Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1982
A edição de 1982 da Copa do Mundo marcou a décima segunda participação da Seleção Brasileira de Futebol nessa competição. Era o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persistirá até pelo menos a edição da Copa de 2014, já que está classificado para a edição de 2010 e é o país-sede da edição de 2014.
Nesta edição, a equipe dirigida por Telê Santana era tida como a grande favorita à conquista do título, mas a equipe canarinha acabou eliminada pela Itália, que depois de uma campanha pífia na primeira fase (empates contra Polônia, Peru e Camarões - tendo se classificado graças ao número de gols marcados, deslanchou a partir da etapa seguinte, até vencer a Alemanha na final.
Índice |
[editar] Eliminatórias
A Seleção comandada por Telê deu muita sorte no sorteio das eliminatórias. Com um elenco repleto de craques como Zico, Falcão, Sócrates e Júnior, os brasileiros tinham pela frente as fracas Venezuela e Bolívia.
No entanto, a Seleção Brasileira teve certa dificuldade para vencer os venezuelanos, em Caracas, e os bolivianos em La Paz. No Brasil, foram duas vitórias tranqüilas. No primeiro compromisso, o time canarinho bateu a Bolívia. No último encontro, já classificada para o Mundial, a Seleção goleou a Venezuela. Com quatro vitórias em quatro jogos, o Brasil confirmou sua participação pela 12ª vez seguida em uma Copa do Mundo.
Classificado para o Mundial da Espanha, a Seleção Brasileira fez uma excursão vitoriosa pela Europa e venceu em Wembley, pela primeira vez em sua história, a Inglaterra (1 a 0, gol de Zico). Depois passou pela França em Paris (3 a 1) [1] e pela Alemanha Ocidental em Stuttgart (2 a 1).
[editar] Partidas
- Grupo 1 - Ida
| 8 de fevereiro de 1981 |
0 - 1 (0 - 0) | Estádio Olímpico, Caracas Árbitro: Barreto Ruiz |
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| Echenaussi |
(Sumário) | Zico Paulo Isidoro Zé Sérgio |
| 22 de fevereiro de 1981 |
1 - 2 (1 - 1) | Estadio Hernando Siles, La Paz Árbitro: Enrique Labo Revoredo |
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| Aragones Carlos |
(Sumário) | Socrates Reinaldo |
- Grupo 1 - Volta
| 22 de março de 1981 |
3 - 1 (1 - 0) | Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro Árbitro: Castro Makuc |
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| Zico |
(Sumário) | Aragones Carlos |
| 29 de março de 1981 |
5 - 0 (1 - 0) | Estádio Serra Dourada, Goiânia Árbitro: J. Romero |
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| Tita Socrates Junior |
(Sumário) |
| Classificação | Seleção | Pts | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 8 | 4 | 4 | 0 | 0 | 11 | 2 | 9 | |
| 2 | 2 | 4 | 1 | 0 | 3 | 5 | 6 | -1 | |
| 3 | 2 | 4 | 1 | 0 | 3 | 1 | 9 | -8 |
Brasil classificado.
