Belle Époque brasileira

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A Belle Époque Brasileira, também conhecida como Belle Époque Tropical, foi um período artístico, cultural e político do Brasil, que começou em fins do Império e que se prolongaria até fins da República Velha (1889-1931). A Belle Époque, no Brasil, difere de outros países, seja pela duração do período, seja pelo avanço tecnológico, que se deu, principalmente, nas duas regiões mais prósperas do país na época: a região cafeeira (São Paulo) e a região do ciclo da borracha (Amazônia).

História[editar | editar código-fonte]

Belle Époque na Amazônia[editar | editar código-fonte]

Os novos ricos de Manaus tornaram a cidade a capital mundial da venda de diamantes.

Financiada pelo Látex, a Belle Époque amazônica iniciou-se em 1871. Centrada principalmente em Belém e também em Manaus, o período foi marcado por intensiva modernização de ambas as cidades. Antes disso, ainda no século XIX, Belém já apresentava avanços em relação a outras cidades, como o Teatro da Paz, inaugurado em 1878. Belém, capital do Estado do Pará, assim como Manaus, capital do Estado do Amazonas, eram na época consideradas cidades brasileiras das mais desenvolvidas e umas das mais prósperas do mundo. Ambas possuíam luz elétrica, bondes e sistema de água encanada e esgotos. Viveram seu apogeu entre 1890 e 1911, gozando de tecnologias que outras cidades do sul e sudeste do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos, avenidas construídas sobre pântanos aterrados, além de edifícios imponentes e luxuosos, como o requintado Theatro da Paz, Mercado de São Brás, Mercado Francisco Bolonha, Mercado de Ferro, Palácio Antônio Lemos, corredores de mangueiras e diversos palacetes residenciais no caso de Belém, construídos em boa parte pelo intendente Antônio Lemos na cidade de Belém. No caso de Manaus temos o Teatro Amazonas, Palácio Rio Negro, Palacete Provincial e o Mercado Adolpho Lisboa.

A construção desse espaço de cultura completava o quadrado, em cujos vértices situavam-se o Palace, Grande Hotel e o Teatro da Paz, local de Reunião da elite de Belém que, elegantemente trajados à moda parisiense assistiam a inauguração ao som de acordes musicais, num ambiente esplendoroso, de bom gosto e de grande animação. A abertura teve como pano de fundo a Belle Époque, ao final do apogeu econômico propiciado pelo período da borracha e o final da intendência de Antônio Lemos, grande transformador urbanista da cidade.

A influência européia logo se fez notar em Manaus e Belém, na arquitetura da construções e no modo de viver, fazendo do século XIX a melhor fase econômica vivida por ambas cidades. A Amazônia era responsável, nessa época, por quase 40% de toda a exportação brasileira. Belém foi a cidade mais rica do Brasil nessa época, em decorrência de toda a borracha extraída na Amazônia ter sido exportada pelo seu porto, já que o de Manaus ficava distante demais do litoral. Graças à borracha, a renda per capita de Belém era duas vezes superior à da região produtora de café (São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo).

Moeda da borracha: libra esterlina: como forma de pagamento pela exportação da borracha, os seringalistas recebiam em libra esterlina (£), moeda do Reino Unido, que inclusive era a mesma que circulava em Manaus e Belém durante a Belle Époque amazônica.

Belle Époque na região cafeeira[editar | editar código-fonte]

A Belle Époque na região cafeeira reflete o momento áureo que o café traz ao Rio de Janeiro e sobretudo a São Paulo que consegue firmar-se como centro econômico de porte nacional.

