Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes
Detalhe de um retrato pintado a óleo de Bezerra de Menezes, por Augusto Rodrigues Duarte, ofertado como homenagem dos súditos portugueses residentes na Corte.
Vereador do Rio de Janeiro
Mandato 1º mandato: de 1861
a 1864
2º mandato: de 1864
a 1868
Vida
Nascimento 29 de agosto de 1831
Riacho do Sangue, CE
Morte 11 de abril de 1900 (68 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade Brasil brasileiro
Progenitores Mãe: Fabiana de Jesus Maria Bezerra
Pai: Antônio Bezerra de Menezes
Dados pessoais
Alma mater Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
Esposa Maria Cândida de Lacerda (1858-1863); Cândida Augusta (1865-1900)
Partido Partido Liberal
Religião Espírita. Presidente da Federação Espírita Brasileira de 1889 a 1890 e de 1895 a 1900
Profissão Médico, militar, escritor, jornalista, político
Assinatura Assinatura de Bezerra de Menezes
Serviço militar
Serviço/ramo Exército
Anos de serviço 1856-1861
Graduação Cirurgião-tenente
Unidade Corpo de Saúde

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (Riacho do Sangue, CE (atual Jaguaretama) , em 29 de agosto de 1831Rio de Janeiro, RJ, em 11 de abril de 1900), mais conhecido apenas como Bezerra de Menezes, foi um médico, militar, escritor, jornalista, político, filantropo e expoente da Doutrina Espírita. Conhecido também como O Kardec Brasileiro e O Médico dos Pobres.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Descendente de antiga família de fazendeiros de criação, ligada à política e ao militarismo na Província do Ceará, era filho de Antônio Bezerra de Menezes (tenente-coronel da Guarda Nacional) e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra.[1]

Em 1838, aos sete anos de idade, ingressou na escola pública da Vila do Frade (adjacente ao Riacho do Sangue, atual Jaguaretama) onde, em dez meses, aprendeu os princípios da educação elementar.[2]

Em 1842, como consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras, a sua família mudou-se para a antiga vila de Maioridade (serra do Martins), no Rio Grande do Norte, onde o jovem, então com onze anos de idade, foi matriculado na aula pública de latim. Em dois anos já substituía o professor em classe, em seus impedimentos.[2]

Em 1846, a família retornou à Província do Ceará, fixando residência na capital, Fortaleza. O jovem foi matriculado no Liceu do Ceará, onde concluiu os estudos preparatórios.

A carreira na Medicina[editar | editar código-fonte]

Em 1851, ano de falecimento de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, naquele mesmo ano, iniciou os estudos de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

No ano seguinte (1852), em novembro, ingressou como praticante interno ("residente") no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.[2] Para prover os seus estudos, dava aulas particulares de filosofia e matemática.

Obteve o doutoramento (graduação) em 1856, com a defesa da tese: "Diagnóstico do cancro".[1] [2] [3] Nesse ano, o Governo Imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro, e nomeou para chefiá-lo, como Cirurgião-mor, o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, antigo professor de Bezerra de Menezes, que convidou Bezerra para trabalhar como seu assistente.[4]

A 27 de abril de 1857 candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento".[4] O académico José Pereira Rego leu o parecer na sessão de 11 de maio, tendo a eleição transcorrido na de 18 de maio e a posse na de 1 de junho do mesmo ano.[2]

Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.[2] Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Cirurgião-tenente[2] e, a 6 de Novembro, desposou Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer de mal súbito em 24 de Março de 1863, deixando-lhe dois filhos, um de três e outro de um ano de idade.

No período de 1859 a 1861 exerceu a função de redator dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.[4]

Em 1865 desposou, em segundas núpcias, Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã por parte de mãe de sua primeira esposa, e que cuidava de seus filhos até então, com quem teve mais sete filhos.

Por sua postura de médico caridoso, atendendo pessoas que necessitavam mas não podiam pagar, ficou conhecido como "O Médico dos Pobres".[5]

Cquote1.svg O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Cquote2.svg
Bezerra de Menezes[6]

Trajetória política[editar | editar código-fonte]

Bezerra de Menezes, por André Koehne.

