Bilinguismo

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O termo bilinguismo, aplicado ao indivíduo, pode significar simplesmente a capacidade de expressar-se em duas línguas. [1] Numa comunidade, pode ser definido como a coexistência de dois sistemas linguísticos diferentes (língua, dialeto, etc.), que os falantes utilizam alternadamente, a depender das circunstâncias, com igual fluência ou com a proeminência de um deles. [2]

O bilinguismo pode ocorrer em diversas situações, tais como:

  • uma segunda língua é aprendida na escola: [3]
  • emigrantes estrangeiros falam a língua do país hospedeiro (mesmo que com alguma dificuldade),
  • em países nos quais há mais de uma língua oficial,
  • crianças cujos pais são de diferentes nacionalidades[4] ,
  • pessoas surdas que, além da língua de sinais, utilizam alguma língua oral, na tentativa de se comunicar com a comunidade ouvinte (observando-se que o bilinguismo dos surdos é um caso especial).

Estes grupos de pessoas têm necessidades distintas e desenvolvem, por isso, capacidades distintas nas línguas que falam, dependendo das necessidades e dos diferentes contextos.

No que respeita à educação de crianças como bilingues, Saunders mostra que existem vantagens e desvantagens neste processo.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Existem dois tipo de bilinguismos, conforme a idade de aquisição das línguas, o bilíngüe precoce (ou primário) é, a criança que, até três anos de idade, aprende a falar duas línguas ao mesmo tempo; e o bilíngüe tardio (ou secundário, ou diglota,), é a criança já que tem aprendida a primeira língua e, depois de quatro anos de idade, começa a estudar uma ou mais de uma língua. [5]

Se considerarmos que, segundo a ONU, há 191 países independentes, e que o mundo tem hoje algo entre 3.00 e 10.000 línguas (dependendo do conceito de língua adotado), podemos perceber que o bilinguimo é um fenômeno muito comum. Na verdade, mais da metade da população mundial é bilíngue ou multilíngue.

O conceito de bilinguismo sofreu profundas mudanças no último século, passando de uma visão excludente e fechada para uma definição mais socialmente situada e próxima das situações reais de uso das línguas. Se em 1935 Bloomfield definia bilinguismo como o "controle nativo de duas línguas", Macnamara, em 1967, admitia "uma competência mínima em pelo menos uma das quatro habilidades de compreensão, fala, leitura e escrita". Wiliams e Sniper, em 1990, vêem o bilíngue como um sujeito capaz de processar duas línguas nas habilidades de compreensão da mensagem e na produção de uma resposta adequada à situação em ambas as línguas, enquanto Grosjean, em 1985, alerta ao fato de que o bilíngue é mais que a soma de dois monolíngues, pois apresenta características específicas.

O Bilinguismo é um fenômeno multidimensional, e como afirmam Hamers & Blanc (2001), "cada nível de análise requer abordagens disciplinares específicas: psicológica a nível individual, sócio-psicológica no nível interpessoal e sociológica a nível inter-grupal". Ao estudar o bilinguismo individual pesquisadores como Mackey (1968) propõe considerar 4 dimensões: Proficiência; função e uso; Alternância de código (code-switiching) e Interferência. Valdés e Figueroa (1994) propõe que o bilinguismo seja visto como um continuum, e os sujeitos bilíngues se colocando em pontos diferentes deste continuum, dependendo dos pontos fortes e das características cognitivas de suas línguas"

O bilinguismo não é sinônimo de educação bilíngue, já que pode ocorrer fora se situações formais de ensino. Quando o bilinguismo é parte de um programa planejando e estruturado pedagogicamente, constitui-se em educação bilíngue.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. SAUNDERS, George. Bilingual children: From birth to teens. England: Multilingual Matters, 1988. p. 8
  2. Bilinguismo
  3. Bilinguismo
  4. Ensino Bilingue
  5. HAMERS, Josiane F.; BLANC, Michel H. Bilinguality and bilingualism. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BOUVET, D. La Parole de l’enfant. Paris: Le Fil Rouge, Puf., 1989.
  • MAHER, Terezinha de Jesus Machado. Do casulo ao movimento: a suspensão das certezas na educação bilíngue e intercultural. In: Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas, Mercado das Letras, 2007
  • MOURA, Selma de Assis Moura. Com quantas línguas se faz um país: concepções e práticas de ensino em uma sala de aula na educação bilíngue. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação da USP, 2009. Disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-06062009-162434/pt-br.php
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