Comandos (Exército Português)

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Centro de Tropas Comandos
Brasao Comandos.png
País  Portugal
Corporação Exército Português
Subordinação Brigada de Reacção Rápida
Missão Operações especiais
Sigla CTCmds
Criação 1962
Aniversários 29 de Junho
Marcha Hino Comando
Lema Audaces Fortuna Juvat
(A Sorte protege os audazes)
Grito de Guerra Mama Sumaé (Prontos para o sacrifício)
História
Guerras/batalhas Guerra Colonial Portuguesa
Sede
Sede Belas - Sintra
Morada Serra da Carregueira
Internet Sítio não oficial

O Regimento de Comandos ou os Comandos MHTEMHCMHA são uma força de elite do Exército Português com treino avançado para a realização de operações ou manobras que envolvam alto risco e baixo índice de sucesso, que poderiam ser apenas realizados por uma infantaria altamente qualificada.

Missões[editar | editar código-fonte]

Atualmente, os Comandos estão vocacionados para a realização das seguintes missões:

  • Operações de ataque em profundidade na área da retaguarda do inimigo;
  • Operações aerómoveis;
  • Operações de contra insurreição;
  • Operações como força de intervenção no âmbito da Segurança da área da retaguarda;
  • Operações de apoio à paz, com prioridade para as operações de imposição de paz;
  • Operações humanitárias, com prioridade para as operações de evacuação de não combatentes (NEO).

História[editar | editar código-fonte]

Os Comandos nasceram como força especial de contra-guerrilha, correspondendo à necessidade do Exército Português de dispor de unidades especialmente adaptadas a este tipo de guerra com que, em 1961, se viu enfrentada, durante a Guerra do Ultramar. A força destinava-se a:

  • realizar acções especiais em território português ou no estrangeiro;
  • combater como tropas de infantaria de assalto;
  • dotar os altos comandos políticos e militares de uma força capaz de realizar operações irregulares.

A instituição torna-se operacional em 25 de junho de 1962, quando, em Zemba, no Norte de Angola, foram constituídos os primeiros seis grupos do que seriam considerados os antecessores dos comandos. Seria criado o CI 21 (Centro de Instrução de Contra-Guerrilha), que funcionou perto do Batalhão de Caçadores 280, e que contou como instrutor com o fotógrafo italiano e antigo sargento da Legião Estrangeira, Dante Vacchi, que já trazia experiência das guerras em Argélia e Indochina.

Dado que os seis grupos preparados neste centro obtiveram excelentes resultados operacionais, o comando militar em Angola decidiu integrá-los na orgânica do Exército entre 1963 e 1964, criando os CI 16 e CI 25, na Quibala, Angola. Surgia assim, pela primeira vez, a designação de "Comandos" para as tropas aí instruídas.

A 26 de Abril de 1985 o Regimento de Comandos foi agraciado com o grau de Membro-Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a 13 de Dezembro de 1993 com o grau de Membro-Honorário da Ordem Militar de Avis.[1]

Organização operacional[editar | editar código-fonte]

A unidade básica operacional dos Comandos é a companhia, subdividida em quatro ou cinco grupos de combate (grupos de Comandos). Cada grupo - comandado por um oficial subalterno - inclui 25 militares, agrupados em cinco equipas:

  • Equipa de comando, constituída pelo oficial comandante do grupo, operador de rádio, socorrista e dois atiradores;
  • Três equipas de manobra, cada uma constituída por um sargento (chefe de equipa), um apontador de metralhadora ligeira, um municiador de metralhadora ligeira e dois atiradores;
  • Equipa de apoio, constituída por um sargento (chefe de equipa), um apontador de LGF, um municiador de LGF e dois atiradores.

Durante a Guerra do Ultramar, foram organizadas companhias de vários tipos, adaptadas às condições operacionais, havendo duas organizações básicas:

  • Companhias ligeiras: constituídas só com os elementos operacionais, não dispondo praticamente de apoio logístico autónomo, sendo suportadas por outras unidades militares;
  • Companhias pesadas: em que os elementos operacionais eram reforçadas com elementos de apoio logístico (módulos sanitários, de manutenção, de transportes, de intendência, etc.), dando-lhes uma capacidade de operação completamente autónoma.

Na Guiné Portuguesa e em Moçambique, foram constituídos batalhões de Comandos que - além de servirem de centros de instrução - eram utilizados como elemento de comando operacional, em determinadas operações, para forças de Comandos de escalão superior à companhia.

O corpo dos Comando é composto por 2500 elementos

Unidades de Comandos[editar | editar código-fonte]

Seguindo o modelo organizativo do Exército Português, existiam unidades territoriais de Comandos (designadas "centro de instrução", "regimento", "batalhão", etc.) responsáveis por mobilizar, organizar, treinar e manter as uidades operacionais, normalmente de escalão companhia. Os batalhões de Comandos da Guiné e Moçambique funcionaram tanto como unidades territoriais mobilizadoras, como como unidades operacionais.