No final dos anos 1850, a Câmara Municipal do Município Neutro tinha como presidente Roberto Jorge Haddock Lobo, do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, Bezerra de Menezes já se notabilizara pela atuação profissional e pelo trabalho voltado à população carente. Desse modo, em 1860, em uma reunião política, alguns amigos levantaram a candidatura de Bezerra de Menezes, pelo Partido Liberal, como representante da paróquia de São Cristóvão, onde então residia, à Câmara. Ciente da indicação, Bezerra recusou-a inicialmente, mas, por insistência, acabou se comprometendo apenas em não fazer uma declaração pública de recusa dos votos que lhe fossem outorgados.

Abertas as urnas e apurados os votos, Bezerra fora eleito. Os seus adversários, liderados por Haddock Lobo, impugnaram a posse sob o argumento de que militares de Segunda Classe não podiam exercer o cargo de Vereador. Desse modo, para apoiar o Partido, que necessitava dele para obter a maioria na Câmara, decidiu requerer exoneração do Corpo de Saúde (26 de Março de 1861). Desfeito o impedimento, foi empossado no mesmo ano.[2] [7]

Foi reeleito vereador da Câmara Municipal do Município Neutro para o período de 1864 a 1868.

Foi eleito deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1866, apesar da oposição do então primeiro-ministro Zacarias de Góis e dos chefes liberais - senador Bernardo de Sousa Franco (visconde de Sousa Franco) e deputado Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Empossado em 1867, a Câmara dos Deputados foi dissolvida no ano seguinte (1868), devido à ascensão do Partido Conservador.

Retornou à política como vereador no período de 1873 a 1885, ocupando várias vezes as funções de presidente interino da Câmara Municipal, efetivando-se em julho de 1878, cargo que corresponderia atualmente ao de Prefeito.

Foi eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro no período de 1877 a 1885, ano em que encerrou a sua carreira política. Neste período acumulou o exercício da presidência da Câmara e do Poder Executivo Municipal. Em sua atuação como deputado, destacam-se algumas iniciativas pioneiras: buscou, através de projeto de lei, regulamentar o trabalho doméstico, visando conceder a essa categoria, inclusive, o aviso prévio de 30 dias; denunciou os perigos da poluição que já naquela época afetava a população do Rio de Janeiro, promovendo providências para combatê-la.[8] Foi membro, a partir de 1882, das Comissões de Obras Públicas, Redação e Orçamento.

Vida empresarial[editar | editar código-fonte]

Foi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos (1870).[2] [7] Empenhou-se na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua, pretendendo estendê-la até ao rio Doce, projeto que não conseguiu concretizar (c. 1872).[2] Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, fundada em Outubro de 1873 por João Batista Viana Drummond (depois barão de Drummond) para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel.[2] Em 1875, foi presidente da Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão, período em que os trilhos da empresa alcançavam os bairros do Caju e da Tijuca.[2]

Militância intelectual[editar | editar código-fonte]

Capa do livreto "A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação", de 1869. A obra foi distribuída gratuitamente à população.[3]

Durante a campanha abolicionista publicou o ensaio "A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação" (1869), onde não só defende a liberdade aos escravos, mas também a inserção e adaptação dos mesmos na sociedade por meio da educação. Nesta obra, Bezerra se auto-intitula um liberal, e propõe que se imitasse os ingleses, que na época já haviam abolido a escravidão de seus domínios.[3]

Expôs os problemas de sua região natal em outro ensaio publicado, "Breves considerações sobre as secas do Norte" (1877). Alguns indicam que foi autor de biografias sobre o visconde do Uruguai e o visconde de Caravelas, personalidades ilustres do Império do Brasil. Foi redactor d'A Reforma, órgão liberal no Município Neutro, e, de 1869 a 1870, redator do jornal Sentinela da Liberdade.[2] Escreveu também outras obras, como "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica", "Casamento e Mortalha", "Pérola Negra", "Lázaro, o Leproso", "Os Carneiros de Panúrgio", "História de um Sonho" e "Evangelho do Futuro".[3] [9]

Sabe-se que Bezerra de Menezes era fluente em pelo menos três línguas além do português: latim, espanhol e francês.[3]

Militância espírita[editar | editar código-fonte]

Conheceu a Doutrina Espírita quando do lançamento da tradução em língua portuguesa de O Livro dos Espíritos (sem data, em 1875), através de um exemplar que lhe foi oferecido com dedicatória pelo seu tradutor, o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos.[10] Sobre o contato com a obra, o próprio Bezerra registrou posteriormente:

"Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no 'O Livro dos Espíritos'. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença."[11]

Contribuiu para a sua adesão o contato com as "curas extraordinárias" obtidas pelo médium João Gonçalves do Nascimento (1844-1916),[12] em 1882.

