Brejo de altitude

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Brejo de altitude
Brejo de altitude na Chapada do Araripe, Ceará.

Brejo de altitude na Chapada do Araripe, Ceará.
Bioma Mata Atlântica, Floresta tropical
Área 4.800 km²
Países  Brasil
Mapa da ecorregião dos Brejos de Altitude definida pelo WWF.

Mapa da ecorregião dos Brejos de Altitude definida pelo WWF.


Serra Negra, distrito de Bezerros, no Agreste Pernambucano, com 957 metros de altitude

'Brejo de altitude, brejo interiorano ou "Florestas de Serra" ' são denominações dadas pelos ambientalistas (principalmente geógrafos) para áreas situadas no perímetro das secas, no interior da Região Nordeste do Brasil. São marcadas por um clima tropical úmido ou subúmido, em alguns casos até mesmo subtropical. Devido à elevada altitude, criam todas as condições necessárias ao desenvolvimento de uma flora que reúne tanto características da Mata Atlântica (floresta Ombrófila Densa) quanto da caatinga (Savana Estépica), contrastando com as áreas circundantes, que possuem condições climáticas mais secas. Ao contrário de biomas vizinhos de relevo menos alto, suas temperaturas médias no inverno ficam entre 10 e 20 graus (nas florestas da costa leste por exemplo a temperatura fica entre 20 e 30 graus e nas estepes beiram os 40 graus no verão), sendo que nos picos destes platôs pode durante certas frentes frias somadas a ventos e umidade chegar a poucos graus positivos com sensação térmica que beira o zero grau ou mesmo menos até. Isso obviamente favoreceu a divergência biomática via geofísica divergente.

O WWF passou a considerar os brejos de altitude como uma ecorregião distinta do bioma da Mata Atlântica.

Teoria sobre a origem dos Brejos de Altitude[editar | editar código-fonte]

Segundo os cientistas, o clima da Região Nordeste do Brasil era, antigamente, bem diferente do que conhecemos hoje.

Há 15 000 anos atrás, a Região Nordeste apresentava um clima úmido o suficiente para abrigar uma floresta tropical com característica de Mata Atlântica, que adentrava por todo o interior. Com o passar dos séculos, houve uma drástica mudança no clima do mundo, que, aos poucos foi dando as características do clima atual do interior da Região Nordeste: o clima tropical semiárido.

Segundo os pesquisadores, essas mudanças ocorreram de forma lenta, sendo que a floresta tropical foi dando lugar a uma savana, vegetação mais adaptada ao clima quente com pouca umidade.

No entanto, nas áreas mais altas das chapadas e planaltos da região (entre as escarpas em altitudes superiores a quinhentos metros), a floresta tropical permaneceu, graças a um mecanismo eficiente de chuvas orográficas, que fornecia todas as condições de umidade e temperatura necessárias para a preservação da fauna e flora.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Os brejos de altitude são encontrados em áreas do Planalto da Borborema, Chapada do Araripe, Depressão Sertaneja Meridional, Serra da Ibiapaba e Maciço de Baturité.

O relevo acidentado cria uma barreira natural às massas de ar, que, através do sistema de chuvas orográficas, acabam despejando umidade nas vertentes à barlavento e escarpas assimétricas criando micro-climas únicos com temperaturas brandas e com maior umidade, capazes de assegurar condições ideais ao desenvolvimento de uma flora mais exuberante.

Segundo estudiosos, foi catalogada a existência de 43 zonas de brejos de altitude, sendo que 72 por cento desses brejos se localizam nos pontos mais elevados do Planalto da Borborema, entre os estados da Paraíba e Pernambuco, onde o domo alcança suas maiores elevações.

Flora[editar | editar código-fonte]

Brejos de altitude em Sobral, no Ceará, no Brasil.

Os brejos de altitude apresentam características botânicas bem particulares, contrastando com a caatinga encontrada no interior das regiões semiáridas do Nordeste brasileiro.

A cobertura vegetal dos brejos de altitude pode ser divididas em dois tipos, segundo a fitofisionomia dos locais onde são encontradas:

  • Floresta Ombrófila Aberta tipo sub-montana: Encontrada entre altitudes de 100 a 600 metros, sendo exemplos desse tipo vegetação os remanescentes florestais da Mata do Brejo na microrregião do Brejo Pernambucano nas proximidades da cidade de Bonito, no Agreste de Pernambuco.
  • Floresta Estacionária ou Ombrófila Aberta tipo montana (Mata Serrana): Encontrada em altitudes superiores a 600 metros, sendo exemplo desse tipo de vegetação a flora do Brejo dos Cavalos, situada na encosta leste do Planalto da Borborema, a uma altitude que varia entre 900 a mil metros, no município de Caruaru, na Mesorregião do Agreste Pernambucano.

Características[editar | editar código-fonte]

Os brejos de altitude são tidos como biomas pouco estudados no que se refere à botânica brasileira.{{carece de fontes}

Muitos municípios dos estados de Pernambuco e Paraíba sobre o Domo da Borborema (agreste e Sertão) estão situados em áreas de brejo ou próximos a essas regiões, devido à presença mais abundante de água do que em seu entorno ocidental semiárido e árido, como, por exemplo, em Areia (Paraíba) e Garanhuns (Pernambuco). Em ambos os casos há uma elevação atípica no planalto do sertão numa longitude menos ocidental gerando uma espécie de ilha climática entre as mornas florestas costeiras e úmidas do leste e as quentes estepes, que a oeste são amenizadas as vezes pela altitude, mesmo com umidade reduzida.

No caso paraibano é ainda mais extrema a variação dos microclimas, pois em poucas dezenas de km de leste a oeste se passa de um clima costeiro úmido a um maciço cristalino extremamente seco para os padrões da estepe nordestina (Cabaceiras) e entre ambos está a longitude do Brejo de Altitude que soma a umidade do leste com a altitude do centro-oeste gerando um clima sem muita amplitude que nem tem o calor do leste e nem a falta de umidade do oeste, mas a combinação de ambos no sentido transitório. O caso do Araripe na divisa PB-CE no entanto diverge deste padrão verificado no Agreste paraibano, pois sua localização está no sertão e em oposição as costas e suas frentes úmidas. Neste caso o oceano e suas frentes influem menos e a captação da chuva pelo sistema se faz de forma mais direta frente à baixa pluviosidade. Outro local que possivelmente segue este mesmo padrão se trata da zona planáltica nas proximidades de Monteiro.[onde?]

Devido às suas qualidades de solo e clima, os brejos foram alvo de desmatamento durante todo o processo de povoamento e ocupação do interior do Nordeste, levando à destruição de todo um ecossistema com espécies endêmicas.[carece de fontes?]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.