Blackout (álbum de Britney Spears)

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Blackout
Álbum de estúdio de Britney Spears
Lançamento 25 de outubro de 2007 (2007-10-25)
Gravação 2006 - 07
Gênero(s) Electropop, dance-pop, R&B
Duração 43:37
Idioma(s) Inglês
Formato(s) CD, download digital
Gravadora(s) Jive
Produção Britney Spears (exec.), Jim Beanz, Bloodshy & Avant, The Clutch, Danja, Kara DioGuardi, Corte "The Author" Ellis, Freescha, Sean "The Pen" Garrett, Keri Hilson, "Fredwreck" Farid Nasser, The Neptunes, J. R. Rotem
Cronologia de Britney Spears
Último
Último
B in the Mix: The Remixes
(2005)
Circus
(2008)
Próximo
Próximo
Singles de Blackout
  1. "Gimme More"
    Lançamento: 18 de setembro de 2007 (2007-09-18)
  2. "Piece of Me"
    Lançamento: 27 de novembro de 2007 (2007-11-27)
  3. "Break the Ice"
    Lançamento: 4 de março de 2008 (2008-03-04)

Blackout é o quinto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Britney Spears. O seu lançamento ocorreu em 26 de outubro de 2007, através da Jive Records. O disco representa um afastamento musical dos trabalhos anteriores de Spears, apresentando um tom de pressentimento e atmosférico em termos de direção musical e lírica. Apresentando como gêneros musicais predominantes electropop, dance-pop e R&B, o trabalho possui influências do euro disco, dubstep e funk. Liricamente, as faixas refletem-se à fama, ao escrutínio da mídia, ao sexo e à dança. As gravações do projeto ocorreram entre 2006 e 2007 em estúdios nos Estados Unidos com a produção executiva da própria cantora, sendo que a sua produção musical ficou a cargo de Jim Beanz, Bloodshy & Avant, The Clutch, Danja, Kara DioGuardi, Corte "The Author" Ellis, Freescha, Sean "The Pen" Garrett, Keri Hilson, "Fredwreck" Farid Nasser, The Neptunes e J. R. Rotem.

Optando por restabelecer a sua carreira musical após o lançamento de seu quarto álbum de estúdio In the Zone (2003), Spears começou a compor canções para Blackout no mesmo ano e começou a planejar o projeto em 2006 com diversos produtores, que afirmaram estarem impressionados com seu profissionalismo. O trabalho continuou em 2007, ano no qual os problemas pessoais da artista foram muito divulgados — incluindo vários casos de comportamento errático e seu divórcio com o dançarino Kevin Federline — e ofuscaram seus esforços profissionais. A capa do álbum e as fotos de seu encarte correspondente foram fotografadas por Ellen von Unwerth. Duas destas fotografias, que apresentam Spears em posições sexualmente sugestivas em um confessionário ao lado de um padre, geraram grande controvérsia com a Liga Católica. O álbum foi originalmente planejado para ser lançado nos Estados Unidos em 13 de novembro de 2007. Entretanto, a divulgação ilegal de faixas do disco na Internet fez com que seu lançamento fosse adiantado em duas semanas.

Blackout recebeu análises positivas ​​da mídia especializada, a qual o prezou como o álbum mais progressivo e consistente de Spears até então. Entretanto, alguns profissionais sugeriram que sua qualidade deveria ter sido atribuída aos produtores em vez de Spears, e criticaram seus vocais, descrevendo-os como "robóticos. Obteve um desempenho comercial favorável, atingindo a liderança das tabelas do Canadá, da Europa e da Irlanda, enquanto listou-se entre as dez primeiras posições na Austrália, na Áustria, na Bélgica, na Dinamarca e em outras doze regiões. Nos Estados Unidos, foi esperado que debutasse na liderança da Billboard 200, mas estreou na vice-liderança comercializando 290 mil cópias em sua primeira semana após uma mudança de regra de última hora, tornando-se o primeiro álbum de estúdio da cantora a não estrear na primeira posição nos Estados Unidos. O material recebeu certificação de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA), e foi o 32º mais vendido no mundo em 2007. Em âmbito global, vendeu mais de 3.2 milhões de exemplares.

De Blackout surgiram três singles. O primeiro, "Gimme More", atingiu a terceira posição na estadunidense Billboard Hot 100, e foi bem sucedido comercialmente, culminando nas tabelas do Canadá e listando-se nas dez primeiras posições em diversos países. O segundo, "Piece of Me", liderou a tabela da Irlanda e atingiu a 18ª posição nos Estados Unidos. Seu vídeo musical correspondente foi indicado em três categorias nos MTV Video Music Awards de 2008 e venceu todas, incluindo a principal de Video of the Year. O terceiro, "Break the Ice", obteve um desempenho moderado comercialmente, e atingiu a liderança do periódico genérico Hot Dance Club Songs. Ao contrário de seus discos anteriores, Spears não divulgou Blackout fortemente; sua única aparição televisiva para promover o disco foi uma performance universalmente negativada de "Gimme More" durante os MTV Video Music Awards de 2007.

Antecedentes e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

J. R. Rotem (imagem) foi um dos produtores que trabalharam em Blackout com Spears desde o início do desenvolvimento do disco.

Em novembro de 2003, enquanto promovia seu quarto disco In the Zone, Spears disse para a revista Entertainment Weekly que já estava compondo canções para seu álbum seguinte, e que também esperava iniciar sua própria gravadora em 2004.[1] Henrik Jonback confirmou que ele havia escrito canções com a artista durante a etapa europeia da turnê The Onyx Hotel Tour (2004) "no ônibus e no seu quarto de hotel entre os concertos".[2] Após o seu casamento com o dançarino Kevin Federline em outubro de 2004, Spears anunciou através de uma carta em sua página oficial que iria "fazer uma pausa para aproveitar a vida".[3] Entretanto, em 30 de dezembro do mesmo ano, ela fez uma aparição surpresa na estação radiofônica de Los Angeles KIIS-FM para estrear uma mistura de uma nova faixa de andamento moderado, "Mona Lisa". Spears havia gravado a canção ao vivo com sua banda durante a turnê, e dedicou-a à todas "as lendas e ícones que existem". As letras lamentam a queda de Mona Lisa, chamando-a de "inesquecível" e "imprevisível", e adverte os ouvintes a não terem um "colapso". Ela também revelou que queria que a música fosse o primeiro single de seu futuro álbum, provisoriamente intitulado The Original Doll, e esperava lançá-la "provavelmente antes do verão boreal [de 2005], ou talvez antes".[4] Em janeiro de 2005, Spears divulgou outra carta em seu site, dizendo:[5]

