Butiá (Rio Grande do Sul)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Município de Butiá
Bandeira de Butiá
Brasão de Butiá
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 9 de outubro
Fundação 9 de outubro de 1963 (51 anos)
Gentílico butiaense
Prefeito(a) Paulo Roberto Félix Machado (PT)
(2009–2012)
Localização
Localização de Butiá
Localização de Butiá no Rio Grande do Sul
Butiá está localizado em: Brasil
Butiá
Localização de Butiá no Brasil
30° 07' 12" S 51° 57' 43" O30° 07' 12" S 51° 57' 43" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre IBGE/2008 [1]
Microrregião São Jerônimo IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Minas do Leão, São Jerônimo, Arroio dos Ratos
Distância até a capital 78 km
Características geográficas
Área 768,889 km² [2]
População 25 405 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 33,04 hab./km²
Altitude 71 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,755 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 241 469,122 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 11 930,29 IBGE/2008[5]
Página oficial

Butiá é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

  1. DESCOBERTA DO CARVÃO MINERAL -

A história de Butiá está ligada diretamente com a descoberta das primeiras jazidas de Carvão Mineral no Brasil. Por volta do ano de 1795 um anônimo soldado português, natural de Rio Pardo, que vagava pelo sítio do Curral Alto, encontrou as primeiras amostras de carvão mineral em solo nacional, Esta localidade hoje fica no município de Minas do Leão, antigo distrito de Butiá, emancipado em 1990.

 Em 1807, a descoberta também foi atribuída à José FonsecaSouza e Pinto, que enviou amos-tras para o Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde, em 1809 o Sr. Antônio Xavier de Azambuja, proprietário de terras próximo ao sítio do Curral Alto enviou amostras para o Rei Dom João VI, para definir estudos sobre a sua utilização. Em 1839 o presidente da Província Rio-Grandense, Conselheiro Saturnino de Souza Oliveira, definiu as jazidas do Curral Alto como “um combustível sem aplicação imediata”.

Uma nova jazida acabaria sendo descoberta em 1847 na fazenda da Boa Vista, junto ao Cerro do Roque de propriedade da família do senhor Assis Almeida. Amostras desta propriedade também foram enviadas para análise.

Somente em 1853, o Presidente da Província, Luiz Vieira Cansação Sinimbú - o Visconde de Sinimbú após apresentar relatórios detalhados e visionários sobre as jazidas encontradas, conseguiu do Império o financiamento para início de uma pesquisa aprofundada, onde contatou o mineiro inglês James Johnson que estudou todo interior da nossa região a partir do rio Jacuí. O início da mineração aconteceu em 1886 na localidade de Faxinal, atual município de Arroio dos Ratos, sua importância foi tanta para o Império, que para a inauguração de mais um poço em 1887 estiveram presentes a Princesa Isabel e seu marido Conde D’Eu para prestigiar o momento de relevância histórica para a Coroa.

  1. INÍCIO DAS PESQUISAS E EXPLORAÇÃO DO CARVÃO EM BUTIÁ - No ano de 1881 é que a história da exploração carbonífera em Butiá começou a ser escrita por Nicácio Machado, juntamente com o Tenente Coronel Antônio Patrício Azambuja e Gaspar Menezes, através de conces-são imperial para explorar carvão. O responsável técnico era o engenheiro Eugênio Dänhe. Foi encontrado ferro

e carvão de ótima qualidade nas proximidades do arroio dos Cachorros. 

 Porém, os trabalhos duraram somente até 1882, quan-do a empresa Holzweissig Companhia, que possuía os direitos de mineração em Arroio dos Ratos, através de decreto imperial, cassou a autorização de Nicácio Machado que teve que abandonar suas 

pesquisas e suas descobertas.Pelo período de 23 anos,compreendido entre 1882 a 1905, não há registros, nem sabe-se ao certo o que aconteceu com a nossa história. Apenas sabemos que em nosso país houve a passagem da Monarquia para a República.

Então, em 1906, ressurge Nicácio Machado com um pedido à Intendência Municipal de São Jerônimo para concessão de exploração, pesquisa e construção de uma estrada férrea para transporte do carvãoque seria explorado. Somente o pedido da estrada férrea foi negado. Abraçaram a causa com suas economias a fim de financiar o espírito desbravador de Nicácio Machado, o engenheiro Guilherme Kru-mel, irmão do engenheiro Eugênio Dänhe, o ferreiro Felipe Steigleder e o jovem Luiz Custódio de Souza.

 O poço que foi aberto e chegou a mais de 60 metros de profundidade e algumas galerias. O carvão extraído era levado por dezenas de carroças até o porto de São Jerônimo e de lá por pequenas lanchas até Porto Alegre. 

 Em 1915 Alfredo Wiedmann, associa-se a Nicácio Machado e com capital estrangeiro fundam a Companhia Hulha Rio-Grandense, que seguiria investindo nos projetos de Nicácio Machado e na exploração do poço que já estava aberto. As dificuldades começaram a aparecer e, prestes a iniciar uma crise, surgiu a figura do Dr. Buarque de Macedo. Excelente administrador, Dr. Buarque deu nova vida e rumos à mineração carvoeira, reorganizando a Mina de Butiá e mudando de vez a nossa história. 

 Além de alterar o nome da empresa para Companhia Carbonífera Rio-Grandense, em 1917 abriu o primeiro poço voltado à mineração comercial, denominado Poço 1 – Borges de Medeiros, batizado com o nome do governador do Rio Grande do Sul da época. 

