Bissau

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Guiné-Bissau Bissau  
—  Cidade  —
Vista de rua no centro de Bissau
Vista de rua no centro de Bissau
Bandeira de Bissau
Bandeira
Brasão de armas de Bissau
Brasão de armas
Bissau está localizado em: Guiné-Bissau
Bissau
Localização de Bissau na Guiné-Bissau
11° 51' N 15° 34' 39" O
País Guiné-Bissau
Região Setor Autônomo de Bissau
Fundação 15 de março de 1692
Construção da fortaleza 1696
Fundação como cidade 1766
Elevação a vila 1859
Fundador Império Português
Administração
 - Tipo Câmara Municipal
 - Presidente António Artur Sanhá
 - Vice-presidente Marciano Indi
Área [1]
 - Total 118 km²
Altitude [2] 39 m (128 pés)
População (2009)[3]
 - Total 384 960
    • Densidade 3 262,4/km2 
Fuso horário UTC (UTC+0)
Sítio www.cm-bissau.com

Bissau é a capital da Guiné-Bissau, localizada no estuário do Rio Geba, na costa atlântica. É a maior cidade do país, com o maior porto, constituindo como o centro administrativo e militar da região e de país. Bissau é também a capital do setor autónomo de Bissau.

História[editar | editar código-fonte]

A história de Bissau iniciou-se ainda em 1687, quando o rei daquela região concordou, junto a Portugal, em construir ali uma fortificação, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. Bissau foi fundada, então, em 15 de março de 1692[1] e de fato, em 1696, foi iniciada a edificação da fortaleza pela Companhia do Cacheu e Cabo Verde, sob o comando do capitão-mor José Pinheiro. Em 1703, no entanto, a companhia responsável pela construção não teve seu contrato de exploração de escravos renovado pela Coroa portuguesa, o que conduziu ao acúmulo de prejuízos e ao abandono da Capitania de Bissau, em 1707[4] . Neste ano, já no governo do rei D. João V, o forte foi destruído[5] .

Somente em 1766, com a final construção da Fortaleza da Amura (na época chamada de "Praça de S. José" em homenagem ao rei que a mandou construir), teve início a evolução de Bissau na condição de cidade. A partir de então, cumpriu importante papel histórico na região, como centro de comércio e porto fortificado. Embora a Guiné Portuguesa fosse administrativamente dependente de Cabo Verde, a cidade exerceu por duas vezes o papel de sua capital, em 1836 e 1915[5] .

Em 1855, foi criada em Bissau uma comissão municipal, e a pequena cidade veio a ser elevada ao estatuto de vila em 1859. Isso, no entanto, não contribuiu para o seu desenvolvimento urbano, já que os efeitos destas ações consistiram apenas em reafirmar sua importância econômica. Outro fator que colaborou para isto foi a separação administrativa entre Cabo Verde e a Guiné Portuguesa em 1879, quando a capital foi transferida para Bolama. Somente em 9 de dezembro de 1941, pela terceira vez, Bissau voltaria a ser a capital de sua colônia[5] .

Pela primeira vez, em 1914, Bissau recebeu um plano de urbanização, uma vez que se tornara cidade. E em 6 de fevereiro de 1948, já como capital da Guiné Portuguesa, a cidade alcançou a mais alta distinção, tendo sido elevada a Câmara Municipal. Já em setembro de 1974, com o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, tornou-se capital desse país independente[1] .

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite da Guiné-Bissau destacando, ao centro, o rio Geba. O ponto vermelho representa a cidade de Bissau.

Bissau está situada na costa oeste da Guiné-Bissau, às margens do estuário do rio Geba, próximo ao Oceano Atlântico, com uma altitude de 39 metros[2] . As terras adjacentes à cidade são de altitudes muito baixas, o que também permite que o rio seja acessível a grandes navios, muito embora esta capacidade se dê somente até cerca de 80 quilômetros além da cidade[6] .

