Bruno Latour
Bruno Latour (Beaune, 22 de junho de 1947) é um filósofo e sociólogo das ciências francês.
Um dos fundadores dos chamados Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), ou social studies in science, sua principal contribuição teórica é - ao lado de outros autores como Michel Callon e John Law - o desenvolvimento da ANT - Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade científica, considera tanto os atores humanos como os não humanos, estes últimos devido à sua vinculação ao princípio de simetria generalizada.
Conhecido pelos seus livros que descrevem o processo de pesquisa científica, dentro da perspectiva construtivista que privilegia a interação entre o discurso científico e a sociedade, os de maior destaque são: Jamais Fomos Modernos e Ciência em Ação.
Latour possui doutorado em filosofia e é professor da Sciences Po em Paris. Foi professor da École nationale supérieure des mines de Paris e da Universidade da Califórnia em San Diego.
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Primeiras Pesquisas [editar]
Realizou estudos etnográficos na África e na América, mas sua etnografia mais conhecida foi feita no Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto Salk, na Califórnia. Ela deu origem ao livro Vida de Laboratório, escrito em parceria com o sociólogo inglês Steve Woolgar. Depois, nos anos 80 dedicou-se a outros estudos, principalmente sobre Louis Pasteur e as controvérsias em torno de suas pesquisas na França do século XIX, que deu origem ao livro "The Pasteurization of France" e a diversos artigos. Acompanhou o trabalho da primatóloga Shirley Strum junto aos babuínos na África, a estudos sobre tecnologia urbana em Paris, e acompanhou um grupo de cientistas naturais em uma pesquisa na fronteira da Amazônia com o Cerrado no Brasil.
Jamais Fomos Modernos [editar]
Jamais Fomos Modernos, provavelmente seu livro mais famoso, analisa de forma perspicaz o fenômeno central do Ocidente: aquele que (segundo diz para si este mesmo Ocidente) o distinguiria dos demais povos selvagens, primitivos, não-ocidentais: o Projeto Moderno. A marca central do Ocidente seria sua modernidade, sua diferença dos seus Outros - e aquelas seriam todas, em alguma medida, categorias de acusação. O que Latour mostra é de que forma nossa Modernidade jamais passou de um projeto, que, diga-se de passagem, falhou. Tudo aquilo de mais fundamental que pretendemos construir como sendo moderno pode ser colocado entre parênteses, e é isso o que faz o filósofo francês. A primeira parte do livro é uma tentativa de mostrar quais seriam os fundamentos de nossa modernidade, a partir de uma polêmica histórica entre o filósofo Thomas Hobbes, e o cientista Robert Boyle, ambos britânicos. Tratava-se ali do projeto de separação entre províncias ontológicas distintas - Natureza e Cultura - e das possibilidades de se agir sobre elas. Latour procura mostrar de que forma isso não se efetiva na dita Modernidade, para num segundo momento do livro revisar os mais diversos aspectos de nossa filosofia, nossos saberes, evidentemente passando pelo discurso mor do Ocidente - a produção científica. Jamais tendo sido modernos, não podemos nem nos dar ao luxo de reformularmos o rótulo para pós-modernos. Melhor seria dizer, de nós mesmos, os não-modernos.
Pesquisas Posteriores [editar]
Latour concentrou-se no final dos anos 90 a analisar a ecologia política e sua filosofia, em sua obra "Políticas da Natureza". Ele também publicou duas obras que aprofundam seus conceitos, A Esperança de Pandora e Reagregando o Social. Atualmente conduz junto a alunos da Sciences Po e de um consórcio de universidades europeias um projeto de mapeamento de controvérsias científicas, dando especial ênfase às controvérsias ambientais.