Bellini e o Demônio

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Bellini e o Demônio
Capa do DVD do filme.
 Brasil
2008 • cor • 90 min 
Direção Marcelo Galvão
Produção Theodoro Fontes
Produção executiva Theodoro Fontes
André Fontes
Lizete Martins
Roteiro Marcelo Galvão
Baseado em Bellini e o Demônio de Tony Bellotto
Elenco Fábio Assunção
Rosane Mulholland
Gênero Suspense
Idioma Português
Música Eduardo Queiroz
Marina de La Riva
Andreas Kisser
Direção de arte Leandro Vilar
Direção de fotografia Rodrigo Tavares
Estúdio Santa Fé 1900 Filmes
Distribuição Santa Fé 1900 Filmes
Imagem Filmes (DVD)
Lançamento 7 de março de 2008 (Los Angeles)
27 de agosto de 2010
Orçamento R$ 3.552.991,72
Receita R$ 14.122
Cronologia
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Bellini e a Esfinge
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Página no IMDb (em inglês)

Bellini e o Demônio é um filme brasileiro de 2008, do gênero suspense dirigido e escrito por Marcelo Galvão, baseado no livro homônimo de Tony Bellotto, de 1997. É a sequência de Bellini e a Esfinge, lançado em 2001. Inicialmente, Malu Mader desejava dirigir o longa, porém essa tarefa ficou a cargo de Galvão, cuja principal influência na construção da história foi Aleister Crowley. No entanto, o resultado final não foi aquele esperado por ele, pois houveram desentendimentos entre ele e o produtor Theodoro Fontes durante a produção do filme. Foi gravado durante o ano de 2006, com locações em São Paulo.

O filme conta a história do detetive Remo Bellini que se vê em meio a uma série de assassinatos ligados a um misterioso livro. Bellini e o Demônio foi exibido pela primeira vez em 2008, no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles, onde Fábio Assunção foi eleito o melhor ator. Participou das mostras competitivas da Première Brasil, no Festival do Rio, em 2009, e também da 29ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto, onde Assunção também concorreu ao prêmio de melhor ator. O filme recebeu críticas variadas, que tendem a ser mais negativas do que positivas em relação ao filme.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Remo Bellini (Fábio Assunção), um detetive que mora na cidade de São Paulo, está vivendo em seu apartamento e passando por uma fase em que está barbudo, maltrapilho, sem comer e à base de remédios.[1] Sem nenhum caso para resolver e contas para pagar, entrega-se as drogas e as bebidas e começa a ter delírios.[2] [3] Nesse contexto surge uma esperança, ele é contratado por uma pessoa misteriosa para descobrir o paradeiro do chamado "Livro da Lei", que parece estar relacionado a crimes brutais e rituais satânicos.[1] Paralelamente, a jornalista Gala (Rosane Mulholland), com que Bellini já teve um relacionamento, investiga a morte de uma garota assassinada no colégio (Caroline Abras), onde os indícios levam ao misterioso livro desaparecido.[1] [2] Além do detetive e da jornalista, policiais (Nill Marcondes e Christiano Cochrane) também procuram desvendar o mistério por de trás da onde de assassinatos.[1] [3]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Em 2002, pouco após o lançamento de Bellini e a Esfinge, a equipe de produção já cogitava a possibilidade de adaptar o livro homônimo lançado em 1997, de autoria de Tony Bellotto, considerando a possibilidade de Malu Mader, que interpretou Fátima, codirigir o filme ao lado de Roberto Santucci.[4] [5] [6] A atriz disse que gostaria de dirigir Bellini e o Demônio, mas que seria complicado pois ela tinha que cuidar de seus filhos, e que a produção de um novo filme teria que ficar para depois em função de seu trabalho em BR-163, de Dodô Brandão.[7]

No entanto, o diretor do longa foi Marcelo Galvão que revelou que, além do livro de Bellotto, buscou referências cinematográficas nas obras de David Lynch e David Cronenberg e se deixou influenciar por questões religiosas, como os rituais de quimbanda, de magia negra, que também estão bem presentes no filme. Ele também comentou que boa parte da história foi criada a partir de Aleister Crowley como sua referência principal.[8] Ele foi contratado para dirigir, mas também para avaliar o roteiro, que ele refez, e descreveu como "um trabalho muito árduo", dizendo que suas vários pesquisas faziam projetos "verdadeiros, não são superficiais."[9]

Galvão disse ter ficado insatisfeito com a versão lançada nos cinemas e que se sentiu traído.[9] Ele havia escrito um roteiro, porém o produtor Teodoro Fontes não gostou de sua montagem e modificou o filme, eliminando a forma como o diretor vê a história original. Marcelo declarou que o livro "[t]em bastante coisa interessante, mas não acho que seja a montagem correta e acho que isto prejudica um pouco a história", que, segundo ele, se tornou "banal".[10] [9] O diretor ainda afirmou que "ele [Teodoro Fontes] é o dono do filme, então faz o que quiser", mas ficou satisfeito em saber que a versão lançada em DVD conteria um extra com um director's cut da versão que lhe agradava.[10] Durante a produção do filme, o diretor inclusive cogitou seu desligamento de Bellini e o Demônio devido a esse fato.[11]