Um represente da Jive Records declarou que, embora Spears estivesse trabalhando no estúdio, "nenhum álbum está previsto no momento" e "não há planos de enviar 'Mona Lisa' para as rádios".[6] "Mona Lisa" foi lançada em um CD bônus incluído no DVD de Britney & Kevin: Chaotic (2005).[7] Em 18 de setembro de 2005, ocorreu o nascimento do primeiro filho da artista, Sean Preston.[8] Durante uma entrevista para a People em fevereiro de 2006, Spears explicou que estava ansiosa para retomar sua carreira, comentando que sentia falta de "viajar (...) [estar na] estrada, conhecer lugares diferentes, estar com os dançarinos e se divertidas. Aquela sensação de estar no palco, sabendo que é o seu melhor — eu amo. Eu precisava de uma pausa. Eu precisava estar faminta novamente".[9] Quando questionada sobre seu disco seguinte, ela disse que estava experimentando novos estilos no estúdio de sua casa com músicos ao vivo, transformando seu som em um gênero acústico e tocando piano. Spears queria que o álbum representasse suas raízes de Louisiana, explicando que cresceu ouvindo blues. "Quando eu era pequena, eu ouvia a mim mesma. (...) Mas a gravadora contrata você, e você fica apenas grato por ter uma canção de sucesso. Você não pode mostrar sua voz real e de onde você veio. Eu gostaria de tentar ter mais influências desse som. Não [quero dizer] que eu serei como a incrível Tina Turner. Mas nunca se sabe", ela declarou.[10] A intérprete também disse que esperava que o trabalho revigorasse a cena pop da época, adicionando que "tem sido entediante. Nada tem sido bom para mim".[9] Em 9 de maio de 2006, Spears anunciou que estava grávida de seu segundo filho.[11] Poucos dias depois, produtores como J. R. Rotem e Sean Garrett disseram à MTV News que estavam trabalhando com Spears.[12] Em 12 de setembro seguinte, ocorreu o nascimento do segundo filho da artista, Jayden James.[13] Ela pediu o divórcio de seu casamento com Federline em 7 de novembro do mesmo ano, citando diferenças irreconciliáveis.[14] Após o divórcio, suas festas particulares e seu comportamento publicamente errático chamaram a atenção da mídia ao redor do mundo e, como resultado, Spears entrou duas vezes na clínica de reabilitação Promises em fevereiro de 2007. Seu empresário Larry Rudolph divulgou um comunicado em 20 de março de 2007, dizendo que ela havia "completado seu programa de forma exitosa".[15]

The M+M's Tour[editar | editar código-fonte]

The M+M's Tour foi a quinta turnê musical de Spears. Ela começou a ensaiar para um concerto em locais House of Blues secretamente, e fez uma performance surpresa em 25 de abril de 2007 na boate de Los Angeles Forty Deuce.[16] Em abril de 2007, a frase "The M+M's" foi vista em um letreiro da House of Blues em San Diego, fontes da mídia identificaram o ato como Spears, e os ingressos para o show rapidamente se esgotaram.[17] A turnê iniciou-se na cidade supracitada e marcou a primeira vez que a artista apresentou-se ao vivo desde a The Onyx Hotel Tour em junho de 2004.[18] O show contou com a artista acompanhada por quatro dançarinas femininas apresentando versões curtas de cinco canções, incluindo sucessos como "...Baby One More Time" e "Toxic". Apresentou números de dança coreografados e apenas uma troca de figurino. Durante a performance de "Breathe on Me" de In the Zone, um membro masculino da plateia participou no palco.[19] O espetáculo inicial recebeu análises mistas de críticos musicais. Alguns sentiram que Spears parecia feliz e em grande forma, enquanto outros descreveram o concerto como "abaixo da média".[18] [19] Cambistas que estavam perto do local da apresentação em San Diego vendiam bilhetes — que normalmente custavam US$ 35 — a preços entre US$ 200 e US$ 500.[18] [19]

Gravação[editar | editar código-fonte]

As gravações de Blackout começaram em 2006, de acordo com um representante de Spears.[12] A artista conheceu Rotem em Las Vegas no ano de 2006, e selecionou-o para trabalhar no disco depois de ouvir "SOS", da cantora barbadense Rihanna. Eles escreveram e gravaram quatro músicas juntos, incluindo "Everybody" e "Who Can She Trust".[20] Em julho de 2006, ela começou a trabalhar com Danja, que contatou compositores como Keri Hilson, Jim Beanz, Marcella Araica e Corte Ellis para trabalhar com ele.[21] A equipe escreveu sete faixas para Spears: "Gimme More", "Break the Ice", "Get Naked (I Got a Plan)", "Hot as Ice", "Perfect Lover", "Outta This World" e "Get Back".[21] [22] Danja explicou que o processo criativo não foi difícil no começo, uma vez que ele deixou "de fazer muito bem o que queria", e que "se ela [Spears] sentiu isso, ela vai gostar. Se ela não sentiu isso, você vai ver em seu rosto".[23] Hilson escreveu "Gimme More" com Spears em mente após Danja apresentar-lhe o instrumental, dizendo: "Eu só comecei a cantar, 'me dê, me dê', acrescentei um pouco mais [de letras] e apenas me diverti e brinquei muito". A intérprete começou a gravar com a equipe no Studio at the Palms em Las Vegas em agosto de 2006, durante o seu sétimo mês de gestação de Jayden James. A gravação continuou na casa de Spears em Los Angeles, três semanas após o nascimento de Jayden James. Hilson comentou que "ela deu 150% [de si]. (...) Eu não conheço nenhuma outra mãe que faria isso".[22] Danja acrescentou que "apesar de todos os seus problemas em sua vida pessoal, tanto quanto a ética de trabalho dela, eu não vi ninguém entrar daquele jeito e fazer o que você vai fazer". Quanto ao som do álbum, ele considerou-o como maior, mais maduro e de "uma nova Britney", explicando: "Eu venho do hip hop, por isso é relacionado com [esse som], mas eu o abandonei".[21]

É definitivamente a Britney, mas em seu próximo nível. Com canções como 'Toxic', ela era muito inovadora, e estamos tentando superar isso. Levá-la para a próxima coisa. O álbum não irá sair por enquanto, uma vez que está em seu início. Quando chegar a hora de promover o álbum, ela estará em um espaço livre diferente, onde vai ser a coisa principal. Mas agora, ela está feliz fazendo malabarismos entre a música e a maternidade.

