Boi Garantido

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde junho de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Garantido
Fundação junho de 1920[1]
Cores Vermelho e Branco
Símbolo Coração
Bairro São José
Presidente Telo Pinto
Comissão de artes Fred Góes, Chico Cardoso, Júnior de Souza e Josiano Lima.
Apresentador Israel Paulain
Levantador de toadas Sebastião Júnior
Pajé André Nascimento
Cunhã-poranga Tatiane Barros de Jesus
Sinhazinha da Fazenda Ana Luisa Faria
Porta-Estandarte Verena Assis
Rainha do Folclore Patrícia de Góes

Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido, conhecida como Boi Garantido é um dos dois bois folclóricos que competem anualmente no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.

O nome Garantido surgiu do próprio criador, Lindolfo Monteverde, que em suas toadas sempre lembrava aos torcedores do rival que seu bumbá sempre saía inteiro dos confrontos de ruas que, na época, eram rotineiros. Dizia Lindolfo que, nas “brigas” com os "contrários", a cabeça de seu boi nunca quebrava ou ficava avariada, “isso era garantido”.[2]

Desde a sua criação, o Garantido se apresenta com um coração na testa, e suas cores, vermelha e branca, foram adotadas pela torcida. A cor do coração na testa do boi costumava ser preta até meados dos anos 80, quando Dona Maria Ângela Faria, até hoje conhecida como madrinha do Boi, deu a ideia deste ser pintado de vermelho. Ideia que foi prontamente executada pelo artista Jair Mendes.

Em sua história, lhe foram atribuídos vários adjetivos carinhosos, como: “Boi da Promessa”, “Boi do Coração”, “Brinquedo de São João”, “Boi do Povão” e outros. O mais popular é “Brinquedo de São João”, de autoria de Lindolfo Monteverde para homenagear o santo a quem se apegou para curar a doença que o ameaçava quando servia o exército. Os dirigentes preservam até os dias atuais este lema como forma de reconhecimento a Lindolfo, o fundador do boi.

Localização[editar | editar código-fonte]

O Garantido surgiu na antiga estrada Terra Santa, hoje Av. Lindolfo Monteverde, na tradicional Baixa do São José. Atualmente, um complexo arquitetônico da antiga Fabriljuta, localizado no km 1 da Rodovia Odovaldo Novo, adquirido pela agremiação, abriga toda a estrutura de galpões, a diretoria e demais coordenadorias que fazem parte da administração do boi que, hoje, é a brincadeira mais séria dos habitantes de Parintins, a Ilha do Boi-bumbá.

História[editar | editar código-fonte]

Acorda morena bela vem ver, o meu boi serenando no terreiro, é assim mesmo que ele faz lá na fazenda, quando ele avista o vaqueiro.

—Lindolfo Monteverde.

Há muita controvérsia sobre a história do Boi-Bumbá Caprichoso, uma vez que os bois folclóricos do Amazonas não eram associações legalmente registradas nem possuíam farta cobertura da imprensa até a criação do Festival. Tudo o que se sabe atualmente foi levantado por pesquisadores a partir de entrevistas a membros das duas entidades, além de consultas a outros registros da tradição oral parintinense.[3]

Some-se a isso o fato que a extrema rivalidade com o contrário faz com que ambas as entidades busquem se afirmar como a mais antiga, o que leva seus torcedores e integrantes a defenderem teses que sugerem datas de fundação mais remotas.[3]

Quanto ao Garantido, é consenso que teria sido fundado por Lindolfo Monteverde. Em 13 de Junho de 1920[4] Monteverde, aos 18 anos de idade, decidiu criar seu próprio Boizinho de Curuatá - um chamado boi-mirim, que até hoje é muito comum no Norte e Nordeste do Brasil. Devido a uma grave doença, fez uma promessa a São João Batista: se ficasse curado, iria realizar anualmente uma ladainha e uma festa de Boi em sua homenagem. Lindolfo foi atendido em seu pedido e cumpriu sua promessa. Contam os mais antigos que a apresentação começou com a ladainha e depois houve distribuição de Aluá, bolo de macaxeira, tacacá e, no final, muito forró. A partir de então, todos os anos os torcedores do Boi se reúnem na noite de 24 de junho para rezar a ladainha e festejar São João Batista e, em seguida, saem pelas ruas da cidade, dançando em frente às casas que tiverem fogueiras acesas.

