Bette Davis

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Bette Davis
Bette Davis em 1940.
Nome completo Ruth Elizabeth Davis
Outros nomes The Fifth Warner Brother
The First Lady of Film
Nascimento 5 de abril de 1908
Lowell, Massachussets
Nacionalidade Estados Unidos Norte-americana
Morte 6 de outubro de 1989 (81 anos)
Neuilly-sur-Seine, França
Ocupação Atriz
Cônjuge
Assinatura Bette Davis signature.jpg
Oscares da Academia
Melhor Atriz Principal
1939 - Jezebel
1936 - Dangerous
Emmy Awards
Melhor Atriz em Minissérie ou Filme
1979 - Strangers: The Story of a Mother and Daughter
Prêmios Globo de Ouro
Prémio Cecil B. DeMille
1974 - Prémio Honorário
Prémios Screen Actors Guild
Screen Actors Guild Life Achievement Award
1986 - Prémio Honorário
Festival de Cannes
Melhor Atriz
1951 - All About Eve
César
Prêmio Cesar
1974 - Prémio Honorário
IMDb: (inglês) (português)

Ruth Elizabeth "Bette" Davis (Lowell, 5 de abril de 1908Neuilly-sur-Seine, 6 de outubro de 1989), foi uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro. Conhecida por sua vontade de interpretar personagens antipáticas, ela era venerada por suas atuações numa variada gama de gêneros cinematográficos; de melodramas policiais, filmes de época e comédias, embora seus maiores sucessos tenham sido romances dramáticos.

Após trabalhar em peças na Broadway, Davis mudou-se para Hollywood em 1930, onde obteve pouco êxito com papéis em produções da Universal Studios. Foi contratada pela Warner Bros. em 1932, estabelecendo uma bem-sucedida carreira através de várias atuações aclamadas pela crítica. Em 1937 tentou se libertar do contrato e, apesar de ter perdido um processo contra a produtora que foi amplamente explorado pela mídia, atingiu o período de maior sucesso de sua carreira. Até o final dos anos 1940, Davis foi uma das mais célebres protagonistas do cinema americano, reconhecida por seu estilo forte e intenso. Ganhou uma reputação de perfeccionista muito combativa, sendo que embates com executivos dos estúdios, diretores de cinema e outras estrelas eram frequentemente noticiados pela mídia. Seu estilo franco, sua voz distinta e o cigarro sempre a mão contribuíram para a construção de uma imagem pública muito imitada e satirizada.

Davis co-fundou a Hollywood Canteen – iniciativa para angariar fundos para o Exército e entreter soldados estadunidenses durante a Segunda Guerra Mundial – e foi a primeira presidenta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Ganhou o Oscar de Melhor Atriz duas vezes, foi a primeira pessoa a receber dez indicações da Academia nas categorias de atuação, além de ter sido a primeira mulher a receber um prêmio pelo conjunto da obra do American Film Institute. Sua carreira passou por vários períodos sombrios, tendo ela mesma admitido que seu sucesso se deu muitas vezes às custas de seus relacionamentos pessoais. Casada quatro vezes, tornou-se viúva uma vez e divorciada outras três, tendo criado seus filhos como mãe solteira. Seus últimos anos foram marcados por um longo período de doença mas ela continuou atuando até pouco antes de sua morte por câncer de mama, com mais de 100 papéis em filme, televisão e teatro em sua filmografia. Em 1999, Davis foi a segunda colocada, atrás apenas de Katharine Hepburn, na lista do American Film Institute das maiores atrizes de todos os tempos.

Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma referente ao seu trabalho no cinema e outra referente ao seu trabalho na televisão. Elas estão localizadas em 6225 Hollywood Boulevard e 6233 Hollywood Boulevard.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Ruth Elizabeth Davis, conhecida desde a infância pela alcunha de "Betty", nasceu em Lowell, Massachusetts. Seus pais eram Ruth ("Ruthie") Augusta (nome de solteira Favor) e Harlow Morrell Davis, um advogado de patentes.[1] Possuía uma irmã, Barbara ("Bobby"), nascida em 25 de outubro de 1909. A família era protestante, de raízes inglesas, francesas e escocesas. Em 1915, os pais de Davis se separaram e Betty e Bobby foram matriculadas no internato de Crestalban em Lanesborough, cidade localizada no planalto de Berkshire.[2] Em 1921, Ruth Davis mudou-se com as filhas para Nova Iorque, onde trabalhou como retratista. Após ver Rudolph Valentino em Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (1921) e Mary Pickford em O Pequeno Lord (1921), Betty se sentiu inspirada a seguir a carreira de atriz,[3] mudando a grafia de seu nome para "Bette", em homenagem ao romance La Cousine Bette de Honoré de Balzac.[4] Ela recebeu o incentivo da mãe, que também aspirara ser atriz.

