Bourbonnais
Bourbonnais ou Burbônia (em francês e occitano Bourbonnais), é uma província histórica central da França que corresponde ao atual departamento de Allier e parte do departamento de Cher (em direção à Saint-Armand-Montrond).
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História [editar]
Seu primeiro senhor conhecido foi Adhemar (o Aymar), que viveu no século X. Este adquiriu o castelo de Bourbon (hoje Bourbon-Archambault), que deu seu nome à família, a Casa de Bourbon.
Com a morte de Archambault VIII (1200), pôs-se fim à primeira Casa dos Bourbons. Este deixou apenas uma herdeira, Mahaut de Bourbon, que se casou com Guy II de Dampierre que adicionou Montluçon às posses dos senhores de Bourbon, que se estenderam durante os séculos XI e XII pelas margens de Cher.
A Segunda Casa dos Bourbons começou em 1218 com Archambault IX, filho de Guy II de Dampierre e Mahaut de Bourbon, e prosseguiu com Archambault X, seu neto. Este último morreu no Chipre em 1249 durante uma cruzada. Bourbonnais passou então a fazer parte da Casa de Borgonha.
Em 1272, Beatriz de Borgonha (1258-1310), senhora de Bourbon, casou-se com Robert de França (1256-1318), Conde de Clermont, filho do rei São Luís dando início à grã Casa de Bourbon que deu os reis da França a partir de Henrique IV.
Os Bourbons haviam concretizado uma aliança com o poder real. Puseram suas forças ao serviço do rei, aproveitando a posição geográfica de Bourbonnais que estava situada entre os domínios reais e o ducado de Aquitânia e Auvérnia. Esta aliança, assim como o matrimônio entre Beatriz de Borgonha e Robert da França, facilitaram o desenvolvimento e prosperidade de Bourbonnais que, em 1327, foi declarada, pelo rei Carlos IV de França (“Charles le Bel”), ducado-pairal.
Oito duques foram os sucessores de 1327 a 1527 [editar]
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- Luís I de Bourbon (1280-1342), chamado “de manco”, filho de Robert de Clermont, foi o primeiro duque de Bourbonnais. Ostentava, também, os títulos de conde de Clermont e de Marche. Casou-se em 1310 com Marie de Hainnaut (?- 1354).
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- Luís II de Bourbon (1337-1410), filho de Pedro I, regressou, em 1366 da Inglaterra donde havia permanecido em cativeiro. Depois de conquistar seu ducado, então em mãos britânicas, reconstruiu e ampliou o castelo de Moulins. Mais tarde, ampliou suas posses adicionando à Bourbonnais Auvérnia, Berry e Marche e, depois seu matrimônio 1371, com Anne d’Auvergne (Condessa de Forez) (1358-1417), anexaram-se à Bourbonnais os senhorios de Thiers, Château-Chinon, Combraille, Beaujolais e Forez. Na ausência de um herdeiro masculino, Luís II, aceitou que o ducado volta-se à coroa. Moulins, a partir de 1379 foi a capital do ducado por desejo expresso de Luís II.
- João I de Bourbon (1381-1434, filho de Luís II, casou-se em 1400 com Marie de Berry (1367-1434), duquesa de Auvérnia e condessa de Montpensier, foi feito prisioneiro na batalha de Azincourt e morreu em Londres em 1434. Está enterrado em Souvigny.
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- Carlos I de Bourbon (1401-1456), filho de João I, casou-se, em 1423, com Agnés da Borgonha (1407-1476, filha de João da Borgonha (João sem Medo).
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- Pedro II de Bourbon (1438-1503): Senhor de Beaujeu, foi nomeado duque de Bourbon e de Auvérnia em 1488. Casou-se, em 1743 com Anne da França, filha do rei Luís XI, viscondessa de Thouars, mais conhecida como Anne de Beaujeu. Tiveram dois filhos: Carlos (1476-1498) e Susana (1491-1521). Após a morte de Luís XI ocorrida em 1483 foram os regentes da França e dirigiram o reino durante a minoria do rei Carlos VIII irmão de Anne. Depois do falecimento de Pedro II em 1503, e dado que não havia herdeiro masculino (seu filho Carlos morreu em 1498), o ducado tinha que ser devolvido à coroa, na mesma forma em que o havia aceitado Luís II. Mas Anne da França obteve uma dispensação do rei. Sua filha Susana de Beaujeu, duquesa de Bourbon e de Auvérnia (1503), condessa de Clermont, da Marche, de Forez e de Gien, casou-se em Moulins, em 1505, com seu primo Carlos de Bourbon-Montpensier, que chegaria a ser o duque Carlos III de Bourbon.
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- Carlos III de Bourbon (1490-1527), chamado de “Condestável de Bourbon”, foi o oitavo e último duque de Bourbon antes que o ducado passasse à coroa em 1527. Carlos III de Bourbon, Conde de Montpensier em 1501 foi, também, duque de Bourbon e duque de Auvérnia após casar-se com Susana de Beaujeu.
Brasões e armas [editar]
Os primeiros senhores de Bourbon com armas foram os da família de Dampierre cujo brasão era : d'or au lion de gueules accompagné de huit coquilles d'azur, fundo de ouro com um leão rampante de gules acompanhado por oito escudos azures.
As armas atuais de Bourbonnais são as de Robert de França, Conde de Clermont e último filho de São Luís que cruzou os lírios da França com uma banda gules. Casou-se com a herdeira das terras de Bourbon e seu filho foi o duque de Bourbon que conservou o brasão paternal que se converteu, por tanto, no brasão de Bourbon.
No final do século XIV, o rei da França Carlos V simplificou as armas e reimplantou todos os lírios deixando somente três delas. Vários príncipes reais, imitaram-no acrescentando, assim, as armas modernas.
Línguas [editar]
O occitano ou língua de oc, em sua variedade auvernesa, fala-se na metade do sul, em direção Montluçon e Vichy. São umas línguas occitanas de Croissant, que se falam em todo o Bourbonnais e o norte de Limousin: sequer conhecem o idioma francês e o occitano é o idioma predominante. Ao sudoeste, na Montanha de Bourbonnais, o occitano tem sido influenciado pelo idioma franco-provençal.
O francês ou língua de oil, em forma de dialeto, fala-se na metade do norte, em direção a parte de Moulins.
O termo Bourbonnais é ambíguo: é usado, do mesmo modo, tanto no occitano como no francês de Bourbonnais.