Bernardo de Brito
Frei Bernardo de Brito (Almeida, 1569 - Almeida, 1617), monge da Ordem de Cister, historiador português.
Antes de professar votos na Abadia de Alcobaça, chamava-se Baltasar de Brito e Andrade.
Nasceu em Almeida. Seu pai destinava-o para a carreira das armas. Mandou-o estudar em Itália, onde estudou em Roma e em Florença. Quando regressou, entrou na Ordem de Cister, em Alcobaça,tornando-se notado pelos conhecimentos de latim, italiano, francês e espanhol. Doutorou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra.
Após o falecimento de Francisco de Andrada, cronista-mor de Portugal, foi nomeado como seu sucessor no cargo. Iniciou um projeto para redigir uma monumental História de Portugal em oito volumes, desde as suas origens até à sua época (a Monarchia Lusitana), do qual publicou o primeiro volume em 1597 e o segundo em 1609. Após a sua morte, a obra foi continuada até ao quarto volume por Frei António Brandão.
Frei Bernardo de Brito escreveu ainda:
- a primeira parte da Crónica de Cister (Lisboa, 1602);
- o Elogio dos Reis de Portugal (Lisboa, 1603); e
- a obra poética Sílvia de Lisardo (Lisboa, 1597).
Em 1614 Filipe II nomeou-o cronista-mor do Reino.
Principal discípulo de Paulo Orósio no âmbito da cultura portuguesa, foi o primeiro a tentar superar os limites fragmentários da crónica. Entretanto, é acusado por historiógrafos e historiadores, principalmente a partir de Alexandre Herculano, de ter interpretado os fatos históricos à luz do misticismo e da lenda, e mesmo de ter falsificado documentos à época (ver pseudo-história).