Caapores

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Caapores
População total

991[1]

Regiões com população significativa
Maranhão e Pará, no Brasil[2] [3]
Línguas
ka'apor[4]
Religiões

Os caapores (também chamados urubus, urubus-caapores[5] , cambôs e ka’apor) são um povo indígena que vive no estado do Maranhão, no Brasil. O seu nome significa "povo da mata", através da junção dos termos tupis ka'a ("mata") e poro ("povo")[6] .

História[editar | editar código-fonte]

Este povo surgiu distintamente há cerca de trezentos anos atrás, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Migraram, em 1870, do Pará, através do Rio Gurupi, para o Maranhão.

Em 1911, quando da primeira tentativa, pelas autoridades brasileiras, de pacificação deste povo, por intermédio do Serviço de Protecção aos Índios, os Kaapor, como os nambiquaras no Mato Grosso, foram considerados um dos povos nativos mais hostis do Brasil e, portanto, prioritários para a pacificação. Essa pacificação deu-se em 1928, tendo durado quase setenta anos. Recentes invasões da terra dos Kaapor estão a ameaçar a sobrevivência étnica da tribo.

Língua[editar | editar código-fonte]

A língua kaapor é uma língua da família Tupi-Guarani, não falada por nenhuma outra tribo ou povo, exceto como segunda língua. É mais ligada à língua oiampi, falada a uma distância de novecentos quilômetros, do outro lado do Rio Amazonas. Aparentemente, foi influenciada pela língua geral amazônica, pela língua oiampi e pelas línguas caribes setentrionais.

Possuem uma língua de sinais própria (a Língua de Sinais Kaapor Brasileira), usada tanto pela comunidade surda do povo, como também por seus membros não surdos na comunicação com os surdos. A existência dessa língua deve-se ao fato de os caapores terem uma taxa de surdez (um surdo para cada grupo de 75 não surdos) superior à média dos outros povos.

População[editar | editar código-fonte]

A população, em 1998, rondava os seiscentos e os mil habitantes. A esperança média de vida dos Kaapor é de cerca de 45 anos no nascimento e de entre 55 e sessenta anos para aqueles que sobrevivem à infância.

Religião[editar | editar código-fonte]

Alguns Kaapor afirmam que seus autênticos xamãs (pajés) morreram num dilúvio cósmico. Os xamãs Kaapor actuais invocam os "antepassados" e uma imensidão de divindades que eles acreditam ajudar os xamãs a prever o futuro, a restabelecer suprimentos de caça já esgotados e a curar enfermidades.

Outras informações[editar | editar código-fonte]

São um povo agricultor, dependendo da mandioca-brava, que é consumida principalmente na forma de farinha. Armazenam frutos e caçam cervos-do-pantanal, porcos-do-mato, pacas, cutias, jabutis, jacarés, mutuns, queixadas, bugios, jacus, aracuãs e inhambus.

Referências

  1. BALÉE, W. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaapor/652. Acesso em 29 de junho de 2013.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 743.
  3. BALÉE, W. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaapor/652. Acesso em 29 de junho de 2013.
  4. BALÉE, W. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaapor/652. Acesso em 29 de junho de 2013.
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 743.
  6. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]