[editar] Convocados
O técnico Telê Santana convocou os seguintes jogadores para o 12º Campeonato Mundial de Futebol:
| Número | Nome | Posição | Clube | |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Valdir Peres | Goleiro | São Paulo | |
| 2 | Leandro | Lateral-Direito | Flamengo | |
| 3 | Oscar | Zagueiro | São Paulo | |
| 4 | Luizinho | Zagueiro | Atlético Mineiro | |
| 5 | Toninho Cerezzo | Volante | Atlético Mineiro | |
| 6 | Junior | Lateral-Esquerdo | Flamengo | |
| 7 | Paulo Isidoro | Atacante | Grêmio | |
| 8 | Socrates | Meia | Corinthians | |
| 9 | Serginho Chulapa | Atacante | São Paulo | |
| 10 | Zico | Meia | Flamengo | |
| 11 | Éder | Atacante | Atlético Mineiro | |
| 12 | Paulo Sérgio | Goleiro | Botafogo | |
| 13 | Edevaldo | Lateral-Direito | Internacional | |
| 14 | Juninho | Zagueiro | Ponte Preta | |
| 15 | Falcão | Volante | Roma | |
| 16 | Edinho | Zagueiro | Fluminense | |
| 17 | Pedrinho | Lateral-Esquerdo | Vasco da Gama | |
| 18 | Batista | Meia | Grêmio | |
| 19 | Renato | Meia | São Paulo | |
| 20 | Roberto Dinamite | Atacante | Vasco da Gama | |
| 21 | Dirceu | Atacante | Atlético de Madrid | |
| 22 | Carlos | Goleiro | Ponte Preta |
[editar] A Copa
[editar] Primeira Fase
A Copa do Mundo de 1982 foi a primeira disputada com 24 seleções. Os participantes foram divididos em seis grupos de quatro. Os dois primeiros de cada chave avançavam para a segunda fase. Cabeça-de-chave, a Seleção Brasileira caiu no Grupo F, junto com a União Soviética, Escócia e Nova Zelândia.
A estréia da Seleção Brasileira diante dos soviéticos, em Sevilla, ficou um pouco aquém das expectativas. Com a defesa brasileira falhando em várias oportunidades, a União Soviética abriu o placar com Andriy Bal, aos 33 minutos do primeiro tempo, após falha do goleiro Valdir Peres, que não conseguiu segurar o arremate. O Brasil só conseguia levar perigo à área soviética através de chuverinhos facilmente neutralizados pelo goleiro Dassaev. O árbitro espanhol Lamo Castillo ainda deixou de assinalar dois pênaltis a favor da União Soviética, quando os soviéticos venciam por 1 a 0. Até que na metade final da partida, brilhou o talento individual dos brasileiros. A Seleção pressionou os soviéticos até marcar o gol de empate aos 29 minutos, depois de com Sócrates driblar dois adversários e chutar forte de fora da área. A poucos minutos do final da partida, Paulo Isidoro cruzou a bola pela esquerda, que Falcão deixou passar entre as pernas e sobrou para Éder Aleixo. O atacante do Atlético Mineiro dominou a bola e chutou forte, sem deixá-la cair, e marcou o gol da vitória brasileira.
| 14 de junho de 1982 21:15 |
2 - 1 (0 - 1) | Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla Público: 68,000 Árbitro: Augusto Lamo Castillo |
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| Sócrates Éder |
(Sumário) | Bal |
No segundo compromisso, foi a vez dos escoceses sofrerem. No primeiro tempo, um susto. David Narey abriu o placar, aos 18 minutos, com um chute de fora da área. Mas a Seleção teve tranqüilidade para empatar o jogo. Após uma linda tabela no ataque, Toninho Cerezo foi derrubado. Zico cobrou a falta com perfeição, no ângulo esquerdo do goleiro Rough, e empatou o jogo, aos 33 da etapa inicial. Na etapa complementar, a Seleção Canarinho chegou ao gol da virada logo aos 3 minutos. Após cobrança de escanteio, Oscar subiu sozinho e cabeceou para o fundo do gol escocês. Aos 18 minutos, em um contra-ataque rápido, Sérginho Chulapa tocou para Éder, que de cobertura, marcou um belo gol. A Seleção fechou o placar aos 42 minutos. Depois de a bola passar pelos pés de Éder e Cerezo, Sócrates ajeitou para Falcão, que de fora da área acertou a meta do goleiro escocês.
| 18 de junho de 1982 21:15 |
4 - 1 (1 - 1) | Benito Villamarín, Sevilla Público: 47,379 Árbitro: Luis Paulino Siles |
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| Zico Oscar Éder Falcão |
(Sumário) | Narey |
O futebol de primeira mostrado na partida contra a Escócia embalaria a Seleção Brasileira no último duelo da fase classificatória. O Brasil arrasou a Nova Zelândia com uma goleada 4 a 0. Aos 28 minutos, Zico abriu o placar com um gol de placa. Leandro cruzou da lateral direita e o galinho, com um voleio, pegou de primeira. Ele também faria o segundo gol aos 31. No segundo tempo, a Seleção completou a goleada. Primeiro com Falcão, que deixou sua marca aos 19, e Serginho aos 25 minutos, em lance de puro oportunismo.