Unidades mobilizadoras[editar | editar código-fonte]

1962-1965: Centro de Instrução n.º 21 (Centro de Instrução Especial de Contra-Guerrilha), em Zemba (Angola);
1963-1965: Centros de Instrução n.º 16 e n.º 25, em Quibala (Angola);
1965-1974: Centro de Instrução de Comandos de Angola, em Luanda (Angola);
1966-1975 e 1996-2002: Centro de Instrução de Operações Especiais, em Lamego (Portugal);
1964-1965: Centro de Instrução de Comandos da Guiné em Bissau (Guiné);
1965-1969: Companhia de Comandos da Guiné em Bissau (Guiné)
1969-1974: Batalhão de Comandos da Guiné, em Bissau (Guiné);
1969-1975: Batalhão de Comandos de Moçambique, em Montepuez (Moçambique);
1974-1975: Batalhão de Comandos n.º 11, na Amadora (Portugal);
1975-1996: Regimento de Comandos, na Amadora (Portugal);
2002-2006: Regimento de Infantaria Nº 1, na serra da Carregueira (Portugal);
Desde 2006: Centro de Tropas Comandos, em Mafra (Portugal) até fevereiro de 2008 e na Carregueira (Portugal) desde então.

Unidades operacionais[editar | editar código-fonte]

Servindo em Angola (1963-1975)

  • Companhias de Comandos (CCmds): 1ª, 6ª, 8ª, 11ª,12ª, 14ª, 19ª, 20ª, 22ª, 24ª, 25ª, 30ª, 31ª, 33ª, 36ª, 37ª, 2041ª, 2042ª, 2044ª, 2046ª, 2047ª, 4042ª e 112ª/74.

Servindo na Guiné (1964-1974)

  • Grupos de Comandos: "Camaleões", "Fantasmas" e "Panteras";
  • Companhia de Comandos da Guiné (CCmdsGuiné), incluindo os grupos de Comandos "Apaches", "Centuriões", "Diabólicos" e "Vampiros";
  • Batalhão de Comandos da Guiné (BCmdsGuiné);
  • Companhias de Comandos (CCmds): 3ª, 5ª, 16ª, 26ª, 27ª, 35ª, 38ª e 4041ª;
  • Companhias de Comandos Africanos (CCmdsAfricanos): 1ª, 2ª e 3ª.

Servindo em Moçambique (1964-1975)

  • Batalhão de Comandos de Moçambique (BCmdsMoç);
  • Companhias de Comandos (CCmds): 2ª, 4ª, 7ª, 9ª, 10ª, 17ª, 18ª, 21ª, 23ª, 28ª, 29ª, 32ª, 34ª, 2040ª, 2043ª, 2045ª e 4040ª;
  • Companhias de Comandos de Moçambique (CCmdsMoç): 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª e 9ª.

Servindo em Portugal (1974-1993):

  • Batalhão de Comandos n.º 11 (BCmds 11), incluindo as companhias de Comandos (CCmds): n.º 111, n.º 112, n.º 113 e n.º 114. O BCmds11 foi formado com as 2041ª, 2042ª, 4041ª e 112ª/74 CCmds, regressadas de Angola e da Guiné, que mudaram a sua numeração para CCmds n.ºs 111, 112, 113 e 114 respectivamente. A CCmds 113 foi, posteriormente, "extinta" organicamente. ;
  • Batalhão de Comandos n.º 12 (BCmds 12), incluindo as CCmds: n.º 121, n.º 122, nº 123 e n.º 124 (pesada). A CCmds 123 foi "extinta", organicamente 1982, sendo mais tarde criada, em sua substituição, a CCmds 131 (A Pesada), também de armas pesadas. Estava lançado o embrião do BCmds 13, que permitiria à especialidade "Comando" evoluir para uma escala de "Corpo de Tropas Comando". Neste batalhão foi ainda criada em 1993/4 a Companhia de Comandos "REDES" (Reconhecimento e Destruição), esta com atribuições de sub-unidade "Regimental" para determinado tipo de acções especiais. Note-se que pese embora o BCmds 12, fique assim com 5 CCmds, orgânicas, o BCmds 11, apenas dispõe de 3 CCmds, mantendo-se o efectivo total de 8 CCmds operacionais, no RCmds.;
  • Companhia de Comandos n.º 131 (A Pesada), companhia de armas pesadas criada em 1982, a partir da CCmds 123 então extinta, como subunidade inicial do que seria o futuro Batalhão de Comandos n.º 13, o qual nunca foi criado. A companhia manteve-se independente (leia-se como Companhia Regimental de apoio de fogo - armas pesadas) até ser retomada a orgânica inicialmente prevista com as CCmds 114 e CCmds 124 a receberem a sua dotação orgânica de armas pesadas para apoio de fogo, integradas nos BCmds 11 e BCmds 12, respectivamente. Na realidade e na orgânica inicial dos dois BCmds do RCmds, as companhias "4" tinham funções de companhia de apoio de fogos para balanceamento da capacidade operacional das restantes CCmds do respectivo Batalhão, pelo que eram dotadas de capacidade de fogo de armas pesadas, mormente no que concerne a armamento antipessoal, anticarro, morteiros pesados 81mm e 120mm e ainda defesa antiaérea de proximidade;
  • Batalhão de Comando e Serviços do Regimento de Comandos (BCS/RCmds), incluindo as companhias: de Comando e Serviços, de Instrução de Especialidades, de Manutenção e de Transportes e Reabastecimento;
  • Batalhão de Instrução do Regimento de Comandos (BInstrução/RCmds), incluindo as companhias de Instrução: 1ª e 2º. Este BI, era igualmente flexível, podendo ter mais uma ou duas companhias de instrução CI's), se tal se revelasse pontualmente necessário.

