Câncer de boca

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Câncer de boca
Classificação e recursos externos
CID-10 C00-C06
CID-9 140-146
DiseasesDB 9288
MeSH D009959
Star of life caution.svg Aviso médico

O câncer de boca, também chamado de câncer oral, é um tipo câncer que atinge os tecidos da região da boca. Estudos indicam que altas doses de álcool, tal como bebidas alcoólicas e enxaguantes bucais podem catalisar o processo de desenvolvimento de câncer.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Variação geográfica[editar | editar código-fonte]

A epidemiologia indica que cada tumor tem uma distribuição geográfica própria; alguns têm uma uniformidade de números que se repetem uniformemente por todo o mundo, outros têm incidência maior ou menor em alguns países e mesmo em pequenas regiões. Essas diferenças que podem ser explicáveis por meio de estudo de etnias, condições econômicas, higiene, alimentação e hábitos regionais não explicavam, por exemplo, como Hong Kong e a França têm as mais altas taxas de câncer da boca em homens. Não explica também porque as taxas de incidência ajustadas por idade e por 100.000 habitantes nos Estados Unidos apresentam dados como relacionados ao câncer de pulmão e da próstata, que nos negros são mais freqüentes, em cerca de 30% do que nos brancos, embora ambos estejam sujeitos a condições gerais idênticas e os mesmos carcinogênicos ambientais semelhantes.

A epidemiologia é essencialmente estática, ou seja, determina os grupos mais prováveis que podem desenvolver, por exemplo, neoplasias malignas. É claro que o conhecimento das causas que podem levar ao sugirmento dessas doenças seriam muito importantes no sentido de poder prevenir que ocorressem casos novos. A epidemiologia descritiva tem cuidado dessas causas e tem uma fonte inexaurível de idéias para o estudo das possíveis causas de várias neoplasias.

No período compreendido entre as duas Grandes Gerras Mundiais (1920-1945), notou-se um aumento, na Inglaterra, do câncer de pulmão em homens fato imputado a algum hábito novo na vida dos homens. O aumento do hábito de fumar coincidiu com o acréscimo dessas neoplasias, que transformou o fumo no principal agente causal. Entretanto, estudos estão sendo realizados e revelando que pode haver uma constituição genética que predispõe o aparecimento de tumores pulmonares. Pesquisas têm sido desenvolvidas, levando a definir no código genético, enzimas que controlam carcinogênico dos elementos químicos produzidos na combustão do fumo.

Nos últimos anos, a epidemiologia foi a indutora de grande quantidade de pesquisas que estão refazendo as idéias fundamentais sobre as causas do câncer. A descoberta dos oncogenes, protoncongenes, antioncongenes e de fatores hereditários estabelece uma nova visão sobre a etiopatogenia das neoplasias maligna, associada a uma revolução rápida de imunologia que, graças à AIDS, tomou um impulso notável nos ultimos anos e que deixa estabalecida, definitivamente, que a imunodepressão é um dos fatores mais importantes, quer na gênese, quer na evolução e no prognóstico do cancer.

Sabe-se, hoje, que inúmeros tumores estão ligados a defeitos genéticos definidos, tais como os retinoblastomas e osteossarcomas, que estão relacionados ao cromossoma 13; no xeroderma pigmentoso e no polipose intestinal múltipla, já estão definidos os defeitos genéticos que contribuem para o seu aparecimento.

Para que o estudo da epidemiologia pudesse ter validade, seria necessário que se fizesse em todas as comunidades, estados e países, regristos de todas as doenças, e que esses fossem a representãção efetiva do que ocorre, em saúde, nas populações estudadas, e que naquelas que tivessem maior significado estatístico, os governos pudessem tomar medidas práticas e objetivas, no sentido de reduzir os fatores que levam o indivíduo a ser portador das doenças mais freqüentes ou de significado socioeconômico mais lesivos. A preservação da saúde e a minimização dos custos de tratamento das doenças deve ser o obletivo mais imediato da epidemiologia.

Aspectos celulares e moleculares do câncer[editar | editar código-fonte]

Ciclo celular[editar | editar código-fonte]

O Ciclo celular é coordenado por uma série de genes, quando ocorre uma desregulação destes genes, devido a mutações e fatores epigenéticos, há o surgimento do câncer.

Os principais genes envolvidos com os processos cancerígenos são os genes supressores tumorais, proto-oncogenes e oncogenes, que são as forma ativas dos proto-oncogenes. A p53 é um dos genes supressores tumorais, quando o DNA da célula sofre mutações há a fosforilação da p53 através de uma cascata molecular de proteínas cinases. A partir da fosforilação da p53 há a desagregação da proteína mdm2 que estava a inativando, estando ativada a p53 ativa a expressão do gene p21 que será transcrito em uma RNAm que posteriormente será traduzido na proteína p21, essa proteína está relacionada com a inativação das CDKs(G1-S), proteínas que sinalizam para o prosseguimento do ciclo celular. Dessa forma o ciclo é interrompido.