Bette Davis em 1937, no filme Marked Woman.

Nessa época, Davis estudou no internato Cushing Academy em Ashburnham, Massachusetts, onde conheceu seu primeiro marido, Harmon O. Nelson, conhecido como "Ham". Em 1926, assistiu a uma performance da peça O Pato Selvagem, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, estrelada pelas atrizes Blanche Yurka e Peg Entwistle. Davis posteriormente revelaria que a peça cimentou sua escolha pela carreira artística: "antes da peça começar, eu queria ser atriz. Quando ela terminou, eu tinha que ser uma atriz… exatamente como Peg Entwistle".[5] Primeiramente, Davis tentou entrar no Civic Repertory Theatre, uma companhia de teatro mantida por Eva LeGallienne em Manhattan, mas foi rejeitada pela própria LeGallienne, que a acusou de ser "frívola" e "insincera".[6] Porém, foi aceita pela John Murray Anderson School of Theatre, onde estudou dança com Martha Graham.

Concluídos os estudos, a jovem atriz fez um teste para a companhia de teatro de George Cukor, que, embora não tenha ficado muito impressionado com ela, lhe deu seu primeiro trabalho remunerado – o papel de uma corista na peça Broadway por uma semana. Mais tarde, Davis foi escolhida para o papel de Hedwig, o personagem que ela havia visto Entwistle interpretar em O Pato Selvagem. Depois de atuar na Filadélfia, em Washington, D.C. e em Boston, Davis estreou na Broadway em 1929 com a peça Pratos Quebrados, que foi seguida por Sólido Sul. Notada por um caçador de talentos da Universal Pictures, foi convidada para fazer um teste em Hollywood.

Década de 1930[editar | editar código-fonte]

Início em Hollywood[editar | editar código-fonte]

Acompanhada pela mãe, Davis viajou de trem para Hollywood, chegando dia 13 de dezembro de 1930. Os executivos da Universal não se impressionaram com a jovem, mas ofereceram-lhe um curto contrato. Em The Bad Sister (1931), Davis fez sua primeira aparição nos cinemas, em um papel menor. O filme, uma produção de baixo orçamento, é hoje lembrado por marcar as estreias de Davis e outro que ator que também se tornaria um mito, Humphrey Bogart. No mesmo ano, Davis apareceu em Seed.

A Universal renovou o contrato de Davis, dando-lhe um pequeno papel no bem recebido Waterloo Bridge. Davis foi então emprestada para outros estúdios, onde apareceu nas produções Way Back Home (1931), The Menace e Hell's House (ambos em 1932). Após nove meses e nenhum filme de sucesso, a Universal resolveu não renovar o contrato da atriz.

Contrato com a Warner Bros.[editar | editar código-fonte]

Decidida a deixar Hollywood e voltar para o teatro, Davis foi surpreendida por um telefonema do ator George Arliss, seu antigo professor de interpretação. O veterano profissional precisava de uma jovem atriz para seu novo filme, The Man Who Played God (1932), e convenceu os executivos da Warner Bros. a contratá-la. Pelo resto de sua vida, Davis creditou Arliss como o responsável por sua segunda chance em Hollywood.

Além de um contrato de cinco anos com a Warner Bros., o ano de 1932 foi marcado pelo primeiro casamento de Bette Davis. Com seu antigo namorado "Ham" Nelson.

Em seu primeiro grande sucesso, o filme Of Human Bondage.

