Cálias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cálias (em grego: Καλλίας, transl. Kallías) foi um célebre guerreiro grego, chefe de uma rica família ateniense (chamada de família Cálias-Hipônico), que lutou na Batalha de Maratona (490 a.C.) trajando vestes sacerdotais. Seu filho, Hipônico, também foi um comandante militar. É comumente referido como Cálias II para distingui-lo de seu avô, Cálias I, e de seu neto, Cálias III, e é mencionado com o mais rico de todos os atenienses.[1]

Família[editar | editar código-fonte]

Cálias era filho de Hipônico,[2] filho de Cálias, filho de Fênipo.[3] Seu filho também se chamou Hipônico.[4] [5]

Em Maratona[editar | editar código-fonte]

Cálias tinha a função honrosa de ser o portador da tocha, nos Mistérios de Elêusis,[6] e participou da Batalha de Maratona usando vestes pomposas.[7]

Plutarco apresenta uma história nada honrosa sobre a origem da sua fortuna: após a batalha, alguns persas, derrotados, correram a ele, achando que, pelas suas vestes e seu longo cabelo, ele era um rei, mostrando onde estava escondido o ouro persa, em troca das suas vidas.[7] Cálias, porém, ficou com o ouro e matou os persas; os poetas cômicos passaram várias gerações ridicularizando os seus descendentes em alusão a isto.[7]

Casamento com Elpinice, irmã de Címon[editar | editar código-fonte]

Elpinice era filha de Milcíades e meio-irmã de Címon, com quem foi casada (a lei de Atenas autorizava o casamento entre meio-irmãos por parte de pai).[8] Címon, porém, estava privado da liberdade por causa de uma multa que seu pai recebera e que eles não conseguiram pagar, então Cálias, que era muito rico, propôs pagar as dívidas se ele se casasse com Elpinice.[8] Címon, a princípio, desprezou a proposta, mas Elpinice, dizendo que não deixaria um filho de Milcíades morrer na prisão podendo impedir isto, aceitou se casar.[8]

Historiadores modernos consideram que Elpinice foi a mãe de Hipônico II, filho de Cálias.[9] [10]

Tratado de paz[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois da morte de Címon, provavelmente por volta de 445 a.C., foi enviado de volta a Susa para concluir um tratado de paz com Artaxerxes I, rei da Pérsia - tratado que se tornou conhecido posteriormente como a Paz de Cálias.[11]

Sua missão, em todo caso, parece não ter sido de todo bem-sucedida; ao retornar a Atenas foi indiciado por alta traição e sentenciado a uma multa de cinquenta talentos.

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Em sua honra, havia, no século II d.C. uma estátua em um prédio conhecido pelo nome de Tolo, ao lado das estátuas dos heróis epônimos das tribos atenienses, das estátuas dos deuses, de Licurgo, filho de Licóforo e de Demóstenes; os atenienses o creditavam como tendo celebrado a paz entre os gregos e Artaxerxes[12]

Árvore genealógica baseada no texto:

Fênipo
 
 
 
 
Cálias
 
 
 
 
Hipônico
 
 
 
 
 
Milcíades
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cálias
 
 
 
 
 
Elpinice
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipônico
 
 
 
 

Notas e referências

  1. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Aristides, 24.4. No texto, a riqueza de Cálias é usada para constrastar com a pobreza de Aristides, o Justo.
  2. Heródoto, Histórias, Livro VII, Polímnia, 150 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  3. Heródoto, Histórias, Livro VI, Erato, 121 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  4. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, Livro III, Capítulo XI
  5. Era costume entre os atenienses alternar, na família, os nomes entre as gerações; muitos personagens dão aos seus filhos o nome do seu pai. Neste família, os nomes Cálias e Hipônico se alternaram, por várias gerações; assim, existem vários personagens de nome Cálias filho de Hipônico e Hipônico filho de Cálias.
  6. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Aristides, 5.5
  7. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Aristides, 5.6
  8. a b c Cornélio Nepos, As vidas dos grandes comandantes, Cimon, 1
  9. Debra Nails, The people of Plato: a prosopography of Plato and other Socratics
  10. Raphael Sealey, A history of the Greek city states, ca.700-388 b.C.
  11. Grote reconhece o tratado como fato histórico (History of Greece, ch. xlv), enquanto Curtius (bk. iii. ch. ii), nega a conclusão de qualquer tratado formal. Ver também Ed. Meyer, Forschungen., ii.
  12. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.8.2

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.