Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1986

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A edição de 1986 foi a 13ª edição do torneio e o campeonato aconteceu no México. O Brasil era o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persiste até a última edição realizada da Copa, em 2014.

A Seleção foi dirigida pela segunda vez consecutiva por Telê Santana.

Eliminatórias[editar | editar código-fonte]

A Brasil caiu no Grupo 3 das Eliminatórias Sul-Americanas, ao lado da Bolívia e do Paraguai. As três seleções enfrentaram-se em turno e returno - e apenas a primeira colocada garantia vaga para a Copa.

A participação brasileira na Copa do Mundo de 1986 começou tumultuada, graças ao fim do mandato de Giulite Coutinho na presidência da CBF, que deixou os cartolas mais preocupados com a disputa eleitoral do que com a preparação da equipe brasileira. Duas semanas antes do início das Eliminatórias, o técnico da Seleção Brasileira era Evaristo de Macedo. Ele acabou dispensado do comando da Seleção, devido a maus resultados em amistosos contra a Colômbia e Chile. Telê Santana, treinador da Seleção na Copa anterior, reassumiu. Ele recorreu a alguns dos principais jogadores da campanha de 1982 e classificou facilmente o Brasil para a Copa.

A Seleção estreou com vitória contra os bolivianos, por 2 a 0, fora de casa, e bateu os paraguaios, também fora de casa, pelo mesmo placar. Nos jogos de volta, dois empates por 1 a 1 garantiram a presença do Brasil em mais uma Copa do Mundo.

Partidas[editar | editar código-fonte]

Grupo 3 - Ida
2 de junho de 1985
Flag of Bolivia.svg Bolívia 0 - 2 Brasil Brasil Estadio Ramón Tahuichi Aguilera, Santa Cruz de la Sierra
Árbitro:

Jorge Romero Argentina ARG


(Sumário) Casagrande Gol 56'
Noro Miguel Angel (contra)
16 de junho de 1985
Flag of Paraguay.svg Paraguai 0 - 2 Brasil Brasil Estadio Defensores del Chaco, Assunção
Árbitro:

Gaston Castro Makuc Chile CHI


(Sumário) Casagrande Gol 26' e Zico Gol 69'
Grupo 3 - Volta
23 de junho de 1985
Brasil Brasil 1 - 1 Flag of Paraguay.svg Paraguai Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Árbitro:

Jose Martinez Bazan Uruguai URU


Socrates Gol 25' (Sumário) Romero Julio Cesar Gol 40'
30 de junho de 1985
Brasil Brasil 1 - 1 Flag of Bolivia.svg Bolívia Serra Dourada, Goiânia
Árbitro:

Enrique Revoredo Peru PER


Careca Gol19' (Sumário) Sanchez 7 Gol4'
Classificação Seleção Pts J V E D GP GC SG
1 Brasil Brasil 6 4 2 2 0 6 2 4
2 Flag of Paraguay.svg Paraguai 4 4 1 2 1 5 4 1
3 Flag of Bolivia.svg Bolívia 2 4 0 2 2 2 7 -5

Brasil classificado. O Paraguai qualificou-se para respescagem.

A Copa[editar | editar código-fonte]

Telê Santana recorreu a alguns dos principais atletas do Mundial da Espanha, mas as várias lesões atrapalharam a formação de uma equipe tão forte quanto em 1982. Cerezo teve de ser cortado, enquanto que Zico e Falcão não tinham condições de ser titulares. Antes do embarque, Telê cortou o atacante Renato Gaúcho, por indisciplina. Em solidariedade ao colega, o lateral Leandro não apareceu no aeroporto no dia do embarque e também ficou de fora da Copa. Em seu lugar, Telê convocou Josimar, que seria uma dos destaques no Mundial. No desembarque no México, o Brasil não tinha nem campo para treinar e realizou parte da preparação final em campos emprestados. Zico fazia tratamento intensivo para poder se recuperar a tempo de jogar. Júnior e Socrates também não estavam em suas melhores condições físicas.

