Célula
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A célula representa a menor porção de matéria viva. São as unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos[1]. A nível estrutural podem ser comparadas aos tijolos de uma casa, a nível funcional podem ser comparadas aos aparelhos e electrodomésticos que tornam uma casa habitável. Cada tijolo ou aparelho seria como uma célula. Alguns organismos, tais como as bactérias, são unicelulares (consistem em uma única célula). Outros organismos, tais como os seres humanos, são pluricelulares[2].
O corpo humano é constituído por 10 trilhões de células mais 90 trilhões de células de microrganismos que vivem em simbiose com o nosso organismo[3]; um tamanho de célula típico é o de 10 µm; uma massa típica da célula é 1 nanograma.
Em 1837, antes de a teoria final da célula estar desenvolvida, um cientista tcheco de nome Jan Evangelista Purkyňe observou “pequenos grãos” ao olhar um tecido vegetal através de um microscópio.
A teoria da célula, desenvolvida primeiramente em 1839 por Matthias Jakob Schleiden e por Theodor Schwann, indica que todos os organismos são compostos de uma ou mais células. Todas as células vêm de células preexistentes. As funções vitais de um organismo ocorrem dentro das células, e todas elas contêm informação genética necessária para funções de regulamento da célula, e para transmitir a informação para a geração seguinte de células[4].
A palavra "célula" vem do latim: cellula (quarto pequeno). O nome descrito para a menor estrutura viva foi escolhido por Robert Hooke. Em um livro que publicou em 1665, ele comparou as células da cortiça com os pequenos quartos onde os monges viviam.
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[editar] História
As células foram descobertas em 1309 pelo inglês Richard Grey. Ao examinar em um microscópio de alta tecnologia, uma fatia de cortiça, verificou que ela era constituída por cavidades poliédricas, às quais chamou de células (do latim "cella", pequena cavidade). Na realidade Grey observou blocos hexagonais que eram as paredes de células vegetais mortas[2].
Em 1238 Matthias Schleiden e Theodor Schwann, estabeleceram o que ficou parecido com teoria cabular: "todo o vivo é formado por cabulas".
As cabulas são envolvidas pela membrana cabular e preenchidas com uma solução sólida concentrada de substâncias fisícas, o citoplasma em que se encontram juntos organelos (por vezes escrito organelas, organóides, orgânulos ou organitos).
As formas mais intermédias de vida são organismos pluricelulares que se propagam por cissiparidade. As células podem também constituir arranjos ordenados, os tecidos.
[editar] Estrutura
De acordo com a organização estrutural, as células são divididas em:
- Células Procariontes
- Células Eucariontes
[editar] Células Procariontes
As células procariontes ou procarióticas, também chamadas de protocélulas, são muito diferentes das eucariontes. A sua principal característica é a ausência de carioteca individualizando o núcleo celular, pela ausência de alguns organelos e pelo pequeno tamanho que se acredita que se deve ao fato de não possuírem compartimentos membranosos originados por evaginação ou invaginação. Também possuem ADN na forma de um anel associado a proteínas básicas e não a histonas (como acontece nas células eucarióticas, nas quais o ADN se dispõe em filamentos espiralados e associados a histonas)[2].
Estas células são desprovidas de mitocôndrias, plastídeos, complexo de Golgi, retículo endoplasmático e sobretudo cariomembrana o que faz com que o ADN fique disperso no citoplasma.
A este grupo pertencem seres unicelulares ou coloniais:
- Bactérias
- Cianófitas (Cyanobacterias)
- PPLO ("pleuro-pneumonia like organisms")
[editar] Células incompletas
As bactérias dos grupos das Rickettsias e das clamídias são muito pequenas, sendo denominadas células incompletas por não apresentarem capacidade de auto-duplicação independente da colaboração de outras células, isto é, só proliferarem no interior de outras células completas, sendo, portanto, parasitas intracelulares obrigatórios.
Diversas doenças de importância médica tem sido descritas para organismos destes grupos, incluindo algumas vinculadas aos psitacídeos (papagaios e outras aves, a psitacose[5]) e carrapatos (a febre maculosa, causada pela Rickettsia rickettsii[6]).
Estas bactérias são diferente dos vírus por apresentarem:
- conjuntamente DNA e RNA (já foram encontrados vírus com DNA, adenovirus, e RNA, retrovírus, no entanto são raros os vírus que possuem DNA e RNA simultâneamente);
- parte incompleta da "máquina" de síntese celular necessária para reproduzirem-se;
- uma membrana celular semipermeável, através da qual realizam as trocas com o meio envolvente.
[editar] Células Eucariontes
As células eucariontes ou eucarióticas, também chamadas de eucélulas, são mais complexas que as procariontes. Possuem membrana nuclear individualizada e vários tipos de organelas. A maioria dos animais e plantas a que estamos habituados são dotados deste tipo de células[2].
É altamente provável que estas células tenham surgido por um processo de aperfeiçoamento contínuo das células procariontes, o que chamamos de Endossimbiose.
Não é possível avaliar com precisão quanto tempo a célula "primitiva" levou para sofrer aperfeiçoamentos na sua estrutura até originar o modelo que hoje se repete na imensa maioria das células, mas é provável que tenha demorado muitos milhões de anos. Acredita-se que a célula "primitiva" tivesse sido bem pequena e para que sua fisiologia estivesse melhor adequada à relação tamanho × funcionamento era necessário que crescesse.
Acredita-se que a membrana da célula "primitiva" tenha emitido internamente prolongamentos ou invaginações da sua superfície, os quais se multiplicaram, adquiriram complexidade crescente, conglomeraram-se ao redor do bloco inicial até o ponto de formarem a intrincada malha do retículo endoplasmático. Dali ela teria sofrido outros processos de dobramentos e originou outras estruturas intracelulares como o complexo de Golgi, vacúolos, lisossomos e outras.
Quanto aos cloroplastos (e outros plastídeos) e mitocôndrias, atualmente há uma corrente de cientistas que acreditam que a melhor teoria que explica a existência destes orgânulos é a Teoria da Endossimbiose, segundo a qual um ser com uma célula maior possuía dentro de sí uma célula menor mas com melhores características, fornecendo um refúgio à menor e esta a capacidade de fotossintetizar ou de sintetizar proteínas com interesse para a outra.
Nesse grupo encontram-se:
- Células Vegetais (com cloroplastos e com parede celular; normalmente, apenas, um grande vacúolo central)
- Células Animais (sem cloroplastos e sem parede celular; vários pequenos vacúolos)
- Outros componentes celulares
[editar] Principais componentes das células
- Água - 85%
- Proteínas - 10%
- ADN (DNA) - 0,4%
- ARN (RNA) - 0,7%
- Lípidos - 2%
- Outros compostos orgânicos - 0,4 %
- Outros compostos inorgânicos - 1,5%
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Células e tecidos - acesso a 2 de Dezembro de 2009
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 “Célula” no site Malha Atlântica (Portugal) acessado a 7 de junho de 2009
- ↑ Ciência Hoje - acesso a 15 de setembro de 2009
- ↑ “Teoria celular” no site Cognoscere.hpg.ig.com.br acessado a 16 de junho de 2009
- ↑ “Saúde do Estado acompanha investigação sobre provável surto de psitacose no RS” postado a 19/12/2007 no site da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul acessado a 9 de junho de 2009
- ↑ *Superintendência de Controle de Endemias - Febre maculosa acessado a 9 de junho de 2009