Cérebro artificial

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O cérebro artificial é um termo comumente utilizado na mídia [1] para descrever as pesquisas que têm como objetivo o desenvolvimento de software e hardware com habilidades cognitivas similares às dos animais ou do cérebro humano. A pesquisa do cérebro artificial desempenha três papéis importantes na ciência:

Um exemplo do primeiro objetivo é o projeto da Universidade Aston em Birmingham, Reino Unido[3] onde pesquisadores usam células biológicas para criar "neurosferas" (pequenos aglomerados de neurônios) para desenvolver novos tratamentos para doenças que incluem o mal de Alzheimer, doença do neuromotor e mal de Parkinson.

O segundo objetivo é uma réplica a argumentos como o do quarto chinês de John Searle, a crítica da IA de Hubert Dreyfus ou o argumento de Roger Penrose em A Mente Nova do Rei. Essas críticas argumentam que há aspectos da consciência ou habilidade humana que não podem ser simulados por máquinas. Uma resposta a estes argumentos é a de que os processos biológicos no interior do cérebro podem ser simulados a qualquer grau de exatidão. Esta réplica foi feita já em 1950, por Alan Turing em seu artigo clássico Computing Machinery and Intelligence.[4]

O terceiro objetivo costuma ser denominado inteligência artificial geral pelos pesquisadores.[5] Porém, Kurzweil prefere o termo mais popular IA forte. Em seu livro A Singularidade Está Próxima ele foca na emulação completa do cérebro utilizando computadores convencionais para implementar cérebros artificiais, e afirma que (baseando-se na presunção de que a capacidade de processamento continuará a crescer exponencialmente) isto será realidade em 2025. Henry Markram, diretor do projeto Blue Brain (que vem tentando a emulação cerebral), fez uma declaração similar (2020) na Conferência TED em Oxford em 2009.[1]

Abordagens de simulação cerebral[editar | editar código-fonte]

Apesar de a emulação cerebral direta utilizando redes neurais artificiais em um supercomputador ser uma abordagem comum,[6] há outras alternativas. Uma outra implementação no cérebro artificial poderia se basear nos princípios de coerência/incoerência de fase não-linear da Tecnologia Neural Holográfica (HNeT). Foi feita uma analogia aos processos quânticos através do algorítmo sináptico nuclear que possuem grande similaridade com a equação de onda da mecânica quântica.

O EvBrain[7] é uma forma de software evolucionário que pode desenvolver redes neurais semelhantes às do cérebro, tal como a rede que se localiza logo atrás da retina.

Desde novembro de 2008, a IBM recebeu uma quantia de $4.9 milhões do Pentágono para conduzir uma pesquisa para a criação de computadores inteligentes. O Projeto Blue Brain está sendo assistido pela IBM em Lausanne.[8] Este projeto se baseia na premissa de que é possível ligar os neurônios "no computador" através da colocação de trinta milhões de sinapses em suas posições tridimensionais corretas.

Em 2008, o Projeto Blue Brain já vinha apresentando progresso acima do esperado: "A consciência é apenas uma quantidade imensa de informações sendo transmitidas por trilhões de células nervosas.[9] " Alguns defensores da IA forte especulam que os computadores conectados ao Blue Brain e ao Soul Catcher podem exceder a capacidade intelectual humana por volta de 2015, e é provável que ele seja capaz de descarregar um cérebro humano em meados de 2050.[10]

Há boas razões para acreditar que, independente da estratégia implementada, as predições da realização dos cérebros artificiais no futuro próximo são otimistas. Os cérebros em particular (incluindo o cérebro humano) e a cognição não são ainda bem compreendidos, e a escala da computação requerida permanece desconhecida. Além disso, parece haver limitações energéticas. O cérebro humano consome por volta de 20W de energia, enquanto os supercomputadores podem consumir até 1MW sobre uma ordem de 100.000 mais (nota: o limite de Landauer é de 3.5x1020 op/seg/watt à temperatura ambiente).

Experimento mental sobre o cérebro artificial[editar | editar código-fonte]

Alguns críticos da simulação cerebral[11] acreditam ser mais simples criar ações de inteligência geral de maneira direta, sem tentar imitar a natureza. Alguns comentadores[12] têm usado a analogia das tentativas pioneiras de voo, em que as máquinas emulavam a anatomia dos pássaros, mas hoje se sabe que as aeronaves não precisam se parecer com aves para voarem efetivamente. Um argumento computacional é utilizado em AI - What is this, onde é demonstrado que, se tivermos uma definição formal de o que é a IA geral, o programa correspondente pode ser encontrado aravés da enumeração de todos os programas possíveis e então testar um a um para verificar qual deles corresponde à definição. Nenhuma definição existe atualmente.

Além disso há questões éticas que deveriam ser consideradas. A construção e manutenção de um cérebro artificial levanta questões morais, a saber, aquelas ligadas à pessoalidade, liberdade e morte. Será que um "cérebro numa caixa" constitui uma pessoa? Que direitos tal entidade teria, sob a lei e tudo mais? Uma vez ativado, teriam os humanos a obrigação de continuar sua operação? E a desativação de um cérebro artificial constituiria morte, dormência, inconsciência, ou outro estado para qual nenhuma descrição humana existe? No fim das contas, um cérebro artificial não está sujeito à degradação celular após a morte (e perda de função associada), tal como os seres humanos, dessa forma um cérebro artificial poderia, teoricamente, retomar seu funcionamento tal como era antes de ser desativado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Artificial brain '10 years away' 2009 BBC news
  2. Kurzweil, Ray (2005), The Singularity Is Near, Viking Press 
  3. Aston University's news report about the project
  4. Os críticos: Resposta inicial de Turing: Outras fontes que concordam com Turing:
  5. Voss, Peter (2006), Goertzel, Ben; Pennachin, Cassio, eds., Essentials of general intelligence Artificial General Intelligence, Springer, ISBN 3-540-23733-X, http://www.adaptiveai.com/research/index.htm#different_approach Essentials of general intelligence 
  6. ver , CAM brain machine e cérebro de gato para exemplos
  7. Jung, Sung Young, "A Topographical Development Method of Neural Networks for Artificial Brain Evolution", Artificial Life, The MIT Press, vol. 11, 3ª edição - verão de 2005, pp. 293-316
  8. Blue Brain na BBC News
  9. (em inglês) Out of the blue
  10. (em inglês) Jaap Bloem, Menno van Doorn, Sander Duivestein, Me the media: rise of the conversation society, Instituto de Pesquisa VINT de Sogeti, 2009, p.273.
  11. Goertzel, Ben. (Dec 2007). "Human-level artificial general intelligence and the possibility of a technological singularity: a reaction to Ray Kurzweil's The Singularity Is Near, and McDermott's critique of Kurzweil". Artificial Intelligence 171 (18, Special Review Issue): 1161–1173. DOI:10.1016/j.artint.2007.10.011.
  12. Fox e Hayes citados em Nilsson, Nils (1998), Artificial Intelligence: A New Synthesis, p581 Morgan Kaufmann Publishers, ISBN 978-1-55860-467-4

Ligações externas[editar | editar código-fonte]