BookCrossing
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O conceito de BookCrossing que surgiu nos Estados Unidos da América e pode ser resumido como a prática de deixar um livro num local público, para que outros o encontrem, o voltem a libertar depois de o lerem e assim sucessivamente. O conceito encontra-se definido desde Agosto de 2004 no Concise Oxford English Dictionary:
- bookcrossing n. the practice of leaving a book in a public place to be picked up and read by others, who then do likewise.
O objectivo do movimento Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca. Os membros desta comunidade virtual que não conhece limites geográficos possuem um sentimento de partilha tão grande que não se importam de libertar os seus próprios livros em locais públicos (cafés, transportes públicos, paragens de autocarro, bancos de jardim e outros sítios que a imaginação ditar) para que o maior número de pessoas os possam ler, em vez de os manterem parados nas suas estantes. Desta forma, o acesso à cultura e especificamente à leitura torna-se verdadeiramente universal.
Índice |
[editar] História
O BookCrossing foi originalmente concebido em Março de 2001 por Ron Hornbaker, um sócio da Humankind Systems, Inc.. Após quatro semanas, a 17 de Abril, a ideia foi concretizada, dando-se o lançamento do sítio na Internet. Desde esse dia, o BookCrossing cresceu exponencialmente, tornando-se num movimento global.
Em Maio de 2005, o site ganhou dois prémios Peoples' Voice atribuídos pela Webby Awards: o prémio para Best Community Website e o de Best Social/Networking Website. O BookCrossing esteve ainda envolvido num projecto da BBC Radio, que consistiu na libertação de 84 cópias da obra de Helene Hanff 84 Charing Cross Road. Este programa foi nomeado para o Sony Radio Academy Awards em 2006.
Em Julho de 2007, Singapura tornou-se no primeiro país oficial do BookCrossing. Numa iniciativa com a colaboração da Biblioteca Nacional de Singapura, 2,000 locais receberam a designação de 'hotspots', algo semelhante a uma OBCZ (Official BookCrossing Zone ou Zona Oficial de BookCrossing).
Durante a Feira do Livro de Lisboa de 2009 o programa Lisboa, Encruzilhada de Mundos (LEM), da responsabilidade da Vereadora Manuela Júdice, no pelouro das Relações Internacionais da Câmara Municipal de Lisboa, esteve presente com um pavilhão cujo principal objectivo era, não a venda, mas a troca de livros em várias línguas, numa parceria com a comunidade bookcrosser portuguesa. Nesse pavilhão de troca de livros, os leitores portugueses e das várias comunidades que habitam Lisboa foram convidados a participar de uma biblioteca global. Com mais de 2,700 livros libertados durante um período de cerca de 3 semanas, esta iniciativa teve um imenso sucesso e fez com que o movimento fosse divulgado a nível nacional sem precedentes.
A 9 de Julho de 2009, a comunidade internacional do BookCrossing contava já com 784,463 membros e 5,722,519 livros registados. Portugal é um dos 10 países do mundo com mais pessoas inscritas (mais de 11,200).
[editar] Processo
O objectivo do BookCrossing é, acima de tudo, fazer do mundo uma biblioteca. Para tal, os membros devem libertar os seus livros num local público para que possam ser encontrados pelas restantes pessoas que o frequentem.
No entanto, o conceito não se limita a ser sinónimo de abandonar livros na rua. Registar livros no site não implica obrigatoriamente a sua libertação. De facto, ninguém é obrigado a libertar os seus livros, embora a experiência demonstre que passado algum tempo, até os mais reticentes deixam de ser “egoístas” e eles mesmos passam a estar dispostos a partilhar os seus livros com os outros e, quem sabe, até a libertarem-nos na rua.
[editar] Registar
Para ser libertado, o livro tem de ser registado no site. Aquando do registo, é-lhe atribuído um número de identificação BCID (BookCrossing Identification) que permitirá ao "dono" original e aos que venham a dar entrada do livro posteriormente terem notícias da sua viagem pelo mundo. Este número deve ser escrito no livro, devendo ser também incluída alguma informação sobre o BookCrossing e os seus objectivos. Para este fim podem ser utilizadas etiquetas próprias.
