Buenaventura Durruti

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Buenaventura Durruti
Retrato de Durruti antes da Revolução Espanhola
Nascimento 14 de Julho de 1896
Espanha León (Espanha)
Morte 20 de Novembro de 1936 (40 anos)
Flag of the Second Spanish Republic.svg Madrid (Espanha)
Ocupação Operário, Mecânico, Orador e Miliciano

Buenaventura Durruti Domínguez (1896-1936), anarquista, sindicalista, revolucionário, figura de destaque do movimento libertário espanhol tanto antes como durante a Guerra civil espanhola.

Operário, desde jovem destacou-se na luta social como militante anarco-sindicalista da Confederación Nacional del Trabajo. Demitido durante as greves de 1917, emigrou para França onde permaneceu até 1919. De volta a Espanha, na região País Basco, junto com outros ativistas formou o grupo Los Justiceros com a finalidade de combater o pistoleirismo patronal.

Em 1922 em Barcelona, também como resposta à repressão e ao pistoleirismo patronal, forma em conjunto com Francisco Ascaso, Ricardo Sanz, Joan García Oliver e outros companheiros, aquele que viria a ser um dos mais famosos grupos de ação direta do anarquismo espanhol: Los Solidarios

Tomou parte no levante de 19 de julho de 1936 que deu início à Guerra Civil Espanhola, ocasião em que a CNT-FAI e outras organizações libertárias saíram as ruas para desmantelar os setores golpistas. Tendo Durruti combatido nas barricadas de Barcelona e, à frente de um grupo de trabalhadores, assaltado o quartel Atarazanas. Assumiu um papel de destaque nessa revolução, tanto como combatente como enquanto orador sem igual.

Foi morto com um tiro no dia 20 de novembro de 1936, quando se dirigia para a frente de batalha em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Buenaventura Durruti nasceu em León, no dia 14 de julho de 1896, era o segundo dos oito filhos do casamento entre Santiago Durruti, um trabalhador ferroviário, e Anastasia Dumangue.[1] Santa Ana, o bairro onde viveu desde pequeno, é um lugar modesto, de casas pequenas e velhas habitadas pelos trabalhadores da cidade.[2] Até os oito anos de idade vai à escola localizada na rua da Misericordia, ganhando fama de menino travesso, de nobres sentimentos e carinhoso. Devido à greve de curtidores de León de 1903 que se prolongou por nove meses, a família de Buenaventura Durruti se viu economicamente muito abalada, por este motivo Durruti passou a frequentar a modesta escola de Ricardo Fanjul. Aos quatorze anos abandona os estudos e se faz mecânico sob a tutela de Melchor Martínez, um socialista que tinha em León certa fama de revolucionário.[3] Durante dois anos, Melchor Martínez o ensina tudo o que sabe sobre mecânica e socialismo; quando não tem mais o que aprender, Durruti se muda para o galpão de Antonio Mijé e se especializa na montagem de lavadoras mecânicas para lavar os minerais extraídos das minas.[4]

Em 1912, sendo mecánico, se filia por influência de seu pai e de Melchor Martínez à União de Metalúrgicos, associação componente da Unión General de Trabajadores, mas rapidamente deixa de sentir-se atraído pelo que considerava ser um socialismo moderado. Logo abandona o trabalho de mecânico, para trabalhar exclusivamente como montador de lavadoras de carbono, na cidade de Matallana; durante a instalação de uma das lavadoras se envolve em uma pendenga com os trabalhadores, que buscavam a destitução de um dos engenheiros daquela empresa. O engenheiro é despedido e Durruti, ao retornar para León, percebe que a Guardia Civil passara a vigiá-lo.[3]

Grupos Justiceros e Solidarios[editar | editar código-fonte]

Participou da greve geral revolucionária de 1917 como militante da UGT, da qual seria expulso por defender posições revolucionárias. Mudou-se em 1920 para Barcelona, onde se filiou à CNT. Em 1922 formou junto com Joan García Oliver, Francisco Ascaso e Ricardo Sanz o grupo "Los Solidarios", nele que levaria a cabo um assalto ao Banco da Espanha de Gijón em 1923. Foram autores também do assassinato do cardeal Juan Soldevila y Romero, um dos principais financiadores em Aragão dos comandos de pistoleiros brancos da classe patronal, que assassinavam a militantes operários destacados.