J. R. Rotem falando sobre trabalhar com Spears.[12]

Kara DioGuardi — co-produtora de "Heaven on Earth", co-compositora e co-produtora de "Ooh Ooh Baby" — trabalhou com Spears enquanto ela estava grávida de seu segundo filho. DioGuardi disse que Spears "trabalhou muito duro" e a descreveu como "imparável".[24] Em setembro de 2006, Rotem disse à MTV News que ele e Britney estavam tentando inovar o som atual do rádio no momento, exemplificando "Promiscuous", da canadense Nelly Furtado.[25] Em novembro de 2006, Spears gravou "Radar" com Ezequiel Lewis e Patrick M. Smith, membros da equipe The Clutch, nos estúdios Sony Music em Nova Iorque.[26] [27] Lewis queria trabalhar com ela há um bom tempo e foi motivado a produzir algo para a artista que fosse "ajudar o projeto dela a se tornar um bom projeto de retorno". Smith afirmou que a equipe tentou criar um disco "para os que conhecem e amam Britney Spears" e que não "toca em tudo o que foi realmente lidado com todas as coisas que ela estava lidando". Ambos comentaram que embora Spears tenha chegado tarde para as sessões de gravação, ela pegou todos de surpresa com sua eficiência e seu profissionalismo, com Lewis acrescentando: "Foi absolutamente louco, e ela deu indicações muito bem. (...) Eu não sei o que eu estava esperando, porque fomos trabalhar nesse disco um dia após ela pedir o divórcio de Kevin [Federline]".[26] T-Pain, que co-compôs "Hot as Ice", esteve no estúdio com Spears em fevereiro de 2007, e afirmou que uma das três músicas que gravaram foi concluída em apenas uma hora.[28] Ele disse que pensou "que ela estaria sentada no sofá comendo Doritos, nachos ou algo assim (...), mas ela entrou, apertou a minha mão, me deu um abraço e foi direto para a cabine [de gravação]. Ela ficou lá e teve um grande profissionalismo".[29]

"Heaven on Earth" foi composta por Nicole Morier, Nick Huntington e Michael McGroarty, os dois últimos conhecidos coletivamente como Freescha.[27] Embora Morier já tivesse composto canções com Greg Kurstin e outros artistas, ela sentiu que "não tinha realmente encontrado o nicho [dela]" até escrever "Heaven on Earth", descrevendo-a como "uma canção muito honesta". Depois de apresentar a canção para a sua gravadora, os executivos da editora se reuniram com Spears e sua A&R Teresa LaBarbera Whites, que gostaram da faixa. Morier descreveu "Heaven on Earth" como a música que transformou sua carreira.[30] Christian Karlsson e Pontus Winnberg, conhecidos profissionalmente como Bloodshy & Avant, co-compuseram e co-produziram quatro faixas: "Piece of Me", "Radar", "Freakshow" e "Toy Soldier". Quando o álbum estava aparentemente concluído, Whites convenceu Bloodshy & Avant a elaborarem uma nova obra. Winnberg comentou que sempre houve "uma regra tácita" de não escrever canções sobre a vida pessoal da cantora, uma vez que a Jive rejeitou "Sweet Dreams My LA Ex", por ser uma resposta explícita a "Cry Me a River", de Justin Timberlake. Entretanto, a dupla compôs "Piece of Me" com Klas Åhlund de qualquer maneira como uma resposta ao escrutínio da mídia e ao sensacionalismo da vida privada da artista, e a enviou para a intérprete, que afirmou ter "amado". Winnberg declarou: "Nós sabíamos que a música havia quebrado todas as regras que nós tivemos. (...) Quando ela chegou ao estúdio, ela estava extremamente empolgada, aprendeu a letra de cor em seu carro e gravou a canção em meia hora"."[31] Antes do lançamento do álbum, Whites disse à MTV News que o álbum "mostra um grande crescimento [de Spears] como artista. (...) Ela estava muito envolvida com as canções e como elas haviam acabado. É a mágica dela que transforma essas músicas no que elas são".[29] Entre os produtores que trabalharam em Blackout mas que cujas canções não fizeram parte do produto final incluem Scott Storch, Dr. Luke e Ne-Yo.[21]

Composição[editar | editar código-fonte]

Circus é um pouco mais leve que Blackout. Acho que muitas das canções que eu fiz naquela época, eu estava passando por uma fase muito obscura na minha vida, então muitas das músicas refletem isso. (...) Mas eles [os discos] possuem estilos totalmente diferentes. Blackout é um pouco mais obscuro e ousado, e um pouco mais urbano.

—Spears comparando seu disco seguinte Circus com Blackout.[32]

Danja declarou que o objetivo de Spears era fazer um álbum divertido e dançante com músicas de andamento acelerado e alta energia, comentando: "Ela queria se afastar do lado pessoal. [O disco] é divertido e básico, e não há nada de errado com isso. É sobre se sentir bem, celebrar a feminilidade".[21] Blackout se inicia com seu primeiro single "Gimme More", uma canção dance-pop com influências de gêneros como electro e funk.[33] [34] A obra começa com uma introdução falada pela artista, na qual ela diz a linha "É a Britney, vadia".[nota 1] [35] Embora aparentem ser sobre dança e sexo, as letras da faixa tratam sobre a fascinação da mídia com a vida privada da cantora, mais notavelmente nas linhas "Câmeras estão filmando enquanto dançamos loucamente / Elas continuam observado, continuam observando".[nota 2] [36] Lançada como o segundo foco de promoção do projeto, a música seguinte "Piece of Me" é derivada do electro, e interpretada em um insistente estilo pop groove.[37] [38] Apresenta uma melodia executada através de um ritmo dançante de andamento lento, e consiste de distorções vocais, causando um efeito sonoro que dificulta distinguir qual é a voz de Spears.[37] Liricamente, trata sobre a fama, e é composta como uma descrita como uma biografia que retrata as desventuras da artista, as quais são cantadas de uma maneira quase falada.[37] [39] Segue-se "Radar", um número electro e euro disco que apresenta sintetizadores distorcidos imitando pulsos sonar, os quais foram comparados com os de "Tainted Love", de Soft Cell.[29] [40] Nas letras, Spears deixa o sujeito saber que ele está em seu radar, enquanto lista as qualidades que o homem possui.[41]

Demonstração de 18 segundos do refrão de "Break the Ice", o qual é acompanhado por sintetizadores.[42]

Demonstração de 20 segundos da ponte de "Freashow". A faixa é construída sob o efeito "excêntrico" do dubstep, e os vocais de Spears são abaixados, fazendo-os soar como se fossem masculinos.[39] [43]

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A quarta canção e último single de Blackout "Break the Ice" cantando as linhas "Faz um tempo / Eu sei que não devia ter deixado você esperando / Mas estou aqui agora".[nota 3] [29] Em termos musicais, o tema é derivado do electro-R&B e apresenta influências do rave e do crunk, sendo interpretado em um moderado pop groove. A música apresenta um coral[44] [45] e Keri Hilson fornecendo vocais de apoio, soando quase como um dueto. Hilson explicou que a faixa é sobre "duas pessoais, uma garota e um garoto. (...) E a garota está dizendo: 'Você é um pouco frio. Me deixe esquentar as coisas e quebrar o gelo'".[29] Após o segundo refrão, a ponte começa com Spears dizendo "Eu gosto dessa parte", imitando Janet Jackson em "Nasty".[29] A quinta obra "Heaven on Earth" é uma canção de amor derivada do euro disco, e contém influências do new wave.[33] [34] Selecionada pela cantora como a sua favorita do trabalho,[46] a obra é inspirada por "I Feel Love", de Donna Summer, com três linhas vocais transcorrendo ao longo da batida.[29] [47] Nicole Morier comentou que o número foi escrito a partir de um lugar muito escuro, dizendo: "Eu estava pensando em algumas pessoas, em como elas eram tão perfeitos, e como eu tenho todas essas imperfeições (...) Eu acho que o que está sendo tocado [na canção] está a partir da perspectiva de alguém que sente como elas [essas pessoas] realmente precisavam dessa pessoa apenas para se sentir bem e seguro".[30] Segue-se "Get Naked (I Got a Plan)", uma música de andamento acelerado que liricamente trata sobre sexo.[29] [39] [48] É construída como um dueto entre Spears e Danja, que interpreta o refrão com sua voz distorcida para soar como um gemido em deterioração. A artista contribuiu com uma série de suspiros e gritos, e sua voz também é distorcida.[39] A sétima faixa "Freakshow" é construída sob o efeito "excêntrico" do dubstep.[39] A intérprete canta sobre dançar e estar nos holofotes, em linhas como "Faças as outras garotas ficarem loucas / Estou prestes a dançar / Veja aquele rapaz".[nota 4] [49] Durante a ponte, sua voz é abaixada, fazendo-a soar como se fosse masculina.[39] [43]

