Câncer de bexiga

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Câncer de bexiga
Classificação e recursos externos
CID-10 C67, C67.9
CID-9 188, 188.9
OMIM 109800
DiseasesDB 1427
eMedicine radio/711 med/2344 med/3022
Star of life caution.svg Aviso médico

Câncer de bexiga (também chamado de Carcinoma Urotelial)se refere a diversas formas de crescimentos malignos da bexiga urinária. É um câncer no qual células anormais se multiplicam sem controle na bexiga urinária. A bexiga é um órgão muscular oco que armazena urina, estando localizada na pelve. O tipo mais comum de câncer de bexiga inicia nas células que recobrem o interior da bexiga e é chamado de carcinoma de células uroteliais ou carcinoma de células transicionais (CCT).

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Em 80-90% dos casos há presença de sangue visível na urina a olho nu (hematúria macroscópica).

Outros possíveis sintomas incluem disúria (dor ao urinar), poliúria (urinar frequentemente) ou sensação de necessidade de urinar sem resultados. Estes sinais e sintomas não são específicos do câncer de bexiga, sendo também causados por outras condições não-cancerosas, incluindo infecções da próstata e cistite.

Causas[editar | editar código-fonte]

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

O tabagismo é o principal fator de risco do câncer de bexiga, encontrado em até 50% dos casos

A exposição a carcinógenos ambientais de vários tipos é responsável pelo desenvolvimento da maioria dos cânceres de bexiga.

O tabagismo (especificamente o consumo de cigarros) é responsável por até 50% dos casos em homens e até 40% dos casos em mulheres.

Trinta por cento dos tumores de bexiga provavelmente resultam da exposição ocupacional a carcinógenos no local de trabalho, como a benzidina. As ocupações em risco são trabalhadores em indústria de metal, indústria de borracha, indústria têxtil e pessoas que trabalham com impressões. Acredita-se que cabeleireiros também possam estar em risco devido a sua frequente exposição a corantes de cabelos. Certas drogas como a ciclofosfamida e o fenacetina são conhecidas como causar predisposição ao câncer de bexiga. Irritação crônica da bexiga (infecção, pedras na bexiga, catéteres) predispõe a um carcinoma de células escamosas da bexiga. Aproximadamente 20% dos casos ocorrem em pacientes sem fatores de risco.

Genética[editar | editar código-fonte]

Como todos os cânceres, o desenvolvimento do câncer de bexiga envolve a aquisição de mutações em vários oncogenes e genes supressores de tumor. Os genes que podem estar alterados no câncer de bexiga incluem FGFR3, HRAS, RB1 e TP53.

Um histórico familiar de câncer de bexiga também é um fator de risco para a doença. Acredita-se que algumas pessoas aparentam herdar uma habilidade reduzida em quebrar algumas substâncias químicas, o que as tornam mais sensíveis aos efeitos causadores de câncer do tabagismo e certos compostos químicos industriais.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O padrão ouro de diagnóstico para o câncer de bexiga é o exame citológico de urina e a cistoscopia transuretral. Muitos pacientes com história, sinais e sintomas suspeitos para um câncer de bexiga são encaminhados para um urologista para que faça uma cistoscopia, que é um procedimento no qual um tubo flexível com uma câmera é inserido na bexiga através da uretra. As lesões suspeitas podem ser colhidas (realização de biópsia) e enviadas para análise patológica.

Classificação patológica[editar | editar código-fonte]

Noventa porcento dos cânceres de bexiga são carcinomas de células transicionais (CCT) que surgem do revestimento interno da bexiga chamado urotélio. Os outros 10% dos tumores são carcinomas de células escamosas, adenocarcinoma, sarcoma, carcinoma de células pequenas e depósitos secundários de cânceres em outros lugares no corpo.

Os CCTs geralmente são multifocais, com 30-40% dos pacientes apresentando mais de um tumor no diagnóstico. O padrão de crescimento dos CCTs pode ser papilar, séssil (plano) ou carcinoma-in-situ (CIS).

O sistema de graduação de 1973 da OMS para os CCTs (papiloma, G1, G2 ou G3) é mais comumente utilizado:

O CIS invariavelmente consiste de células tumorais de alto grau.

Os CCTs de bexiga são classificados em:

  • Ta Tumor papilar não-invasivo
  • T1 Invasivo mas não até a camada muscular da bexiga
  • T2 Invasivo na camada muscular
  • T3 Invasivo além da camada muscular até a gordura externa à bexiga
  • T4 Invasivo em estruturas da região como a próstata, útero ou parede pélvica

Estadiamento[editar | editar código-fonte]

Os seguintes estágios são usados para classificar a localização, tamanho e dispersão do câncer, de acordo com o sistema TNM (tumor, linfonodo e metástases) de estadiamento:

  • Estágio 0: Células cancerosas são encontradas somente no revestimento interno da bexiga.
  • Estágio I: Células cancerosas se proliferaram para a camada abaixo do revestimento interno mas não para os músculos da bexiga.
  • Estágio II: Células cancerosas se proliferaram para os músculos na parede da bexiga mas não para o tecido gorduroso que circunda a bexiga urinária.
  • Estágio III: Células cancerosas se proliferaram para o tecido gorduroso que circunda a bexiga urinária e para a próstata, vagina ou útero, mas não para os linfonodos ou outros órgãos.
  • Estágio IV: Células cancerosas se proliferaram para os linfonodos, parede abdominal ou pélvica e/ou outros órgãos.
  • Recorrente: O câncer ocorreu novamente na bexiga urinária ou em outro órgão próximo após ter sido tratado.[1]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento do câncer de bexiga depende de quão profundo foi a invasão do tumor na parede da bexiga urinária.

Tratamento dos tumores superficiais[editar | editar código-fonte]

Os tumores superficiais (aqueles que não penetraram a camada muscular) podem ser "raspados" utilizando um dispositivo de eletrocautério em conjunto com um cistoscópio. A imunoterapia na forma de infusão de BCG é também utilizada para tratar e prevenir a recorrência de tumores superficiais.[2] A imunoterapia por BCG é efetiva em até 2/3 dos casos neste estágio. Infusões de quimioterapia na bexiga também podem ser usadas para tratar a doença superficial. Se não tratados, os tumores superficiais podem gradualmente começar a infiltrar a parede muscular da bexiga.

Tratamento dos tumores profundos[editar | editar código-fonte]

Os tumores que infiltram a bexiga necessitam uma cirurgia mais radical na qual uma parte ou toda a bexiga é removida (uma cistectomia) e o jato urinário é desviado. Em alguns casos, cirurgiões habilidosos podem criar uma bexiga substituta a partir de um segmento de tecido intestinal, mas isso depende da preferência do paciente, idade, função renal e o local da doença.

Uma combinação de radiação e quimioterapia também pode ser usada para tratar a doença invasiva.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos, o câncer de bexiga é o quarto tipo mais comum de câncer em homens e o nono mais comum em mulheres. Mais de 47 mil homens e 16 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de bexiga a cada ano. Uma razão para a maior incidência em homens é de que o receptor andrógeno, que é muito mais ativo em homens do que em mulheres, desempenha um papel importante no desenvolvimento do câncer.[3]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "The Gale Encyclopedia of Cancer: A guide to Cancer and its Treatments, Second Edition. Page no. 137".
  2. (1999) "BCG immunotherapy of bladder cancer: 20 years on." 353 (9165): 1689–94.
  3. "Scientists Find One Reason Why Bladder Cancer Hits More Men", University of Rochester Medical Center, April 20 2007.