Após uma série de aparições em filmes pouco memoráveis, Davis convenceu os executivos da Warner Bros. a emprestá-la a um estúdio rival, o RKO Pictures, para a produção de Of Human Bondage (br:Escravos do Desejo), em 1934. O filme, uma adpatação do romance homônimo do britânico W. Somerset Maugham, estrelada por Leslie Howard, fez grande sucesso com a crítica. A revista Life escreveu que a Mildred Rogers de Davis talvez fosse "a melhor interpretação de uma atriz americana registrada em filme". Quando o trabalho não foi indicado ao Oscar, a atriz Norma Shearer iniciou uma campanha por sua nomeação. Pressionada, a academia alterou as regras para a votação do ano, permitindo que nomes não presentes nas cédulas recebessem votos. Ainda assim, o Oscar de melhor atriz de 1934 foi entregue a Claudette Colbert, por Aconteceu Naquela Noite.

No ano seguinte, finalmente reconhecendo o potencial de Davis, a Warner Bros. Deu-lhe o papel principal em Dangerous (br: Perigosa). Segundo o jornal The New York Times, Davis estaria se tornando uma das mais interessantes atrizes do cinema. Oficialmente candidata, foi premiada pela primeira vez com o Oscar.

The Petrified Forest, 1936.

Em 1936, Davis voltou a atuar ao lado de Leslie Howard e Humphrey Bogart em The Petrified Forest (br: A Floresta Petrificada). Apesar do sucesso do filme, Davis voltou a ser usada em produções que ela julgava medíocres, como Satan Met a Lady. Convencida de que sua carreira estava sendo prejudicada, Davis abandonou a Warner Bros. antes do término de seu contrato, planejando atuar em dois filmes na Inglaterra. O caso foi levado à corte judicial inglesa que decidiu que a atriz deveria honrar seu contrato com a empresa.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a briga judicial terminou por beneficiar Davis, que passou a ser vista com mais respeito pelo presidente da Warner Bros., Jack Warner. Em 1937, Davis estrelou Marked Woman (br: Mulher Marcada) ao lado de Humphrey Bogart. A produção foi baseada no caso real de Charles "Lucky" Luciano, mafioso levado à justiça graças ao testemunho de um grupo de prostitutas. E rendeu a Davis novos elogios da crítica.

Em 1938, Bette Davis interpretou um dos papéis que mais marcariam sua carreira, Julie Marsden, em Jezebel (pt: Jezebel, a Insubmissa - br: Jezebel). Durante as filmagens, Davis iniciou um conturbado relacionamento com o diretor William Wyler. Posteriormente, ela admitiria que Wyler foi "o grande amor de minha vida". Pelo filme, Bette Davis recebeu seu segundo Oscar de melhor atriz.

Bette Davis em Jezebel, de 1938.

Jezebel marca o início da fase de maior sucesso da carreira de Bette Davis. Ela passaria a figurar entre as dez estrelas mais bem pagas de Hollywood e seria indicada ao Oscar de melhor atriz por cinco anos consecutivos, um recorde nunca igualado. Em contraste ao sucesso profissional, seu casamento com Ham Nelson chegava ao fim. Em 1938, Nelson, munido de evidências de que Davis estaria tendo um caso com o excêntrico milionário Howard Hughes, pede o divórcio.

No ano seguinte, Davis estrelou quatro produções de grande sucesso. Por sua interpretação como a herdeira fadada à morte em Dark Victory (pt: Vitória Negra - br:Vitória Amarga), foi indicada pela terceira vez ao Oscar de melhor atriz. Davis mais tarde diria que este era seu filme favorito entre os que protagonizou. A atriz sentia-se particularmente orgulhosa por ter convencido Jack Warner, que não acreditava que uma história mórbida pudesse ter sucesso, a investir na produção. No meses seguintes, ela apareceu em The Old Maid (pt: A Ama Velha - br: Eu Soube Amar), Juarez e The Private Lives of Elizabeth and Essex (pt: Isabel de Inglaterra - br: Meu Reino por um Amor). Neste último, seu primeiro filme colorido, Davis interpretou pela primeira vez a Rainha Elizabeth I.

Década de 1940[editar | editar código-fonte]

Bette Davis em The Letter, de 1940.

Nesta época, Davis era a atriz que mais dava lucro a Warner Brothers. Em 1940 ela estreou dois filmes All This and Heaven Too (br: Tudo isso e o céu também) que naquele momento se tornou o seu filme mais lucrativo e The Letter (pt/br: A Carta) considerado o melhor filme do ano pelo jornal Hollywood Reporter. Por este último trabalho, uma personagem adúltera e assassina, Bette Davis foi novamente indicada ao Oscar. Neste mesmo ano, ela se casaria com Arthur Farnsworth.