A proteína p53 também age quando os oncogenes como Myc e Ras, estão com suas ações intensificadas por mutações. O excesso de transdução de sinais mitogênicos leva a síntese de Arf, essa proteína vai agir sobre a Mdm2 e, consequentemente, ativar a p53 que conduzirá a célula a apoptose ou a interrupção do ciclo celular.

Quando há mutações na p53 que acabam por inativar suas funções, há a proliferação excessiva de células, com potencialidade para o surgimento do câncer. Por essas e outras razões os genes supressores tumorais são considerados os guardiões do material genético.

Alterações citológicas[editar | editar código-fonte]

Células cancerosas geralmente apresentam alterações de forma, tamanho e função. No caso específico de carcinomas orais, as principais características adquiridas pelas células são: núcleos grandes e com bordas proeminentes e irregulares, comprometimento da relação núcelo/citoplasma, hipercromasia, nucléolos irregulares e múltiplos e distribuição da cromatina fora do padrão normal.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

Os principais fatores de risco para o câncer bucal são:

  • Tabagismo;
  • Alcoolismo;
  • Tabagismo e alcoolismo associados;
  • Exposição solars sem a devida proteção;
  • Condições buco-dentais desfavoráveis: falta de higiene bucal; dentes quebrados e próteses removíveis parciais ou totais mal adaptadas;
  • Traumas mecânicos;
  • Dieta irregular;
  • Agentes biológicos:fungos, como a candidaalbicans; vírus e papiloma vírus humano (HPV)

Sinais Clínicos[editar | editar código-fonte]

Os sinais clínicos, que podem ser detectados pelo cirurgião – dentista durante à avaliação da cavidade oral, que podem representar lesões potencialmente malignas são:

  • Feridas que não cicatrizam em 2 semanas;
  • Manchas brancas, vermelhas ou negras;
  • Carnes crescidas;
  • Caroços;
  • Bolinhas duras e inchaço na boca;
  • Dificuldade para movimentar a língua;
  • Sensação de dormência na língua;
  • Dificuldade para engolir.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico do câncer de boca é dado através de exame físico, onde toda cavidade bucal deve ser analisada metodicamente, para que se possa detectar algum sinal clínico que esteja presente no paciente. Ao ser identificado um tumor, é importante registrar suas dimensões e características: se é ulcerado, infiltrativo, necrosado, com infecção secundária, se ultrapassa a linha média, se há indícios de invasão óssea e/ou da musculatura profunda. No caso de ser identificado algum sinal clínico suspeito, é feita uma biopsia incisional sob anestesia local da região, para assim ter um diagnóstico preciso da lesão. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura e tratamento da doença.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A prevenção do câncer na boca é possível através de hábitos saudáveis que incluem:

  • Evitar o consumo excessivo de álcool;
  • Evitar fazer uso excessivo de cachimbos e cigarros;
  • Evitar exposição ao sol sem proteção;
  • Evitar próteses desajustadas à sua boca;
  • Ter uma boa higiene bucal, escovando os dentes 4 vezes ao dia, de preferência após todas as refeições;
  • Ter um acompanhamento odontológico frequente;
  • Manutenção de uma dieta saudável, rica em frutas e legumes;
  • Realizar um auto - exame da boca, procurando qualquer tipo de alteração como feridas, inchaços ou manchas.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento do câncer de boca é feito através de radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, esses métodos são utilizados de forma isolada ou associada. O tratamento escolhido depende da localidade do tumor e da sua gravidade, em lesões iniciais.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Diagnostico Patologia Bucal; Tommasi, Antonio Fernando; 3ª edição revista e ampliada; Pancast editora.

ALBERTS, B.; BRAY, D.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WATSON, J. D. Biologia molecular da célula. 5.ed. Porto Alegre:Artmed,2010.

http://www.inca.gov.br/rbc/n_49/v04/pdf/norma4.pdf

http://www.unicruz.edu.br/seminario/artigos/saude/OCORR%C3%8ANCIA%20DE%20LES%C3%95ES%20PR%C3%89%20CANCEROSAS%20EM%20MUCOSA%20ORAL%20DE%20PACIENTES%20QUE%20FREQUENTAM%20AS%20UNIDADES%20B%C3%81S.pdf

A construção de alguns tópicos desta página virtual contaram com a colaboração de Lívia Borges, Millena Dantas, Rafaela Nunes, Renato Barbosa e Samara Raquel, como parte avaliativa da disciplina de Biologia Celular e Molecular, do primeiro semestre do curso de Odontologia da UFRN (2013.1).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]