Bolsa de Valores do Rio de Janeiro

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Prédio da BVRJ - No andar térreo funciona o Centro de Convenções Bolsa do Rio, inaugurado em maio de 2003. Localizado na Praça XV de Novembro, a cinco minutos do Aeroporto Santos Dumont, o conjunto do Centro de Convenções ocupa uma área de 1.500 m2.

A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), localizada na cidade do Rio de Janeiro, foi uma das primeiras bolsas de valores a entrar em operação no Brasil, ao final do período colonial.[1] A partir de 2000, com a transferência da negociação com ações para a Bolsa de Valores de São Paulo, ela passou a negociar apenas títulos públicos e, em 2002, foi incorporada pela BM&F(Bolsa de Mercadorias e Futuros). Em 2008 foi criada a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros - BM&FBOVESPA S.A, uma das maiores bolsas de valores do mundo, com a integração da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A.

História[editar | editar código-fonte]

A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) foi uma das bolsas em atividade no Brasil, a mais antiga, inaugurada em 14 de julho de 1820, 3 anos após a inauguração da 1ª bolsa brasileira que foi a bolsa de Salvador na Bahia (Bovesba),[2] hoje inativa. Antes do início formal de suas operações, os negócios eram realizados em uma espécie de pregão ao ar livre. Essa atividade comercial ganhou grande impulso a partir da vinda da família real para o Brasil em 1808, o que levou às primeiras tentativas de organização do mercado. Surgiu então o conceito de Praça de Comércio, que já tinha algumas características de um pregão organizado.

Em seu início, os corretores eram chamados zangões, não sendo raro que especialmente nas praças de Salvador e do Rio, até a "Lei dos entraves" de 1860,[2] tal atividade fosse também exercida por escravos de ganho e de aluguel,[3] [4] treinados para a função. Em sua primeira sede, os negócios se resumiam à negociações com câmbio, escravos, mercadorias, gado, seguros e fretes de navio; tendo os primeiros ativos de papéis, referentes à empresas estatais, sido negociados em 1828[5] e os primeiros de emissão da iniciativa privada no final da década seguinte.[2]

Em 1845, foi inaugurada a sede na Rua Direita, no centro, próximo ao porto. No mesmo ano, o Rio de Janeiro ganhou seus primeiros lampiões a gás. Assim, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro cresceu junto com a cidade, com intensa negociação de títulos no final do século XIX, e se transformou em uma instituição que fez parte da história econômica do Brasil. Praticamente todos os grandes momentos econômicos do país, do final do século XIX até o início do século XXI, transitaram pelos seus pregões: da febre especulativa do Encilhamento, que se deu entre o final da monarquia e início da república, até os leilões de privatização das grandes empresas estatais, que marcaram a guinada da economia brasileira em direção à retirada de grandes setores do controle do Estado.

As manufaturas tiveram participação relevante nas operações da bolsa na segunda metade do século XIX, mesmo com as crises periódicas de 1857,1864, 1875 e 1900 que levaram a falência e expansão dessas companhias. Três tipos de ativo eram negociados: ações, debêntures e letras hipotecárias, bastante procuradas por ocasião dos auxílios da lavoura implementados pelo Visconde de Ouro Preto em 1888. De 1889 a 1894 os bancos dominaram as negociações. Em 1889 havia 35 bancos nacionais e três estrangeiros registrados na Junta do Comércio. Dentre os bancos tradicionais estavam o Banco do Comercio e Banco Commercial e Predial, além dos bancos provinciais como o Banco União da Bahia, Banco de Pernambuco, Banco de Campos, Banco da Província de São Paulo. Bancos duvidosos eram o Cooperativo, o Intermediário e o Crédito Commercial. Em 1890 foi fundado o Banco da República. Depois dos bancos, as estradas de ferro foram as detentoras de ações mais procuradas na Bolsa nessa época, graças inclusive as concessões dadas aos bancos, como a Companhia de Estradas de Ferro Sapucahy, concedida ao Banco Construtor, e o Caminho de Ferro Uberaba-Coxim, ao Banco União de São Paulo. Outras companhias ferroviárias com reputação sólida no mercado eram a Leopoldina, a Oeste de Minas e a Sorocabana. No início do século, as companhias controladas por ingleses e franceses eram as mais importantes e lucrativas como a São Paulo Railway. A partir de 1893, houve um crescimento do setor de ferro carril, transporte urbano mais conhecido como bonde. Setor de navegação também era estável, como os títulos da Amazon Steam em 1888 [6] .

