuída à freira portuguesa Sóror Mariana Alcoforado (16401723), natural de Beja, a autoria de cinco cartas de amor dirigidas ao Marquês de Chamilly, passadas através da janela do Convento e datadas da época em que o oficial francês serviu em Portugal, país ao qual chegou em 1665. A sua obra Cartas Portuguesas tornou-se num famoso clássico da literatura universal.

Lenda de Beja[editar | editar código-fonte]

Conta a lenda que quando Beja era uma pequena localidade de cabanas rodeada de um compacto matagal, uma serpente assassina era o maior problema da população. A solução para este dilema passou por assassinar a serpente, feito alcançado deixando um touro envenenado na floresta onde habitava a serpente. É devido a esta lenda que existe um touro representado no brasão da cidade.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Gráfico climático para Beja, Portugal
J F M A M J J A S O N D
 
 
74
 
14
5
 
 
62
 
15
6
 
 
43
 
18
7
 
 
62
 
20
8
 
 
47
 
23
10
 
 
18
 
29
12
 
 
2.9
 
33
16
 
 
4
 
33
16
 
 
25
 
29
15
 
 
63
 
23
12
 
 
72
 
18
9
 
 
101
 
15
7
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Instituto de Meteorologia, IP Portugal[5]

O clima em Beja (a capital de distrito mais quente em Portugal Continental) é mediterrânico (Csa, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger), influenciado pela distância à costa. Tem Invernos suaves e Verões quentes e longos. A neve não é muito comum, mas por vezes pode nevar em períodos mais frios do inverno. A máxima em Janeiro é de 14 °C e em Julho é de 32,8 °C. A mínima é de 5 °C em Janeiro e de 16 °C em Julho e em Agosto. A média anual anda à volta dos 17 °C. A precipitação total anual média é de 572 mm. A temperatura mais alta registada foi 45.4°C e a mais baixa -5.5°C(fonte: Instituto de Meteorologia. Os dados não aparecem na tabela porque não fazem parte do periodo 1971-2000).

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Beja,  Portugal Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 22,0 24,5 30,0 31,5 36,6 43,3 45,2 41,5 42,0 33,8 28,1 22,0 45,2
Temperatura máxima média (°C) 13,9 15,3 18,3 19,8 23,4 28,7 32,8 32,6 29,3 23,2 18,0 14,7 22,5
Temperatura mínima média (°C) 5,3 6,0 7,0 8,2 10,4 13,4 15,6 15,9 15,1 12,3 8,9 6,8 10,4
Temperatura mínima registrada (°C) -3,0 -3,2 -3,2 0,3 3,6 6,2 8,7 9,0 6,4 3,2 -0,5 -2,0 -3,2
Precipitação (mm) 73,7 61,5 42,5 62,2 47,0 17,6 2,9 4,0 24,7 63,3 71,8 100,6 571,8
Fonte: Instituto de Meteorologia, IP Portugal[5] 2 de Março de 2010

Demografia[editar | editar código-fonte]

População do concelho de Beja (1801 – 2011)
1801 1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2011
14 971 14 824 25 382 37 143 43 119 38 246 35 827 35 762 35 854

Economia[editar | editar código-fonte]

As principais fontes de rendimento são os serviços, o comércio e a agricultura, antes destacava-se a cultura do trigo, atualmente desenvolvem-se a do olival e da vinha. A cidade está pouco industrializada, mas tem muito potencial para o ser

Em Beja estão instaladas duas importantes Empresas Públicas: a EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, SA. e a EDAB - Empresa para o Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, S.A.

Património[editar | editar código-fonte]

Ermida de Santo André.
Igreja de Santo Amaro.
Arco romano na Travessa Funda.
Escultura de Noémia Cruz ultima companheira de Jorge Vieira em Beja.
Parque da Cidade.
Museu Rainha Dona Leonor, vista exterior.
Museu Rainha Dona Leonor, exposição de utensílios pré-históricos.

Monumentos de interesse[editar | editar código-fonte]

Culturais[editar | editar código-fonte]

Espaços verdes[editar | editar código-fonte]

  • Jardim Público
  • Parque da Cidade
  • Parque de Merendas

Desportivo[editar | editar código-fonte]

  • Complexo Desportivo Fernando Mamede
  • Estádio Dr. Flávio dos Santos
  • Pavilhão Santa Maria
  • Pavilhão Gimnodesportivo
  • Piscina Municipal (descoberta)
  • Piscina coberta]
  • Parque de Campismo]

Ensino superior[editar | editar código-fonte]

Escolas[editar | editar código-fonte]

  • Escola EB 2,3 Santiago Maior
  • Escola EB 2,3 Mário Beirão
  • Escola EB 2,3 Santa Maria
  • Escola Secundária D. Manuel I
  • Escola Secundária Diogo Gouveia
  • Conservatório Regional do Baixo Alentejo

Museu Rainha Dona Leonor[editar | editar código-fonte]

Este museu foi criado em 1927 e 1928 no antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição da Ordem de Santa Clara (extinto em 1834), e tem vindo a expandir gradualmente a sua colecção. O edifício (um convento franciscano) foi estabelecido em 1459 por Fernando de Portugal, Duque de Viseu e de Beja ao pé do seu palácio ducal. As obras continuaram até 1509. A colecção do museu divide-se em três áreas distintas; arqueologia, ourivesaria e pintura.