Há versões de vários historiadores que afirmam que o contrário surgiu de uma dissensão do Boi Galante, por volta de 1925 ou 1929.[5] Defensores da tese contrária, por sua vez, dizem que "Touro Galante" seria apenas um apelido do Caprichoso à época.

Quanto a data de fundação do Garantido, durante muitos anos, seus integrantes defenderam que o boi teria sido criado em 24 de junho de 1913. Atualmente, é reconhecida como sua fundação junho de 1920.[1]

A Família Faria foi a principal colaboradora do Boi Garantido em uma época que os bois ainda não recebiam apoio financeiro, seja de empresas privadas ou governos, e eram rotulados como uma festa popular para pessoas de classe baixa. Com o suporte da loja ‘Jotapê’, de José Pedro Faria, seus filhos Zezinho e Paulinho Faria comandaram o Boi por cerca de duas décadas - mais especificamente dos últimos anos de Lindolfo á frente do Garantido, no início da década de 70, até a chegada de investimento externo, nos 90.

A gestão dos Faria é considerada, até hoje, a "Era de Ouro" do Garantido, sendo essa a época mais vitoriosa do Boi quando também foi conquistado o único pentacampeonato da história do Festival Folclórico até hoje, de 1980 a 1984, e o primeiro título disputado no Bumbódromo, em 1988. A matriarca da família, Dona Maria Ângela Faria, é conhecida como Madrinha do Boi e é homenageada todos os anos durante a festa da Alvorada do Boi com os brincantes passando em frente à sua casa.

Festivais Históricos[editar | editar código-fonte]

A brincadeira foi evoluindo e, em 1965,[2] aconteceu o primeiro Festival Folclórico de Parintins, mas não houve participação dos bumbás. A primeira disputa veio no segundo Festival, quando o Garantido enfrentou o Caprichoso. Em 44 festivais, o Garantido conquistou 28 títulos e é o único que chegou a ser pentacampeão da disputa, nos anos 80. O primeiro empate da história do evento aconteceu no ano de 2000.

O Boi Garantido é o que mais coleciona vitórias em toda a história do Festival Folclórico de Parintins. O único, inclusive, a ganhar cinco vezes consecutivas, sob a presidência de Zezinho Faria entre os anos de 1980 à 1984. Desde 1966, ano do primeiro Festival, até 2011, foram 46 Festivais, entre os quais, 28 vencidos pelo Boi do Povão (incluindo um empate no ano de 2000).[2]

Em 1988, no ano de inauguração do Bumbódromo o Garantido, impulsionado pela força de sua galera e memoráveis toadas, vence o primeiro Festival realizado na atual arena.

A grande inovação do ano ficou por conta da Vaqueirada que, pela primeira vez, ostentou lanças enfeitadas com fitas de metaloide, substituindo o então tradicional papel de seda.

A novidade foi apelidada pelo Contrário de 'Boi Carnaval' e, claro, foi imitada no ano seguinte.

No bloco musical, o destaque ficou por conta da toada 'Mãe Catirina' que, tamanho o alvoroço causado na arquibancada vermelha do Bumbódromo, fez com que os engenheiros da arena deixassem a ilha na manhã do segundo dia de Festival por medo que a mesma desabasse. Parafusos foram achados nos corredores sob a arquibancada após o festival.

O Garantido venceu também o "tira-teima" no ano seguinte, em 1989, festival que marcou a despedida de Zezinho Faria do comando do boi com a célebre frase: "A partir de agora, os bois já podem caminhar com suas próprias patas", em referência à nova era que chegara ao Festival de Parintins onde ambas as agremiações seriam patrocinadas por governos e empresas multinacionais. É o fim da "Era de Ouro" do Garantido durante a qual o Boi da Baixa vencera oito dos últimos dez Festivais disputados. Também é o início dos anos de Zé Walmir como Presidente do Garantido.

Em 1991, Paulinho Faria, foi buscar o compositor do Caprichoso, Chico da Silva para fazer toadas também para o Garantido. Compôs a toada Boi do Carmo. A toada fazia uma homenagem à Padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo. Chico da Silva como era do Caprichoso também compôs nesse ano a toada Missionário da Luz, em homenagem ao curandeiro Waldir Viana.