"Toy Soldier", a oitava faixa, é uma canção R&B reminiscente aos trabalhos do grupo feminino Destiny's Child que apresenta uma caixa militar e Spears cantando sobre a sua necessidade de um novo parceiro.[45] [49] Em "Hot as Ice", uma obra R&B que apresenta vocais de apoio de T-Pain, a intérprete canta as linhas "Sou apenas uma garota com a habilidade de deixar um homem louco / Fazer ele me chamar de 'mamãe', fazer ele ser meu novo garoto" em um registro mais elevado.[nota 5] [29] [50] A nona canção "Ooh Ooh Baby" contém uma guitarra flamenca e mistura a batida de "Rock and Roll", de Gary Glitter, e a melodia de "Happy Together", do grupo The Turtles.[45] Nas letras, ela canta para uma amante, mais notavelmente nas linhas "Me toque e eu me sinto vivo / Eu posso te sentir nos meus lábios / Eu posso te sentir bem no fundo".[nota 6] Kara DioGuardi declarou que se inspirou pela relação entre Spears e seu primeiro filho no estúdio, comentando: "Eu olhei para os dois, a maneira de como eles se entreolhavam e a maneira de como ela segurava o bebê. Isso me pareceu interessante. Algumas vezes, [a canção] seria sobre uma criança e, algumas vezes, sobre um amante".[24] A penúltima faixa "Perefect Lover" é musicalmente derivada do R&B e apresenta uma batida de dança do ventre propulsiva na qual Spears canta letras como "Tique-taque, tique taque / Venha e me pegue enquanto estou quente".[nota 7] [43] [45] Influenciada pelo R&B, a última canção "Why Sould I Be Sad" é direcionada ao ex-marido da cantora Kevin Federline.[33] [45] [49] O número bônus "Everybody" contém demonstrações de "Sweet Dreams (Are Made of This)", da dupla britânica Eurythmics e apresenta a artista cantando sobre a pista de dança, em um registro vocal inferior e ofegante.[20]

Lançamento e capa[editar | editar código-fonte]

Duas das imagens contidas no encarte de Blackout apresentam Spears fazendo poses sugestivas ao lado de um padre dentro de um confessionário; estas fotos foram criticadas pela diretora de comunicações da Liga Católica Kiera McCaffrey, que declarou que o grupo considerou as fotografias como um "golpe de publicidade barata" para promover o disco.[51]

Em junho de 2007, Spears divulgou uma mensagem em sua página oficial na Internet pedindo ajuda com um título para o álbum. Entre as opções, estavam OMG Is Like Lindsay Lohan Like Okay Like, What If the Joke Is on You, Down Boy, Integrity e Dignity.[52] Em 6 de outubro seguinte, a Jive Records anunciou através de um comunicado de imprensa que o álbum seria intitulado Blackout, referindo-se a "bloquear a negatividade e abraçar a vida inteiramente".[53] O disco estava planejado para ser lançado em 13 de novembro de 2007; no entanto, a Jive anunciou em 10 de outubro de 2007 que o lançamento ocorreria em 30 de outubro, duas semanas antes do previsto, devido à divulgação ilegal de diversas faixas do trabalho na Internet.[54] No dia seguinte, a Zomba Label Group abriu um processo contra o blogueiro Perez Hilton, declarando que obteve ilegalmente e postou em blog pelo menos dez canções e demos inacabadas do álbum. Representantes da gravadora alegaram que as postagens ocorreram ao longo dos três meses anteriores, e solicitaram danos morais e reais, bem como custos legais.[55] Em 30 de junho de 2009, a justiça apresentou uma estipulação para julgar o caso nos termos do acordo de liquidações reservadas. No mês seguinte, o juiz do Tribunal Distrital dos Estados Unidos extinguiu o processo, com prejuízo.[56]

A capa do álbum e as imagens de seu encarte foram fotografadas por Ellen von Unwerth.[51] A capa foi lançada pela Jive Records em 12 de outubro de 2007, e retrata Spears de cabelos pretos, usando um chapéu branco e um vestido rosa.[57] Um resenhista do Ottawa Citizen sentiu que o design era "horrível".[50] Duas das imagens do encarte de Blackout caracterizam a artista e um padre em poses sugestivas, dentro de um confessionário. A primeira delas mostra a cantora, que usa uma cruz e meias arrastão, sentada no colo do padre, enquanto na segunda ela se inclina sugestivamente contra o confessionário, com o padre sentado no outro lado da divisória. Após o lançamento do CD, a diretora de comunicações da Liga Católica Kiera McCaffrey declarou que o grupo considerou as fotos como um "golpe de publicidade barata" para promover o disco e condenou Spears por "zombar de um sacramento católico". McCaffrey adicionou: "Todos o que vemos é o quão problemática essa garota está agora, principalmente com sua família, perdendo seus filhos, com sua carreira para baixo. E agora ela lança esse álbum e essa é a sua tática para promovê-lo?". Gil Kaufman, da MTV, disse que as imagens eram reminiscentes ao vídeo musical de "Like a Prayer", de Madonna.[51] O encarte também contém fotos de cadeiras vazias com páginas rasgadas de tabloides e cenas do vídeo de "Gimme More". O disco não inclui uma lista de agradecimentos, ao contrário dos anteriores de Spears.[33]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica profissional[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic (61/100)[58]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
About.com 4 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svg[59]
Allmusic 4 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svg[60]
Digital Spy 4 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svg[42]
Folha de S. Paulo 2.5 de 4 estrelas.Star full.svgStar half.svgStar empty.svg[61]
The Guardian 4 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svg[43]
PopMatters 4 de 10 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svgStar empty.svgStar empty.svgStar empty.svgStar empty.svg[62]
Rolling Stone 3.5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar half.svgStar empty.svg[48]
Slant Magazine 3.5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar half.svgStar empty.svg[63]
Território da Música 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[64]
USA Today 2.5 de 4 estrelas.Star full.svgStar half.svgStar empty.svg[65]

