Biblioteca Pública do Estado (Rio Grande do Sul)

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Biblioteca Pública do Estado
País Brasil Brasil
Estabelecida 14 de março de 1871
(em atividade desde
17 de janeiro de 1877)
Localização Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Acervo
Tamanho Cerca de 200 mil volumes, dentre enciclopédias, dicionários, almanaques, folhetos, revistas, jornais e livros.[1]
Website www.bibliotecapublica.rs.gov.br

A Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul é um prédio histórico localizado no centro de Porto Alegre, próximo ao Teatro São Pedro, à Catedral Metropolitana e ao Palácio Piratini.

História[editar | editar código-fonte]

A sua criação e instalação decorreram da Lei Provincial nº 724, de 14 de março de 1871, que autorizou o gasto de até oito contos de réis para aquisição de livros, e ao mesmo tempo criou o cargo de bibliotecário e um de contínuo para sua administração. Iniciou suas atividades em 17 de janeiro de 1877, no antigo prédio do Liceu Dom Afonso, na esquina das ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano. Em 1895 já possuía um acervo de 8 mil volumes.

O primeiro diretor foi Fausto de Freitas e Castro, sucedido por Frederico Bier, Joaquim Pedro Soares, Graciano Azambuja, novamente Joaquim Pedro, João Pedro Henrique Duplan (que entregou o cargo de volta a Joaquim Pedro depois de um ano, recebendo-o de volta depois). O Diretor seguinte foi José Pinto Guimarães, 1897 e 1906, primeiro autor a ter este cargo, antes normalmente ocupados por bacharéis, sendo sucedido por outro escritor Victor Silva.

O edifício atual, na esquina da Rua Riachuelo com Rua General Câmara, começou a ser erguido em 7 de fevereiro de 1912, com projeto de Affonso Hebert, uma vez que a antiga sede, na época transformada em Escola Complementar, se encontrava já superlotada. A primeira etapa da construção foi concluída em 1915, completando o bloco defronte à Rua Riachuelo. Em 22 de maio de 1919 foi contratada a ampliação da parte dos fundos, ora sob responsabilidade do engenheiro Teófilo Borges de Barros, sendo acabada em sua estrutura em 1921. Então passou-se à decoração, com aplicação de mármores e parquets, aquisição de mobiliário requintado, pinturas e esculturas, revestimento das paredes internas com pintura decorativa e instalação de estantes de aço, cujo peso obrigou ao reforço do piso. A pintura decorativa esteve a cargo de Fernando Schlater, enquanto as esculturas de mármore e bronze foram realizadas por Alfred Adloff, Eduardo de Sá e Giuseppe Gaudenzi.

Quando as obras foram finalizadas e a Biblioteca finalmente inaugurada em 1922, pouco antes do falecimento de seu Diretor, Victor Silva, que havia sido um dos mais ativos incentivadores do projeto, as instalações foram saudadas pela imprensa local como sendo do mais alto gabarito e elegância, com seus diversos espaços decorados segundo estilos variados, seguindo preceitos Positivistas. Em 1928 com a morte prematura de Eduardo Guimarães, assume a diretoria o escritor Augusto Gonçalves de Sousa Júnior, que permanece no cargo até 1930.[2]

Vários outros escritores foram diretores da biblioteca, entre eles, Reinaldo Moura, Augusto Meyer, Arthur Ferreira Filho, Mozart Pereira Soares, Jayme Caetano Braun (1959 - 1963), Laury Maciel e Manuelito de Ornelas (1938 - ?).

Ao longo dos anos o prédio sofreu várias agressões. Na década de 1950 teve seu interior reformulado, e as ricas pinturas murais de quase todas as salas foram recobertas por uma camada de tinta neutra. Na década de 1960 alguns de seus mais característicos espaços, ainda com a decoração original, como o Salão Mourisco e o Salão Egípcio, passaram por desastrada restauração. Na década de 1970, parte de seu rico mobiliário e obras de arte foi confiscada para adorno do Palácio Piratini. Atualmente (2007) o prédio histórico está novamente em obras, desta vez para recuperação da infra-estrutura básica, que já se encontrava bastante comprometida, e seus serviços se transferiram provisoriamente para dependências da Casa de Cultura Mario Quintana.

Sua fachada, em estilo eclético, mostra uma das mais completas ilustrações do Calendário Positivista, com bustos de seus mais insignes vultos tutelares, constituindo um dos três únicos monumentos deste tipo no mundo.

Possui um vasto acervo bibliográfico que é referência no Brasil, com significativa seção de obras raras, e realiza regularmente recitais de música de câmara e outros eventos culturais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Acervo bibliográfico - BPE
  2. BAKOS, Margaret Marchiori; PIRES, Letícia de Andrade; FAGUNDES, Antonio Augusto. Os escritores que dirigiram a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul. EDIPUCRS, 1999, ISBN 8574300446, ISBN 9788574300443, 134 pp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]