Bitínia

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Bitínia num mapa de 1903.

Bitínia (em grego: Βιθυνία; em latim: Bithynia; em turco: Bitinya) é o nome de uma antiga região do noroeste da Ásia Menor (Anatólia, na moderna Turquia) na costa do [mMar Negro]] (Euxine).

Diversas importantes cidades estavam localizadas nas férteis margens do Propôntida (que era como o mar de Mármara era chamado na época): Nicomédia, Calcedônia, Cio e Apameia. Ali estava também Niceia, onde se realizou o famoso concílio no qual foi aprovado o Credo de Niceia.

Geografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com Estrabão, a Bitínia estava limitada a leste pelo rio Sangário, mas a fronteira geralmente citada nas fontes estendia a região até o rio Partênio, que separava-a da Paflagônia, incorporando a terra dos mariandinos. A oeste e sudoeste o rio Ríndaco separava-a da Mísia e, ao sul, estavam a Frígia e a Galácia.

A região está coberta de montanhas e florestas, mas tem vales e distritos costeiros de grande fertilidade. A cadeia mais importante é chamada de Olimpo Mísio, com picos de até 2 500 m perto da cidade de Bursa claramente visíveis de Istambul, a quase 120 km de distância. Seus picos ficam cobertos de neve na maior parte do ano. A extremidade oriental da cadeia segue por mais 160 km, do rio Sakraya (Sangário) até a Paflagônia, fazendo parte do conjunto de montanhas que demarcam o grande platô central da Anatólia. A larga faixa de terra que segue para o oeste até a costa do Bósforo é cheia de colinas e coberta de florestas — Ağaç Denizi, o "Oceano de Árvores" —, mas não é cortada por nenhuma cordilheira. A costa ocidental é recortada por duas baías, a primeira, ao norte, é o Golfo de İzmit (antigo Astacus), que avança entre 65 e 80 quilômetros terra adentro, chegando até a cidade de İzmit (antiga Nicomédia), e é separado do mar Negro por um estreito istmo de apenas 40 km de largura. O segundo é o golfo de Mudania ou Gemlik (golfo de Cius), com 40 km de comprimento. Em sua extremidade está localizada a pequena cidade de Gemlik (antiga Cio), na ponta de um vale que liga a cidade ao lago de Iznik, onde estava antiga cidade de Niceia.

Os principais rios são o rio Sakarya (Sangário), que atravessa a província de norte a sul, o Ríndaco, que a separa da Mísia e o rio Filiyas (Billaeus), que nasce em Aladağ, a 80 km do mar e, depois de atravessar Bolu (antiga Claudiópolis), deságua no Mar Negro perto das ruínas da antiga Tium, a pouco mais de 60 km para o nordeste de Karadeniz Ereğli, a antiga Heracleia Pôntica, um percurso de mais de 160 km. O rio Bartın (Partênio), a fronteira leste da província, é pouco mais do que um riacho.

Os vales na região do Mar Negro são grandes produtores de frutas de todos os tipos enquanto o vale do Sangário e as planícies perto de Bursa e Iznik são férteis e utilizadas para agricultura. Grandes pomares de amoreiras fornecem a seda pela qual Bursa tornou-se famosa ao longo dos séculos e que é produzida na região em escala industrial.

História[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando diversos povos antigos na região da Anatólia e Trácia entre os séculos V e I a.C., incluindo os tínios e os bitínios (em azul turquesa).

De acordo com os autores antigos (Heródoto[1] , Xenofonte, Estrabão e outros), os bitínios eram uma tribo que havia emigrado da Trácia. A existência de um povo chamado tínios lá foi comprovada e é provável que as tribos cognatas dos tínios e dos bitínios tenham se assentado simultaneamente nas regiões vizinhas da Ásia, de onde eles expulsaram ou subjugaram os mísios, caucones e outras tribos menores. Apenas os mariandinos conseguiram se manter mais para o nordeste. Heródoto menciona que ambas as tribos, dos tínios e dos bitínios, coexistiam lado-a-lado, mas, no final, a última acabou se tornando predominante, pois acabou emprestando seu nome à região.

A Bitínia foi incorporada ao Reino da Lídia do rei Creso e, quando ele caiu frente às forças de Ciro, o Grande, em 546 a.C., acabou nas mãos do Império Aquemênida, fazendo parte da satrapia da Frígia.

Reino da Bitínia[editar | editar código-fonte]

Porém, mesmo antes da conquista da região por Alexandre III da Macedônia, os bitínios parecem ter conseguido sua independência e dois príncipes nativos conseguiram governar a região com sucesso, Bas e Zipoites, este último assumindo o título de rei (basileu) em 297 a.C. Seu filho e sucessor, Nicomedes I, fundou Nicomédia, que rapidamente prosperou, e, durante seu longo reinado (ca. 278 a.C.ca. 255 a.C.) e o de seus sucessores, Prúsias I, Prúsias II e Nicomedes II (entre 149 e 91 a.C.), o Reino da Bitínia conquistou um importante espaço entre as pequenas monarquias da Anatólia. Porém, o último rei, Nicomedes IV, não conseguiu se defender de Mitrídates VI e Bitínia foi anexada ao Reino do Ponto. Depois de ser restaurado ao trono pelo senado romano, Nicomedes deixou seu reino como herança para a República Romana em 74 a.C. As moedas cunhadas por estes reis representam claramente seus retratos, que eram gravados com extrema habilidade no estilo helenístico[2] .

Província romana[editar | editar código-fonte]

Provincia Bithynia
Βιθυνία
Província da Bitínia
Província do(a) Império Romano e do Império Bizantino

293–século VII
Location of Bitínia
A província da Bitínia num mapa da Diocese do Ponto (ca. 400)
Capital: Nicomédia
Período : Antiguidade Tardia
 -  Reformas de Diocleciano 293
 -  Adoção do sistema de temas século VII

Já como província romana, as fronteiras da Bitínia variaram muito durante a sua história e ela foi frequentemente unida, por motivos administrativos, com a província do Ponto. Esta era a situação na época de Trajano, quando Plínio, o Jovem, foi nomeado governador das províncias reunidas (109-110 – 111-112), uma circunstância que nos deu consideráveis informações sobre a administração provincial romana.

Na reforma de Diocleciano (r. 284–305), a província da Bitínia e Ponto foi novamente dividida em duas províncias separadas pelo rio Sangário, a oeste do qual estava a Província da Bitínia. A leste, a nova província Honória. Ambas estavam subordinadas à Diocese do Ponto, da Prefeitura pretoriana do Oriente. A capital era Nicomédia.

A Bitínia parece ter atraído muita atenção, principalmente por causa de suas estradas e sua posição estratégia entre as fronteiras do Danúbio ao norte e as do Eufrates no sudeste. Para garantir a comunicação com as províncias do oriente, a monumental Ponte do Sangário foi construída por volta de 562 d.C. e tropas frequentemente invernavam em Nicomédia.

Sés episcopais[editar | editar código-fonte]

As sés episcopais da província que aparecem no Annuario Pontificio como sés titulares são[3] :

Bitínios notáveis[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Heródoto, Histórias, Livro VII, Polímnia, 75 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  2. Asia Minor Coins - regal Bithynian coins
  3. Annuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]