Fábio Assunção comentou que a principal diferença entre este e o primeiro filme é que Bellini e o Demônio "é mais psicológico", dizendo que Bellini e a Esfinge "tem uma narrativa mais visível, é mais fácil para o público entender". O ator ainda disse que trabalhar com Galvão foi "caótico", pois "não tinha muita ordem, não tinha muito roteiro na mão" e acrescentou que chegou a dizer para o diretor: "Marcelo, pelo amor de Deus, que parte do filme é essa?". Assunção ainda afirmou que para um terceiro filme —que seria a adaptação de Bellini e os Espirítos— acontecer era necessário uma boa produção. Segundo ele, as roupas usadas no filme eram de sua posse, pois o filme foi feito com um orçamento baixo.[12] O longa co-produzido por Santa Fé 1900 Filmes Ltda., Telecine Productions, Quanta, Cristal Líquido, Motion, Anima Music e Guela Produções,[4] [13] recebeu um orçamento de 3.552.991,72 de reais da Ancine.[14]

As gravações do filme começaram em 2006 em São Paulo e ocorreram em lugares como a Serra da Cantareira, Granja Viana, Estação Júlio Prestes, Vale do Anhangabaú e o Colégio Estadual Rodrigues Alves, onde Tony Bellotto estudou durante o primário.[15]

Lançamento e recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

A estreia mundial de Bellini e o Demônio ocorreu em 7 de março de 2008, no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles.[16] O filme ainda foi exibido durante a 10ª edição do Festival de Cinema Brasileiro em Paris, no mesmo ano,[17] e em 2009, nas mostras competitivas da Première Brasil, no Festival do Rio,[18] e da 29ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto.[19] O longa teve uma pré-estreia no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 2010.[20] Estreou oficialmente no circuito nacional dois dias depois, sendo assistido por 1.661 espectadores e arrecadando 14.122 reais, segundo a Ancine.[21] [22] De acordo com a revista Filme B, o longa teve um público de 1.933, o que o tornou o 59º filme brasileiro mais visto do ano de 2010.[23] Em março de 2011, foi lançado em DVD pela Imagem Filmes,[12] [24] com formato 16:9 widescreen, áudio Dolby Digital 5.1, legendas em francês e inglês e com extras sobre a produção do filme.[25]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Eduardo Valente, da revista Cinética, criticou o filme por não conseguir se comparar aos filmes americanos do gênero, dizendo que "[a] história que o filme urde fica sempre entre o banal [...] e o simplesmente incompreensível." O crítico ainda comentou que o longa "não consegue nunca tornar nenhum dos seus personagens interessante", notando que a única personagem que poderia ser "instigante" – Silvia – é mal aproveitada. Valente também criticou a iluminação e dinâmica de quadro "que não nos dá clima em nenhum momento do filme." Ele terminou dizendo que Bellini e a Esfinge tinha a "aura e ao espírito do cinema B que nos fazia acreditar naquilo tudo", porém que Bellini e o Demônio não consegue fazer o mesmo e "que, ao fim e ao cabo, nos deixam sem qualquer idéia do que, afinal, tornaria Bellini e seu universo algo que deveria nos interessar."[3] O Jornal do Brasil notou a diferença entre este e o primeiro filme, nos termos estéticos e dramatúrgicos e disse que "[a] câmera repete as oscilações de certos seriados americanos de TV moderninhos e a trama lembra vagamente o contexto de Coração Satânico, de Alan Parker", além de ter elogiado Caroline Abras como o "principal nome feminino no elenco".[26]

Escrevendo para o site Cinepop, Edu Fernandes avaliou o filme com uma estrela e meia de cinco possíveis, comentando que o filme "passa do ponto", às vezes, usando muito "uma câmera nervosa" para "criar imagens perturbadoras" ao invés de ser mais calmo e conservador e quem com com essa opção, "o diretor deixou escapar a chance de fazer belas cenas sensuais com a atriz Rosane Mulholland", que era um dos propósitos da personagem, segundo o crítico. Ele criticou algumas cenas que por não fazerem sentido e "o final confuso", embora tenha elogiado a atuação de Fábio Assunção.[27] Roberto Cunha do AdoroCinema disse que "embora bem dirigido, com um clima de terror legal para os padrões brasileiros, boas sequências, preocupação com o visual, boa edição e trilha, a narrativa não ajuda", acrescentando que "é fácil imaginar muito espectador completamente perdido diante da telona."[2] Rafael Castro, do Universo Online, criticou a edição som, a montagem, a trama, a trilha sonora, a fotografia, as atuações e a direção, dizendo que "o filme não é ao menos assistível" e "é tão fraco quanto o primeiro."[28]