Naquele ano, o Garantido abriu a noite do primeiro dia do Festival com uma apresentação modesta. Durante a apresentação do Caprichoso, formou-se um tempo de chuva em Parintins, que transformou-se forte temporal, destruindo as alegorias do Caprichoso, que não teve tempo de se recuperar para os dois dias seguintes. O Boi Garantido foi sagrado campeão.

Em 1993, foi gravada a toada Tic-Tic-Tac, que se tornaria sucesso internacional em 1997 com o Grupo Carrapicho. A toada foi composta por Braulino Lima e fazia parte da temática do Garantido em 1993, "Rio Amazonas, este rio é minha vida". Uma curiosidade, é que a expressão "Tic-Tic-Tac" se refere ao som das caixinhas de guerra, que, junto com o tambor, são a essência do ritmo do boi-bumbá. Em 1996, um produtor francês ouviu a toada na versão do Grupo Carrapicho e decidiu lançá-la na França. O sucesso foi tão grande que a toada se tornou hit do verão europeu e rapidamente conquistou o Brasil.

O coração do Garantido, preto em 1982, e vermelho, em 2012.

Em 1996, o compositor Chico da Silva compôs a toada Vermelho. Durante a gravação do CD, Chico se desentendeu com a diretoria do Garantido e decidiu retirar sua toada da lista de seleção. Porém, antes mesmo de ser executada nas rádios, a toada já era conhecida por toda a população amazonense, sucesso decorrente apenas de sua execução nos ensaios. A diretoria entrou em acordo com Chico e a toada foi gravada no CD oficial. A música estourou no restante do Brasil após ter sido gravada pela cantora baiana Márcia Freire, em 1996. De acordo com a Folha de São Paulo, "Vermelho" foi a música mais executada nas rádios do Brasil naquele ano e a composição se tornou parte dos bens imateriais do patrimônio cultural do Estado do Amazonas. Na voz de Márcia Freire a toada amazonense extrapolou as fronteiras nacionais e virou a sensação do Festival do Avante em Portugal. Fafá de Belém também regravou a canção no álbum intitulado "Pássaro sonhador" com grande sucesso.

Em (1997), o sambista Jorge Aragão, compôs para o Garantido a toada "Parintins Para o Mundo Ver" que acabou se tornando o tema do boi para aquele ano, sendo mais um grande sucesso daquele álbum que marcaria a vitória do vermelho e branco após três derrotas seguidas para o Caprichoso. O sucesso da toada foi tão grande junto a torcida que o próprio Jorge Aragão decidiu regravá-la em 1999 e mais tarde ainda seria incluída no CD "Millennium" (2001) com as maiores composições do sambista. Após isso, ele voltaria a compor outras duas toadas para o Garantido, em (1998) com "Garantido Eu Sou" e em (2010) com "Paixão de Parintins".

Com apresentações cada vez mais modestas, o Boi Garantido entrou em uma crise financeira logo após o Festival de 2008. Credores ganhavam na justiça o direito sobre os bens da agremiação. Um sócio chegou a denunciar que o Garantido devia um total de 12 milhões de reais e que não passava de uma massa falida. O curral da baixa, símbolo do Boi Garantido, foi leiloado duas vezes para pagamento de dívidas. A agremiação conseguiu comprá-lo de volta.

Em maio de 2009 a enchente do Rio Amazonas chegou à Cidade Garantido, lugar onde são produzidas as Alegorias. Os artistas tiveram que retirá-las dos galpões e levá-las para a praça em frente ao bumbódromo, em um percurso de mais de três quilômetros. Muitas foram as chacotas por parte da torcida do boi Caprichoso. Nas ruas, nas rádios, nas festas e na internet, chamavam os torcedores do Garantido de "alagados, afogados, atolados etc".

Para piorar mais ainda a situação, devido à má administração o Garantido deixou de receber vários recursos. Os artistas trabalhavam sem receber o seu devido salário. O Ministério Público do Trabalho embargou os trabalhos de alegoria em frente ao bumbódromo alegando que não havia condições de salubridade para o trabalho. Muitos acreditaram que, pela primeira vez, o Garantido não entraria na arena desde o início do Festival.

