Caio Calpúrnio Pisão

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Caio Calpúrnio Pisão (em latim: Gaius Calpurnius Piso) foi um senador romano que viveu durante o século I. Foi o principal idealizador da chamada Conspiração de Pisão, o mais famoso e abrangente dos diversos atentados que foram realizados contra a vida do imperador Nero.

Vida[editar | editar código-fonte]

Pisão foi um homem popular em Roma. Herdou de seu pai, cuja identidade ainda é desconhecida, as conexões com diversas famílias distintas, e, de sua mãe, grande riqueza. Pisão descendia da gens antiga e nobre dos Calpurnii[1] e distribuiu sua grande riqueza entre seus diversos clientes, espalhados por todas as classes sociais romanas. Dono de uma villa em Baiae,[2] Pisão tinha, dentre seus diversos interesses, o costume de praticar o canto no palco, atuando em tragédias, além de escrever poesia.

Pisão foi descrito como alto, de boa aparência, afável, um excelente orador e advogado nas cortes. Apesar disso, sua integridade era questionada; de acordo com o historiador romano Tácito, Pisão utilizou-se de sua eloquência para defender seus concidadãos, e, embora sempre generoso e gracioso em sua fala, faltava-lhe seriedade, e era considerado como muito ostentador, e com uma inclinação para o sensual.[1] Em 40 d.C. o imperador Calígula baniu Pisão de Roma, depois de se interessar pela sua esposa. Calígula forçou-a a se separar dele, apenas para acusar então o próprio Pisão de ter cometido adultério com ela, para conseguir estabelecer um motivo para pedir o seu banimento.[3] Pisão só retornaria a Roma um ano depois do assassinato de Calígula.

Conspiração e morte[editar | editar código-fonte]

Em 41 d.C. o imperador Cláudio convocou Pisão, e fez dele o seu companheiro de consulado.[4] A partir daí Pisão tornou-se um senador poderoso, especialmente durante o reinado de Nero, e em 65 liderou uma iniciativa secreta que visava derrubar do poder o imperador, que ficou conhecida como a Conspiração de Pisão.

Pisão conseguiu atiçar o ódio entre os senadores contra o imperador Nero, de maneira a obter ele próprio o poder. Já em 62 se ouviam comentários, entre aqueles da classe senatorial, além da nobreza e dos equites ("cavaleiros"), de que Nero estaria arruinando Roma.[5] No ano de 65 a cidade já havia passado pelo Grande Incêndio de Roma e pela perseguição aos cristãos, e o caos social decorrente possibilitou que diversos grupos de conspiradores se unissem sob a liderança de Pisão, com a meta de matar o imperador.

Em 19 de abril de 65 o liberto Mílico traiu Pisão e revelou a trama para assassinar o imperador;[5] os conspiradores foram todos presos. No total, dezenove foram condenados à morte, e outros treze foram exilados,[5] o que revelou o grande alcance da conspiração. Pisão recebeu a ordem de cometer suicídio, que ele cumpriu na maneira tradicional, cortando suas veias e sangrando até à morte.

Notas[editar | editar código-fonte]

  • O poeta Calpúrnio Sículo provavelmente se referia à Pisão com o seu Melibeu (Meliboeus), personagem principal do panegírico ''De laude Pisonis ("Sobre o louvor a Pisão").

Referências

  1. a b Bunson, Matthew. "Piso, Gaius Calpurnicus." Encyclopedia of the Roman Empire. New York: Facts on File, 1994
  2. Rogers, Robert Samuel. "Heirs and Rivals to Nero." Transactions and Proceedings of the American Philogical Association, Vol. 86. 1955, pp. 190-212
  3. Hazel, John. "Piso, 1." Who's Who in the Roman World. London: Routledge, 2001.
  4. The Cambridge Ancient History. Vol. 5, VII ed. London: Cambridge University Press, 1970-2007.
  5. a b c Bunson, Matthew. "Pisonian Conspiracy." Encyclopedia of the Roman Empire. New York: Facts on File, 1994.

Fontes[editar | editar código-fonte]