Vale destacar o período áureo da BVRJ, a partir da metade do século XX. No final dos anos 1950, a prefeitura do Rio lançou as Obrigações da Cidade para financiar seu plano de obras, transacionadas na BVRJ. Nessa época, o volume negociado de ações ultrapassou o de papéis de dívidas governamentais, surgiram os primeiros investidores institucionais organizados e algumas companhias especializadas em subscrições de ações.

Esses fatores, aliados ao otimismo desenvolvimentista imprimido pelo presidente Juscelino Kubitschek, deram nova dimensão ao mercado. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro se sofisticou e criou um índice de cotações de ações utilizando metodologia desenvolvida em 1962, que seria alterada pelo IBV, em 1967 [7] .

A reforma do sistema financeiro do Brasil, em 1965, propiciou uma nova etapa para o mercado de capitais. O governo estimulou os negócios com a criação, dali a dois anos, dos fundos 157, que permitiam deduzir investimento feito em ações do imposto de renda devido: parte do recolhimento do IR podia ser destinado para o mercado acionário. No mesmo ano, a BVRJ realizou o Congresso Nacional de Bolsas, seguido do Fórum de Mercado de Capitais. Em 1971, o pregão viveu uma grande euforia, provocado pela chegada do pequeno investidor, mas também se assustou com a derrocada do mercado. Entre junho de 1971 e agosto de 1972, o índice IBV apontou uma desvalorização de 70%.

A BVRJ viveu seus anos dourados entre as décadas de 1950 e 1960. Após o Crash de 1971, foi pouco à pouco perdendo terreno para a bolsa paulista em participação no desenvolvimento do mercado de capitais, assim como nos debates econômicos. Em decorrência do Crash de 1989, perdeu definitivamente para a Bovespa, o posto de maior bolsa do Brasil e da América Latina, apesar de ter sido o núcleo do processo de privatizações no Brasil na 2ª metade da década de 1990, e lá terem acontecido os leilões de empresas estatais como as de telefonia, como a Telesp, mineradoras, como a Vale do Rio Doce e as siderúrgicas, como a Usiminas, entre outras.

Com a evolução do mercado acionário, foram feitos acordos de integração e, desde 2000, o que restava de negociação em ações foi transferida para a Bolsa de Valores de São Paulo. Em 2002, a Bolsa de Mercadorias & Futuros adquiriu os títulos patrimoniais da BVRJ, passando a deter os direitos de administração e operacionalização do sistema de negociação de Títulos Públicos, o Sisbex.

Referências

  1. Marta Barcellos & Simone Azevedo; "Histórias do Mercado de Capitais no Brasil" Campus Elsevier 2011 ISBN 8535239944 Introdução, pág. xiv, Último Parágrafo.
  2. a b c Barcellos & Azevedo 2011 Ibidem
  3. Algumas obras sobre o tema indicados pela Biblioteca Nacional do Brasil
  4. Maria Helena P.T.Machado;"História da Cidade de São Paulo"; Paz & Terra 2004 espec. Págs 17 (a partir do 2º parágrafo) e 18
  5. Barcellos & Azevedo 2011 Ibidem; pag. xv
  6. "O Encilhamento", artigo de Maria Bárbara Levy - ECONOMIA BRASILEIRA: UMA VISÃO HISTÓRICA - Neuhaus, Paulo, Coordenador - Editora Campus, 1980, Rio de Janeiro - Pgs.224-230
  7. LEITE, Helio de Paula & SANVICENTE, Antonio Zoratto - Índice Bovespa: Um padrão para os investimentos brasileiros - Ed. Atlas - São Paulo, 1995 - pg. 44 - ISBN 85-224-1184-0 - Patrocinadores: Bolsa de Valores de São Paulo e Bolsa de Mercadorias & Futuros

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]