Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1982

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A edição de 1982 da Copa do Mundo marcou a décima segunda participação da Seleção Brasileira de Futebol nessa competição. Era o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persistirá até pelo menos a edição da Copa de 2014.

Nesta edição, a equipe dirigida por Telê Santana era tida como a grande favorita à conquista do título, mas a equipe canarinha acabou eliminada pela Itália, que depois de uma campanha pífia na primeira fase (empates contra Polônia, Peru e Camarões, tendo se classificado graças ao número de gols marcados), deslanchou a partir da etapa seguinte, até vencer a Alemanha na final.

Eliminatórias[editar | editar código-fonte]

A Seleção comandada por Telê deu muita sorte no sorteio das eliminatórias. Com um elenco repleto de grandes jogadores como Éder, Falcão, Júnior, Paulo Isidoro, Reinaldo, Sócrates e Zico, os brasileiros tinham pela frente as fracas Venezuela e Bolívia.

No entanto, a Seleção Brasileira teve certa dificuldade para vencer os venezuelanos, em Caracas, e os bolivianos em La Paz. No Brasil, foram duas vitórias tranqüilas. No primeiro compromisso, o time canarinho bateu a Bolívia. No último encontro, já classificada para o Mundial, a Seleção goleou a Venezuela. Com quatro vitórias em quatro jogos, o Brasil confirmou sua participação pela 12ª vez seguida em uma Copa do Mundo.

Classificado para o Mundial da Espanha, a Seleção Brasileira fez uma excursão vitoriosa pela Europa e venceu em Wembley, pela primeira vez em sua história, a Inglaterra (1 a 0, gol de Zico). Depois passou pela França em Paris (3 a 1) [1] e pela Alemanha Ocidental em Stuttgart (2 a 1).

Partidas[editar | editar código-fonte]

Grupo 1 - Ida
8 de fevereiro de 1981
 Venezuela 0 - 1  Brasil Estádio Olímpico, Caracas
Árbitro:

Barreto Ruiz Uruguai URU


Echenaussi Cartão Vermelho (Sumário) Zico Gol 82' (pen.)
Paulo Isidoro Cartão Vermelho
Zé Sérgio Cartão Vermelho
22 de fevereiro de 1981
 Bolívia 1 - 2  Brasil Estadio Hernando Siles, La Paz
Árbitro:

Enrique Labo Revoredo Peru PER


Aragones Carlos Gol 36' (Sumário) Socrates Gol 6'
Reinaldo Gol 61'
Grupo 1 - Volta
22 de março de 1981
 Brasil 3 - 1  Bolívia Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Árbitro:

Castro Makuc Chile CHI


Zico Gol 24', 53' e 85' (Sumário) Aragones Carlos Gol 68'
29 de março de 1981
 Brasil 5 - 0  Venezuela Estádio Serra Dourada, Goiânia
Árbitro:

J. Romero Argentina ARG


Tita Gol 36', 59' e 75'
Socrates Gol 56'
Junior Gol 84'
(Sumário)
Classificação Seleção Pts J V E D GP GC SG
1  Brasil 8 4 4 0 0 11 2 9
2  Bolívia 2 4 1 0 3 5 6 -1
3  Venezuela 2 4 1 0 3 1 9 -8

Brasil classificado.

Convocados[editar | editar código-fonte]

O técnico Telê Santana convocou os seguintes jogadores para o 12º Campeonato Mundial de Futebol:

Número Nome Posição Clube
1 Valdir Peres Goleiro São Paulo
2 Leandro Lateral-Direito Flamengo
3 Oscar Zagueiro São Paulo
4 Luizinho Zagueiro Atlético Mineiro
5 Toninho Cerezzo Volante Atlético Mineiro
6 Junior Lateral-Esquerdo Flamengo
7 Paulo Isidoro Volante Atlético Mineiro
8 Socrates Meia Corinthians
9 Serginho Chulapa Atacante São Paulo
10 Zico Meia Flamengo
11 Éder Atacante Atlético Mineiro
12 Paulo Sérgio Goleiro Botafogo
13 Edevaldo Lateral-Direito Internacional
14 Juninho Zagueiro Ponte Preta
15 Falcão Volante Roma
16 Edinho Zagueiro Fluminense
17 Pedrinho Lateral-Esquerdo Vasco da Gama
18 Batista Meia Grêmio
19 Renato Meia São Paulo
20 Roberto Dinamite Atacante Vasco da Gama
21 Dirceu Atacante Atlético de Madrid
22 Carlos Goleiro Ponte Preta

A Copa[editar | editar código-fonte]

Primeira Fase[editar | editar código-fonte]

A Copa do Mundo de 1982 foi a primeira disputada com 24 seleções. Os participantes foram divididos em seis grupos de quatro. Os dois primeiros de cada chave avançavam para a segunda fase. Cabeça-de-chave, a Seleção Brasileira caiu no Grupo F, junto com a União Soviética, Escócia e Nova Zelândia.