No ano seguinte, Davis se tornaria a primeira mulher presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mas antagonizou com membros do comitê por suas propostas radicais. Com a iminência da guerra na Europa, Davis propôs que a cerimônia do Oscar não fosse mais um banquete e sim em um teatro com entradas cobradas para coloborar com fundos de ajuda aos britânicos. Com a desaprovação e resistência do comitê, Davis renunciou ao cargo de presidente. Substituída por Jean Hersholt, ele acabou fazendo as mudanças que ela havia proposto anteriormente.

Ainda em 1941, Bette Davis seria dirigida por William Wyler em The Little Foxes (pt: A raposa matreira - br: Pérfida) que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. Depois deste filme ela e o diretor jamais trabalhariam juntos novamente.

Foi indicada ao Oscar em cinco anos consecutivos, de 1938 a 1942, sendo a atual recordista de indicações seguidas ao lado da atriz Greer Garson.

Durante a guerra[editar | editar código-fonte]

Bette Davis no filme "A Estranha Passageira" de 1942.

Com o ataque japonês a Pearl Harbor, Davis passaria o ano de 1942 viajando através dos Estados Unidos vendendo bônus de guerra e acabou sendo criticada pelo presidente da Warner Brothers, Jack Warner, por tentar persuadir multidões na compra.

Durante a guerra, muitos artistas passavam o tempo apoiando os soldados estadunidenses e arrecadando fundos. O ator John Garfield abriu um clube chamado Hollywood Canteen no dia 3 de outubro de 1942, com apoio de Bette Davis, Cary Grant e Jule Styne (compositor de várias peças da Broadway). O clube recebeu apoio de vários artistas e oferecia comida e entretenimento a vários combatentes da guerra. Segundo Davis, o Hollywood Canteen foi uma das coisas que mais ela se orgulhou de ter feito. Em 1980 recebeu uma medalha de honra do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América por seus serviços no clube.

Ainda no ano de 1942, filmou Now, Voyager (pt / br: Estranha passageira). Quando foi convidada a fazer parte do elenco, inicialmente não demonstrou muito interesse, porém o produtor Hal B. Wallis argumentou que a audiência feminina precisava de dramas românticos para distraí-las da realidade da vida. O filme se tornou um dos mais conhecidos personagens "femininos" de sua carreira.

Durante a década de 1940, a maioria de suas escolhas por filmes foi influenciada pela Segunda Guerra Mundial. Watch on the Rhine (de 1943) era sobre o movimento antinazista. Thank Your Lucky Stars (1943), um musical cuja renda foi doada ao Hollywood Canteen.

Old acquaintance (br:Um velha amizade) (de 1943), co-estrelado pela atriz Miriam Hopkins, tratava de uma história de duas velhas amigas que tinham que lidar com a tensão quando uma delas se torna uma romancista de sucesso. Davis e Hopkins viveram um clima de competitividade e animosidade durante o filme. Em agosto do mesmo ano, o marido de Davis, Arthur Farnsworth, morreria.

Em 1944, Davis filmou Mr. Skeffington (br: Vaidosa). Durante as filmagens, Davis causou problemas ao diretor, Vincent Sherman, recusando-se a filmar certas cenas e insistindo que alguns cenários deveriam ser refeitos. Também improvisou algumas falas, causando confusão entre os atores e enfurecendo o escritor Julius Epstein. Embora tenha recebido algumas críticas pelo seu egocentrismo, foi novamente indicada ao Oscar.

Problemas na carreira[editar | editar código-fonte]

Ela casou-se com o artista e pintor William Grant Sherry, em 1945. Após o casamento, a diferença de sucesso e remuneração levou o casamento a tensão e brigas.

Em The Corn is Green (de 1945), Davis fez o papel de uma professora. Para o filme Davis engordou 14 quilos e teve sua aparência mudada para parecer mais velha (ela tinha 36 anos na época e deveria parecer que tinha 50). O filme foi bem recebido pelos críticos mas não teve grandes audiências. A Stolen Life (de 1946) recebeu críticas discretas. Foi seguido por Deception (1946), o primeiro de seus filmes a perder dinheiro.