Em 1917 também foi conquistado o sonhado ramal férreo, que transportava o carvão explorado até o porto do Conde, afluente da margem direita do rio Jacuí.  

  Com a produção crescente o carvão mineral começou a chamar atenção no cenário nacional, a tal ponto que em 1932 o Grupo Capitalista Martineli adquiriu todas as propriedades da mina de Butiá, sob a direção de Roberto Cardoso. Através dele a Carbonífera Rio-Grandense tornou-se uma das maiores em-presas mineradoras do Brasil. A demanda cresceu tanto que um novo poço precisou ser aberto rapidamente. Com um projeto inovador, este poço foi construído em plano inclinado, com correia sem fimm, o primeiro deste tipo em território nacional. Assim, em 1935, inaugurava-se o Poço 2 – Farroupilha, em homenagem ao centenário da guerra dos farrapos.

Para se fortalecer no mercado e tornar-se competitiva, em 1936 a Cia Estrada de Ferro e Minas de São Jerônimo, que administrava

as jazidas de Arroio dos Ratos, fundiu-se com a Cia Carbonífera Rio Grandense, que administrava as jazidas de Butiá e formaram o 

CADEM – Consórcio Administrador de Empresas de Mineração. A consolidação financeira da empresa fez com que o nosso carvão salvasse o Brasil de um colapso energético, garantindo o funcionamento das locomotivas, dos barcos e das usinas termelétricas

do Gasômetro em Porto Alegre, e outras usinas e indústrias pelo interior do estado.  

  1. EVOLUÇÃO SOCIAL E CULTURAL

A partira da década de 40 inicia um grande salto para o pequeno distrito de Butiá que ainda pertencia ao município de São Jerônimo, cada vez mais pessoas começavam a chegar procurando emprego, principalmente imigrantes ingleses, poloneses e espanhois. Uma nova comunidade estava se formando e novas necessidades surgiam diariamente.

Da década de 40 a década de 60 foi o auge da mineração em Butiá, chegando a ser apelidada de "Capital Nacional do Carvão". Nesse período foram construídas escolas, igrejas, CTG's, clubes, postos de saúde, um hospital, ruas era abertas com frequência, e a cada novo poço de mineração aberto, surgia um novo conglomerado de casas e os primeiros bairros da cidade começavam a se formar.

  1. CRISE NO SETOR CARBONÍFERO

Passada a Segunda Guerra Mundial a produção no carvão havia tido um pequeno decréscimo, porém até então, nada prejudicial para a economia local. Mas pegando todos de surpresa em setembro de 1951 Roberto Cardoso, renunciou o cargo de Diretor

da Companhia Carbonífera. Somado a isso em 1953 o governo federal passa a incentivar a importação de óleo combustível, fazendo o carvão perder espaço no mercado interno, reduzindo

gradativamente a produção. Em paralelo a isso, os trens da Viação Férrea, as usinas da CEEE e outras indústrias começaram a adaptar suas caldeiras para queima de óleo, não optando 

mais pelo uso do nosso carvão.

 Em 1958 a crise tomou conta de vez de Butiá, os empregos diminuíram e as pessoas começaram a procurar centros industriais a fim de sobreviver. Foi então que um grupo de políticos butiaenses resolveu emancipar Butiá de São Jerônimo, apostando ser a única maneira de acabar com a crise, já que a população estava debandando e o município mãe São Jerônimo pouco estava preocupado com a situação de seu distrito.

  1. EMANCIPAÇÃO

Butiá foi o primeiro distrito a se emancipar de São Jerônimo. Elevado a categoria de cidade pela lei estadual nº 4574 em 9 de outubro de 1963 através de plebiscito, emancipando-se do território de São Jerônimo. Em 17 de julhode 1965, pela lei 4995, deixou de ser chamado de Minas do Butiá e passou a chamar-se apenas Butiá. Seu principal distrito, Minas do Leão, foi elevado à categoria de cidade em 20 de março de 1990. A padroeira do município de Butiá é Santa Terezinha, que é comemorada dia 1o de outubro, junto da semana de aniversário do município. Porém a maior festa católica do município acontece em 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara que é padroeira dos mineiros.A primeira legislação para a Câmara de Vereadores foi de 1964 a 1968.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

A palavra ‘butiá’ vem do tupi-guarani e está ligada a um grande misticismo indígena através de uma lenda. O pé de butiá também é considerada

pelos índios uma árvore sagrada. Já o nome do nosso município não está atribuído à presença indígena na nossa região. Na realidade recebemos esse nome devido a um solitário

pé de butiá que ficava próximo à fazenda de dona Luiza Severina de Souza, e pelos idos de 1834 esta planta isolada servia como ponto de referência a quem passava pelas estradas próximas a localidade. 

Chegaram a chamar a localidade de Serra do Butiá, porém nunca houve cerro ou serra nesta parte do distrito, assim como não havia butiazais. Apenas acabamos herdando o nome da planta so-litária que marcava a localidade que anos maistarde seria o entorno da região onde Nicácio Machado iniciaria suas pesquisas para exploração do carvão mineral. 

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 30º07'11" sul e a uma longitude 51º57'44" oeste, estando a uma altitude de 71 metros. Sua população estimada em 2004 era de 21 153 habitantes.

Economia[editar | editar código-fonte]

Tem sua economia baseada na mineração de carvão, agricultura e pecuária.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre municípios do estado do Rio Grande do Sul é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.