Na América Latina[editar | editar código-fonte]

Teve que fugir com Ascaso primeiro 1923 para a França, depois em 1924 para a América Latina. Primeiramente foi para Cuba, depois para o México e para a Argentina. Esteve também no Chile, lugar onde junto com outros companheiros anarquistas realizou seu primeiro assalto fora da Europa. Esta ação foi parte uma campanha para juntar recursos para libertar a companheiros que se encontravam em algumas cadeias da Espanha, continuou logo seu passo por outros países latinoamericanos e europeus. No Uruguai seguiu envolvido em ações revolucionárias, junto a grupos que executavam agentes da repressão, assaltavam bancos e, com esse dinheiro, financiavam sindicatos e meios de propaganda libertária. Em Montevidéu organizaram uma fuga coletiva da prisão de Punta Carretas, que ficou famosa.

O Sequestro de Afonso XIII, prisões e deportações[editar | editar código-fonte]

Francisco Ascaso, Buenaventura Durruti e Gregorio Jover em 1930.

De volta a França em 1925 junto com Francisco Ascaso e Gregorio Jover planejou o rapto do rei Afonso XIII que na ocasião estava em visita a Paris. Mas a ação não chegaria a se concretizar e os três acabariam presos pelo aparato repressivo francês.

Em diversas partes da Europa é organizada uma grande campanha de solidariedade em favor dos três anarquistas, contando com o apoio de diversos setores progressistas e intelectuais entre estes Louis Lecoin. A campanha alcança êxito e os três anarquistas são finalmente libertados em 1927.

Após sair da prisão Durruti se encontra com o anarquista ucraniano exilado em Paris, Nestor Makhno. Pouco tempo depois em é expulso da França para a Bélgica de onde é novamente expulso para a França, sem encontrar país de exílio. A União Soviética oferece-lhe asilo político, mas com a condição de reconhecimento do estado soviético e garantia de se abster de qualquer atividade no país. Durruti e Ascaso decidem não aceitar as condições, partindo para a Alemanha, de onde voltam, em 1929, à Bélgica.

Em 1931 retorna a Espanha, integrando-se no setor faísta (membro da FAI) da CNT —beligerante com a II República— e tomou parte nas insurreições de Figols 1932 e 1933. Como consequência destas, foi deportado pelo governo republicano, como preso preventivo junto a outros anarcosindicalistas na Guiné Equatorial e Canárias, no barco mercante Buenos Aires.

Durante todo o período republicano participou ativamente de greves, motins e conferências por todo o território nacional, passando numerosas vezes pela prisão.

Participação na Guerra Civil Espanhola[editar | editar código-fonte]

Durruti no fronte.

A crise social na Espanha provocou em 1931 a queda da monarquia e uma anistia política, podendo finalmente, Durruti e Ascaso, regressar para retomarem sua militância anarquista no país. A partir daí Durruti desenvolveu uma intensa militância na CNT e na Federação Anarquista Ibérica - FAI, onde o grupo Los Solidarios estava federado, com o novo nome de Nosotros. Durruti tornou-se, então, um dos oradores mais famosos dos comícios anarco-sindicalistas nos anos que precederam a Revolução. Preso novamente em 1935 veio a ser libertado em 1936 em plena campanha eleitoral que daria a vitória à Frente Popular. A CNT reuniu seu 4° Congresso na cidade de Saragoça, em maio de 1936, vivendo-se já uma situação pré-insurrecional, com os fascistas articulando o golpe de estado. Durruti foi um dos articuladores do plano que visava responder a essa situação e permitir o contra-ataque do movimento operário desencadeando a Revolução Social.

A 19 de julho de 1936 rebenta a Guerra Civil Espanhola, e a CNT-FAI saiu para a rua para desarmar os sectores golpistas, tendo Durruti combatido nas barricadas de Barcelona e, à frente de um grupo de trabalhadores, assaltado o quartel Atarazanas.