Blackout foi bem recebido por críticos musicais, que elogiaram sua produção e sua inovação sonora em comparação aos trabalhos anteriores da cantora.[58] O portal Metacritic, com base em vinte e quatro resenhas recolhidas, concedeu ao álbum uma pontuação de sessenta e um pontos de uma escala que vai até cem, indicando "análises geralmente positivas".[58] Stephen Thomas Erlewine, do portal Allmusic, deu para o projeto quatro de cinco estrelas, comentando que o disco "é o estado da arte dance-pop, uma prova das habilidades dos produtores e até mesmo de Britney sendo de alguma forma consciente o suficiente para perceber que ela deveria ter contratado os melhores [produtores], mesmo que ela não esteja em sua melhor [fase]".[60] Um analista da Blender descreveu-o como "seu [álbum] mais consciente, uma coleção perfeitamente divertida de electropop brilhante e ousado".[34] Analisando a obra com um B+, o editor da revista Entertainment Weekly Margeaux Watson avaliou que embora o álbum não seja poético, "há algo deliciosamente escapista sobre Blackout, um álbum dance perfeitamente útil [e] abundante no tipo de elementos eletrônicos saltitantes que contém seu melhores sucessos".[49] Um crítico da publicação NME deu quatro pontos de dez totais para o CD e escreveu que os vocais altamente tratados de Spears fazem com que ela soe robótica, adicionando que "[os vocais] poderiam ser realmente feitos com mais toques humanos".[66] Steve Jones, do USA Today, atribui ao material duas estrelas e meia de quatro totais, analisando que "a melhor coisa em Blackout é que ele não faz nenhuma pretensão sobre apresentar o talento vocal [de Spears] com baladas gorjeadas" e adicionando que "para Britney, atingir as notas mais altas significa deixar você no ritmo para que possa entrar nela".[65] Tom Ewing, da Pitchfork Media, descreveu "Get Naked (I Got a Plan)" como a peça central do álbum, e acrescentou que "como a maioria de Blackout, é um pop soberbo moderno, que poderia provavelmente ser lançado por essa estrela [Spears] nesse momento. Britney, enquanto caminha [para] a catástrofe, faz uma boa cópia e seu disco pode encaixar-se naquilo que você quer".[39] Mike Schiller, da página PopMatters, atribuiu ao material quatro estrelas de dez, e disse que "assim como sua capa totalmente berrante, Blackout é totalmente descartável e, finalmente, esquecível".[62] Melissa Maerz, da Rolling Stone, deu para o registro uma nota de três estrelas e meia de cinco atribuíveis, e explicou que Blackout marca "a primeira vez em sua carreira que ela expressou qualquer pensamento real sobre sua vida" e que "ela vai balançar os melhores congestionamentos pop até que uma assistente social faça sua oferta de hits".[48] Sal Cinquemani, resenhista da Slant Magazine, atribuiu ao projeto três estrelas e meia de cinco totais, e comparou-o desfavoravelmente com o disco anterior de Spears In the Zone (2003), escrevendo que embora Blackout "pontue bem, e seu quociente de gostosura seja notavelmente alto, [ele] não é muito um passo à frente de Britney após seu supreendentemente forte In the Zone, no qual ela recebeu créditos de compositora na maioria das canções (ao contrário de meras três aqui)".[63]

Bill Lamb, do portal About.com, definiu o álbum como um "trabalho sólido" e analisou que "a voz e o estilo que são inegavelmente de Britney estão totalmente intactos".[59] Kerri Mason, da Billboard, analisou o projeto de forma mista, escrevendo que nele, Spears "está desafiante como uma bêbada ruim, inconfortavelmente super-sexualizada e mais em casa em uma boate decadente depois de horas em vez de uma celebridade ultra descansada".[67] Andy Battaglia, da página The A.V. Club, deu para o material a nota B+ e disse que ele "contém um evento significativo e uma aberração inquietante que não poderia ser mais misteriosamente fabricada ou bizarramente inoportuna", no qual "cada canção conta como marcadamente progressiva e estranha".[68] Avaliando o CD com uma nota de quatro estrelas de cinco permitidas, o jornalista do The Guardian Alexis Petridis descreveu-o como "um álbum corajoso e animador: a questão é se alguém será capaz de ouvir seu conteúdo ao longo do rugido ensurdecedor de boatos".[43] Peter Robinson, do mesmo periódico, declarou que Spears "entregou o melhor álbum de sua carreira, elevando o padrão para a música pop moderna com uma incendiária mistura de Shock Value, de Timbaland, e seu próprio catálogo antigo".[69] Kelefa Sanneh, do The New York Times, escreveu que "as batidas eletrônicas e as linhas do baixo são grossas ao passo em que a voz da Srta. Spears é fina e, como sugere o título do álbum, o humor geral é estimulantemente sem remorso".[33] Ellee Dean, do The Phoenix, concedeu ao álbum duas estrelas e meia de quatro atribuíveis (2.5 de 4 estrelas.Star full.svgStar half.svgStar empty.svg), e comentou que ele "possa ser uma homenagem à habilidade dos produtores da lista A que a guiaram através do disco mais do que qualquer um de seus próprios talentos. Mas, pelo menos, ela era esperta o suficiente para aceitar essa guia".[70] O crítico musical Robert Christgau, do MSN Music, deu para a obra um B+ e comentou que "desde o 'olá' de 'Gimme More' até os sons do single do ano 'Piece of Me', desde 'te sentir bem no fundo' de 'Ooh Ooh Baby' até 'me toque lá' de 'Perfect Lover', esse álbum é puro, suculento e [uma forma] de ficar nu plasticamente".[71] Nick Levine, do Digital Spy, deu para o álbum quatro estrelas de cinco totais, e escreveu que "como confiante, sedutora e movida pela luxúria Spears soa neste álbum, ela nunca realmente parece feliz".[42] Analisando o álbum com três estrelas de cinco, o editor do portal brasileiro Território da Música Rafael Sartori comentou que "sua voz é quase o tempo todo alterada com efeitos e não tem lá grande destaque nem apelo" e que "qualquer outra cantora que assumisse seu lugar poderia fazer igual e, provavelmente, melhor".[64] Lígia Nogueira, do G1, concedeu ao CD uma nota quatro, e comentou que Blackout "é tão artificial que deixa um gosto ruim na boca. Algumas faixas até enganam com seu colorido superficial, mas o produto final não rende nada além de uma boa indigestão. Ao longo de suas 12 faixas, a produção se esforça em maquiar a voz de Britney ao máximo — a tal ponto de soar como qualquer outra cantora pop atual, menos como ela mesma".[72] Um jornalista da Folha de S. Paulo avaliou o projeto com duas estrelas de quatro atribuíveis, e escreveu que "a cada faixa ouvimos um efeito digital diferente sobre sua voz: robótico ('Piece of Me'), Madonna ('Heaven on Earth') Gwen Stefani ('Toy Soldier'), Rihanna ('Break the Ice')... mas nunca Britney" e que "neste [disco], a própria cantora tem sua chatice e sua falta de talento vocal anuladas pela cuidadosa e variada produção".[61]

Impacto e reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Britney usa Auto-Tune do mesmo jeito que Bob Dylan usava sua gaita — para pontuação, para atmosfera, para um efeito sonoro alienante [e] estranho. É uma explosão de distorção vocal, áspera na superfície, porém expressiva, capaz de soar descontroladamente divertida, abrasivamente pisada ou sedutora. Em 'Telephone', assim como em 'Piece of Me', o Auto-Tone faz para sua voz o que a gaita faz para Dylan em 'It Ain't Me, Babe' — uma maneira de dizer ao mundo para manter suas mãos longe de você. (...) A questão não é saber se Britney está perfurando os botões de si mesma. (Quando essa questão já foi o foco com uma estrela pop?) É o romance em curso entre a voz e a máquina. Parte do que faz Britney a mais perfeita das estrelas pop perfeitas é o jeito com o qual ela expressa sua personalidade mais apaixonadamente quando ela está se transformando em uma máquina. (...) Isso é o que faz seu som ser tão humano, afinal.

