Blaise de Monluc

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Blaise de Monluc, retrato desenhado, produzido na segunda metade do século XVI, por artista desconhecido

Blaise de Montesquiou de Lasseran de Massencôme (Saint-Puy, Gers, 1502Estillac, 26 de agosto de 1577), senhor de Monluc, mais conhecido como Blaise de Monluc (às vezes grafado Blaise de Montluc), foi um militar ao serviço da corte francesa, coronel-general da Infantaria e marechal da França (1574-1577), autor de um livro de memórias intitulado Commentaires (Comentários)[1] , publicado após sua morte (1592). É considerado um historiador do Renascimento, embora a sua obra seja uma justificação da repressão que conduziiu na região da Guiena como líder militar da Liga Católica na luta contra os huguenotes.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu no seio de uma família da baixa aristocracia da Gasconha, filho primogénito de François de Monluc e de sua esposa Ameline de Trais.

Iniciou a sua carreira militar como soldado raso, servindo nas Guerras Italianas sob o comando de Pierre du Terrail, ganhando grande nomeada em 1555, durante a defesa de oito meses de Siena. Para além disso, distinguiu-se especialmente na Batalha de Pavia, na expedição contra Nápoles e na defesa de Marselha.

Teve acção relevante nas guerras de religião na França, militando no lado católico contra o huguenotes. Pela sua acção, em 1574 o rei Henrique III elevou-o ao posto de Marechal da França, cargo que exerceu até 1577.

As sua capacidade de comando e coragem ao serviço dos réis de França, que lhe granjearam a fama de "agir bem em vez de falar bem", permitiram-lhe ascender a marechal da França em 1574, tendo servido cinco réis (Francisco I, Henrique II, Francisco II, Carlos IX e Henrique III).

No final de sua vida relatou o que tinha visto e vivido, aparentemente sem nenhuma nota ou documento, demonstrando uma memória prodigiosa. Os seus relatos foram publicados postumamente, em 1592, impressos sob o título de Comentários. A obra é uma justificação de repressão que exerceu sobre os povos da Guiena como líder militar da Liga Católica na luta contra os huguenotes. Embora construída aparentemente de memória, recorre a cartas dirigidas ao rei, e que foram a base do seu relatório dos acontecimentos, alargadas e comentadas nos seus Comentários. A obra, escrita em estilo de conversação, oferece uma descrição admirável das tácticas militares contemporâneas e é considerado uma jóia literária.

Na sua obra lamenta a introdução do arcabuz e o declínio de luta corpo a corpo com armas brancas[2] .

Foi pai do militar e capitão corsário Pierre Bertrand de Montluc, mais conhecido por Peyrot Monluc. Monluc é antepassado directo do estadista Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord (1754–1838).

Referências

  1. Commentaires de Messire Blaise de Montluc, Bordeaux, 1592.
  2. Richard Holmes, "Villanious Saltpetre" in Richard Holmes, (ed.) The World Atlas of Warfare, Viking Press, 1988. p.73

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MONLUC, Blaise de. Commentaires, 1521-1576, Gallimard, Bibliothèque de la Pléiade, 1964.
  • Symphorien Champier: Les gestes ensembles la vie du preulx Chevalier Bayard. Imprimerie Nationale, Paris 1992 (ISBN 2-11-081179-X).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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