Com o lançamento do periódico Reformador, por Augusto Elias da Silva em 1883, passou a colaborar com a redação de artigos doutrinários.

Após estudar por alguns anos as obras de Allan Kardec, em 16 de agosto de 1886, aos cinquenta e cinco anos de idade, perante grande público (estimado, conforme os seus biógrafos, entre mil e quinhentas e duas mil pessoas) no salão de conferências da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, em longa alocução, justificou a sua opção em abraçar o Espiritismo.[9] [13] [14] O evento chegou a ser referido em nota publicada pelo "O Paiz".

No ano seguinte, a pedido da Comissão de Propaganda do Centro da União Espírita do Brasil, inicia a publicação de uma série de artigos sobre a Doutrina em O Paiz,[2] periódico de maior circulação da época.[nb 1] Na seção intitulada "Spiritismo - Estudos Philosophicos", os artigos saíram regularmente aos domingos, no período de 23 de outubro de 1887 a dezembro de 1893, assinados sob o pseudônimo "Max".[nb 2] [13]

Na década de 1880 o incipiente movimento espírita na capital (e no país) estava marcado pela dispersão de seus adeptos e das entidades em que se reuniam.[nb 3] Já havia também uma clara divisão entre dois "grupos" de espíritas: os que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso (maior grupo, o qual se incluía Bezerra) e os que não aceitavam o Espiritismo nesse aspecto.[13]

Em 1889, Bezerra foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da Federação Espírita Brasileira. Nesse período, iniciou o estudo sistemático de "O Livro dos Espíritos" nas reuniões públicas das sextas-feiras, passando a redigir o Reformador; exerceu ainda a tarefa de doutrinador de espíritos obsessores. Organizou e presidiu um Congresso Espírita Nacional (Rio de Janeiro, 14 de abril), com a presença de 34 delegações de instituições de diversos estados.[nb 4] Assumiu a presidência do Centro da União Espírita do Brasil a 21 de abril e, a 22 de dezembro de 1890, oficiou ao então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas contra certos artigos do Código Penal Brasileiro de 1890.[nb 5]

De 1890 a 1891 foi vice-presidente da FEB na gestão de Francisco de Menezes Dias da Cruz, época em que traduziu o livro "Obras Póstumas" de Allan Kardec, publicado em 1892. Em fins de 1891, registravam-se importantes divergências internas entre os espíritas e fortes ataques exteriores ao movimento. Bezerra de Menezes afastou-se por algum tempo, continuando a frequentar as reuniões do Grupo Ismael e a redação dos artigos semanais em "O Paiz", que encerrou ao final de 1893.[2] Aprofundando-se as discórdias na instituição, foi convidado em 1895 a reassumir a presidência da FEB (eleito em 3 de Agosto desse ano), função que exerceu até à data de seu falecimento. Nesta gestão iniciou o estudo semanal de "O Evangelho segundo o Espiritismo", fundou a primeira livraria espírita no país e ocorreu a vinculação da instituição ao Grupo Ismael e à Assistência aos Necessitados.

Foi em meio a grandes dificuldades financeiras que um acidente vascular cerebral o acometeu, na manhã de 11 de abril de 1900.[9] Não faltaram aqueles, pobres e ricos, que socorreram a família, liderados pelo Senador Quintino Bocaiúva. No dia seguinte, na primeira página de "O Paiz", foi lhe dedicado um longo necrológio, chamando-o de "eminente brasileiro".[15] Recebeu ainda homenagem da Câmara Municipal do então Distrito Federal pela conduta e pelos serviços dignos.

Ao longo da vida acumulou inúmeros títulos de cidadania.

