Bixiga

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Bixiga
Villa Tavola
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Dia Oficial: 1 de outubro
Fundação: 1 de outubro de 1878 (135 anos)
Imigração predominante:  Itália
Distrito: Bela Vista
Subprefeitura:
Região Administrativa: Centro

O Bixiga é entendido como um dos mais tradicionais bairros da cidade de São Paulo, embora na divisão administrativa da cidade ele não exista oficialmente como tal. Corresponde aproximadamente à região localizada entre as ruas Major Diogo, Avenida Nove de Julho, Rua Sílvia e Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no distrito da Bela Vista, embora sua delimitação possa ser motivo de polêmica dependendo da fonte.

Formado por imigrantes italianos, ganhou importância histórica e turística na capital paulista. A tradição e a religiosidade italianas, que são fortemente mantidas e as inúmeras cantinas existentes no bairro são grandes atrativos turísticos. No bairro situa-se a sede da escola de samba Vai-Vai, que até 2006 realizava ensaios pelas ruas do bairro.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro de ocupação da área é de 1559, como Sítio do Capão, de propriedade do português Antônio Pinto, e mais tarde passou a chamar-se Chácara das Jabuticabeiras, por causa do alto número de árvores dessa espécie.[1] Nos anos 1820 um homem conhecido como Antônio Bexiga, por causa de suas cicatrizes de varíola (popularmente conhecida como "bexiga"), comprou as terras, o que é a explicação para o nome do bairro.[1]

Por volta de 1870 Antônio José Leite Braga decidiu lotear parte de sua "Chácara do Bexiga". O loteamento já estava anunciado em 23 de junho de 1878[1] e foi inaugurado em 1 de outubro do mesmo ano, com a presença do imperador Pedro II, lançando a pedra fundamental de um hospital que, no entanto, jamais foi construído. Lotes pequenos e baratos interessaram aos imigrantes italianos, pobres e recém-chegados ao Brasil, a maior parte deles vindos da Calábria[2] , que não se interessavam por dirigir-se aos cafezais do interior do estado[1] .

Com o intuito de afastar o sentido pejorativo do apelido dado ao bairro, seus moradores passaram a mudar a grafia de Bexiga para Bixiga.[3] Outra explicação para a grafia seria uma adaptação ao jeito coloquial de se falar.[1]

Pontos históricos[editar | editar código-fonte]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Vila Itororó

Uma das construções mais extravagantes da cidade, a Vila Itororó, na Rua Martiniano de Carvalho, é um símbolo do Bixiga imigrante. Construída pelo tecelão português Francisco de Castro em 1922, ficou conhecida, já na época, como Casa Surrealista. Seu proprietário, além de trabalhar com tecidos, tinha conhecimentos nas áreas de engenharia e arquitetura, e os utilizou de forma inédita na construção do exótico casarão de quatro andares e 37 casas ao redor, ocupando uma área de 4,5 mil metros quadrados, que constituíram a primeira vila de São Paulo. Alguns de seus ornamentos construtivos vieram do teatro São José, e a Vila Itororó foi a primeira residência particular da cidade a ter uma piscina, aproveitando a nascente do riacho do Vale do Itororó, que dá nome ao local. Mais tarde, a Vila Itororó foi leiloada para cobrir dívidas do tecelão e acabou arrematada pela Santa Casa de Indaiatuba, que a alugou para outras pessoas. Apesar de tombado pelo conselho municipal de patrimônio histórico, a Vila Itororó já foi um dos vários cortiços deteriorados do Bixiga. Após desocupação abriga provisoriamente o conselho tutelar. A intenção da Prefeitura é transformá-la em um polo cultural.

Escadaria do Bixiga.
Escadaria do Bixiga

Ao lado da Praça Dom Orione, fica a escadaria que une a parte baixa do bairro à alta, na Rua dos Ingleses, dando acesso por um lado ao Museu dos Óculos, Museu Memória do Bixiga e Teatro Ruth Escobar, e do outro às famosas cantinas italianas e feira de antiguidades. A escadaria já foi palco de muitos filmes e peças publicitárias.