| 23 de junho de 1982 21:15 |
4 - 0 (2 - 0) | Benito Villamarín, Sevilla Público: 43,000 Árbitro: Damir Matovinović |
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| Zico Falcão Serginho |
(Sumário) |
A primeira fase arrasadora deu confiança e prestígio a talentosa equipe. Jogando um futebol ofensivo e criativo, Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior, Éder e seus companheiros passaram a ser ídolos assediados pela torcida espanhola. A empolgação tomou conta da imprensa internacional e o Brasil despontava como grande favorito, ao lado da França de Platini.
- Classificação
| Time | Pts | J | V | E | D | GF | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 9 | 3 | 3 | 0 | 0 | 10 | 2 | 8 | |
| 3 | 3 | 1 | 1 | 1 | 6 | 4 | 2 | |
| 3 | 3 | 1 | 1 | 1 | 8 | 8 | 0 | |
| 0 | 3 | 0 | 0 | 3 | 2 | 12 | -10 |
[editar] Segunda Fase
Nesta etapa, os classificados foram divididos em quatro grupos de três seleções, e o primeiro colocado de cada chave avançava para as semifinais. A Seleção Brasileira caiu no Grupo 3, com a Argentina e Itália. Mas o sonho do tetracampeonato esbarrou no atacante italiano Paolo Rossi, que buscava reabilitação pessoal, depois de quase nem disputar o Mundial, por envolvimento no escândalo da loteria esportiva italiana. No auge da carreira, ele foi condenado a três anos de suspensão ao se envolver em um esquema para forjar o resultado de um jogo de seu time, o Peruggia. A pena seria reduzida para dois anos e, imediatamente convocado, Paolo Rossi pôde disputar o Mundial.
Na primeira partida da segunda fase, a Seleção encarou sua grande rival Argentina, atual campeão mundial. Os hermanos contavam com a então promessa Diego Maradona, que disputava sua primeira Copa. Mas o Brasil apresentou contra os argentinos o mesmo futebol contundente e fez sua melhor partida no Mundial. Com classe e com técnica, a Seleção Brasileira conseguiu superar a violência dos rivais sul-americanos. Apesar de ter sido um jogo disputado, o Brasil praticamente não foi ameaçado pela Argentina. O primeiro gol do escrete canarinho viria aos 11 minutos da primeira etapa. Depois de falta de Daniel Passarella sobre Serginho Chulapa, Éder cobrou a falta e mandou um chute forte. Ubaldo Fillol espalmou a bola, que pegou no travessão. No rebote, Zico só empurrou para o fundo do gol argentino. No segundo tempo, a Seleção manteve o domínio sobre os arqui-rivais. Após um toque de bola envolvente, Falcão recebeu passe livre na grande área. O meio-campo da Roma deu um toque sutil para Serginho Chulapa, que de cabeça, ampliou o placar. O show terminou em grande estilo, com mais uma jogada que começou com toque de bola no campo onfensivo. Junior tabelou com Zico e recebeu livre para fulminar a meta argentina, aos 30 minutos. O meia Maradona ainda seria expulso aos 40 minutos do segundo tempo, após cometer uma falta violenta em Batista, e Ramón Díaz descontaria aos 44. Este resultado eliminava a Argentina da competição, já que os atuais campeões mundiais haviam perdido seu primeiro compromisso para os italianos, por 2 a 1. O Brasil jogaria pelo empate contra os europeus para chegar às semi-finais.