União Soviética

A estréia da Seleção Brasileira diante dos soviéticos, em Sevilla, ficou um pouco aquém das expectativas. Com a defesa brasileira falhando em várias oportunidades, a União Soviética abriu o placar com Andriy Bal, aos 33 minutos do primeiro tempo, após falha do goleiro Valdir Peres, que não conseguiu segurar o arremate. O Brasil só conseguia levar perigo à área soviética através de chuverinhos facilmente neutralizados pelo goleiro Dassaev. O árbitro espanhol Lamo Castillo ainda deixou de assinalar dois pênaltis a favor da União Soviética, quando os soviéticos venciam por 1 a 0. Até que na metade final da partida, brilhou o talento individual dos brasileiros. A Seleção pressionou os soviéticos até marcar o gol de empate aos 29 minutos, depois de Sócrates driblar dois adversários e chutar forte de fora da área. A poucos minutos do final da partida, Paulo Isidoro cruzou a bola pela esquerda, que Falcão deixou passar entre as pernas e sobrou para Éder Aleixo. O atacante do Atlético Mineiro dominou a bola e chutou forte, sem deixá-la cair, e marcou o gol da vitória brasileira.

14 de junho de 1982
21:15
Brasil Brasil 2 - 1 Flag of the Soviet Union.svg União Soviética Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla
Público: 68,000
Árbitro:

Augusto Lamo Castillo Espanha ESP


Sócrates Gol 75'
Éder Gol 88'
(Sumário) Bal Gol 34'
Escócia

No segundo compromisso, foi a vez dos escoceses sofrerem. No primeiro tempo, um susto. David Narey abriu o placar, aos 18 minutos, com um chute de fora da área. Mas a Seleção teve tranqüilidade para empatar o jogo. Após uma linda tabela no ataque, Toninho Cerezo foi derrubado. Zico cobrou a falta com perfeição, no ângulo esquerdo do goleiro Rough, e empatou o jogo, aos 33 da etapa inicial. Na etapa complementar, a Seleção Canarinho chegou ao gol da virada logo aos 3 minutos. Após cobrança de escanteio, Oscar subiu sozinho e cabeceou para o fundo do gol escocês. Aos 18 minutos, em um contra-ataque rápido, Sérginho Chulapa tocou para Éder, que de cobertura, marcou um belo gol. A Seleção fechou o placar aos 42 minutos. Depois de a bola passar pelos pés de Éder e Cerezo, Sócrates ajeitou para Falcão, que de fora da área acertou a meta do goleiro escocês.

18 de junho de 1982
21:15
Brasil Brasil 4 - 1 Flag of Scotland.svg Escócia Benito Villamarín, Sevilla
Público: 47,379
Árbitro:

Luis Paulino Siles Costa Rica CRC


Zico Gol 33'
Oscar Gol 48'
Éder Gol 63'
Falcão Gol 87'
(Sumário) Narey Gol 18'
Nova Zelândia

O futebol de primeira mostrado na partida contra a Escócia embalaria a Seleção Brasileira no último duelo da fase classificatória. O Brasil arrasou a Nova Zelândia com uma goleada 4 a 0. Aos 28 minutos, Zico abriu o placar com um gol de placa. Leandro cruzou da lateral direita e Zico, com um voleio, pegou de primeira. Ele também faria o segundo gol aos 31. No segundo tempo, a Seleção completou a goleada. Primeiro com Falcão, que deixou sua marca aos 19, e Serginho aos 25 minutos, em lance de puro oportunismo.

23 de junho de 1982
21:15
Brasil Brasil 4 - 0 Flag of New Zealand.svg Nova Zelândia Benito Villamarín, Sevilla
Público: 43,000
Árbitro:

Damir Matovinović Jugoslávia IUG


Zico Gol 28', 31'
Falcão Gol 64'
Serginho Gol 70'
(Sumário)  


Classificação
Time Pts J V E D GF GC SG
Brasil Brasil 6 3 3 0 0 10 2 8
Flag of the Soviet Union.svg União Soviética 3 3 1 1 1 6 4 2
Flag of Scotland.svg Escócia 3 3 1 1 1 8 8 0
Flag of New Zealand.svg Nova Zelândia 0 3 0 0 3 2 12 -10

Segunda Fase[editar | editar código-fonte]

Nesta etapa, os classificados foram divididos em quatro grupos de três seleções, e o primeiro colocado de cada chave avançava para as semifinais. A Seleção Brasileira caiu no Grupo 3, com a Argentina e Itália. Mas o sonho do tetracampeonato esbarrou no atacante italiano Paolo Rossi, que buscava reabilitação pessoal, depois de quase nem disputar o Mundial, por envolvimento no escândalo da loteria esportiva italiana. No auge da carreira, ele foi condenado a três anos de suspensão ao se envolver em um esquema para forjar o resultado de um jogo de seu time, o Peruggia. A pena seria reduzida para dois anos e, imediatamente convocado, Paolo Rossi pôde disputar o Mundial.