Legado[editar | editar código-fonte]

Bezerra de Menezes deu o nome a uma das embarcações a vapor da Estrada de Ferro Macaé e Campos que, fretado à Companhia Terrestre e Marítima do Rio de Janeiro, naufragou em Angra dos Reis a 29 de Janeiro de 1891.[16] Não houve vítimas fatais.

Com relação ao aspecto missionário da vida de Bezerra de Menezes, a obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Chico Xavier, atribuído ao espírito de Humberto de Campos, afirma:

"Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração."[17]

Bezerra foi também homenageado em Anápolis, Goiás, em 1982, com o nome de uma escola de ensino fundamental - Escola de 1º Grau Bezerra de Menezes -, que atende a 200 alunos conveniados com a rede estadual de Goiás.[18] Em Fortaleza, capital do estado do Ceará, sua terra natal, há uma avenida com o seu nome, situada no então distrito que levava o nome de seu pai, Antônio Bezerra, atualmente desmembrado em vários bairros, sendo a mencionada avenida situada entre os bairros Parquelândia, São Gerardo e Otávio Bonfim.

Em São José do Rio Preto, SP, o maior Hospital Psiquiátrico, que atende a toda a região, também leva o nome de Bezerra de Menezes.

O "Kardec Brasileiro"[editar | editar código-fonte]

Pela atuação destacada no movimento espírita da capital brasileira no último quartel do século XIX, Bezerra de Menezes foi considerado um modelo para muitos adeptos da Doutrina. Destacam-lhe a índole caridosa, a perseverança, e a disposição amorosa para superar os desafios. Essas características, somadas à sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, fizeram com que fosse considerado o "Kardec Brasileiro",[19] numa homenagem devida ao papel de relevância que desempenhou. Muitos seguidores acreditam, ainda, que Bezerra de Menezes continua, em espírito, a orientar e influenciar o movimento espírita. É considerado patrono de centenas de instituições espíritas em todo o mundo.[20]

Filme[editar | editar código-fonte]

A vida de Bezerra de Menezes foi transposta para o cinema, na película Bezerra de Menezes - O Diário de Um Espírito, com direção de Glauber Santos Paiva Filho e Joel Pimentel. O elenco é integrado por Carlos Vereza no papel título, Caio Blat e Paulo Goulart Filho, e com a participação especial de Lúcio Mauro. A produção foi orçada aproximadamente em R$ 2,7 milhões, a cargo da Trio Filmes e Estação da Luz, com locações no Ceará, Pernambuco, Distrito Federal e Rio de Janeiro, tendo envolvido a mão-de-obra de uma equipe de cento e cinquenta pessoas. O lançamento do filme deu-se em 29 de agosto de 2008.[21]

Instituições de que foi membro[editar | editar código-fonte]

Artigos e obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • 1856 - "Diagnóstico do cancro"
  • 1857 - "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento"
  • 1859 - "Curare". (Anais Bras. de Medicina v. 1859-1860 p. 121-129)
  • 1869 - "A Escravidão no Brasil, e medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação"
  • 1877 - "Breves considerações sobre as secas do Norte"
    - "Das operações reclamadas pelo estreitamento da uretra"
    Biografia de Manuel Alves Branco, visconde de Caravelas
    Biografia de Paulino José Soares de Sousa, visconde do Uruguai
  • 1892 - publicação da sua tradução de Obras Póstumas, de Allan Kardec
  • 1902 - "A Casa Assombrada" (romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEB)
  • 1907 - "Espiritismo (Estudos Filosóficos)" (coletânea dos artigos publicados em O Paiz no período de 1877 a 1894, publicada pela FEB em três volumes)
  • 1983 - "Os Carneiros de Panúrgio" (romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEESP)
  • 1946 - "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica" ou "Uma carta de Bezerra de Menezes" (réplica a seu irmão que lhe exprobrava a conversão ao Espiritismo, publicada postumamente, em livro, pela FEB)
  • 1920 - "A Loucura sob novo prisma" (estudo etiológico sobre as perturbações mentais, publicado pela FEB)
  • "Casamento e mortalha" (romance, incompleto)
  • "Evangelho do Futuro"
  • "História de um Sonho"
  • "Lázaro, o Leproso"
  • "O Bandido"
  • "Os Mortos que Vivem"
  • "Pérola Negra"
  • "Segredos da Natura"
  • "Viagem através dos Séculos"