Mas o Garantido entrou na arena na noite de 27 de junho de 2009. Sem curral, sem galpão, sem crédito na praça e sem dinheiro em caixa, mas com uma galera arrasadora e um time de itens individuais impecáveis, iniciou sua apresentação sob o comando de Israel Paulain. Apesar da proibição do Ministério Público do Trabalho, o Garantido tinha continuado a confecção de alegorias e quando a obra foi finalmente lacrada, os trabalhos já estavam quase prontos. Como tudo foi feito ao ar livre, as alegorias aumentaram de tamanho causando um grande impacto na arena. O acabamento foi simples, mas bem-feito. Para dar mais efeitos, o Garantido usou um guindaste que trazia itens como a coruja branca que vinha do céu no Ritual Deni. Entretanto no bloco Artístico (Alegorias, Lendas, Ritual etc.) o Garantido ainda perdeu para o Caprichoso por uma pequena diferença. O Garantido ganhou igualmente por uma pequena diferença no bloco dos itens (pajé, cunhã-poranga, sinhazinha etc) - o pajé do Caprichoso quebrou a perna no meio do Festival.

No ano de 2011 o Boi Garantido adotou como tema "Miscigenação", que também dá nome à toada mais executada nesse ano. Dessa vez o Boi Garantido primou pela organização de sua apresentação na arena, sem maiores contratempos.

Maria Ângela Faria, Madrinha do Boi Garantido

Destacaram-se em sua apresentação a alegoria do Jaguar na primeira noite que vinha com um coração batendo no peito, a performance do Levantador Sebastião Júnior que interpretou o boto na segunda noite dançando com uma cabocla e a coreografia da toada Matawi Kukenan executada pelas tribos de arena na segunda e terceira noites.

A apuração foi bastante tensa com uma diferença mínima de um boi para outro até o final. Na primeira noite o Caprichoso venceu com 4 décimos de diferença. Na segunda e terceira noites o Garantido venceu por 3 décimos. Mais uma vez, o chamado bloco musical decidiu o festival em favor do Garantido (apresentador, levantador, batucada, amo do boi, toada letra e música, galera e organização do conjunto folclórico). Foram 4 décimos obtidos com as vitórias do apresentador e toada. Nos outros dois blocos o Caprichoso venceu por um décimo em cada um.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Venceu o festival por 30 vezes (1966, 1967, 1968, 1970, 1971, 1973, 1975, 1978, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1986, 1988, 1989, 1991, 1993, 1997, 1999, 2000 (empate), 2001, 2002, 2004, 2005, 2006, 2009, 2011[6] , 2013 e 2014.

Toadas[editar | editar código-fonte]