Rob Sheffield, da Rolling Stone analisando a demo de "Telephone" interpretada por Spears, canção posteriormente gravada por Lady Gaga.[73]

Quando Blackout foi lançado, o comportamento da cantora em público começou a entrar em conflito com sua imagem.[33] [60] Stephen Thomas Erlewine, do Allmusic, escreveu que Spears era uma artista que sempre confiou em sua "personalidade de próxima pessoa sensual cuidadosamente esculpida", mas que no disco, "essas imagens foram substituídas for imagens de Britney quebrando carros com guarda-chuvas, limpando seus dedos gordurosos em vestidos de grife, e cochilando no palco, cada novo desastre afastando qualquer sexualidade residual em sua imagem pública". O resenhista adicionou que o álbum serviu como uma trilha sonora "para os dias de [uma] Britney obscura e bêbada, refletindo o excesso que está estampado em todos os tabloides", enquanto notou que o projeto continha uma coerência que a imagem pública de Spears não apresenta.[60] Escrevendo para o The New York Times, Kelefa Sanneh observou que a intérprete tornou-se uma presença espectral em seu próprio trabalho, explicando que quando comparado com seus discos anteriores, "[ela] apresenta um perfil surpreendentemente baixo em Blackout. (...) Mesmo quando está sendo comercializada como uma ex-Mousekeeter bonita, e mesmo quando está em turnê pelo país com um microfone que funciona em grande parte como um adereço, algo nela estava intenso".[33] Tom Ewing, da Pitchfork Media, comparou a relação entre Spears e Blackout com a série televisiva estadunidense Twin Peaks, dizendo que o que fez o programa ser "tão bom não foi a história central de 'garota boa que virou má', e sim a estranheza que a história liberou. E a vida de Britney fora do disco é muito distraída e facilitadora para este álbum extraordinário".[39]

Críticos musicais também referiram-se às altas expectativas em relação à direção e à qualidade do disco.[39] [43] Ewig comentou que "onze faixas seguidas de dance-pop pesado, desafiador e puxador de envelope" talvez podem ter sido o que ele esperava de Spears, mas "no papel e nos [eventos] precedentes, você pode ter esperado uma ou duas baladas apologéticas; uma música sobre seus filhos, talvez; uma estrela convidada de alto perfil. (...) Você não têm nenhuma dessas coisas [em Blackout], e eu gostaria de pensar que Britney teve o senso de evitá-las a si mesma". O redator também notou que após a divulgação ilegal de "Freakshow" na Internet, uma discussão em um fórum dubstep que tratava da canção atingiu sete páginas em 24 horas, gerando reações mistas e exemplificando que "ainda parece [que] quando o mainstream é fundido com a música underground, [ele] é levado ao amplo vocabulário pop". Ewig também atribuiu a qualidade de cada composição de Blackout à razões econômicas, uma vez que uma das principais causas das vendas de discos terem começado a cair durante a era digital foi a "separação" de álbuns em lojas online — facilitando para que consumidores comprem algumas faixas em vez de o álbum inteiro. O analista explicou que "o diagrama de Revolver para os álbuns pop — cada faixa boa, cada faixa que é um sucesso potencial — faz mais senso do que nunca. Especialmente se uma estrela possa continuar sonoramente atualizada em um mercado de rápida evolução".[39] Alex Petridis, do The Guardian, elaborou que, quando confrontado com uma imagem pública em "queda livre", um artista tem duas opções: fazer música "que remonta aos seus dias dourados e de pré-loucura" para "sublinhar sua completa normalidade" ou "jogar a precaução ao vento: dadas as suas fortunas minguantes, qual é o mal em assumir riscos musicais?".[43]

Resenhistas também notaram o uso do Auto-Tune na voz de Spears.[39] [73] Ewing comentou que Blackout serve como um lembrete de como os vocais de Spears são instantaneamente reconhecíveis, dizendo que "tratados ou não tratados: sua fina roquidão sulista é um dos sons definitivos do pop dos anos 2000". Ele observou que o álbum "é uma aula magistral do Auto-Tune e do tratamento vocal como um instrumento de estúdio, interrompendo e tocando as canções tanto quanto ele as ajuda".[39] Ao analisar a demo de "Telephone" — obra posteriormente gravada por Lady Gaga — interpretada pela artista, o editor da Rolling Stone Rob Sheffield comparou-a com "Piece of Me", "ainda provando quanto impacto Britney tem nos sons dos pop atual. As pessoas amam tirar sarro de Britney, e porque não, mas se 'Telephone' prova alguma coisa, é que Blackout talvez seja o álbum pop mais influente dos últimos cinco anos".[73] Em junho de 2012, Blackout foi adicionado à livraria musical e ao arquivo do Rock and Roll Hall of Fame, em reconhecimento à influência musical e cultural do álbum, bem como à sua significância.[74]

Blackout foi nomeado pela Rolling Stone o 50º melhor álbum de 2007, em uma lista que apresentou os 100 melhores.[75] Em uma enquete feita pela Billboard em sua página oficial, o disco foi reconhecido como o melhor do ano. O projeto venceu a enquete com 37% dos votos, e mais de 16 mil votos foram compilados.[76] O trabalho venceu a categoria de International Album of the Year nos NRJ Music Awards de 2008, e obteve a condecoração de Album of the Year nos MTV Europe Music Awards do mesmo ano.[77] [78] Além de ter sido nomeado pelo jornal The Times como o quinto melhor álbum pop da década,[79] Blackout foi votado por leitores da Rolling Stone como o quinto melhor disco da década de 2000.[80]

Singles[editar | editar código-fonte]

"Gimme More" foi enviada para as rádios estadunidenses mainstream e rhythmic em 18 de setembro de 2007, servindo como o primeiro single de Blackout.[81] [82] Posteriormente, foi disponibilizado na iTunes Store um extended play (EP) contendo diversos remixes da canção.[83] O número foi ainda comercializado em CD single, maxi single e download digital.[84] [85] [86] Comercialmente, a obra obteve um resultado positivo, culminando nas tabelas do Canadá e atingindo as dez primeiras colocações em diversos países, como Austrália, Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Noruega e Reino Unido.[87] [88] [89] [90] Em território estadunidense, a composição atingiu a terceira posição como melhor na Billboard Hot 100 e liderou a genérica Hot Dance Club Songs, convertendo-se no terceiro número um de Spears no periódico.[91] [92] Seu vídeo musical correspondente foi dirigido por Jake Sarfaty e estreou em 5 de outubro de 2007 na iTunes Store.[93] [94] As cenas retratam a artista como uma stripper, fazendo pole dance e interpretando a música.[93]

