Bella ciao
Bella ciao é uma canção popular italiana, provavelmente composta no fim do século XIX.
Na sua origem teria sido um canto de trabalho das mondine,[1] trabalhadoras rurais temporárias, em geral provenientes da Emilia Romagna e do Vêneto, que se deslocavam sazonalmente para as plantações de arroz da planície Padana. Mais tarde, a mesma melodia foi a base para uma canção de protesto contra a Primeira Guerra Mundial. Finalmente, a mesma melodia foi usada para a canção que se tornou um símbolo da Resistência italiana, durante a Segunda Guerra Mundial.
Bella ciao tornou-se muito conhecida em todo o mundo e foi gravada por vários artistas italianos, russos, bósnios, croatas, sérvios, húngaros, ingleses, espanhóis, alemães, turcos, japoneses, chineses e curdos.
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[editar] A versão original
A provável letra original da canção tem como tema as duras condições de trabalho nos arrozais padanos:
Alla mattina appena alzata, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, alla mattina appena alzata,
devo andare a lavorar!
A lavorare laggiù in risaia, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao! A lavorare laggiù in risaia
Sotto il sol che picchia giù!
E tra gli insetti e le zanzare, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, e tra gli insetti e le zanzare,
duro lavoro mi tocca far!
Il capo in piedi col suo bastone, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, il capo in piedi col suo bastone
E noi curve a lavorar!
Lavoro infame, per pochi soldi, o bella ciao bella ciao
Bella ciao ciao ciao, lavoro infame per pochi soldi
E la tua vita a consumar!
Ma verrà il giorno che tutte quante o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, ma verrà il giorno che tutte quante
Lavoreremo in libertà! [2]
- Tradução em português
De manhã, logo que me levanto, o bela, ciao!
Devo ir trabalhar! Trabalhar lá no arrozal, bela, ciao,
Sob o sol que queima a cabeça.
E entre insetos e mosquitos, o bela, ciao, um duro trabalho devo fazer.
O capataz em pé com seu bastão, o bela, ciao,
e nós, encurvadas, a trabalhar!
Trabalho infame, por pouco dinheiro, o bela, ciao!
e a consumir a tua vida !
Mas virá o dia em que todas nós, o bela, ciao, trabalharemos em liberdade.
[editar] A versão partigiana
- Una mattina mi son svegliato,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- Una mattina mi son svegliato,
- e ho trovato l'invasor.
- O partigiano, portami via,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- O partigiano, portami via,
- ché mi sento di morir.
- E se io muoio da partigiano,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E se io muoio da partigiano,
- tu mi devi seppellir.
- E seppellire lassù in montagna,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E seppellire lassù in montagna,
- sotto l'ombra di un bel fior.
- E le genti che passeranno,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E le genti che passeranno,
- Mi diranno «Che bel fior!»
- «È questo il fiore del partigiano»,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- «È questo il fiore del partigiano,
- morto per la libertà!»
- Tradução em português
Nesta tradução, a palavra «resistente» designa um membro de força militar irregular que se opõe a um invasor externo ou a um exército de ocupação.
- Acordei de manhã
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- Acordei de manhã
- E deparei-me com o invasor
- Ó resistente, leva-me embora
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- Ó resistente, leva-me embora
- Porque sinto a morte a chegar.
- E se eu morrer como resistente
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- E se eu morrer como resistente
- Tu deves sepultar-me
- E sepultar-me na montanha
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- E sepultar-me na montanha
- Sob a sombra de uma linda flor
- E as pessoas que passarem
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- E as pessoas que passarem
- Irão dizer-me: «Que flor tão linda!»
- É esta a flor
- Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
- É esta a flor do homem da Resistência
- Que morreu pela liberdade
[editar] Difusão
A popularidade de Bella ciao teve início na metade do século XX, na época dos festivais mundiais da juventude comunista, realizados em várias cidades, como Berlim, Praga e Viena. Nessas ocasiões a canção era entoada, pela delegação italiana, despertando o entusiasmo das demais delegações. Assim, acabou sendo traduzida em várias línguas.
Bella ciao difundiu-se largamente nos anos 1960, sobretudo durante as manifestações operárias e estudantis de 1968.
As primeiras gravações da versão partigiana se devem à cantora italiana de origem emiliana Giovanna Daffini, uma ex-mondina, e ao cantor francês de origem toscana Yves Montand.[3] Versões contemporâneas foram gravadas pela Banda Bassotti e pelo grupo Modena City Ramblers, que também interpretou a canção durante tradicional concerto do 1° de maio na praça de San Giovanni, em Roma.
Na história recente, a canção tornou-se uma espécie de hino oficial dos movimentos comunistas, anarquistas ou de resistência, mesmo fora da Itália, a exemplo das comunidades zapatistas de Chiapas, para onde foi levada por militantes italianos.
Referências
- ↑ Canções contra a guerra. "Bella ciao"
- ↑ Ecomuseo delle terre d'acqua: "Bella ciao". Texto extraído do livro Riseri dal me coeur de D. Massa, R. Palazzi e S. Vittone.
- ↑
Em italiano, cantada por Yves Montand (mp3)
[editar] Ligações externas
- Colecção de Bella Ciao em mp3
- Bella Ciao ambas outro canzoni da partidário Italiano
- Uma versão italiana ligeiramente diferente no web site da Associazione Nazionale Partigiani d'Italia