Bruce Chatwin

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Bruce Charles Chatwin (Sheffield, 13 de maio de 1940  — Nice, 18 de janeiro de 1989) foi um romancista e escritor de viagens inglês.

Vida[editar | editar código-fonte]

Desde o nascimento, Chatwin passou a viver na casa dos seus avós maternos em Dronfield, Derbyshire, na Inglaterra, pois a sua mãe, Margharita (Turnell, quando solteira), tinha-se mudado para casa dos seus pais quando o pai de Bruce, Charles Chatwin, foi alistado na Reserva Naval.[1]

Bruce viveu a sua infância em West Heath, nas West Midlands, em Birmingham, onde seu pai era advogado, e estudou no Marlborough College, no Wiltshire.[2]

Depois de deixar o Marlborough College em 1958, Chatwin mudou-se, embora com alguma relutância, para Londres, a fim de trabalhar como porteiro no departamento de obras de arte do leiloeiro Sotheby's.[3] Graças a sua apurada acuidade visual, rapidamente se tornou um dos peritos da Sotheby's em Impressionismo. Acabaria por ser nomeado, mais tarde, diretor da empresa.[4]

No final de 1964, Chatwin começou a padecer de problemas de visão, o que ele atribuía à exigência de seu trabalho, na análise detalhada das obras de arte. Foi-lhe diagnosticado estrabismo latente e recomendado um período de descanso de seis meses. A conselho do seu oftalmologista, viajou até ao Sudão.[5] No regresso, Chatwin rapidamente se desinteressou do mundo da arte, voltando sua atenção para a arqueologia. Assim, deixou a Sotheby's no início do verão de 1966.[6] e, em outubro do mesmo ano, matriculou-se na Universidade de Edimburgo para estudar arqueologia.[7] No entanto, apesar de ter ganho o Wardrop Prize pelo melhor projeto de primeiro ano,[8] achou o rigor do estudo académico da arqueologia muito enfadonho, tendo permanecido apenas dois anos na cidade e abandonando a Universidade sem se licenciar.[9]

Carreira literária[editar | editar código-fonte]

Em 1972, Chatwin foi contratado pela Sunday Times Magazine como assessor para os temas de arte e arquitetura. [10] A sua contribuição para a revista permitiu-lhe cultivar as suas competência de narração e viajar em trabalho para escrever artigos sobre temas como emigrantes argelinos e a Grande Muralha da China e para entrevistar personalidades tão diversas como André Malraux em França[11] e Nadezhda Mandelstam na União Soviética.[12]

Em 1972, Chatwin entrevistou a arquiteta e designer Eileen Gray, então com 93 anos, no seu atelier de Paris, onde reparou no mapa da Patagónia, na América do Sul, que ela tinha pintado.[13] "Sempre quis ir até lá", disse Bruce. "Também eu", respondeu ela. "Vá lá por mim." Dois anos mais tarde, em novembro de 1974, Chatwin voou para Lima, no Peru, e um mês depois estava na Patagónia, onde se demorou seis meses. Essa viagem resultou no seu livro In Patagonia (1977), que o lançou como reputado escritor de viagens. Mais tarde, contudo, os residentes da Patagónia viriam a contrariar os eventos descritos no livro de Chatwin. Seria a primeira vez, mas não a última, que conversas e personagens descritos por Chatwin, foram alegadamente ficcionalizados.

Trabalhos posteriores incluíram O Vice-rei de Uidá (The Viceroy of Ouidah), um estudo ficcional sobre o traficante de escravos baiano Francisco Félix de Souza - que, no livro, é chamado Francisco Manuel da Silva - e suas atividades no Benim. Para The Songlines, Chatwin viajou até a Austrália no intuito de elaborar a tese de que as canções dos aborígenes australianos são resultantes do cruzamento de um mito da criação, de um atlas e da história pessoal do homem aborígene. On The Black Hill situa-se nas colinas das quintas das fronteiras do País de Gales, descrevendo as relações entre dois irmãos, Lewis e Benjamin, que crescem isolados da história do século XX. O livro ganhou o James Tait Black Memorial Prize. Utz, o seu último livro, resulta da observação ficcional da obsessão que leva as pessoas a colecionar objetos. Situado em Praga, o romance descreve a vida e a morte de Kaspar Utz, um homem obcecado pela colecção de porcelana de Meissen.

Chatwin estava a trabalhar num conjunto de novas ideias para futuros romances, incluindo um épico transcontinental, provisoriamente intitulado Lydia Livingstone, quando morreu, em 1989.

Morte[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1980, Chatwin contraiu o HIV, fato que gerou diferentes relatos sobre a forma como teria contraído o vírus[14] . Numa delas conta que teria sido estuprado por uma gangue em Daomé ou a de que teria sido contaminado por Sam Wagstaff, o mecenas e amante do fotógrafo Robert Mapplethorpe. Embora escondesse a doença - justificando seus sintomas como sendo efeitos de uma suposta infecção fúngica ou decorrentes da mordida de um morcego chinês - tratava-se de um segredo de polichinelo. O fato é que ele não respondeu bem ao AZT. Além disso, sofria surtos psicóticos e dua condição se deteriorou rapidamente. Nos seus últimos meses de vida, ele e sua esposa foram viver no sul da França, na casa da mãe de sua antiga amante, Jasper Conran. Lá Chatwin foi cuidado por sua esposa e pela hospedeira. Ele morreu em Nice, em 1989, aos 48 anos, por complicações decorrentes da AIDS.[15] Ele foi uma das primeiras pessoas famosas a contraírem a doença, na Grã-Bretanha. [16]

Suas cinzas foram espalhadas perto da capela bizantina de Kardamyli no Peloponeso - perto da casa de um dos seus mentores, o escritor Patrick Leigh Fermor.

Obra[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=22
  2. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=65.
  3. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=86.
  4. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=176.
  5. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=158-159.
  6. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=178.
  7. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=189.
  8. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=192.
  9. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=214.
  10. Shakespeare, Nicholas, Bruce Chatwin, The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=267.
  11. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=280.
  12. Chatwin, Bruce, "What Am I Doing Here?", Pan, ISBN 0-330-31310-X, 1990, p=83-85
  13. Shakespeare, Nicholas, "Bruce Chatwin", The Harvill Press, ISBN 1-86046-544-7, 1999, p=286.
  14. Under the Sun: The Letters of Bruce Chatwin selected and edited by Elizabeth Chatwin and Nicholas Shakespeare. Por Blake Morrison. The Guardian, 4 de setembro de 2010.
  15. James Crump "Black White + Gray: A portrait of Sam Wagstaff + Robert Mapplethorpe"
  16. [1] Theroux's 'admiring tribute' to Chatwin

Documentários[editar | editar código-fonte]

  • In The Footsteps of Bruce Chatwin. de Paul Yule; (2x60 mins) BBC, 1999.Berwick Universal Pictures

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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