O ator Fábio Assunção foi premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles na categoria "Melhor Ator" por sua atuação no filme.[29] Ele foi indicado na mesma categoria no Festival Internacional de Cinema do Porto.[30]

Referências

  1. a b c d Miranda, Débora (12 de agosto de 2008). Fábio Assunção volta ao cinema como detetive perturbado G1. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  2. a b c Cunha, Roberto. Bellini e o Demônio: Crítica AdoroCinema. Página visitada em 11 de julho de 2013.
  3. a b c Valente, Eduardo (setembro de 2009). Bellini e o Demônio, de Marcelo Galvão (Brasil, 2009) Cinética.. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  4. a b Bellini e o Demônio Cinemateca Brasileira. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  5. Titã Tony Belloto lança 'Bellini e o Demônio' Folha de S. Paulo. (22 de dezembro de 1997). Página visitada em 10 de julho de 2013.
  6. Arantes, Silvana (1 de março de 2002). "Bellini e a Esfinge" vai à tela como "filme de clima" Folha de S. Paulo.. Página visitada em 12 de julho de 2013.
  7. Malu Mader: “O ser humano está acima de tudo” A Tarde. (28 de fevereiro de 2002). Página visitada em 12 de julho de 2013.
  8. Porto, Henrique (28 de setembro de 2009). 'Bellini e o demônio' marca volta de Fábio Assunção ao cinema G1. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  9. a b c Miranda, Débora (9 de junho de 2008). Com lutas de verdade, ‘Rinha’ quer conquistar mercado internacional G1. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  10. a b Santana, Ravi (27 de agosto de 2010). Diretor não quer que 'Bellini e o Demônio' suje sua carreira Terra Networks. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  11. Marcelo Galvão pede para sair de ´Bellini e o Demônio´ Universo Online (4 de julho de 2008). Página visitada em 10 de julho de 2013.
  12. a b Bellini e o Demônio 2001 Vídeo (15 de março de 2011). Página visitada em 13 de julho de 2013.
  13. CPTM: Estação Júlio Prestes será cenário para gravação do filme Bellini e o Demônio Governo do Estado de São Paulo (25 de agosto de 2006). Página visitada em 13 de julho de 2013.
  14. Deliberação nº 192 de 03 de novembro de 2009 Ancine. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  15. Amin, Tatiana (2 de setembro e 2006). Fábio Assunção começa a gravar Bellini e o Dêmonio por São Paulo O Fuxico. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  16. Los Angeles realiza primeiro festival de cinema brasileiro Folha de S. Paulo. (29 de fevereiro de 2008). Página visitada em 12 de julho de 2013. Cópia arquivada em 4 de março de 2008.
  17. Fernandes, Daniela (7 de maio de 2008). Festival de cinema brasileiro em Paris completa 10 anos BBC Brasil. Página visitada em 12 de julho de 2013.
  18. Festival do Rio anuncia mais filmes da Première Brasil Ancine (9 de setembro de 2009). Página visitada em 10 de julho de 2013.
  19. Bellini e o Demônio é selecionado para festival de cinema português CineClick (12 de janeiro de 2009). Página visitada em 10 de julho de 2013.
  20. Famosos prestigiam pré-estreia de 'Bellini e o Demônio' Terra Networks (25 de agosto de 2010). Página visitada em 12 de julho de 2013.
  21. Cinema: Estreias da Semana - 27 de agosto Omelete (26 de agosto de 2010). Página visitada em 12 de julho de 2013.
  22. Filmes Brasileiros Lançados - 1995 a 2012 p. 8. Ancine. Página visitada em 11 de julho de 2013.
  23. Hessel, Marcelo (29 de dezembro de 2010). Sai a lista dos filmes nacionais mais vistos de 2010 Omelete. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  24. Diniz, Aline (2 de março de 2011). Lançamentos em DVD e Blu-Ray - 28 de fevereiro a 6 de março Omelete. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  25. (março 2011). Bellini e o Demônio (DVD). Imagem Filmes.
  26. Fábio Assunção e Marcelo Galvão enfrentam seus demônios Jornal do Brasil. (30 de setembro de 2009). Página visitada em 10 de julho de 2013.
  27. Fernandes, Edu. Crítica | Bellini e o Demônio Cinepop. Página visitada em 10 de julho de 2013.
  28. Castro, Rafel (30 de setembro de 2009). Bellini e o Demônio Universo Online. Página visitada em 13 de julho de 2013.
  29. Rodrigues, Macedo; Botelho, Thaís. (17 de março de 2008). "Aconteceu: Celebridades". IstoÉ Gente (445). Página visitada em 12 de julho de 2013.
  30. Bergamo, Mônica (17 de janeiro de 2009). Recuperação Folha de S. Paulo.. Página visitada em 13 de julho de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]