Servindo actualmente em Portugal (desde 2002):

  • Companhias de Comandos (CCmds): 1ª CCmds (Morcegos), 2ª CCmds (Escorpiões) Sold. Cmd Álvaro Pais e 3ª CCmds (Cobra) Sold. Cmd João Véstia

Símbolos[editar | editar código-fonte]

Boina vermelha[editar | editar código-fonte]

O símbolo identificativo das tropas de comandos do Exército Português mais conhecido é a famosa boina vermelha. Pelo uso deste item de fardamento, os comandos são algumas vezes apelidados de "boinas vermelhas". Curiosamente e ao contrário da ideia corrente, a boina vermelha não esteve em uso durante a grande maioria da atividade operacional dos comandos na Guerra do Ultramar, dado que o seu uso só foi oficialmente autorizado em meados de 1974, já depois da Revolução dos Cravos.

A partir de 1963, sem qualquer autorização superior, algumas unidades de comandos adoptaram o uso de boina de cor vermelha em detrimento da cor castanha, a única oficialmente adoptada para todas as boinas em uso no Exército Português. O uso não autorizado da boina vermelha ou de outra cor que não a castanha foi expressamente proibido pelo então ministro do Exército, general Luz Cunha, através de um Despacho de 22 de novembro de 1965. Contudo, no mesmo Despacho, o general Luz Cunha reconheceu o legítimo desejo das tropas de comandos se diferenciarem, ordenando a criação de um emblema ou distintivo para caracterizar aquela especialização. A partir de então, por norma, os comandos passaram a utilizar boina castanha com um emblema privativo daquele tipo de tropas, constituído por um punhal e um ramo de louro sobre os quais assentava o Escudo Nacional.[2] [3]

Apesar da proibição expressa do uso de boinas de cor que não a castanha, algumas unidades de comandos na Guiné adoptaram o uso de boina camuflada. Entre essas unidades, estavam a 3ª e a 5ª companhias de comandos, que serviram na Guiné entre 1966 e 1968.

Finalmente, o uso de boina vermelha é oficialmente autorizado a 19 de julho de 1974, através da Circular n.° 3156/LS da 4ª Repartição do Estado-Maior do Exército. Esta Circular autoriza que todos os militares com o curso de comandos averbado e prestando serviço em unidades da especialidade usem boina vermelha púrpura com fitas pretas. Nesta altura, tendo ocorrido a Revolução dos Cravos a 25 de abril de 1974, havia já a decisão política de acabar com a Guerra do Ultramar, estando a ocorrer negociações para um cessar fogo com os movimentos independentistas de Angola, Guiné e Moçambique. A boina vermelha, contudo, foi ainda usada pelas unidades de comandos que serviram no Ultramar entre esta altura e a independência dos últimos territórios ultramarinos africanos em 1975.

Lema[editar | editar código-fonte]

O lema dos Comandos é o verso latino da Eneida de Virgílio: Audaces Fortuna Juvat, que significa "A Sorte Protege os Audazes".

Grito de guerra[editar | editar código-fonte]

O seu grito de guerra, retirado de uma tribo bantu do Sul de Angola que o usava na cerimónia de entrada na vida adulta é: Mama Sumé!,[4] que em Português significa: Aqui Estamos, Prontos para o Sacrifício!.

Cerimonial[editar | editar código-fonte]

Os Comandos têm vários rituais iniciáticos e cerimoniais únicos mantendo uma tradição desde a sua fundação, inspirados nas antigas ordens de cavalaria portuguesas. Além desses rituais, os Comandos têm uma Ordem Unida própria, diferente das restantes unidades do Exército Português. Em sentido cerram os punhos e os oficias quando armados com pistola em sentido têm a mão direita em cima do coldre, prestam continência com a palma da mão virada para a frente, assim como os passos em frente e o marchar são feitos com o joelho bem levantado. Ao destroçar gritam bem alto "comandos".

Referências

  1. http://www.ordens.presidencia.pt/
  2. Branco, Pedro Soares (2011). Coberturas da Guerra do Ultramar, 1961-1974. Jornal do Exército. Lisboa. Página visitada em 03-09-2013.
  3. Alexandre, Paulo Jorge Morais (2009). A Heráldica do Exército na República Portuguesa no século XX. Universidade de Coimbra. Coimbra. Página visitada em 03-09-2013.
  4. O grito de guerra. Associação de Comandos. Associacaocomandos.pt.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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