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Bissau pode ser classificado como clima de savana com temperaturas estáveis (média de 26 °C[2] ), já que não apresenta umidade suficiente para caracterizar um clima de monções. No entanto, é um clima mais úmido que muitos outros de seu tipo. Não chove muito nos meses de novembro a maio, permanecendo o maior volume de precipitações concentrado nos meses restantes. No total anual, Bissau recebe o equivalente a pouco mais de 2 020 mm de chuva. Nos meses de junho a outubro, período mais chuvoso, e até mesmo nos três meses anteriores, a alta umidade provoca um calor considerado extremamente desconfortável[6] .

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Bissau Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 36,7 38,3 38,9 41,1 39,4 35,6 33,3 32,8 33,9 34,4 35,0 35,6 41,1
Temperatura máxima média (°C) 31,1 32,8 33,9 33,3 32,8 31,1 29,4 30,0 30,0 31,1 31,7 30,6 31,5
Temperatura mínima média (°C) 17,8 18,3 19,4 20,6 22,2 22,8 22,8 22,8 22,8 22,8 22,2 18,9 21,1
Temperatura mínima registrada (°C) 12,2 13,3 15,6 16,7 17,2 19,4 19,4 19,4 19,4 20,0 15,0 12,8 12,2
Precipitação (mm) 0,5 0,8 0,5 0,8 17,3 174,8 472,5 682,5 434,9 194,8 41,4 2,0 2 022,8
Horas de sol 248 226 279 270 248 210 186 155 180 217 240 248 2 707
Fonte: Sistema de Clasificación Bioclimática Mundial[2]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Bissau tem, segundo o censo 2009, uma população de 384 960 habitantes[3] . Considerando-se uma área de 77 km², isso corresponde a uma densidade de 4 187 hab/km².

Evolução demográfica de Bissau[nota 1] [3]

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio Colinas de Boé, sede da Assembleia Nacional Popular

A cidade de Bissau é localmente administrada por uma Câmara Municipal, com o apoio do Ministro da Administração Territorial. Através de seus diversos órgãos (consultivos, deliberativo, de concepção, apoio e coordenação e operativos), a Câmara administra a área dentro da jurisdição da cidade e do setor autônomo[7] .

Atualmente, o presidente da Câmara é o engenheiro Armando António Napoco, ao qual estão diretamente subordinados o seu gabinete, o Conselho Diretivo, a polícia municipal e outros dois gabinetes. O vice-presidente é o arquiteto Fernando Arlete, ao qual se submetem o Conselho Técnico e três direções. E há, ainda, uma secretária geral, responsável diretamente por outras três direções[8] [9] .

O governo da Guiné-Bissau também localiza-se em Bissau, já que esta é a capital do país[10] . Na cidade, há a sede da Presidência da República, do Primeiro-ministro e os outros ministérios e da Assembleia Nacional Popular.

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Geminação[editar | editar código-fonte]

Através de acordos feitos pela Câmara Municipal, Bissau é cidade-irmã das seguintes cidades:

Além disso, a cidade de Bissau participa da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), que une capitais de vários países de língua portuguesa, e prepara mais acordos com cidades do Brasil, Angola, Gâmbia, França e Senegal[11] .

Embaixadas[editar | editar código-fonte]

Por ser a capital da Guiné-Bissau, em Bissau encontram-se as embaixadas de diversos países que mantém relações diplomáticas com o país. São elas:

Existia também em Bissau a embaixada dos Estados Unidos, no entanto, esta suspendeu suas atividades em 14 de junho de 1998. A partir de então, o embaixador dos Estados Unidos na Guiné-Bissau passou a residir em Dakar, no Senegal[20] .

Economia[editar | editar código-fonte]

Desde quando foi oficialmente fundada como cidade pelos portugueses, em 1766, passou a ser um porto fortificado e centro de comércio. Amendoim, localmente chamado de mancarra, madeira, coco, óleo de palmeira e borracha são, atualmente, os principais produtos produzidos em Bissau.

As indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, e materiais de construção, metalurgia, cigarros, e sapatos. Bissau possui um excelente porto natural, sendo as principais exportações o café, borracha,madeira, algodão e, açúcar.

O aeroporto que serve Bissau é o Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira.

Bairros[editar | editar código-fonte]

  • Quelelé, onde situa-se o primeiro centro de próteses de toda a África ocidental.

Turismo[editar | editar código-fonte]

A cidade é conhecida pelo seu Carnaval anual. Outras atrações incluem a Fortaleza d’Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), o monumento do Memorial Pidjiguiti para os pescadores e barqueiros mortos na Greve das Docas da Guiné-Bissau em 3 de Agosto de 1959, o Instituto Nacional de Artes da Guiné-Bissau e também o edifício da antiga Câmara de Comércio de Bissau de autoria do arquitecto português Jorge Ferreira Chaves[21] (hoje sede do PAIGC). Encontram-se também o Novo Estádio da Guiné-Bissau e várias praias de grande beleza mais afastadas. Vários dos seus edifícios foram arruinados durante a guerra civil, incluindo o Palácio Presidencial e o Centro de Cultura Francesa da Guiné-Bissau. A cidade começou, nos últimos anos, a experimentar novas infraestruturas modernas, como a nova assembleia do povo, a nova ponte Amilcar Cabral, a nova sede de Banco dos Estados da África de Oeste, bem entre outros.

Notas

  1. Os dados de 2012 são estimados.

Referências

  1. a b c Câmara Municipal de Bissau. DESTAQUES. Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  2. a b c d Sistema de Classificação Bioclimática Mundial. GUINEA-BISSAU - BISSAU (em espanhol). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  3. a b c World Gazetteer. Bissau (em espanhol). Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
  4. Veríssimo Serrão. História de Portugal, v. V, p. 284 e segs.
  5. a b c Câmara Municipal de Bissau. HISTÓRIA (em português). Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
  6. a b Este trecho foi produzido a partir do texto obtido na tradução do artigo «Bissau» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  7. Câmara Municipal de Bissau. ORGÂNICA (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  8. Câmara Municipal de Bissau. APRESENTAÇÃO - GABINETE DO PRESIDENTE (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  9. Câmara Municipal de Bissau. ORGANIGRAMA E RESPONSÁVEIS (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  10. Assembleia Nacional Popular (27 de novembro de 1996). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU (em português) pp. 8. 4 de dezembro de 1996. Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  11. a b c d Câmara Municipal de Bissau. COOPERAÇÃO (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  12. Câmara Municipal de Lisboa. Município - Relações Internacionais (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  13. Lusa (25 de fevereiro de 2011). Geminação com Bissau e Gabu é "reforço para lusofonia" - UCCLA (em português). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  14. Conselho Municipal de Taipei. CIDADES-IRMÃS INTERNACIONAIS (em inglês). Página visitada em 27 de fevereiro de 2012.
  15. Ministério das Relações Exteriores. EMBAIXADA DO BRASIL EM BISSAU (em português). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  16. Embaixada da República Popular da China na República da Guiné-Bissau (2 de agosto de 2011). INFORMAÇÕES DA EMBAIXADA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA NA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU (em chinês e português). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  17. Ministério de Relações Exteriores da República de Cuba. Embaixada de Cuba na Guiné Bissau (em espanhol e inglês). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  18. Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação da Espanha. Embaixada da Espanha em Bissau (em espanhol). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  19. Portal das Comunidades Portuguesas. Seção Consular da Embaixada de Portugal - Bissau - Contatos do Consulado (em português). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  20. Departamento de Estado dos Estados Unidos da América. Presença Virtual dos Estados Unidos na Guiné Bissau (em inglês). Página visitada em 28 de fevereiro de 2012.
  21. Ana Vaz Milheiro, Eduardo Costa Dias. Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). PDF. Página visitada em 13 de maio de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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