Centro de Informações da Marinha

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O Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), foi criado pelo Decreto nº 42.688, de 21 de novembro de 1957, com a finalidade de obter informações de interesse da Marinha do Brasil, conforme as diretrizes do Estado-Maior da Armada.

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Organização[editar | editar código-fonte]

O CENIMAR, subordinado ao Estado-Maior da Armada e dirigido por um Diretor com o posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra (que, no Exército e na Aeronáutica, é equivalente ao de coronel) nomeado pelo Presidente da República, era a integrado por três divisões, cada uma delas dirigida por um Capitão-de-Corveta (que, nas demais forças, é equivalente ao de major):

  • Divisão de Busca
  • Divisão de Registro e Seleção
  • Serviços Gerais

As Divisões subdividiam-se em Seções operadas por oficiais de Marinha, auxiliados por pessoal militar subalterno e civis requisitados.[1]

No regime militar[editar | editar código-fonte]

Trecho de informe do CENIMAR sobre movimentos subversivos em São Paulo, 1967

Durante a ditadura militar, notadamente a partir de 1968, o órgão passou a ser empregado na repressão à luta armada deflagrada no Brasil por organizações de extrema esquerda que se dispunham a derrubar o regime.

Passou a subordinar-se ao Ministro da Marinha e foi considerado como o mais eficiente órgão de informação militar, dentre outros similares como o DOI-CODI, do Exército e o CISA, da FAB, que atuavam com os mesmos propósitos.

Nesse período extrapolou da competência originária no campo da informação para desenvolver ações repressivas, investigações e prisões com torturas de presos,[2] que tornaram a sede do Rio de Janeiro, localizada na Ilha das Flores, um dos mais conhecidos porões do regime.[3]

As vítimas[editar | editar código-fonte]

O Relatório produzido pelo Projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo enumera várias vítimas de prisão e tortura na Base Naval da Ilha das Flores, entre as quais, Humberto Trigueiros Lima, em 1969, estudante com 21 anos (pag. 190 a 192 do Volume II), Iná de Souza Medeiros, em 1969, estudante com 21 anos (pág. 208 a 210 do Volume II), Sebastião Medeiros Filho, em 1969, com 23 anos (pags. 705 e 706 do Volume III), Tiago Andrade de Almeida, em 1969 (pag. 788 do Volume III), Marta Mota Lima Alvarez, em 1969, com vinte anos (pag.191 do Volume III), Marta Maria Klagsbrunn, em 1969, com 23 anos (pag. 188 a 190 do Volume III), Marijane Vieira Lisboa, em 1969, com 23 anos (pags. 153 e 154 do Volume III) e Maria Dalva de Castro Bonet, em 1972 (GTNM/RJ).

Nesse período, segundo o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, o Comandante da Ilha das Flores, de 1968 a 1970, era o Capitão-de-Mar-e-Guerra Clemente José Monteiro Filho, com Curso de Informações na Zona do Canal do Panamá.[4]

Referências

  1. Legislação pertinente Senado.gov.br.
  2. Os arquivos secretos da Marinha. Por Leonel Rocha. Época, 25 de novembro de 2011.
  3. O Sistema Nacional de Informações - pesquisa (DOC) Rj.anpuh.org.
  4. Clemente José Monteiro Filho GTNM/RJ. Torturanuncamais-rj.org.br.

Ver também[editar | editar código-fonte]