  • Anunciei Boi na Cidade (Mestre Ambrósio) - 1966
  • Já Rufou meu Tambor (Emerson Maia) - 1982
  • Ao Pé da Roseira (Emerson Maia) - 1985
  • Mãe Catirina (Fred Góes) - 1988
  • Dança das Cores (Fred Góes) - 1988
  • Boi do Carmo (Chico da Silva) - 1991
  • Rio Amazonas (Emerson Maia) - 1993
  • Garantiando (Chico da Silva) - 1993
  • Tic, Tic, Tac (Braulino Lima) - 1993
  • Gavião Real (Chico da Silva) - 1994
  • Evolução (David Assayag e Tadeu Garcia) - 1995
  • Andirá (Sidney Rezende e Emerson Maia) - 1995
  • Saritó (Bené Siqueira e Kamanxú) - 1995
  • Compasso da Alegria (Paulinho Du Sagrado e Werner Maia) - 1995
  • A Contagem (Joel Gama) - 1996
  • Apocalipse Karajás (Mencius Melo) - 1996
  • Lamento de Raça (Emerson Maia) - 1996
  • Vermelho (Chico da Silva) - 1996
  • Garantido em Festa (Tadeu Garcia e Paulinho Du Sagrado) - 1997
  • Festa da Raça (Chico da Silva) - 1997
  • Terceira Evolução (Tadeu Garcia) - 1997
  • Flor de Tucumã (Emerson Maia) - 1997
  • Parintins Para o Mundo Ver (Jorge Aragão e Ana Paula Perrone) - 1997
  • Tom Garantido (Tadeu Garcia e Hellen Veras Filho) - 1998
  • Toada da Vaqueirada (Tony Medeiros, Inaldo Medeiros e Edval Machado) - 1998
  • Alma Rubra (Klinger Araújo, Otávio Guedes e Artêmio Guedes) - 1998 (Não Oficial)
  • Minha Sina (Inaldo Medeiros e Ismael Alfaia) - 1999
  • Pura Harmonia (Emerson Maia) - 1999
  • Naiá (Inaldo Medeiros e Liduína Mendes) - 1999
  • Sonho de Liberdade (Chico da Silva, Roseane Novo e Tadeu Garcia) - 1999
  • Eterno Campeão ( Johney Farias e Inaldo Medeiros) - 2000
  • Romaria nas Águas (Cyro Cabral) - 2000
  • Um Beijo na Palma da Mão (Chico da Silva) - 2000
  • Louco Torcedor (Ana Paula Perrone, Ricardo Lyra e Marcelo Dourado) - 2001
  • Boi de Pano (Tony Medeiros e Inaldo Medeiros) - 2001
  • Nações Extintas (Sidney Rezende e João Melo) - 2001
  • Alma de Guerreiro (Tadeu Garcia) - 2002
  • Amazônia Santuário Esmeralda (Demétrios Haidos e Geandro Pantoja) - 2003
  • Coração de Batuqueiro (Inaldo Medeiros e Marcos Lima) - 2004
  • Coração de Torcedor (Cézar Moraes) - 2006
  • Dança do Fogo (Paulinho Du Sagrado) - 2006
  • Sou Garantido (Murilo Pontes Maia) - 2009
  • Paixão de Coração (Demétrios Haidos e Geandro Pantoja) - 2010
  • Torcedor Batuqueiro (Enéas Dias) - 2010
  • Miscigenação (Enéas Dias e Arisson Mendonça) - 2011
  • Geração Garantido (Emerson Faria Maia) - 2011
  • Matawi Kukenan (Rafael Marupiara e Ronaldo Júnior) - 2011
  • Festa do Povo Vermelho (Enéas Dias) - 2012
  • Ameríndia (Enéas Dias e Marcos do Boi) - 2012
  • Apaixonado Coração (Enéas Dias e Jéssica Jacaúna) - 2012
  • Juma (Ronaldo Barbosa Junior e Rafael Marupiara) - 2013
  • A Bênção, Madrinha (Enéas Dias, João Kennedy e João Paulo Faria) - 2014
  • "Celebração da fé" (Sebastião Jr) - 2014

Entre os principais compositores do Garantido, estão: o próprio Lindolfo Monteverde, Mestre Ambrósio, Vavazinho, Braulino Lima, Emerson Maia, Chico da Silva, Tadeu Garcia, Paulindo Du Sagrado, Inaldo Medeiros, Helen Veras Filho, Geandro Pantoja, Demétrius Haidos e mais recentemente Enéas Dias, Ronaldo Barbosa Junior e Rafael Marupiara

Ao longo de toda a sua história muitas toadas se notabilizaram pelo enorme sucesso que alcançaram junto a galera vermelha e branca. Além de "Boi do Carmo" (1991), "Tic-Tic-Tac" (1993) e "Vermelho" (1996), a Toada Hit de 1998 "Tom Garantido" de Helen Veras Filho e Tadeu Garcia, pode-se destacar também "Minha Sina" (1999),a toada que se tornou um verdadeiro hino do Boi Bumbá Garantido Eterno Campeão de Johney Farias e Inaldo Medeiros em (2000) , Deusa Cunhã, considerada a eterna música de cunhã-poranga de autoria de Helen Veras Filho e "Coração de Batuqueiro" (2004) de Inaldo Medeiros e Marcos Lima, "Boi de Pano" (2001) de Tony Medeiros, "Tum Tum" (2007) de Helen Veras Filho, "Sou Garantido" (2009) de Murilo Pontes Maia, "Paixão de Coração" (2010) de Demétrius Haidos e Geandro Pantoja, "Torcedor Batuqueiro" (2010) de Enéas Dias e "Miscigenação" (2011) do próprio Enéas Dias e Arisson Mendonça, na lista de grandes sucessos e verdadeiros hinos de amor ao Garantido.