| 2 de julho de 1982 17:15 |
1 - 3 (0 - 1) | Sarriá, Barcelona Público: 43,000 Árbitro: Lamberto Rubio Vázquez |
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| Ramón Díaz Daniel Passarella Diego Maradona |
(Sumário) | Zico Serginho Júnior Valdir Peres Falcão |
Ao Brasil, bastaria um empate com os italianos para conquistar uma vaga nas semifinais da Copa de 1982. O clima de euforia fez com que todos dessem como certa a vitória, ainda mais porque a Itália fizera uma péssima primeira fase e havia conquistado sua primeira vitória em quatro partidas apenas contra os argentinos. Quando foram definidas os grupos da Segunda Fase, o técnico italiano Enzo Bearzot chegou a declarar que sua equipe enfrentaria os atuais e futuros campeões (em referência à Argentina e ao Brasil). Precisando de um mero empate, o futebol-arte brasileiro da Seleção Brasileira encontrou dificuldades frente a forte marcação do selecionado italiano. E se aproveitando das falhas brasileiras e do oportunismo do atacante Paolo Rossi, os italianos souberam se aproveitar surpreeenderam. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, o camisa 20 italiano recebeu sem marcação passe vindo da esquerda e cabeceou sem chances para Valdir Peres. Sócrates empatou sete minutos depois. Em falha de Toninho Cerezo, Rossi desempatou aos 25. A Seleção Brasileira chegou ao empate no segundo tempo. Cerezo, redimindo-se da falha anterior, puxou a marcação italiana e deixou Falcão livre para marcar, aos 23 minutos. Mas em mais uma bobeada da defesa brasileira, Paolo Rossi fez o terceiro gol italiano, aos 29. Depois de empatar por duas vezes, a Seleção que encantou o mundo com seu futebol habilidoso não teve forças para reagir. Antognoni ainda marcou o quarto gol da Azurra, anulado, e Dino Zoff fez, em suas palavras, a defesa mais importante de sua vida, ao defender uma cabeçada de Oscar em cima da linha. A derrota por 3 a 2 selou a desclassificação brasileira. Esta partida memorável ficou conhecida como o "desastre do Sarriá"[2].
| 5 de julho de 1982 17:15 |
3 - 2 (2 - 1) | Sarriá, Barcelona Público: 44,000 Árbitro: Abraham Klein |
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| Paolo Rossi Claudio Gentile Gabriele Oriali |
(Sumário) | Sócrates Falcão |
- Classificação
| Time | Pts | J | V | E | D | GF | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 4 | 2 | 2 | 0 | 0 | 5 | 3 | 2 | |
| 2 | 2 | 1 | 0 | 1 | 5 | 4 | 1 | |
| 0 | 2 | 0 | 0 | 2 | 2 | 5 | -3 |
[editar] Curiosidades
- Durante a Copa, o lateral Júnior lançou um compacto com a música "Voa Canarinho", que vendeu centena de milhares de cópias.[3]
- A Seleção Escocesa tinha um jogador chamado Brazil. Das três partidas na primeira fase, ele só não participou justamente do duelo contra o Brasil.
- As "bombas" de Éder eram comparados pela imprensa ao Exocet, míssil utilizado pela primeira vez em combate na guerra entre Argentina e Reino Unido pela posse das Ilhas Malvinas.
- O estádio Sarriá, palco da eliminação da Seleção Brasileira no Mundial, foi demolido em 1997. O Espanyol, clube da cidade de Barcelona que usava o campo, estava endividado e vendeu o terreno.[4]
- Paolo Rossi, o carrasco da Seleção, tinha marcado na Copa de 1978 apenas três gols - mesmo número de tentos marcados contra os brasileiros em 1982.
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- Eliminatórias para a Copa de 1982
- Especial da Folha Online - Copa de 1982 (2006)
- [1] Especial da Folha Online - Copa de 1982 (2002)
- Especial do UOL - Copa de 1982
- Especial da Gazeta Esportiva - Copa de 1982
- Dupllipensar
[editar] Notas
- ↑ Seleção em Transição - ESPN Brasil, 30 de maio de 2007
- ↑ Tragédia do Sarriá completa 25 anos - GloboEsporte.com, 04 de julho de 2007
- ↑ O Samba - Site do Junior
- ↑ Un estadio víctima de un presidente - El Mundo, 21 de setembro de 1997