Em 1947, Davis deu à luz sua primeira filha, Barbara. Na época pensou que sua carreira estava acabada por estar tão envolvida na maternidade. Seu relacionamento com Sherry começou a se deteriorar e ela continuou a fazer filmes mas sua popularidade com as audiências estava em declínio. Depois de Beyond the Forest (de 1949), Jack Warner liberou Davis de seu contrato com a Warner Bros., atendendo a seu pedido.

O filme seguinte, Newsweek, foi tão mal recebido pela crítica que o jornal Los Angeles Examiner escreveu que aquilo era "uma histeria e superexposição por Sheer", e descreveu o filme como "um infeliz final de uma carreira brilhante".

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

Em 1950, Davis filmou All About Eve (pt: Eva - br:A malvada) cujo roteiro descreveu como o melhor que já tinha lido em sua vida. O filme foi co-estrelado pela atriz Anne Baxter. Durante o filme, Davis conheceu e começou um romance com ator Gary Merrill com quem se casaria logo depois. Pelo filme, Davis foi indicada ao Oscar mas não ganhou. Porém ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por este trabalho. No mesmo ano, Davis se divorciou oficialmente de William Sherry e dias depois se casou com Gary Merrill. Com o consentimento de Sherry, Merrill adotou Barbara. E logo após o dois adotaram uma menina chamada Margot.

Em 1952, Davis seria novamente indicada ao Oscar por sua atuação em The Star (br: Lágrimas amargas). No mesmo ano, Davis e Merrill adotaram mais uma criança, um menino chamado Michael. Davis foi operada de osteomielite. Margot, sua filha adotiva, foi diagnosticada com lesões cerebrais e foi internada em uma instituição.

Poucos filmes de Davis na década de 1950 atingiram sucesso. Enquanto sua carreira entrava em declínio, seu casamento arruinava-se. Davis e Merrill estavam constatemente discutindo e, em 1960, Davis pediu o divórcio.

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Bette Davis numa cena do trailer do filme O que terá acontecido a Baby Jane? de 1962

Em 1962, ela atuou junto a Glenn Ford e Ann-Margret no filme de Frank Capra, A Pocketful of Miracles. No mesmo ano apareceu no filme What Ever Happened to Baby Jane? (pt: O que teria acontecido com Baby Jane? - br: O que terá acontecido a Baby Jane?) junto a sua rival Joan Crawford, um filme de terror dirigido por Robert Aldrich pelo qual, Davis recebeu sua última indicação ao Oscar. O desempenho das duas atrizes foi admirável em todos os aspectos. Em sua biografia, conta que exclamou, ao saber que não havia levado a estatueta: "Grande! Perdi para uma principiante!" (Anne Bancroft levou o prêmio). Barbara, sua filha, fez um pequeno papel no filme e, quando as duas foram a Cannes para promovê-lo, Barbara conheceu Jeremy Hyman, executive da Seven Arts Productions, com quem se casaria logo depois, aos dezesseis anos de idade, com a permissão da mãe.

No filme de 1964, Where Love Has Gone Davis interpretou a mãe de Susan Hayward, mas as filmagens foram problemáticas devido a discussões entre as duas atrizes. O diretor Robert Aldrich chamou Davis para atuar em 1964 no filme Hush… Hush, Sweet Charlotte pensando em reunir Davis e Crawford novamente no elenco. Mas Crawford recusou alegando doença e foi substituída por Olivia de Havilland, de quem Davis era amiga, o que fez com que pelo menos as filmagens deste fossem feitas em clima de paz. O filme fez um considerável sucesso e chamou atenção por seu elenco de veteranos.

No final da década de 1960, Davis ainda fez The Nanny em 1965 e The Anniversary (br: O aniversário) em 1968, ambos sem muito sucesso.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

No começo dos anos 1970, Davis foi convidada a aparecer no palco no Great Ladies of the American Cinema. Em cinco sucessivas noites, uma diferente estrela de cinema discutia sua carreira e respondia questões do público. Outras atrizes convidadas foram Myrna Loy, Rosalind Russell, Lana Turner e Joan Crawford.

Apareceu no palco na produção Miss Moffat, uma adaptação musical de The Corn is Green. Filmou como (coadjuvante/secundária) no filme Burnt Offerings e no filme para televisão chamado The Disappearance of Aimee, ambos em 1976. Mas entrou em colisão com Karen Black e Faye Dunaway, respectivamente as estrelas das duas produções.