Principais obras e mensagens mediúnicas atribuídas a Bezerra de Menezes[editar | editar código-fonte]

Através de Divaldo Pereira Franco, comunicações nas seguintes obras
  • 1991 – "Compromissos Iluminativos" (coletânea de mensagens, ed. LEAL)
Através de Francisco Cândido Xavier, comunicações nas seguintes obras
  • 1973 - "Bezerra, Chico e Você" (coletânea de mensagens, ed. GEEM)
  • 1986 - "Apelos Cristãos" (coletânea de mensagens, ed. UEM)
  • "Nosso Livro"
  • "Cartas do Coração"
  • "Instruções Psicofônicas"
  • "O Espírito da Verdade"
  • "Relicário de Luz"
  • "Dicionário d'Alma"
  • "Antologia Mediúnica do Natal"
  • "Caminho Espírita"
  • "Luz no Lar"
Através de Francisco de Assis Periotto, comunicações nas seguintes obras
  • 2001 - "Fluidos de Luz: ensinamentos de Bezerra de Menezes" (Ed. Elevação)
  • 2002 - "Fluidos de Paz: ensinamentos de Bezerra de Menezes" (Ed. Elevação)
  • 2006 - "Conversando com seu Anjo da Guarda - ensinamentos de Bezerra de Menezes sobre a Agenda Espiritual " (Ed. Elevação)
Através de Maria Cecília Paiva, comunicações nas seguintes obras
  • "Garimpos do Além" (coletânea de mensagens, ed. Instituto Maria).
Através de Gilberto Pontes de Andrade, duas comunicações na seguinte obra
  • "Luz em Gotas" (coletânea de mensagens, ed. AMCGuedes).
Através de Waldo Vieira, comunicações nas seguintes obras
  • "Entre Irmãos de Outras Terras"
  • "Seareiros de Volta"
Através de Yvonne do Amaral Pereira, comunicações nas seguintes obras
  • 1955 – "Nas Telas do Infinito" (1ª. Parte, romance, ed. FEB)
  • 1957 – "A Tragédia de Santa Maria" (romance, ed. FEB)
  • 1964 – "Dramas da Obsessão" (romance, ed. FEB)
  • 1968 – "Recordações da Mediunidade" (relatos e orientações, ed. FEB)

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Conforme o historiador espírita Silvino Canuto de Abreu. O cabeçalho do periódico, dirigido por Quintino Bocaiuva, afirmava textualmente: "O PAIZ é a folha de maior tiragem e de maior circulação na América do Sul".
  2. A série foi interrompida no Natal de 1893, ano de profunda convulsão na então Capital, devido à Revolta da Armada, momento em que foram encerradas todas as sociedades, espíritas ou não. De acordo com Canuto de Abreu, o conjunto desses artigos constitui-se no maior repertório da doutrina de Allan Kardec em língua portuguesa. A série não se iniciou com o material de Bezerra de Menezes, mas com dois artigos assinados por "Sedório", na Secção Livre do periódico: "A Doutrina Espírita", na edição de 9 de outubro e "Os Fatos Espiríticos", a de 16 de outubro. Em 1889 foi editada pelo Centro da União Espírita do Brasil uma série com 69 artigos publicados em "O Paiz". Posteriormente, a FEB publicou uma série com 316 artigos, de 1887 até 1893, em livro (três volumes), sob o título "Espiritismo: estudos philosophicos", publicados na cidade do Porto, em Portugal, em 1907. Mais recentemente, o jornalista e político espírita José de Freitas Nobre reuniu os artigos de Bezerra de Menezes na grande imprensa, publicando-os pela EDICEL em três volumes, de 1977 a 1985, com o título de "Estudos Filosóficos".
  3. Entre eles, destacavam-se na Corte, à época, a Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade (antiga Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade), o Grupo Espírita Fraternidade e o Centro da União Espírita do Brasil, além da própria Federação Espírita Brasileira.
  4. Embora com participação relativamente reduzida, o encontro teve o mérito de reconhecer o sistema federativo, por preservar a autonomia das instituições que o integram, como o mais adequado à estruturação do movimento espírita no país.
  5. O Código Penal de 1890 foi promulgado pelo Decreto nº 22.213, de 14 de dezembro do mesmo ano, mas só entrou em vigor seis meses após a sua publicação. Os seus artigos nºs. 157 e 158 proibiam expressamente "praticar o Espiritismo" e "inculcar curas de moléstias curáveis ou incuráveis", o que afetava diretamente as atividades das sociedades espíritas, cuja prática de receituário mediúnico homeopático era muito difundida à época.

