Bruno Latour
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Bruno Latour (Beaune, 1947) é um filósofo francês de formação, cujo trabalho não pode, todavia, ser delimitado à filosofia, dado seu interesse vasto por outros campos do saber. Sua atividade mais recente tem se aproximado muito das questões antropológicas, e tem até mesmo orientado as discussões nesse campo.
Conhecido pelos seus livros que descrevem o processo de pesquisa científica, dentro da perspectiva construtivista que privilegia a interação entre o discurso científico e a sociedade, os de maior destaque são: "Jamais Fomos Modernos" e "Ciência em Ação".
Latour possui doutorado em filosofia e é professor da École Nationale Supérieure des Mines (Paris) e da University of California (San Diego).
Realizou estudos etnográficos na África e na América, mas sua etnografia mais conhecida foi feita no Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto Salk, na Califórnia. Ela deu origem ao livro "Vida de Laboratório", escrito em parceria com o sociólogo inglês Steve Woolgar.
A sua principal contribuição teórica é - ao lado de outros autores como Michel Callon - o desenvolvimento da ANT - Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade científica, considera, enquanto variáveis, tanto os atores humanos e os não humanos, estes últimos devido ao seu vinculamento ao princípio de simetria generalizada.
Jamais Fomos Modernos, provavelmente seu mais famoso livro, analisa de forma perspicaz o fenômeno central do Ocidente, aquele que, diz para si este mesmo Ocidente, o distinguiria dos demais povos selvagens, primitivos, não-ocidentais: o Projeto Moderno. A marca central do Ocidente seria sua modernidade, marcando a partir de então sua diferença dos seus Outros - e aquelas seriam todas, em alguma medida, categorias de acusação. O que Latour mostra é de que forma nossa Modernidade jamais passou de um projeto, que, diga-se de passagem, falhou. Tudo aquilo de mais fundamental que pretendemos construir como sendo moderno pode ser colocado entre parênteses, e é isso o que faz o filósofo francês. A primeira parte do livro é uma tentativa de mostrar quais seriam os fundamentos de nossa modernidade, a partir de uma polêmica histórica entre o filósofo Thomas Hobbes, e o cientista Robert Boyle, ambos britânicos. Tratava-se ali do projeto de separação entre provincias ontológicas distintas, Natureza/Cultura e quais as possibilidades de se agir sobre elas. Latour procura mostrar de que forma isso não se efetiva na dita Modernidade, para num segundo momento do livro revisar os mais diversos aspectos de nossa filosofia, nossos saberes, evidentemente passando pelo discurso mor do Ocidente, a produção científica.
Jamais tendo sido modernos, não podemos nem nos dar ao luxo de reformularmos o rótulo para pós-modernos. Melhor seria dizer de nós mesmos os não-modernos.