[editar] Libertar
Depois é só avisar quando e em que parte da cidade se vai libertar o livro. O objectivo é que alguém o recolha e, através do seu número identificativo, aceda ao site e faça uma Journal Entry, dizendo que o encontrou. Isto não implica o registo na comunidade, porque pode ser feito anonimamente. No entanto, quem desejar usufruir em pleno do site (por exemplo, participar nos diversos fóruns, registar os seus próprios livros, etc.) e juntar-se à comunidade terá de se inscrever. A inscrição é totalmente gratuita e anónima. O novo membro terá apenas de criar uma identidade virtual que o identificará sempre que fizer novos registos no site.
Após a leitura do livro, a pessoa deve fazer nova journal entry na qual dirá o que achou dele e o que pretende fazer a seguir ao livro - normalmente, libertá-lo outra vez para que possa ir ao encontro de novos leitores.
[editar] Zonas Oficiais de BookCrossing
Como são poucos os livros que são libertados ao vento que voltam a dar notícias, surgiram outras modalidades de partilha de livros entre os bookcrossers activos, tais como as Zonas Oficiais de Libertação ou OBCZ (Official BookCrossing Zones).
As OBCZ são espaços abertos ao público (tais como cafés, lojas, restaurantes, hotéis, escolas, bibliotecas, etc.) reconhecidos pelos membros do movimento como local de libertação de livros registados no BookCrossing, mediante autorização do gerente ou proprietário do estabelecimento. Por serem oficiais, estes locais possuem geralmente uma prateleira ou uma estante específica para os livros e encontram-se identificadas com cartazes alusivos ao movimento. É frequente esses espaços funcionarem também como ponto de encontro de bookcrossers.
No Brasil, existem sete OBCZs: em São Francisco Xavier/SP (Biblioteca Solidária [1]), em São Paulo/SP (Casa das Rosas, [2], Creperia Central das Artes, [3] e Salommão Bar, [4]), no Rio de Janeiro/RJ (Lunático Café [5]), em Curitiba/PR (Ricota Restaurante [6]) e em Porto Alegre/RS (Café Bonobo [7]).
A lista das OBCZ em Portugal pode ser consultada aqui.
[editar] BookRings, BookRays e RABCKs
Além das OBCZ, existem ainda outras formas de partilha de livros entre os bookcrossers. São eles os BookRings (empréstimo de um livro que, no fim da sua viagem, regressa ao seu dono original) e os BookRays (o livro não volta a quem o lançou na sua viagem pelo mundo). RABCKs (Random Act of BookCrossing Kindness) são actos aleatórios de bondade, segundo o qual uma pessoa oferece um livro sem esperar nada em troca.
Estas formas de partilha são sempre anunciadas nos fóruns do site oficial e os livros são geralmente enviados por correio ou passados por mão própria.
Desta forma, com o tempo, o BookCrossing tornou-se em algo mais que o mero conceito de libertar livros ao vento, para se tornar numa verdadeira comunidade virtual de troca de opiniões sobre os livros que cada um lê.
[editar] Críticas
Como tantas outras iniciativas de partilha gratuita de bens intelectuais, o BookCrossing não escapou a críticas. O principal motivo das críticas negativas é o de que o movimento poderá reduzir os royalties dos escritores em todo o mundo.
Será então o BookCrossing ilegal, uma vez que os membros da comunidade lêem livros sem pagarem nada por eles? A contra-argumentação dos bookcrossers baseia-se no facto de que se o movimento é ilegal, também as bibliotecas o seriam.
De facto, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a pirataria de músicas através de programas de partilha de ficheiros (em que cada música é copiada de computador para computador), tal não acontece com os livros, uma vez que estes não são fotocopiados nem reproduzidos sob qualquer outra forma. Existe um único livro, pelo qual já foram pagos direitos para fazer dele o que se quiser: guardar, emprestar, oferecer. O BookCrossing é assim visto como uma forma de oferecer livros. O que é estranho é que são oferecidos a desconhecidos.
Para além disso, muitas pessoas afirmam que o BookCrossing as incentiva a comprar mais livros, tanto para ler e guardar (de autores que não conheciam e que descobriram precisamente por causa do movimento), como para organizar novas libertações, bookrings ou bookrays. Isto significa, portanto, que esta maneira de partilhar livros pode também contribuir para a divulgação dos autores e para a conquista de novos consumidores.
[editar] Ligações externas
- BookCrossing.com
- Sites de BookCrossing na Europa
- BookCrossing Portugal
- Bookcrossing em São Paulo. 11 de setembro de 2003.
- Corrente literária, por Cyrus Afshar. Folha de S. Paulo, 12 de abril de 2008.

