Brunilda da Austrásia

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Casamento de Brunilda e Sigeberto. Iluminura do século XV.

Brunilda ou Brunegilda (ca. 550613) foi uma rainha do reino merovíngio da Austrásia. Brunilda era filha do rei visigodo Atanagildo e Goisvinta, e tornou-se rainha da Austrásia por meio do seu casamento com o rei Sigeberto I.

Brunilda foi ferrenha inimiga de Fredegunda, rainha na corte vizinha da Nêustria, e a rivalidade entre as duas soberanas foi a fonte de guerras civis e grande instabilidade política nos reinos francos da época. Sua vida é conhecida, em parte, pela obra de Gregório de Tours.

Vida[editar | editar código-fonte]

Brunilda nasceu em Toledo, a capital da Hispânia visigoda, filha do rei Atanagildo e rainha Goisvinta, por volta do ano 550. Ela veio da corte toledana à Austrásia para casar-se com Sigeberto I, que buscava unir-se a uma mulher de origem nobre. Brunilda, assim como a corte visigoda, era originalmente uma cristã ariana, mas converteu-se ao Catolicismo antes de chegar à corte merovíngia. Brunilda chegou com grande riqueza e deu à corte de Austrásia um grande prestígio, quando comparado a outros reinos francos.

A chegada da nobre visigoda à corte da Austrásia causou imensa inveja ao rei Chilperico I, irmão de Sigeberto que governava a vizinha Nêustria (também chamada reino de Soissons). Chilperico arranjou um casamento com a irmã de Brunilda, Galswinta, que durou pouco devido às intrigas de Fredegunda, uma concubina de Chilperico de origem humilde. Galswinta foi assassinada e Fredegunda tornou-se rainha da Nêustria ao casar-se com Chilperico.

A morte da irmã desencadeou o ódio entre Brunilda e Fredegunda e uma guerra civil entre a Nêustria e a Austrásia. Em meio à guerra, Sigeberto foi assassinado em 575 por emissários enviados pela Nêustria, e Chilperico tomou os bens da Austrásia. Brunilda foi banida a Ruão e foi separada de seu filho, Childeberto.

Suplício de Brunilda. Iluminura nas Grandes Crónicas de França, século XV.

O ostracismo político de Brunilda durou até a década de 580, quando casou-se com Meroveu, filho de Chilperico e sua primeira mulher, Audovera. Esse casamento também terminou de maneira trágica, uma vez que Meroveu foi morto quando escapava de seu pai. Porém, a morte de Chilperico em 584 e a maioridade de Childeberto II, filho e herdeiro de Brunilda e Sigeberto, melhoraram as perspectivas de Brunilda. Childeberto foi reconhecido como rei por outros soberanos francos, como Gontrão de Borgonha, o que garantiu a influência de Brunilda nas décadas seguintes.

Durante os reinados de seu filho e também de seu neto, Teodorico II da Borgonha, Brunilda foi uma mulher influente que co-governou a Austrásia, estabelecendo alianças importantes com o reino visigodo ibérico e com o Papado. Em 612, ela fez com que Teodorico atacasse o reino de seu irmão Teodeberto II, que foi capturado e morto.

A sorte de Brunilda mudou com a morte de Teodorico de disenteria, em 613. Clotário II, filho de Chilperico e Fredegunda e rei da Nêustria, conseguiu desencadear uma revolta contra ela, que foi aprisionada e acusada da morte de vários reis. Brunilda foi considerada culpada e executada de maneira cruel: foi atada a um cavalo e arrastada até morrer.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brunilda na Encyclopedia of barbarian Europe: society in transformation. Michael Frassetto. ABC-CLIO, 2003. ISBN 1576072630 [1]
  • Guida Myrl Jackson-Laufer. Women rulers throughout the ages: an illustrated guide. ABC-CLIO, 1999. ISBN 1576070913 [2]
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