Argentina

Na primeira partida da segunda fase, a Seleção encarou sua grande rival Argentina, atual campeão mundial. Os hermanos contavam com a então promessa Diego Maradona, que disputava sua primeira Copa. Apesar de ter sido um jogo disputado, o Brasil praticamente não foi ameaçado pela Argentina. O primeiro gol do escrete canarinho viria aos 11 minutos da primeira etapa. Depois de falta de Daniel Passarella sobre Serginho Chulapa, Éder cobrou a falta e mandou um chute forte. Ubaldo Fillol espalmou a bola, que pegou no travessão. No rebote, Zico só empurrou para o fundo do gol argentino. No segundo tempo, a Seleção manteve o domínio sobre os arqui-rivais. Após um toque de bola envolvente, Falcão recebeu passe livre na grande área. O meio-campo da Roma deu um toque sutil para Serginho Chulapa, que de cabeça, ampliou o placar. O show terminou em grande estilo, com mais uma jogada que começou com toque de bola no campo onfensivo. Junior tabelou com Zico e recebeu livre para fulminar a meta argentina, aos 30 minutos. O meia Maradona ainda seria expulso aos 40 minutos do segundo tempo, após cometer uma falta violenta em Batista, e Ramón Díaz descontaria aos 44. Este resultado eliminava a Argentina da competição, já que os atuais campeões mundiais haviam perdido seu primeiro compromisso para os italianos, por 2 a 1. O Brasil jogaria pelo empate contra os europeus para chegar às semi-finais.

2 de julho de 1982
17:15
Flag of Argentina.svg Argentina 1 - 3 Brasil Brasil Sarriá, Barcelona
Público: 43,000
Árbitro:

Lamberto Rubio Vázquez México MEX


Ramón Díaz Gol 89'
Daniel Passarella Cartão Amarelo 33'
Diego Maradona Cartão Vermelho 85'
(Sumário) Zico Gol 11'
Serginho Gol 66'
Júnior Gol 75'
Valdir Peres Cartão Amarelo 77'
Falcão Cartão Amarelo 85'
Itália

Ao Brasil, bastaria um empate com os italianos para conquistar uma vaga nas semifinais da Copa de 1982. O clima de euforia fez com que todos dessem como certa a vitória, ainda mais porque a Itália fizera uma péssima primeira fase e havia conquistado sua primeira vitória em quatro partidas apenas contra os argentinos. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, o camisa 20 italiano recebeu sem marcação passe vindo da esquerda e cabeceou sem chances para Valdir Peres. Sócrates empatou sete minutos depois. Em falha de Toninho Cerezo, Rossi desempatou aos 25. A Seleção Brasileira chegou ao empate no segundo tempo. Cerezo, redimindo-se da falha anterior, puxou a marcação italiana e deixou Falcão livre para marcar, aos 23 minutos. Mas em mais uma bobeada da defesa brasileira, Paolo Rossi fez o terceiro gol italiano, aos 29. Antognoni ainda marcou o quarto gol da Azurra, anulado, e Dino Zoff fez, em suas palavras, a defesa mais importante de sua vida, ao defender uma cabeçada de Oscar em cima da linha. A derrota por 3 a 2 selou a desclassificação brasileira. Esta partida memorável foi apelidada de "desastre do Sarriá" pelas Organizações Globo (jornal e TV), sob o argumento de que aquela seleção brasileira teria "encantado o mundo" com seu futebol e que por isso a derrota para a Itália seria uma "tragédia", um "desastre".[2] Outra interpretação prefere dar crédito à qualidade da seleção italiana, defendendo a idéia de que a Itália simplesmente era melhor.[3]

5 de julho de 1982
17:15
Flag of Italy.svg Itália 3 - 2 Brasil Brasil Sarriá, Barcelona
Público: 44,000
Árbitro:

Abraham Klein Israel ISR


Paolo Rossi Gol 5', 25', 74'
Claudio Gentile Cartão Amarelo 13'
Gabriele Oriali Cartão Amarelo 78'
(Sumário) Sócrates Gol 12'
Falcão Gol 68'
Classificação
Time Pts J V E D GF GC SG
Flag of Italy.svg Itália 4 2 2 0 0 5 3 2
Brasil Brasil 2 2 1 0 1 5 4 1
Flag of Argentina.svg Argentina 0 2 0 0 2 2 5 -3

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Durante a Copa, o lateral Júnior lançou um compacto com a música "Voa Canarinho", que vendeu centena de milhares de cópias.[4]
  • A Seleção Escocesa tinha um jogador chamado Brazil. Das três partidas na primeira fase, ele só não participou justamente do duelo contra o Brasil.
  • As "bombas" de Éder eram comparados pela imprensa ao Exocet, míssil utilizado pela primeira vez em combate na guerra entre Argentina e Reino Unido pela posse das Ilhas Malvinas.
  • O estádio Sarriá, palco da eliminação da Seleção Brasileira no Mundial, foi demolido em 1997. O Espanyol, clube da cidade de Barcelona que usava o campo, estava endividado e vendeu o terreno.[5]
  • Paolo Rossi, o carrasco da Seleção, tinha marcado na Copa de 1978 apenas três gols - mesmo número de tentos marcados contra os brasileiros em 1982.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]