O Bondinho do Pão de Açúcar foi inaugurado ainda na Belle Époque,

No Rio de Janeiro, houve profundas mudanças sociais em sua paisagem urbana. A explosão urbana no Rio de Janeiro do final do século XIX fez com que a sua população saltasse de 266 mil a 730 mil habitantes entre 1872 a 1904, graças à chegada de ex-escravos (após a abolição, 34% da população era negra ou mestiça) e de imigrantes (os quais chegam a perfazer 40% da força de trabalho do Rio), consequentemente inchando sobretudo os cortiços e as favelas que já começam a brotar nos morros do centro da cidade (KOK, 2005)[1] . Em 1920, a população do Rio atingiu 1.157.873 segundo o IBGE[2] . Inspirado nas reformas de Haussmann, o Prefeito Pereira Passos procedeu profunda reforma urbana na capital, visando o saneamento, o urbanismo e o embelezamento e conferir ao Rio ares de cidade moderna e cosmopolita. Para aumentar a circulação de ar no centro do Rio, muitas ruas foram ou alargadas (p.ex., Rua Marechal Floriano) ou abertas (p.ex., Avenida Central), e se desmanchou inclusive o histórico Morro do Castelo, onde Mem de Sá, em 1567, havia refundado a cidade com a instalação da Fortaleza de São Sebastião e os muros da cidadela ao redor do morro, a câmara municipal e a cadeia, a casa do governador e os armazéns-gerais. A cidade também ganhou inúmeras linhas de bonde. Em 1908, realizou-se na Urca a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, para a qual foram construídos vários edifícios temporários. A maioria desses edifícios foi derrubada após o término da exposição. Uma exceção foi o prédio do Pavilhão dos Estados, que é atualmente ocupado pelo Museu de Ciências da Terra.

Além disso, outro ponto forte foi a criação de bairros da classe média carioca, como alguns presentes na região do Grande Méier, e outras áreas nobres, como alguns bairros da Zona Sul carioca, como Glória, Catete, Botafogo e Copacabana, cuja ocupação da área se deu definitivamente com a inauguração do Túnel Velho. Também nesse período nasceu um dos cartões postais da cidade, o teleférico do pão de açúcar, em 1912.

Um dos maiores símbolos da Belle Époque na cidade foi a inauguração do Theatro Municipal, em 1909, cujo interior abriga as pinturas de Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo. Eliseu Visconti concluiu sua formação na França, em plena Belle Époque, absorvendo influências do impressionismo, do simbolismo, do art-nouveau e do pontilhismo, estilos presentes em suas pinturas decorativas do Theatro. Aliás todo o complexo da Cinelândia - onde está localizado o Theatro Municipal - é transfigurado sendo acrescido posteriormente com a instalação do Palácio Monroe e vários cinemas (Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, o Império, o Pathé, o Capitólio, o Rex, o Rivoli, o Vitória, o Palácio, o Metro Passeio, o Plaza e o Colonial), a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes. A nova estética também estimula o remodelamento de tradicionais centros de lazer do Rio como a Casa Cavé e a Confeitaria Colombo, considerada até hoje como um dos dez mais bonitos cafés do mundo[3] , assim como o florescimento de ritmos como o choro e o samba. Para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, hotéis sofisticados como o Hotel Copacabana Palace, o Hotel Glória e o Hotel Balneário (o qual ficou mais conhecido posteriormente por abrigar o famoso Cassino da Urca) são inaugurados. Em 7 de setembro de 1929, é inaugurado o Edifício ''A Noite'', o primeiro arranha-céu do Brasil. Como resultado de todas estas transformações da Belle Époque carioca que caracterizaram no ideário coletivo o Rio Antigo, em 1928, o jornalista e escritor maranhense Coelho Neto descreve o Rio de Janeiro em contos como "A Cidade Maravilhosa", apelido este que inspirou a marcha de carnaval de mesmo nome e composta em 1934 por Antônio André de Sá Filho.

Já em São Paulo, durante a República Velha (1889-1930), a cidade industrializa-se e a população salta de ao redor de 70 mil habitantes em 1890[4] para 240 mil em 1900[5] a 580 mil em 1920[6] . O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX e pela avenida Paulista em 1900, onde se construíram muitas mansões. O vale do Anhangabaú é ajardinado e a região situada à sua margem esquerda passa a ser conhecida como Centro Novo. A sede do governo paulista é transferida, no início do século XX, do Pátio do Colégio para os Campos Elísios. São Paulo abrigou, em 1922, a Semana de arte moderna que foi um marco na história da arte no Brasil. Em 1929, São Paulo ganha seu primeiro arranha-céu, o Edifício Martinelli. As modificações realizadas na cidade por Antônio da Silva Prado, o Barão de Duprat e Washington Luís, que governaram de 1899 a 1919, contribuíram para o clima de desenvolvimento da cidade; alguns estudiosos consideram que a cidade inteira foi demolida e reconstruída naquele período.