Primeira Fase[editar | editar código-fonte]

A Copa do Mundo de 1986 foi a segunda disputada com 24 seleções. Os participantes foram divididos em seis grupos de quatro. Os dois primeiros de cada chave, mais os quatro melhores terceiros colocados, avançavam para a Segunda Fase. Cabeça-de-chave, a Seleção Brasileira caiu no Grupo D, junto com a Espanha, Argélia e Irlanda do Norte. Mesmo com tantos problemas em sua preparação, a Seleção Brasileira fez boa campanha na Primeira Fase e venceu seus três jogos. O goleiro Carlos não levou nenhum gol.

Espanha

Com um futebol aquém da expectativa, a Seleção teve dificuldades em sua estréia na Copa, contra os espanhóis. Somente no segundo tempo, o Brasil fez 1 a 0, com Sócrates. O gol do "Doutor" foi muito contestado pelos espanhóis, que alegaram impedimento na jogada. A Espanha seria prejudicada pelo árbitro australiano Cristopher Bambridge, que invalidou um gol legítimo de Michel. O chute do espanhol bateu no travessão e caiu visivelmente depois da linha do gol de Carlos, mas o juiz mandou a partida seguir.

1 de junho de 1986 Flag of Spain.svg Espanha 0 - 1 Brasil Brasil Jalisco, Guadalajara
Público: 35.748
Árbitro:

Christopher Bambridge Austrália AUS


Julio Alberto Cartão Amarelo 4' (Sumário) Sócrates Gol 62'
Branco Cartão Amarelo 82'
Argélia

Contra os argelinos, outra vez a Seleção deixou a desejar. O Brasil venceu novamente por 1 a 0, desta vez com gol de Careca. Após esse jogo, Alemão, Casagrande e Édson foram flagrados bebendo cerveja, durante a apresentação de um circo. O episódio ocupou manchetes dos jornais brasileiros e afetou o clima na Seleção.

6 de junho de 1986 Brasil Brasil 1 - 0 Flag of Algeria.svg Argélia Jalisco, Guadalajara
Público: 48.000
Árbitro:

Romulo Mendez Molina Guatemala GUA


Careca Gol 66' (Sumário)
Irlanda do Norte

Na terceira rodada, diante da Irlanda do Norte, Telê Santana escalou o lateral Josimar, no lugar de Édson, que havia se contundido. A Seleção se apresentou bem e fez sua melhor partida na Primeira Fase. Careca abriu o placar aos 15 minutos da primeira etapa. Josimar, com um chutaço de fora da área, marcou um golaço, aos 41 minutos. Novamente Careca, aos 42 minutos da etapa complementar, fechou o placar do jogo, 3 a 0. A Seleção Brasileira classificou-se para as oitavas-de-final em primeiro lugar, sem ter tomado nenhum gol. O adversário do Brasil seria a Polônia, que se classificou como um dos quatro melhores terceiros colocados.

12 de junho de 1986 Brasil Brasil 3 - 0 Bandeira da Irlanda do Norte Irlanda do Norte Jalisco, Guadalajara
Público: 51.000
Árbitro:

Siegfried Kirschen Alemanha ALE


Careca Gol 15' e 87'
Josimar Gol 42'
(Sumário) Mal Donaghy Cartão Amarelo 12'

Grupo D

Time Pts J V E D GF GC SG
Brasil Brasil 6 3 3 0 0 5 0 5
Flag of Spain.svg Espanha 4 3 2 0 1 5 2 3
Bandeira da Irlanda do Norte Irlanda do Norte 1 3 0 1 2 2 6 -4
Flag of Algeria.svg Argélia 1 3 0 1 2 1 5 -4

Brasil e Espanha classificados.