Escolhida para dar continuidade à divulgação do álbum, "Piece of Me" foi adicionada nas estações radiofônicas estadunidenses em 27 de novembro de 2007.[95] Posteriormente, foi promovida através de dois EPs digitais, ambos contendo diversos remixes, e comercializada em CD single, maxi single e download digital.[96] [97] [98] [99] [100] Em termos comerciais, a canção obteve um desempenho positivo, atingindo o topo das tabelas irlandesas e listando-se entre as dez mais vendidas em diversos territórios, como Alemanha, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.[101] [87] [102] [90] Nos Estados Unidos, obteve como melhor colocação a 18ª na Billboard Hot 100 e culminou na Hot Dance Club Songs.[91] [92] O vídeo musical foi dirigido por Wayne Isham e estreou em 14 de dezembro de 2007 através da página oficial da MTV.[103] [104] As cenas retratam o cotidiano que a cantora levava durante seus anos de problemas com a mídia e a apresenta disfarçando-se com suas amigas para despistar os paparazzi.[103] [105] Embora tenha sido recebido de forma mista por críticos musicais, que alegaram que o corpo de Spears foi digitalmente alterado,[106] o projeto recebeu três indicações nos MTV Video Music Awards de 2008 e venceu todas elas, nomeadamente Best Female Video, Best Pop Video e a principal da noite Video of the Year.[107]

Originalmente, "Radar" havia sido selecionada como o terceiro foco de promoção de Blackout, segundo o integrante da equipe The Clutch Ezekiel Lewis.[26] Entretanto, após uma enquete feita no site de Spears na qual "Toy Soldier" e "Break the Ice" foram as opções para serem selecionadas como a terceira faixa de trabalho, a última venceu com 39% dos votos e foi enviada para estações de rádio estadunidenses mainstream e rhythmic em 4 de março de 2008.[108] [109] [110] Posteriormente, dois EPs digitais — ambos contendo remixes do número — foram disponibilizados.[111] [112] A obra foi ainda comercializada nos formatos de CD single, maxi single e download digital.[113] [114] [115] Comercialmente, a canção obteve um desempenho moderado, classificando-se nas quarenta primeiras colocações em territórios como Austrália, Bélgica, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.[116] [87] [90] Em território estadunidense, a composição atingiu como melhor a 43ª ocupação da Billboard Hot 100 e chegou ao ápice da genérica Hot Dance Club Songs.[91] [92] Seu vídeo musical, influenciado pelo anime, foi dirigido por Robert Hales e estreou em 12 de março de 2008 no BlackoutBall.com, um portal criado exclusivamente para a estreia do projeto.[117] [118] Baseado na personagem super-heroína da cantora no vídeo de "Toxic", o trabalho a retrata destruindo um laboratório de alta segurança com diversos clones, incluindo um de si mesma.[119]

Divulgação[editar | editar código-fonte]

Spears apresentando "Hot as Ice" na turnê The Circus Starring Britney Spears (2009).

Após dias de especulação da mídia, foi confirmado em 6 de setembro de 2007 que Spears abriria os MTV Video Music Awards daquele ano, feito no Pearl Theatre, situado no Palms Hotel and Casino em Las Vegas, Nevada. Foi também anunciado que ela iria apresentar "Gimme More", com um ato de mágica do ilusionista Criss Angel em algumas partes da performance.[120] Entretanto, Angel foi rejeitado pelos organizadores da premiação no último minuto.[121] A cantora iniciou os ensaios da apresentação em 7 de setembro no Pearl Theatre; um vídeo exclusivo do ensaio foi divulgado na página oficial da MTV no dia seguinte.[122] A performance começou com Spears dublando as primeiras linhas de "Trobule", canção de Elvis Presley. Seguiu-se "Gimme More", e câmera mudou de direção para revelar a artista usando um biquíni preto encrustado de joias e botas pretas. Ela foi acompanhada por diversos dançarinos, vestidos em figurinos pretos. Diversos dançarinos de pole dance dançaram em pequenos palcos localizados perto da plateia.[123] Ao final da apresentação, Spears sorriu e agradeceu o público antes de deixar o palco. A performance foi universalmente criticada. Jeff Leeds, do The New York Times, disse que "ninguém estava preparado para o fiasco da noite de domingo, no qual uma apática Srta. Spears balançou através de seus passos de dança e murmurou apenas palavras ocasionais em uma tentativa abatida de dublar seu novo single".[124] Vinay Menon, do jornal Toronto Star, comentou que a intérprete "parecia irremediavelmente atordoada. Ela estava usando a expressão de alguém que foi colocado no Palms Casino Resort por um tornado, um que girou prontamente [para lá], tirando suas roupas e seu senso de propósito. (...) [Ela estava] pesada, em câmera lenta, como se alguém tivesse colocado cimento em suas botas de prostituta".[125] David Willis, da BBC, declarou que a apresentação "aparecerá nos livros de história como uma das piores do MTV [Video Music] Awards".[126]

Ao contrário dos álbuns anteriores de Spears, Blackout não foi fortemente promovido por entrevistas para revistas, aparições em programas de entrevistas ou performances televisionadas além da apresentação nos MTV Video Music Awards, e não foi sequer acompanhado por uma turnê. Em 27 de novembro de 2007, a MTV lançou o concurso "Britney Spears Wants a Piece of You", no qual os fãs da artista poderiam dirigir um outro vídeo para "Piece of Me", usando imagens de entrevistas e performances de Spears. Utilizando o recurso de edição MTV Video Remixer, os participantes poderiam misturar e criar uma mistura das cenas. O vídeo vencedor estreou no Total Request Live em 20 de dezembro do mesmo ano, e a MTV, a Jive Records e a própria cantora escolheram o ganhador. O concorrente também recebeu um aparelho Haier Ibiza Rhapsody, juntamente com um ano de assinatura da loja de música online Rhapsody, bem como toda a discografia da cantora lançada nos Estados Unidos.[127]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

