Cabiria

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Cabiria
Cabíria (BR)
 Itália
1914 • P&B • 181 min 
Direção Giovanni Pastrone
Produção Giovanni Pastrone
Roteiro Gabriele D'Annunzio
Elenco Lidia Quaranta
Gina Marangoni
Dante Testa
Género Épico
Idioma Italiano
Música Manlio Mazza
Ildebrando Pizzetti
Página no IMDb (em inglês)

Cabiria foi um filme mudo italiano dirigido por Giovanni Pastrone em 1914, ainda nos primeiros anos da indústria cinematográfica da Itália. Além de ser um clássico em si mesmo, também é notabilizado por ser o filme em que o personagem Maciste fez seu debut. O filme era vagamente inspirado em Salammbô, novela de Gustave Flaubert, e na História das Guerras Púnicas. O roteiro e as legendas foram escritas pelo famoso poeta Gabriele d'Annunzio. O filme fez grande sucesso e é considerado uma das maiores obras cinematográficas do cinema mudo italiano.

Histórico[editar | editar código-fonte]

No inicio do século XX, a Itália era um dos maiores exportadores cinematográficos do mundo, graças à fácil aceitação dos filmes mudos nos diversos mercados e à aposta em grandes produções históricas que retratavam o glorioso passado de Roma. E se Quo Vadis, em 1913, foi, provavelmente, o primeiro longa-metragem histórico de proporções épicas, Cabiria, no ano seguinte, foi o exemplo máximo das extravagancias cinematográficas italianas. Produzido durante mais de 2 anos em diversos locais de Itália, Espanha, Suíça e Egito, e com a participação de mais de 6 mil figurantes, Cabiria custou 250 mil dólares, um valor astronômico para a época, resultando num grandioso espectáculo até então nunca visto.

Cabiria estreou a 18 de Abril de 1914 em Turim, num evento tão grandioso como o próprio filme, onde a música especialmente composta por Ildebrando Pizzetti foi interpretada por uma orquestra de 80 elementos, acompanhada por um coro de 70 vozes. Da mesma forma, a estreia do filme em Nova York foi também um evento especial, com a música sendo interpretada por uma orquestra sinfónica e um coro, e com a presença de personalidades conhecidas da época. Em cerca de 4 meses de exibição, Cabiria foi visto por mais de 500 mil pessoas, tornando-se um verdadeiro fenómeno de popularidade.

Cabiria ficou na história como o ponto alto de uma época de ouro do cinema italiano, mas também pelas suas inovações técnicas. Novas técnicas de luz permitiram dar ao filme mais profundidade e ambiente. Além disso, Pastrone não se limita a seguir a ação com a câmera, mas faz com que ela crie a ação e convide o espectador a entrar no filme. Estes movimentos, que na época ficaram conhecidos como os "movimentos Cabiria", e permitiram que o cinema se destacasse ainda mais da fotografia e do teatro e ganhasse um rumo próprio, tornando-se uma arte de pleno direito.

Outra área em que Cabiria viria a influenciar a história é a montagem, já que Pastrone filmou mais de 66 mil pés de película, tendo utilizado “apenas” 14.800, numa demonstração clara de que a montagem foi um elemento importante do processo cinematográfico.

A espectacularidade e as inovações técnicas de Cabiria alteraram a produção cinematográfica e influenciaram um vasto conjunto de realizadores, nomeadamente D. W. Griffith, que teria se inspirado em Cabiria para produzir Intolerância, onde tentou ultrapassar o filme italiano em grandeza e espectacularidade, levando ainda mais longe as inovações técnicas.[1]

Argumento[editar | editar código-fonte]

O filme, com cerca de tres horas de duração, na versão original de 1914, está dividido em quatro partes:

Primeira parte[editar | editar código-fonte]

Cabiria, menina de uma família romana, vive na Sicília com seu irmão Batto. Quando o Etna entra em erupção, a jovem e sua criada Croessa são salvas fugindo pelo mar.

Segunda parte[editar | editar código-fonte]

Cabiria e Croessa são raptadas por piratas fenícios e vendidas como escravas ao sumo sacerdote Karthalo, no mercado de Cartago. Por defender à menina, Croessa é açoitada brutalmente e dada como morta. Cabiria espera para ser sacrificada ao deus Moloch quando é resgatada por Fulvio Axila, um nobre romano, e seu escravo, o gigante Maciste, depois destes serem avisados por Croessa, que sobreviveu à agressão.

Terceira parte[editar | editar código-fonte]

Aníbal cruza os Alpes ao comando do exército cartaginés, enquanto os protagonistas são traídos pelos cartagineses, que conseguem capturar Maciste e Cabiria. Esta passa a servir à filha de Asdrúbal, Sofonisba, paixão de Massinissa, rei da Numídia, enquanto Maciste é preso a uma gigantesca pedra.

Quarta parte[editar | editar código-fonte]

A frota romana é destruída em Siracusa. Passam-se os anos e Massinissa acaba destronado destronado por Sífax, rei de Cirta, o que lhe leva a se aliar com Roma. Em Cartago, Sofonisba é dada em casamento a Sífax contra sua vontade. Fulvio, que tinha escapado, entra como espião em Cartago e consegue libertar a Maciste. Massinissa, à frente das tropas romanas, consegue entrar vitorioso em Cartago e liberta Cabiria. Sofonisba é reclamada como serva por Cipião, mas Massinissa lhe permite se suicidar ingerindo um veneno. Por fim, Fulvio e Cabiria conseguem reunir-se, ao mesmo tempo em que Roma vence definitivamente aos cartagineses.

Restauração[editar | editar código-fonte]

Cabiria foi restaurado pelo Museo Nazionale del Cinema, de Turim, em associação com a PresTech Film Laboratories Ltd., de Londres. A versão sonorizada, com trilha sonora aplicada na própria película, tem 112 minutos. Já a versão integral conta com 195 minutos.[2]

A restauração foi feita a partir de películas encontradas em diversas cidades e nos bens de Giovanni Pastrone.

Em 2006 a cópia restaurada do filme foi exibida no Brasil, durante a 30º Mostra de São Paulo.[3]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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