Referências

  1. a b BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1883. 8-9 pp. vol. 1.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o GODOY, 1990.
  3. a b c d e Cury, Aziz. Legado de Bezerra de Menezes. São Paulo: Elevação, 2008. ISBN 978-85-7513-091-9.
  4. a b c Adolfo Bezerra de Menezes (biografia). Página visitada em 28/03/2010.
  5. Célia da Graça Arribas. Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira, p. 135. Universidade de São Paulo, 2008.
  6. Do livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes, de Ramiro Gama
  7. a b Vereadores Históricos - Bezerra de Menezes Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Página visitada em 04/03/2010.
  8. Ver: Bezerra de Menezes: Col. Perfis Parlamentares, n° 83. Brasília: Câmara dos Deputados, 1986..
  9. a b c "Bezerra de Menezes (2)". Enciclopédia Nordeste. Consultado em 19 de abril de 2010. 
  10. Bezerra de Menezes Portal do Espírito. Página visitada em 04/03/2010.
  11. Segundo entrevista realizada em 1892 pela Federação Espírita Brasileira e publicada no periódico O Reformador. Disponível em: Bezerra de Menezes é entrevistado Correio Fraterno. Página visitada em 28/03/2010.
  12. GIUMBELLI, Emerson. "Kardec nos Trópicos". in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 3, nº 33, junho de 2008, p. 14-19.
  13. a b c Santos, Dalmo Duque dos. Nova História do Espiritismo: Dos precursores de Allan Kardec a Chico Xavier. 1ª ed. Rio de Janeiro: Corifeu, 2007. 402 pp. ISBN 978-85-99287-70-5.
  14. GODOY (1990) refere duas mil.
  15. O Rio de Janeiro através dos jornais - Bezerra de Menezes UOL. Página visitada em 04/03/2010.
  16. Naufrágio Bezerra de Menezes Portal Naufrágios do Brasil. Página visitada em 25 de maio de 2008.
  17. (op. cit., p. 179)
  18. ESCOLA DE 1 GRAU BEZERRA DE MENEZES.
  19. Célia da Graça Arribas. Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira, p. 104. Universidade de São Paulo, 2008.
  20. Bezerra de Menezes - O Kardec Brasileiro Portal do Espírito. Página visitada em 04/03/2010.
  21. Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito (2008) (em inglês) no Internet Movie Database

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • ABREU, Canuto. Bezerra de Menezes: subsídios para a História do Espiritismo no Brasil até o ano de 1895. São Paulo: FEESP, s.d.. 96p. ISBN 85-7366-086-4
  • ACQUARONE, Francisco. Bezerra de Menezes: o médico dos pobres (3a. ed.). São Paulo: Editora Aliança, 1979. 152p. ISBN 85-7008-001-8
  • ARRIBAS, Célia da Graça. Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira. Universidade de São Paulo, 2008.
  • CURY, Aziz. Legado de Bezerra de Menezes São Paulo: Elevação, 2008. ISBN 978-85-7513-091-9
  • GAMA, Ramiro. Lindos casos de Bezerra de Menezes (2a. ed.). Rio de Janeiro: Editora Espiritualista, 1964. 182p. il.
  • GODOY, Paulo Alves; LUCENA, Antônio. Personagens do Espiritismo (2ª ed.). São Paulo: Edições FEESP, 1990.
  • KLEIN FILHO, Luciano. Bezerra de Menezes, fatos e documentos. Niterói (RJ): Lachâtre, 2000. 224p. ISBN 85-7477-024-8
  • MENEZES, Bezerra de. Uma carta de Bezerra de Menezes (4a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1984. 100p.
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  • MENEZES, Adolfo Bezerra de. Os carneiros de Panúrgio: romance filosófico-político (4a. ed.). São Paulo: FEESP, 1988. 188p.
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