Bibliotheca Corviniana

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A Bibliotheca Corviniana, reunida sobre o patrocínio de Matias I da Hungria (1443?-1490) era a maior coleção de crônicas históricas e de trabalhos científicos e filosóficos da Europa no século XV, e em número de volumes era a segunda maior, atrás apenas da Biblioteca do Vaticano.[1]

Matias I, conhecido como o "Rei Corvo", foi o protagonista da época de ouro da Hungria. Interessado pela arte e cultura de Itália, organizou uma biblioteca fabulosa contendo cópias ricamente iluminadas de livros cujos temas abrangiam desde a "obrigatória" temática religiosa, aos temas do seu interesse, como crónicas de guerra, biografias dos grandes governantes da história, livros sobre invenções, geografia, medicina e cosmologia, bem como traduções de clássicos gregos e romanos, incluindo literatura homossexual explícita, revelando uma extraordinária abertura de espírito para a época.[1] [2]

Com a queda da Hungria às mãos do Império Otomano, a Biblioteca de Matias I perdeu-se, julgando-se que teria sido levado para a corte dos sultões Otomanos, em Constantinopla. A recuperação da famosa biblioteca das mãos dos Turcos foi, no século XIX, motivo de exaltação do nacionalismo húngaro, que acreditavam que a honra da Hungria enxovalhada pela ocupação turca, seria assim restaurada. Embora por esta época se aventasse que a biblioteca teria mais de 50.000 volumes, pensa-se hoje que não deveriam ser mais de 2.500, dos quais apenas sobreviveram 216[1] que se encontram actualmente dispersos em bibliotecas da Itália, Áustria, Hungria, República Checa, Polónia e outros países.

Perto de dois terços dos volumes que sobreviveram nunca haviam sido impressos antes da morte do Rei Matias I. Alguns deles eram a única cópia de obras antigas, como o livro de Constantino VII sobre os hábitos na corte do imperador bizantino, ou a história da igreja de Nikephoros Kallistos. Por outro lado, com a perda da maior parte da Bibliotheca perdeu-se a última cópia referenciada de clássicos como a obra completa de Hipérides e obras de Flávio Crescónio Coripo, Cuspinianus e Procópio de Cesareia.

A partir de 2001 iniciou-se o projecto de digitalização e publicação on-line com o objectivo de reconstruir, digitalmente, a Bibliotheca Corviniana, com o patrocínio da Biblioteca Nazionale Széchényi.[3]

Referências

  1. a b c "Questing lost manuscripts", The Economist, 19 de Julho de 2008, pp. 85
  2. Hungary - The Bibliotheca Corviniana Collection UNESCO Memory of the World programme. Portal.unesco.org. Página visitada em 30 de agosto de 2008.
  3. Scopo del programma Bibliotheca Corviniana Digitalis Corvina.oszk.hu. Página visitada em 30 de agosto de 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TANNER, Marcus. The Raven King: Matthias Corvinus and the Fate of His Lost Library. Yale University Press, 2008.

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