Brasões dos Papas

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O Brasão do Papa Júlio II na Capela Sistina, com os símbolos da família dos Della Rovere em seu escudo.

Os Brasões dos Papas são uma insígnia e um símbolo oficial do pontificado de cada Papa, que tem seu próprio brasão pessoal. O primeiro Papa cujo brasão é confirmadamente conhecido é Inocêncio III (1198-1216). Os brasões papais aparecem de fato em obras de arquitetura, publicações, decretos e documentos de vários tipos.[1]

Com frequência os Papas adotavam o brasão da própria família caso existisse, ou compunham um brasão com simbolismos que indicavam um próprio ideal de vida, ou uma referência a fatos passados, ou a elementos relacionados com seu objetivo como Sumo Pontífice. Por vezes acrescentavam algumas variantes ao brasão que tinham adotado como Bispos[1] .

Todos os brasões pontifícios continham a imagem da tiara papal, sendo representada como branca e com duas faixas vermelhas atrás, chamadas ínfulas.[2] Porém Bento XVI mudou a simbologia de seu brasão, personalizado-o e utilizando a mitra e a toalha de altar em vez da tiara (ver Brasão de Bento XVI). Os brasões papais também são tradicionalmente caracterizados por possuírem as chaves do céu. Trata-se de uma referência ao evento conhecido como Confissão de Pedro, quando as famosas palavras seguintes foram ditas:

«Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.» (Mateus 18:19)

A chave de ouro significa que o poder provindo do céu e a chave de prata que esse poder se estende a todos os fiéis na terra, o entrelaçamento entre elas indica a ligação entre os dois aspectos do poder, e o arranjo com as alças das chaves nas bases simboliza que o poder está nas mãos do papa.[3]

Assim, em heráldica eclesiástica, as chaves simbolizam a autoridade espiritual do Papa como o Vigário de Cristo na Terra. O brasão papal muitas vezes é representado com anjos ao redor.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média, os brasões tornaram-se de uso comum para a nobreza, e também foi-se desenvolvendo uma heráldica civil. Paralelamente, também para o clero se formou uma heráldica eclesiástica. Ela segue as regras da civil para a composição e a definição do brasão, mas possui símbolos e insígnias de caráter religioso, segundo os graus da Ordem sacra, da jurisdição e da dignidade. Desde o século XII, os Papas possuem seu próprio brasão pessoal, além dos simbolismos próprios da Santa Sé[1] .

Emblema do arcebispo de Bremen (as chaves de prata de São Pedro dentro do escudo vermelho).

Embora o Papa Bonifácio VIII (1235-1303), Eugênio IV (1431-1447), Adriano VI (1459-1523) e alguns outros papas não usavam timbre acima do seu escudo, a partir do Papa João XXII (1316-1334), começou a ser usada a tiara papal, costume mantido até que o Papa Nicolau V[5] e, seu sucessor, Calisto III (1455-1458), combinaram a tiara com as chaves de Pedro.[5] [6]

No início do século XV duas chaves perpendiculares eram frequentemente usadas em moedas dos Estados Papais, e também foram usadas para representar a Basílica de São Pedro. Em 1555 escudo do papado aparecem chaves perpendiculares no escudo papal, posteriormente porém são usadas exclusivamente duas chaves cruzadas,[7] de ouro e prata, com a chave de ouro colocada na esquerda e a de prata na direita, sobre as armas pessoais do papa, embora duas chaves de prata e duas de ouro tenham sido também usadas no final do século XVI.[7]

De fato desde o século V São Pedro é representado segurando as chaves do céu, como referência a Bíblia,[2] e as chaves podem ser encontradas em muitos representações artísticas do Santo e também em outros brasões, como o brasão de armas do Príncipe-Arcebispo de Bremen, que exibia duas chaves cruzadas de prata, pois São Pedro é o padroeiro da catedral arcebispal de Bremen.

Mesmo antes do início do período moderno, um homem que não tinha um brasão de família, assumiria um brasão ao se tornar um bispo, como os homens fizeram quando condecorados com títulos de nobreza[8] ou na obtenção de algum outro destaque. [9] Alguns que já tinha um brasão episcopal, o alteraram ao serem eleitos papas. [1] O último papa que foi eleito sem já ser um bispo foi Gregório XVI, em 1831, e o último que nem sequer era um padre quando foi eleito, foi Leão X em 1513.[10] No século XVI e XVII, heraldistas também compuseram brasões fictícios para papas anteriores, especialmente do séculos XI e XII. [ 9 ] Este costume tornou-se mais refreado no final do século XVII.[11]

Lista dos brasões papais[editar | editar código-fonte]

Brasões relacionados ao papado[editar | editar código-fonte]

Coat of arms Holy See.svg
Brasão da Santa Sé
Coat of arms of the Vatican City.svg
Brasão do Estado do Vaticano, usado desde 1929.
Emblem of Vatican City.svg
Brasão do Estado do Vaticano (segundo sua Bandeira).
Sede vacante.svg
Brasão da Sede vacante, com o umbraculum.[12]

Referências

  1. a b c d Site da Santa Sé sobre os Brasões papais
  2. a b Noonan, Jr., James-Charles (1996). The Church Visible: The Ceremonial Life and Protocol of the Roman Catholic Church. Viking. ISBN 0-670-86745-4. P.189, 195.
  3. "The symbolism of the keys is brought out in an ingenious and interpretative fashion by heraldic art. One of the keys is of gold , the other of silver. The golden key, which points upwards on the dexter side, signifies the power that extends even to Heaven. The silver key, which must point up to the sinister side, symbolizes the power over all the faithful on earth. The two are often linked by a cordon Gules as a sign of the union of the two powers. The handles are turned downwards, for they are in the hand of the Pope, Christ's lieutenant on earth. The wards point upwards, for the power of binding and loosing engages Heaven itself." Bruno Bernhard Heim, Heraldry in the Catholic Church: Its Origin, Customs and Laws (Van Duren 1978 ISBN 9780391008731), p. 54)
  4. See St. Paul's Cathedral.
  5. a b Wipertus Rudt De Collenberg, "The Personal Arms of the Popes", within the article "Heraldry" in Philippe Levillain (editor), The Papacy: An Encyclopedia, volume 2, Gaius-proxies (Routledge 2002 ISBN 978-0-41592228-9), p. 692-693
  6. Site da Santa Sé sobre os Brasões papais
  7. a b Galbreath, Donald Lindsay (1972). Papal Heraldry. Heraldry Today. ISBN 0-900455-22-5. P.6–7; 12–13; 22.
  8. David Brewster, The Edinburgh Encyclopaedia (Routledge 1999 ISBN 978-0-41518026-9), vol. 1, p. 342
  9. Christine de Pizan (1364 – c. 1430), The Book of Deeds of Arms and of Chivalry (English translation: Penn State Press 1999 ISBN 9780271043050, p. 216
  10. Religion News Service, "Popes and conclaves: everything you need to know"
  11. Ottfried Neubecker (1976). Heraldry: Sources, Symbols and Meaning. McGraw-Hill. ISBN 0-07-046308-5, p. 224;
  12. Vatican City (Holy See). fotw.net (2006-03-25). Página visitada em 2007-11-07.