Temas[editar | editar código-fonte]

É a temática que o boi desenvolve ao longo de suas apresentações no Festival Folclórico de Parintins, a seguir os temas defendidos pelo Boi Garantido entre 1988 e 2013, na era pós-Bumbódromo.

  • 1988 - Brinquedo de São João
  • 1989 - O Eterno Campeão
  • 1990 - Garantido, Amor Magia da Ilha
  • 1991 - Uma Origem Cabocla
  • 1992 - Folguedo de São João
  • 1993 - Esse Rio é Minha Vida
  • 1994 - Templo das Eternas Lendas
  • 1995 - Uma Viagem à Amazônia
  • 1996 - Lendas, Rituais e Sonhos
  • 1997 - Parintins Para o Mundo Ver
  • 1998 - 500 Anos do Passado Para Construir o Futuro
  • 1999 - Mito, Cultura e Arte
  • 2000 - Meu Brinquedo de São João
  • 2001 - Amazônia Viva
  • 2002 - O Boi da Amazônia
  • 2003 - Amazônia Santuário Esmeralda
  • 2004 - Amazônia, Coração Brasileiro
  • 2005 - Festa da Natureza
  • 2006 - Terra, A Grande Maloca
  • 2007 - Guardiões da Amazônia
  • 2008 - O Boi da Preservação
  • 2009 - Emoção
  • 2010 - Paixão
  • 2011 - Miscigenação
  • 2012 - Tradição
  • 2013 - O Boi do Centenário
  • 2014 -

Festas Tradicionais[editar | editar código-fonte]

  • Alvorada do Boi

É uma festa que acontece na madrugada do dia primeiro de maio. Lindolfo criou esta festa para marcar o início dos ensaios do Boi. Na noite de 30 de abril, os foliões se reúnem no curral para cantar e dançar. Na madrugada, o Boi Garantido reúne-se à batucada em frente do curral e sai em passeata pelas ruas da cidade, passando tradicionalmente pela casa de dona Maria Ângela Faria, até chegar à Catedral de Parintins. A festa continua mesmo após o alvorecer, daí a origem do nome. Nos últimos anos o sucesso da Alvorada se tornou tão grande que já vêm sendo organizadas várias excursões de turistas para Parintins a fim de participarem da festa.

  • Santo Antônio

É outra passeata do Boi que acontece no dia 12 de junho, véspera de Santo Antônio. Repete um costume do Bumba-meu-Boi do Maranhão de festejar Santo Antônio na véspera, começando com uma ladainha. A reza da ladainha é feita no curral da Baixa do São José, na casa da família Monteverde. É posta uma mesa enfeitada com flores e velas com a imagem do Santo. Termina a ladainha, acontece outra passeata no mesmo estilo da Alvorada, com o Boi e a batucada à frente, e os foliões atrás. Nas casas que possuem fogueiras, o Boi pára e entrega uma rosa à dona da casa. De acordo com o historiador Sérgio Ivan Braga,[4] nos dias 12 e 13 de junho, Lindolfo arrecadava dinheiro dos simpatizantes para a festa principal, que é a festa de São João Batista.

  • São João

É a festa de cumprimento da promessa. É semelhante à festa de Santo Antônio, porém ocorre no dia 24 de junho, o mesmo dia dedicado ao santo pela Igreja Católica. Também ocorre a ladainha no curral da Baixa do São José e a passeata até a Catedral, com o Boi parando em frente às casas com fogueiras. A mesa é enfeitada com quatro velas e rosas vermelhas e brancas. A imagem de São João Batista adulto é colocada no centro da mesa, com suas fitas vermelhas e verdes, e no fundo é colocado o quadro da Sagrada Família. Após a morte de Lindolfo, seu filho, João Batista Monteverde passou a ser o anfitrião da cerimônia.

