Buenaventura Durruti

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Buenaventura Durruti
Buenaventura Durruti

Buenaventura Durruti (León, 14 de julho de 1896Madri, 20 de novembro de 1936) foi uma figura central do anarquismo espanhol no período que antecede e durante a Guerra civil espanhola.

Conhecido militante anarco-sindicalista espanhol, filho de um trabalhador e militante sindical. Operário, desde jovem destacou-se na luta social como militante anarco-sindicalista da Confederación Nacional del Trabajo CNT. Despedido durante as greves de 1917, emigrou para França onde permaneceu até 1919. De volta a Espanha forma, no País Basco, o grupo Los Justiceros e em 1922, já em Barcelona, como resposta à repressão e ao pistoleirismo patronal, Durruti formou com Francisco Ascaso, Ricardo Sanz, Garcia Oliver e outros companheiros, um dos mais famosos grupos de ação direta do anarquismo espanhol, Los Solidários.

Em 1923, em conseqüência do assassinato do conhecido militante anarquista Salvador Segui (1890-1923), Los Solidarios decidem eliminar os responsáveis do pistoleirismo patronal, entre eles o Cardeal de Saragoça, Juan Soldevila, o que vem a acontecer durante o período em que Durruti está preso.

Depois de várias prisões refugiou-se em França em 1923, tendo-se exilado com Ascaso em 1924 na América Latina, primeiro em Cuba, depois México e Argentina, onde continuaram envolvidos em acções revolucionárias, executando agentes da repressão, assaltando bancos e, com esse dinheiro, financiando sindicatos e propaganda libertária.

Em Montevidéu organizaram uma fuga coletiva da prisão de Punta Carretas, que ficou famosa. Depois de regressarem a França, em 1925, planejaram raptar o rei Afonso XIII, que visitaria Paris, o que veio a provocar a prisão do grupo. Uma grande campanha de solidariedade organizada por Louis Lecoin, envolvendo os anarquistas franceses e setores progressistas, pediu a sua libertação, o que veio a ocorrer em 1927. Foi após a saída da prisão que Durruti teve um encontro com o anarquista ucraniano exilado em Paris, Nestor Makhno. Logo em seguida foi expulso da França para a Bélgica de onde foi expulso novamente para a França, sem encontrar país de exílio. A União Soviética ofereceu-lhe asilo político, mas com a condição de reconhecimento do estado soviético e garantia de se abster de qualquer atividade no país. Durruti e Ascaso decidiram não aceitar as condições, partindo para a Alemanha, de onde voltaram, em 1929, à Bélgica.

Durruti no front
Durruti no front

A crise social na Espanha provocou em 1931 a queda da monarquia e uma anistia política, podendo finalmente, Durruti e Ascaso, regressar para retomarem sua militância anarquista no país. A partir daí Durruti desenvolveu uma intensa militância na CNT e na Federação Anarquista Ibérica - FAI, onde o grupo Los Solidarios estava federado, com o novo nome de Nosotros. Durruti tornou-se, então, um dos oradores mais famosos dos comícios anarco-sindicalistas nos anos que precederam a Revolução. Preso novamente em 1935 veio a ser libertado em 1936 em plena campanha eleitoral que daria a vitória à Frente Popular. A CNT reuniu seu 4° Congresso na cidade de Saragoça, em maio de 1936, vivendo-se já uma situação pré-insurrecional, com os fascistas articulando o golpe de estado. Durruti foi um dos articuladores do plano que visava responder a essa situação e permitir o contra-ataque do movimento operário desencadeando a Revolução Social.

A 19 de julho de 1936 rebenta a Guerra Civil Espanhola, e a CNT-FAI saiu para a rua para desarmar os sectores golpistas, tendo Durruti combatido nas barricadas de Barcelona e, à frente de um grupo de trabalhadores, assaltado o quartel Atarazanas.

No dia seguinte, nos combates de rua, morreu Francisco Ascaso (1901-1936) companheiro de muitos anos de Durruti. A Revolução Espanhola, pela qual tanto tinha lutado, estava nas ruas, nas fábricas e coletividades autogestionárias, mas com ela a guerra civil e, paralelamente, as lutas intestinas no campo republicano.

À frente de uma coluna de milicianos que ficaria conhecida por Coluna Durruti, lutou em Aragão, onde estimulou a coletivização das terras:

Já organizaram sua coletividade? Não esperem mais. Ocupem as terras! Organizem-se de forma que não hajam chefes nem parasitas entre vocês. Se não realizarem isso, é inútil que continuemos avançando. Temos que criar um mundo novo, diferente do que estamos destruindo.

Entretanto, em 8 de Novembro inicia-se a ofensiva Franquista contra Madri, que ameaça tomar a cidade e encerrar a guerra civil com a derrota da Espanha republicana. Durruti parte então com seus milicianos para impedir a queda de Madri, ao mesmo tempo que o governo republicano se retira da capital. Em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas, Durruti é morto com um tiro a 20 de novembro de 1936, ao se dirigir à frente de batalha. É difícil acreditar que uma bala inimiga tenha sido disparada do Hospital Clínico, ao lado do qual ele passava, pois era uma bala de curto alcance. Alguns acreditaram que seus rivais comunistas o mataram; outros, que foram os próprios anarquistas, preocupados com suas simpatias bolcheviques [1], ou até por discordarem de sua severa disciplina. Provavelmente foi um acidente: a trava de segurança do naranjero ou submetralhadora leve de um companheiro prendeu-se na porta do carro e disparou uma bala em seu peito [2]

Sua coluna, entretanto, ajuda a frear o avanço dos Nacionalistas na batalha da Cidade Universitária, uma das mais encarniçadas de toda a guerra.

Buenaventura Durruti, o mais conhecido revolucionário anarquista do nosso século, quando da sua morte, deixou como seus bens uma mala velha com roupa pessoal e uma caderneta com uma dívida de 100 pesetas para com a CNT.

Dentre os livros escritos sobre Durruti destacam-se: O Povo em Armas, do militante e historiador anarquista Abel Paz e, Curto Verão da Anarquia, do poeta e escritor libertário alemão Hans Magnus Henzensberger

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Notas e referências

  1. "Una historia de la guerra civil que no va a gustar a nadie" Juan Eslava Galán, 2005 Editorial Planeta, ISBN 84-08-05883-5, p.164
  2. "A batalha pela Espanha" Antony Beevor, 2006, Editora Record Ltda. ISBN 85-01-07520-8


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