N.º Título Compositor(es) Produtor(es) Duração
1. "Gimme More"   Nate Hills, James Washington, Keri Hilson, Marcella Araica Danja, Jim Beanz[A], Hilson[A] 4:11
2. "Piece of Me"   Christian Karlsson, Pontus Winnberg, Klas Åhlund Bloodshy & Avant 3:32
3. "Radar"   Karlsson, Winnberg, Henrik Jonback, Balewa Muhammad, Candice Nelson, Ezekiel Lewis, Patrick Smith Bloodshy & Avant, The Clutch[B] 3:48
4. "Break the Ice"   Hills, Washington, Hilson, Araica Danja, Beanz[A] 3:16
5. "Heaven on Earth"   Michael McGroarty, Nick Huntington, Nicole Morier Freescha, Kara DioGuardi 4:53
6. "Get Naked (I Got a Plan)"   Corte "The Author" Ellis, Hills, Araica Danja, Beanz[A] 4:45
7. "Freakshow"   Britney Spears, Karlsson, Winnberg, Jonback, Lewis, Smith Bloodshy & Avant, The Clutch[B] 2:55
8. "Toy Soldier"   Karlsson, Winnberg, Magnus Wallbert, Sean "The Pen" Garrett Bloodshy & Avant, Garrett[B] 3:22
9. "Hot as Ice"   Faheem Najm, Hills, Araica Danja, Beanz[A] 3:17
10. "Ooh Ooh Baby"   Spears,DioGuardi, "Fredwreck" Farid Nasser, Eric Coomes Fredwreck, DioGuardi 3:28
11. "Perfect Lover"   Hills, Washington, Hilson, Araica Danja, Beanz[A] 3:03
12. "Why Should I Be Sad"   Pharrell Williams The Neptunes 3:10
Duração total:
43:37
Notas
A - denota produtores vocais
B - denota co-produtores
C - denota remixadores
D - denota produtores adicionais
Créditos de demonstração

Créditos[editar | editar código-fonte]

Lista-se abaixo os profissionais envolvidos na elaboração de Blackout, de acordo com o encarte do álbum:[27]

Desempenho nas tabelas musicais[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Nielsen SoundScan, Blackout vendeu 124 mil cópias em seu dia de lançamento nos Estados Unidos. Jessica Letkemann, da Billboard, comparou as vendas favoravelmente com as do álbum número um da semana anterior Carnival Ride, de Carrie Underwood, que vendeu 49 mil unidades. A redatora também estimou que, possivelmente, o disco poderia debutar no topo da Billboard 200.[131] Em 6 de novembro de 2007, a revista anunciou que embora as vendas de Long Road Out of Eden, de The Eagles, tenham ultrapassado as obtidas por Blackout, o trabalho não iria estrear no ápice da tabela devido à uma regra da Nielsen SoundScan, a qual proibia que álbuns vendidos exclusivamente em uma loja (neste caso, Walmart) entrassem na Billboard 200. Geoff Mayfield, analista sênior e diretor das tabelas musicais da publicação, explicou que ficou frustrado com a situação, dizendo: "Eu acredito que os Eagles tenham vendido mais, mas eu não vejo nada que verifique que eles tenham vendido mais do que ela [Spears], e nada que vemos de outra forma possam ser de pessoas com interesse em sugerir isso". Na tarde do mesmo dia, a Walmart revelou através de um comunicado de imprensa que Long Road Out of Eden comercializou 711 mil cópias. À noite, foi informado através de um artigo publicado na página Billboard.biz que após um acordo feito com a Nielsen SoundScan, a Billboard permitiria que discos vendidos em uma única loja entrassem na Billboard 200, cuja regra teria efeito na edição da mesma semana. Long Road Out of Eden estreou no topo do periódico com 711 mil réplicas vendidas, enquanto Blackout estreou na vice-liderança com 290 mil exemplares adquiridos.[132] Embora tenha se tornado o primeiro álbum de estúdio de Spears a não debutar no topo da tabela,[132] [133] [134] o projeto converteu-se no disco de uma cantora mais vendido digitalmente em sua semana de estreia na época e fez da cantora a primeira intérprete a estrar consecutivamente cinco trabalhos de estúdio nas duas primeiras colocações do gráfico.[133] [134] Após o lançamento de Circus em dezembro de 2008, o CD reentrou na 198ª ocupação do periódico, com vendas de 4 mil e 600 cópias.[135] Foi certificado como platina pela Recording Industry Association of America (RIAA), denotando vendas de um milhão de unidades nos Estados Unidos e, até março de 2015, comercializou um milhão de cópias no país, de acordo com a Nielsen SoundScan.[136] [137]

No Canadá, o projeto estreou no topo da Canadian Albums Chart com vendas de 29 mil unidades, tornando-se o primeiro número um de Spears na tabela desde Britney (2001).[87] Foi posteriormente certificado como platina pela Music Canada devido às vendas de cem mil cópias.[138] Na Austrália e na Nova Zelândia, Blackout debutou respectivamente nas terceira e oitava colocações de suas tabelas oficiais,[139] [140] e recebeu uma certificação de platina no primeiro país pela Australian Recording Industry Association (ARIA), devido à distribuição de 70 mil réplicas, e uma certificação de ouro no segundo território pela Recording Industry Association of New Zealand (RIANZ), denotando vendas de 7 mil e 500 exemplares.[141] [142] No Reino Unido, o trabalho constatou na segunda posição da UK Albums Chart com 42 mil unidades comercializadas, ficando apenas atrás de Long Road Out of Eden. Permaneceu na tabela por 28 edições, e foi certificado como ouro pela British Phonographic Industry (BPI), em reconhecimento às vendas de cem mil cópias.[90] [143] Na Irlanda, o álbum estreou no topo das tabelas irlandesas, substituindo Magic, de Bruce Springsteen, e recebeu uma certificação de platina pela Irish Recorded Music Association (IRMA), denotando vendas de 15 mil unidades.[144] [145] Em outros lugares da Europa, Blackout também obteve um desempenho favorável, listando-se nas dez melhores colocações em países como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália e Portugal. Como resultado, posicionou-se no cume da European Top 100 Albums, impedindo Long Road Out of Eden e , de Eros Ramazzotti, de atingir o topo do periódico.[146] De acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o disco foi o 32º mais vendido mundialmente em 2007 e, até o final de 2008, comercializou cerca de 3.5 milhões de exemplares em âmbito global.[147] [148]

Histórico de lançamento[editar | editar código-fonte]

País Data Formato Gravadora
Flag of Spain.svg Espanha[185] 25 de outubro de 2007 CD, download digital Jive
 Itália[186]
 Alemanha[187] 26 de outubro de 2007
 Austrália[188] 27 de outubro de 2007
 França[189] 29 de outubro de 2007
 Polônia[190]
 Reino Unido[191]
 Canadá[192] 30 de outubro de 2007
 Estados Unidos[193]
 Brasil[194] 1º de novembro de 2007
 Portugal[195] 5 de novembro de 2007
 Japão[196] 14 de novembro de 2007

Notas

  1. No original: "It's Britney, Bitch".
  2. No original: "Cameras are flashin' while we're dirty dancin' / They keep watchin', keep watchin'".
  3. No original: "It's been a while / I know I shouldn't have kept you waiting / But I'm here now".
  4. No original: "Make them other chicks so mad / I'm 'bout to shake my ass / Watch that boy".
  5. No original: "I'm just a girl with the ability to drive a man crazy / Make him call me 'mama,' make him my new baby".
  6. No original: "Touch me and I come alive / I can feel you on my lips / I can feel you deep inside".
  7. No original: "Tick-tock / Tick-tock / Come and get me while I'm hot".

Referências

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