Na arqueologia podemos encontrar machados de pedra polida, e lápides funerárias epigrafadas da Idade da Pedra; do período romano encontra-se capitéis, numismática e cerâmica comum; alguns vestígios da ocupação árabe; e do período medieval encontram-se principalmente fragmentos de edifícios civis e religiosos da cidade. Os vestígios paleocristãos encontram-se no núcleo visigótico do museu, na igreja de Santo Amaro.

A ourivesaria do museu é constituída por prataria do século XVI ao século XIX principalmente de origem sacra, mas também existem exemplares da civil. Uma peça que sobressai é uma escrivaninha em prata branca do século XVI oferecida pelo rei D. Manuel I à cidade.

Na pintura, o museu possui uma colecção de pinturas do século XV ao século XVII das escolas portuguesa, espanhola e flamenga.

Organização administrativa[editar | editar código-fonte]

O presidente da Câmara Municipal de Beja é João Manuel Rocha da Silva, eleito pelo CDU - Coligação Democrática Unitária. O município de Beja é administrado por uma câmara municipal composta por seis vereadores. Existe uma assembleia municipal que é o órgão legislativo do município.

Subdivisões administrativas (freguesias)[editar | editar código-fonte]

Castelo de Beja no interior.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Eventos[editar | editar código-fonte]

  • Ovibeja - Feira de actividades agrícolas, pecuárias, artesanais e turísticas.
  • Ruralbeja e Feira de Santa Maria
  • Semana Académica do IPBeja
  • Recepção Caloiro do IPBeja
  • "Terras de Cante" - Festival Internacional de Tunas Universitárias Cidade de Beja
  • Semana de Música para o Natal (Coro de Câmara de Beja)
  • Vinipax
  • Beja Wine Night
  • Festival Internacional de BD de Beja
  • Festival do Amor
  • Artshots - Workshops de Arte e Comunicação Multimédia (IPBeja)
  • Infomedia - semana de Multimédia na Escola Secundária Diogo de Gouveia
  • Festival de Bandas da Cidade de Beja
  • Rastafest - Festival da Diversidade
  • Palavras Andarilhas
  • Encontro de Coros de Beja (Coro de Câmara de Beja)

Imprensa[editar | editar código-fonte]

Os jornais locais são o Diário do Alentejo, o Correio do Alentejo e o Alentejo Popular. Os outros órgãos de comunicação social são Rádio Voz da Planície (104.5 FM), Rádio Pax (101.4 FM), Rádio Boa Onda (rádio por internet). "ESDGtv" (televisão interna da ESDG)

Companhias teatrais[editar | editar código-fonte]

  • Arte Pública
  • Grupo de Teatro Jodicus
  • Lendias d'Encantar

Agremiações culturais[editar | editar código-fonte]

  • Coro do Carmo de Beja
  • Associação Cultural e Recreativa Zona Azul
  • Coro de Câmara de Beja
  • Associação Trovadores de Beja - Tuna Universitária de Beja
  • Sociedade Filarmónica Capricho Bejense
  • Arruaça - Associação Juvenil
  • Grupo Coral e Instrumental Trigo Limpo
  • Ideias em Comum - Associação Cultural
  • Zarcos - Associação de Músicos de Beja

Agremiações desportivas[editar | editar código-fonte]

  • Associação Cultural e Recreativa Zona Azul
  • Associação de Patinagem do Alentejo
  • Beja Atlético Clube
  • Clube Desportivo de Beja
  • Clube de Patinagem de Beja
  • Clube de Radiomodelismo de Beja
  • Despertar Sporting Clube
  • Judo Clube de de Beja
  • Centro de Cultura e Desporto do Bairro de Nª Sr.ª da Conceição
  • Clube Airsoft de Beja
  • TTBAVENTURA - Clube de Todo Terreno e Bicicleta de Beja
  • CNB - Clube de Natação de Beja
  • Beja Basket Clube (BBC)

Outras agremiações[editar | editar código-fonte]

Cáritas Diocesana de Beja

Cidadãos ilustres[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b [1] Censos 2011
  2. Oliveira, Leonel de (dir.) - Nova Enciclopédia Larousse. 1ª ed. [S. l.]: Círculo de Leitores, 1997. Vol. 4, p. 979. ISBN 9724215156
  3. Censos 2011. INE. Página visitada em 7 de fevereiro de 2012.
  4. Beja Online. História. Consultado a 07-07-2007.
  5. a b Normais Climatológicas de Beja (1971-2000)
  6. http://www.anmp.pt/anmp/pro/mun1/gem101l0.php?cod_ent=M7800
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