No dia seguinte, nos combates de rua, morreu Francisco Ascaso (1901-1936) companheiro de muitos anos de Durruti. A Revolução Espanhola, pela qual tanto tinha lutado, estava nas ruas, nas fábricas e coletividades autogestionárias, mas com ela a guerra civil e, paralelamente, as lutas intestinas no campo republicano.

À frente de uma coluna de milicianos que ficaria conhecida por Coluna Durruti, lutou em Aragão, onde estimulou a coletivização das terras:

Entretanto, em 8 de Novembro inicia-se a ofensiva Franquista contra Madri, que ameaça tomar a cidade e encerrar a guerra civil com a derrota da Espanha republicana. Durruti parte então com seus milicianos para impedir a queda de Madri, ao mesmo tempo que o governo republicano se retira da capital.

Morte[editar | editar código-fonte]

Lápide de Buenaventura Durruti no Cemitério de Montjuic (Barcelona)

Em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas, Durruti é morto com um tiro a 20 de novembro de 1936, ao se dirigir à frente de batalha. É difícil acreditar que uma bala inimiga tenha sido disparada do Hospital Clínico, ao lado do qual ele passava, pois era uma bala de curto alcance. Alguns acreditaram que seus rivais comunistas o mataram; outros, que foram os próprios anarquistas, preocupados com suas simpatias bolcheviques,[5] ou até por discordarem de sua severa disciplina. Alguns argumentam ainda que se trataria de um acidente: a trava de segurança do naranjero ou submetralhadora leve de um companheiro prendeu-se na porta do carro e disparou uma bala em seu peito [6]

Sua coluna, entretanto, ajuda a frear o avanço dos Nacionalistas na batalha da Cidade Universitária, uma das mais encarniçadas de toda a guerra. Buenaventura Durruti, o mais conhecido revolucionário anarquista do século XX, quando da sua morte, deixou como seus bens uma mala velha com roupa pessoal e uma caderneta com uma dívida de 100 pesetas para com a CNT.

O corpo de Durruti foi transportado pela Espanha à Barcelona para seu funeral. Mais de 250 mil pessoas saíram as ruas para acompanhar o cortejo fúnebre durante a rota ao cemitério de Montjuic. Esta foi a última demonstração pública anarquista de grande amplitude durante a sangrenta Guerra Civil Espanhola.

Citações[editar | editar código-fonte]

"Levamos um mundo novo em nossos corações: esse mundo está crescendo neste instante."
Buenaventura Durruti
"Já se organizaram em coletivos? Não esperem mais. Ocupem as terras! Organizem-se de forma que não haja chefes nem parasitas entre vocês. Se não o fizerem, é inútil que continuemos avançando. Precisamos criar um mundo novo, diferente do que estamos destruindo."


Obras sobre Durruti[editar | editar código-fonte]

Buenaventura Durruti é uma das grandes referências do anarquismo espanhol. Existe abundante literatura sobre sua figura, da qual não se pode deixar de considerar a obra de Cesar Visal e Abel Paz, sendo deste último "El Pueblo en Armas" o estudo mais significativo até o momento.

Livros[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

  • Buenaventura Durruti, anarquista. 1999. Com Albert Boadella e Els Joglars. Romancero de Chicho Ferlosio.[7] Música de Michel Portal. [Ver ficha.]

Referências

  1. O sobrenome Dumange, de origem catalã, é espanificado para Domínguez: este será o segundo sobrenome de Durruti.
  2. ABAD DE SANTILLAN, Diego. (1938). Buenaventura Durruti (1896-1936). Barcelona: Timón.
  3. a b IGLESIAS, Ignacio. (1976). Buenaventura Durruti, un revolucionario nato. Tiempo de Historia, 24. Enlace revisado el 2 de mayo de 2009.
  4. PAZ, Abel. (2004). Durruti en la revolución española. Madrid: La esfera de los Libros.
  5. "Una historia de la guerra civil que no va a gustar a nadie" Juan Eslava Galán, 2005 Editorial Planeta, ISBN 84-08-05883-5, p.164
  6. "A batalha pela Espanha" Antony Beevor, 2006, Editora Record Ltda. ISBN 85-01-07520-8
  7. Lista com as canções do Romancero a Durruti de Chicho Ferlosio que compila as muitas canções populares em sua homenagem

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal Portal da Anarquia