Casa da Dona Yayá
Arcos da Rua Jandaia .

O imóvel, que foi uma das primeiras chácaras do Bixiga, tornou-se propriedade de dona Sebastiana de Melo Freire em 1925, órfã rica que apresentou sinais de demência e viveu o resto dos seus dias no sanatório particular ali construído pelos seus tutores. Nessa época, o Bixiga eram campos nos "arredores" de São Paulo". Pertence ao patrimônio da USP desde 1972, e hoje sedia a Comissão do Patrimônio Cultura da USP, que o transformou em um centro cultural principalmente musical, após cuidadosa restauração.

Arcos da Rua Jandaia

Tombados pelo conselho municipal de patrimônio histórico como de preservação integral, a monumental obra na Rua Jandaia, sobre a 23 de Maio, o Muro dos Arcos foi descoberto quando a prefeitura demoliu as edificações que ali havia. Supõe-se que tenha sido construído no século XIX para proteção contra enchentes.

Cultura[editar | editar código-fonte]

O sotaque italianizado é uma das características culturais do bairro, que foi explorada na música de Adoniran Barbosa.[1]

Teatro Oficina

Fundado em 1958, o Teatro Oficina instalou-se no edifício de número 520 da Rua Jaceguai em 1960, antes ainda do retaliamento do bairro do Bexiga pelo Minhocão. Tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, Estadual e Nacional, o Oficina luta desde 1980 para impedir a verticalização do bairro. O atual prédio do Teatro Oficina foi concebido pela mesma arquiteta que desenhou o Masp, a italiana Lina Bo Bardi, e consiste em uma pista ladeada por galerias térreas e elevadas onde acomodam-se 350 pessoas, um vão de janela de aproximadamente 150 m², teto retrátil e fonte de água ao centro.

Enraizada em um pequeno jardim no interior do teatro uma árvore atravessa a parede lateral e tem sua copa no terreno ao lado. Grupo que realizou algumas das mais importantes montagens teatrais brasileiras, tais como O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, Pequenos Burgueses, de Máximo Górki, e, mais recentemente, a adaptação em 27 horas de teatro da obra seminal da nacionalidade brasileira, Os Sertões, de Euclides da Cunha, o Oficina segue em plena atividade até os dias atuais.

Museu dos Óculos

Casarão construído em 1918 na rua dos Ingleses, que abriga o Museu dos Óculos Gioconda Giannini, com acervo de 700 peças, entre peças que contam a história dos óculos, com modelos raros e antigos como uma coleção chinesa do século XVIII com estojo de escamas de peixes, além de outros itens que pertenceram a celebridades como Jô Soares, Regina Duarte, Elis Regina, dentre outros.

Festa de Nossa Senhora Achiropita
Vista da Igreja Nossa Senhora de Achiropita.

A Festa de Nossa Senhora Achiropita, é realizada todos os anos durante os fins de semana de agosto. Comemorada desde 1926, originalmente por imigrantes italianos da região da Calábria, é hoje uma das festas mais tradicionais da capital paulistana. O evento conta com o trabalho de cerca de 900 funcionários, e toda a renda é revertida para obras sociais da paróquia. Segundo a organização, são consumidas onze toneladas de macarrão, cinco toneladas de mozarela e dez mil litros de vinho, entres outros produtos, para um público estimado em duzentas mil pessoas nos cinco fins de semana da festa. Entre outras curiosidades do evento, destacam-se a equipe das focaccias, com 130 pessoas, responsável por uma incrível produção de dez mil unidades por noite, e a procissão em louvor a Nossa Senhora pelo bairro, em que é confeccionado o tapete artístico de serragem na Rua São Vicente.

Referências

  1. a b c d e f (18 de março de 2009) "Museu expõe memória e sotaque do Bexiga, em São Paulo" (em português). O Estado de S. Paulo (42 520): pág. C10. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931. Página visitada em 18/3/2010.
  2. Bixiga: os contornos atuais do bairro que começou com imigrantes calabreses
  3. A Itália ao alcance dos pés
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