Oitavas-de-Final[editar | editar código-fonte]

Polônia

Contra os polonoeses, a Seleção Brasileira fez sua melhor partida na Copa. No começo do jogo, o Brasil tomou um susto, quando levou uma bola na trave. Mas os brasileiros jogaram bem individualmente. Tramando boas jogadas, a Seleção abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo. Careca sofreu pênalti. Na cobrança, Sócrates anotou 1 a 0. Apesar da superioridade brasileira, os poloneses conseguiram ir para o intervalo sem sofrer mais gols. No segundo tempo, no entanto, a Seleção Brasileira deslanchou. Josimar teve outra grande atuação e marcou mais um golaço na Copa, aos 11 minutos. Com o futebol envolvente, o técnico Telê Santana resolveu colocar em campo o craque Zico, que se recuperava de grave contusão no joelho. Pouco depois, Edinho fez o terceiro, aos 33. A Seleção chegaria ao quarto gol, após grande jogada de Zico, que foi derrubado na área pelo goleiro Mlynarczyk. Careca cobrou o penal e fechou o placar. No dia seguinte, a Seleção conheceria seu adversário nas quartas-de-final. O Brasil enfrentaria os franceses, que tinham eliminado os italianos, por 2 a 0.

16 de junho de 1986 Brasil Brasil 4 - 0 Flag of Poland.svg Polónia Jalisco, Guadalajara
Público: 45.000
Árbitro:

Volker Roth Alemanha ALE


Sócrates Gol 30' (pen.)
Josimar Gol 55'
Edinho Gol 79', Cartão Amarelo 83'
Careca Gol 83' (pen.), Cartão Amarelo 36'
(Sumário) Dariusz Dziekanowski Cartão Amarelo 13'
Zbigniew Boniek Cartão Amarelo '30
Wlodimierz Smolarek Cartão Amarelo 32'

Quartas-de-Final[editar | editar código-fonte]

França

Embalados pela vitória contra a Polônia, os brasileiros encaravam os franceses, campeões europeus em 1984 nas quarta-de-final. As duas seleções protagonizaram uma das melhores partidas da história das Copas. O equilíbrio marcou o jogo, em que as melhores oportunidades foram do Brasil. Aos 18min de jogo, Careca abriu o placar. Foi o quinto gol do artilheiro da Seleção naquela Copa. Os franceses chegaram ao empate ainda no primeiro tempo. Em um lance que envolveu Giresse, Rocheteau e Stopyra, o craque Michel Platini empatou aos 40min. Foi o primeiro gol sofrido pela Seleção, depois de ter balançado as redes por dez vezes. Na segunda etapa, o Brasil teve o jogo na mão. Branco - cujo futebol foi crescendo ao longo do Mundial - avançou, tocou para Zico, recebeu de volta belo passe e foi derrubado na área pelo goleiro Bats. Zico, que acabara de entrar no lugar do atacante Müller, apresentou-se para a cobrança, mas o camisa 10 bateu mal, e o goleiro francês defendeu. A partida foi para a prorrogação, mas permaneceu empatada. Na decisão por pênaltis, os franceses levaram a melhor. Na primeira cobrança, Bats defendeu o chute de Sócrates. A França fez 1 a 0 com Stopyra. Nas cobranças seguintes, as duas seleções converteram - a terceira cobrança francesa, de Bellone, a bola bateu na trave e nas costas do goleiro Carlos antes de entrar. Na última cobrança francesa, Michel Platini desperdiçou. Mas em seguida, Júlio César chutou. A bola explodiu na trave de Bats. Fernandez definiu a classificação francesa. O Brasil caía invicto. A geração de Zico, Júnior, Falcão, Sócrates e companhia perdia a última chance de ganhar uma Copa do Mundo. Zico carregou o fardo da eliminação em sua triste despedida dos Mundiais.

21 de junho de 1986 Brasil Brasil 1 - 1
(3 - 4 pen)
Bandeira da França França Jalisco, Guadalajara
Público: 65.000
Árbitro:

Ioan Igna Roménia ROM


Careca Gol 17' (Sumário) Michel Platini Gol 40'
    Penalidades  
Sócrates: defendeu
Alemão: Gol
Zico: Gol
Branco: Gol
Júlio César: perdeu
3–4 Stopyra: Gol
Amoros: Gol
Bellone: Gol
Platini:perdeu
Fernández: Gol
 

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Na partida contra a Espanha, o Dj do estàdio Jalisco tocou o Hino à Bandeira em lugar do Hino Nacional.
  • Vários craques se despediram de Copas em 1986: Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.
  • O técnico Telê Santana foi o primeiro e único técnico a dirigir a Seleção Brasileira por dois Mundiais consecutivos após perder um mundial.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]