  • Matança do Boi

Realizada anualmente todo o dia 17 de julho, pela família Monteverde, a festa da morte do boi marca o fim oficial das festividades do boi Garantido no ano corrente. A festa se inicia com a tradicional ladainha realizada no Curral da Baixa do São José, após ela os brincantes do boi saem as ruas para encenar a "morte do boi", em alusão ao Auto do Boi. Também são cantadas toadas atuais e antigas do Garantido. Durante muitos anos, a festa da Morte do Boi atraía milhares de torcedores do Boi Garantido para as ruas de Parintins, entretanto nos últimos anos, em virtude do pouco apoio dado pela direção do bumbá, a festa perdeu espaço e quase foi extinta. Atualmente sua realização se deve ao esforço dos familiares de Lindolfo Monteverde, criador do Boi Garantido.

Itens que concorrem no Festival[editar | editar código-fonte]

Apresentador[editar | editar código-fonte]

A ópera do Boi possui um apresentador oficial, que comanda todo o espetáculo. Paulinho Faria foi o primeiro apresentador do boi Garantido, aos 15 anos, ocupando este posto por 26 anos, foi vencedor do item em 24 festivais, além dos inúmeros títulos do Garantido que são atribuídos ao apresentador. O atual apresentador é Israel Paulain, que estreou em 2002. Israel é também um grande vencedor em seu item, tendo vencido seu arqui-rival ininterruptamente desde 2006. Naquele ano, o apresentador conduziu o espetáculo sem ler o roteiro, uma inovação que foi adotada pelos dois bois a partir de então.

Levantador de Toadas[editar | editar código-fonte]

O levantador de toadas é o cantor que interpreta a maior parte das toadas executadas durante a apresentação na arena. Também tem responsabilidade sobre outro item que conta pontos: Toada Letra e Música. Já foram levantadores de toadas do Boi Garantido Emerson Maia (1986-1991), Paulinho Faria (1991-1994), David Assayag (1995-2009) e Sebastião Júnior (2010-presente).

Batucada do Garantido[editar | editar código-fonte]

A batucada é o conjunto de ritmistas que toca durante as 2 horas e meia de apresentação. Dispõe de cerca de 400 ritmistas, os quais tocam os seguintes instrumentos: 200 surdos, 100 caixinhas de guerra, repiques, rocares, espantacão e palminhas. O grande comandante da Batucada é chamado no Garantido de Peara, que quer dizer "líder". Os batuqueiros da baixa são também chamados de Camisas Encarnadas. Os Pearas: já foi a dupla Clemilton Pinto (1998-2011), Jonedson Ramos (2001-2008), Jacinto Rebelo (2012) e atualmente foram substituídos pela dupla Alessandro Cabral (2009-presente) e Marcelo Bilela (2013-presente).

Amo do Boi[editar | editar código-fonte]

No auto do boi original, o Amo do Boi é o dono do Boi e da fazenda, é quem fica triste com a morte de seu Boi querido, manda prender Pai Francisco e Catirina - assassinos do boi - e chama o pajé para ressuscitá-lo. Em Parintins, o Amo do Boi tem a importante função de tirar versos, alguns de exaltação ao Boi e à torcida, outros que se referem à temática que o Boi apresenta naquele ano e outros que desafiam o rival. O primeiro "Amo" do Boi Garantido foi Lindolfo Monteverde, que tirava o seguinte verso: Se eu pegar o Caprichoso, esfolo igual jacaré, tiro toda carne fora e deixo a caveira em pé. Após a morte de Lindolfo, em 1979, seu filho, João Batista Monteverde, assumiu o posto. Em 1996, o Amo passou a ser Tony Medeiros que, por três ocasiões, foi substituído por Emerson Maia (que já havia substituído João Batista por vários anos) e Edílson Santana, porém continua no posto ininterruptamente desde 2003.

Sinhazinha da Fazenda[editar | editar código-fonte]

É a filha do dono da fazenda. Representa a cultura branca-européia no Boi. Geralmente vem com vestido rendado, sombrinha e leque. Além de dançar, costuma acariciar o Boi e dar-lhe sal. Este ano, Ana Luisa Faria, da tradicional família Faria do Garantido, estréia como a nova Sinhazinha da Fazenda do Boi Garantido.

Galera Vermelha e Branca[editar | editar código-fonte]

As chamadas "galeras" são as partes laterais do bumbódromo, onde ficam as arquibancadas gratuitas. Geralmente, no dia do Festival, os portões são abertos às 16h e os torcedores ficam aguardando até o início das apresentações, às 20h.