Com o crescimento industrial da cidade, no século XX, para a qual contribuiu também as dificuldades de acesso às importações durante a Primeira Guerra Mundial, a área urbanizada da cidade passou a aumentar, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras. A partir da década de 1920 com a retificação do curso de rio Pinheiros e reversão de suas águas para alimentar a Usina Hidrelétrica Henry Borden, terminaram os alagamentos nas proximidades daquele rio, permitindo que surgisse na zona oeste de São Paulo, loteamentos de alto padrão conhecidos hoje como a "Região dos Jardins". O principal símbolo da Belle Époque paulistana e também brasileira é o Teatro Municipal de São Paulo.

A cidade desenvolveu-se devido a sua localização privilegiada no centro do complexo cafeeiro e também a proximidade ao Porto de Santos. A intensiva imigração para a cidade se destaca principalmente pela diversidade cultural da cidade, muito influenciada por italianos e pessoas de diversas regiões brasileiras, fora os bairros que abrigam colônias de imigrantes, como Liberdade, que abriga a maior colônia Japonesa fora do Japão, e o Bixiga, reduto de imigrantes italianos da cidade.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Teatro Municipal de São Paulo, um dos símbolos da Belle Époque brasileira.

O então nascente regime, a República, desejava inaugurar uma nova era no Brasil, e por isso procurou minimizar tudo que lembrava o Império e a colonização portuguesa. As artes tomaram novos rumos, se aproximando das culturas francesa [7] e italiana [8] . É dessa época a fundação de Belo Horizonte, cidade planejada, e as grandes reformas urbanísticas empregadas no Rio de Janeiro, então Capital Federal, por Pereira Passos e Rodrigues Alves [9] .

O período é caracterizado por forte moralismo e "repressão sexual", ideais de comportamento típicos da era vitoriana. A unidade monetária vigente no Brasil ainda era o réis, um padrão instituído pelos portugueses na época colonial.

Em se tratando de língua portuguesa, as regras ortográficas obedeciam aos ditames do grego e do latim. Esse modo de escrever só acabou com a reforma ortográfica de 1943, em plena Era Vargas, e portanto, bem depois dessa Belle Époque versão "tupiniquim". Farmácia e comércio, por exemplo, eram escritos pharmacia e commercio.

O clima ufanista da época, fazia com que termos de novidades estrangeiras fossem aportuguesados. Um exemplo disso foi com o futebol, então recém chegado ao país, onde tentou-se renomeá-lo de ludopédio, sendo ludo = jogo e pédio = pé (bola no pé).

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

O Brasil na Primeira Guerra Mundial tinha uma posição respaldada pela Convenção de Haia, mantendo-se inicialmente neutro, buscando não restringir o mercado a seus produtos de exportação, principalmente o café. Foi o único país latino-americano que participou da Primeira Guerra Mundial.

O conflito também afetaria a era em que se passava o Brasil.

Revoltas[editar | editar código-fonte]

A Belle Époque foi também palco da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e do caudilhismo, com objetivos de derrubar o governador, Júlio de Castilhos e de liderança de Gaspar Silveira Martins, (líder dos maragatos) e Júlio de Castilhos, (líder dos chimangos).

A Belle Epoque também foi palco da Revolta da Vacina.

Revoltas do período[editar | editar código-fonte]

Término[editar | editar código-fonte]

O ex-presidente Rodrigues Alves com a família, 1913.

A Belle Époque brasileira terminou em 1922, com a Semana de Arte Moderna, a fundação do PCB [11] e as rebeliões tenentistas[12] . Mas, a presença dessa cultura não desapareceu de uma só vez, e sim aos poucos, em um processo lento. A sua influência foi sentida até o começo dos anos 30.

Áudio[editar | editar código-fonte]

Discurso do Barão do Rio Branco (1909)
Discurso do Barão do Rio Branco

Corta-Jaca (1912)
"Corta-Jaca", de Chiquinha Gonzaga, uma canção muito popular da época.

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Referências

Referência bibliográfica[editar | editar código-fonte]

  • ERMAKOFF, George. Rio de Janeiro 1900 - 1930: Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: Editora G. Ermakoff, 2003.
  • ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro - 1903-1936. Rio de Janeiro: Editora G. Ermakoff, 2009.
  • _________. Nosso Século. São Paulo: Editora Abril, 1980. 5 vol. Volumes 1 e 2.
  • VISCONTI, Tobias Stourdzé et allii. Eliseu Visconti - A arte em movimento. Rio de Janeiro: Holos Consultores Associados, 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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