Em 1977, Davis tornou-se a primeira mulher a receber do American Film Institute (Instituto de Cinema Norte-Americano) o prêmio por sua obra. Após o prêmio, recebeu várias propostas de trabalho. Em 1978, atuou na minissérie para televisão, The Dark Secret of Harvest Home e no filme Death on the Nile (br:Morte sobre o Nilo) baseado no livro de mistério de Agatha Christie. Em 1979 ganhou o Emmy por sua atuação no filme para televisão Strangers: The Story of a Mother and Daughter.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Bette Davis com Elizabeth Taylor, 1981.

Foi indicada novamente ao Emmy em 1980 por White Mama e, em 1982, por Little Gloria… Happy at Last.

Seu nome começou a ficar mais conhecido entre os mais jovens da época, após Kim Carnes fazer sucesso mundial com a canção Bette Davis Eyes, em 1981.

Ela continuou aparecendo na televisão, como na minissérie Family Reunion de 1981, no qual pode contracenar com seu neto J. Ashley Hyman. Também apareceu no filme televisivo A Piano for Mrs. Cimino de 1982, e Right of Way de 1983, com o ator James Stewart.

Em 1983, durante as filmagens da série para televisão chamada Hotel, Davis foi diagnosticada com câncer de mama. Após uma mastectomia, Davis teve paralisia do lado direito no rosto e braço e teve que fazer fisioterapia para recuperar os movimentos. Com a saúde estável novamente, ela viajou para a Inglaterra para filmar mais um mistério de Agatha Christie, Murder with Mirrors, em 1985. No mesmo ano, Barbara publicou um livro intitulado My Mother's Keeper descrevendo o difícil relacionamento que tinha com a mãe. Vários amigos de Davis disseram que o livro não era tão fiel à realidade. Críticos de Barbara Hyman apontaram que Davis tinha dado suporte financeiro à família de Hyman e recentemente salvara-os de perder a casa em que viviam. Até seu ex-marido, Gary Merrill, a defendeu das acusações da filha.

Em sua segunda memórias publicadas em 1987, This 'N That, Davis escreveu sobre o livro da filha. Davis já havia publicado sua primeira memórias em 1962, The Lonely Life.

Em 1986 Davis apareceu num filme para televisão chamado As Summers Die, e para o cinema The Whales of August (br: Baleias de agosto). Seu último filme foi Wicked Stepmother, de 1989.

Em 1989, em viagem à Espanha para ser homenageada no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Davis teve problemas de saúde. Debilitada para fazer uma longa viagem de volta aos Estados Unidos, Davis viajou até a França onde foi internada no hospital americano de Neuilly-sur-Seine. Ela morreu no dia 6 de outubro. Encontra-se sepultada em Forest Lawn Memorial Park (Hollywood Hills), Los Angeles, Condado de Los Angeles, Califórnia nos Estados Unidos.[7] Em sua sepultura está escrito: She did it the hard way.

Após a sua morte o diretor Steven Spielberg comprou os dois Óscares ganhos por Bette Davis em leilões ocorridos, entregando ambas as estatuetas para que ficassem aos cuidados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Oscar) (EUA)

  • Recebeu dez nomeações oficiais na categoria de Melhor Atriz e uma sem estar nos boletins de voto (as regras da Academia permitiam que tal acontecesse na altura). Até 2010, só duas atrizes tiveram tantas nomeações nessa categoria: Katharine Hepburn (12) e Meryl Streep (16, e mais três como atriz (coadjuvante/secundária)).
  • Os filmes por que foi nomeada são:

Oscar (Estados Unidos)

Bafta (Reino Unido)

César (França)

  • 1986 - Ganhou um Cesar honorário.

Festival de Cinema de Cannes (França)

    • 1950 - All About Eve (br.: A Malvada; pt.: Eva) - Melhor atriz (venceu)

Festival de Cinema de Veneza (Itália)

Globo de Ouro (Estados Unidos)

Círculo de Críticos de Nova York (Estados Unidos)

    • 1950 - All About Eve (br.: A Malvada; pt.: Eva) - Melhor atriz (venceu)

Na cultura pop[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Spada, p. 11
  2. Sikov (2007), pp 14–15
  3. Spada (1993), p 20
  4. Chandler (2006), p 34
  5. Chandler (2006), pp 38–39
  6. Spada (1993), p 40
  7. Bette Davis (em inglês) no Find a Grave.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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