A "galera vermelha e branca" é composta predominantemente por torcedores de Parintins, Manaus e Santarém, além de apaixonados vindos de todas as partes do Brasil.

Durante a apresentação do Boi, a galera executa várias coreografias, exibe adereços manuais e canta intensamente as toadas de seu Boi. O grupo responsável por organizar a galera é o Comando Garantido, composto por integrantes de Manaus e de Parintins.

Lendas Amazônicas[editar | editar código-fonte]

É a dramatização de alguma lenda popular da Amazônia. Geralmente são utilizadas grandes alegorias, coreografia e uma toada específica para a encenação. Dentre as lendas encenadas, se destacam o Mapinguari (1997), Nhongoróm (2005), Maricá o Macaco Gigante (2001) e Anhangá (2008). Em 2007, durante a lenda Jacurutu, o artista Teco Mendes fez as árvores andarem na arena, efeito semelhante ao filme O Senhor dos Anéis, as Duas Torres.

Figuras Típicas Regionais[editar | editar código-fonte]

É uma dramatização de personagens reais da Amazônia, como juteiros, farinheiros, comerciantes do regatão, romeiros de procissões diversas, seringueiros etc. Em geral, este item é apresentado com uma alegoria e diversos figurantes, enquanto uma toada específica para o momento é executada. Um dos momentos marcantes foi a encenação da figura típica "Romaria das Águas", em 2000 na qual os fiéis de São Pedro fazem uma procissão em seus barcos. Outro momento inesquecível do Boi Garantido foi quando, em 2004, apresentou a Figura Típica Pescadoras de Doações, que falava sobre as crianças que ficam nas canoas esperando os passageiros dos barcos de linha jogar comida e roupa para os ribeirinhos no Estreito de Breves, no Pará.

Ritual Indígena[editar | editar código-fonte]

É uma dramatização de um ritual praticado em alguma tribo indígena da Amazônia. Em geral é o ponto alto do espetáculo e é apresentado no final. Grandes alegorias e feitos especiais são usados. Destacam-se os rituais Watiamã, Ritual da Tucandeira (2000), Apinaié, Homens Morcegos(2001), Xicrim, a Nação que veio do céu (2002), Deuses Canibais, Festa da moça nova (2005), Xamãs Ye'kuana (2005), Zuruahá, o Povo do Veneno (2007), Tanameá marubo(2008) e Ritual Dení(2009) onde apareceu uma coruja gigante na arena do Bumbodromo.

Porta Estandarte, Rainha do Folclore e Cunhã-Poranga[editar | editar código-fonte]

São três itens femininos, cada uma com sua função. A Porta-Estandarte é responsável por trazer o estandarte com o tema do Boi. A Rainha do Folclore geralmente se apresenta durante o momento das figuras típicas regionais e representa a cultura popular cabocla. A Cunhã-poranga representa a beleza indígena; seu nome significa "mulher bonita".

Tribos[editar | editar código-fonte]

As tribos são grupos de dança que se apresentam fantasiados de índios, de maneira estilizada. Atualmente quase todas as tribos entram juntas na arena e fazem diversas coreografias ao mesmo tempo. O objetivo maior é o efeito visual provocado na arena pela difusão de cores. Há também uma tribo coreografada, que se destaca das demais por ter uma coreografia mais complexa.O Boi Garantido, a partir de 2011, convidou dançarinos da cidade de Juruti/PA para participar das tribos, já que esta cidade tem grupos com bastante experiência em coreografias indígenas, pois lá anualmente é realizado o Festribal.

Referências

  1. a b http://www.parintins.com/?p=comentarios&n=2061
  2. a b c SAUNIER, T. Parintins, Memória dos Acontecimentos Históricos. Valer:2003
  3. a b Leandro Tapajós (11 de Junho de 2012). O nascer do boi-bumbá de Parintins e seu crescimento. Página visitada em 15/06/2013.
  4. a b BRAGA, S. I. G.. Os bois-bumbás de Parintins. 1. ed. Rio de Janeiro: FUNARTE-Ministério da Cultura, 2002. v. 1. 480 p.
  5. CUNHA, P. J. & VALENTIN, A. Caprichoso, A Terra é Azul
  6. Garantido vence a 48ª edição do Festival de Parintins

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Boi Garantido