Caixa negra

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Gravador de dados de vôo (Flight Data Recorder).
Gravador de voz da cabine (Cockpit Voice Recorder).
Outros modelos de caixa-preta.
Militares seguram caixa-preta do Boeing 737-800 do Vôo Gol 1907. Foto: AgênciaBrasil
Cilindro do gravador de voz da cabine do Gol 1907, encontrado enterrado com o auxílio de um detector de metal. Foto: AgênciaBrasil

A caixa-pretaPB ou caixa-negraPE é nome popular de um sistema de registro de voz e dados existente nos aviões (e mais recentemente nas locomotivas dos Estados Unidos e Europa). O som ambiente das cabinas de comando e do sistema de áudio são gravados pelo "Gravador de Voz", ou CVR (de Cockpit Voice Recorder), e os dados de performance como velocidade, aceleração, altitude e ajustes de potência, entre tantos outros, é gravado em outro equipamento conhecido como "Gravador de Dados", ou FDR (de Flight Data Recorder). São, portanto, dois equipamentos distintos e independentes, mas ambos com uma inscrição eletrônica de tempo, que é fundamental para colimar ou superpor os eventos de voz com os eventos de performance.

São colocadas normalmente na cauda do avião e feitas de materiais muito resistentes, como aço inoxidável e titânio, capazes de suportar uma aceleração de 33 km/s², um impacto de 3.400G (1G= aceleração da gravidade da Terra), temperaturas de até 1.100°C por uma hora, e pressão aquática em profundidades de até 6.000 m, de forma a permitir que em caso de acidente se consigam recuperar os registros e investigar as causas do acidente.

Sistemas nos aviões[editar | editar código-fonte]

A incorporação destes sistemas nos aviões permitiu a melhoria da segurança nas viagens aéreas, já que foi possível assim detectar falhas que anteriormente davam origem a acidentes graves cuja causa não era possível ou muito difícil de determinar. Nos anos 50 era freqüente o acréscimo de novos equipamentos às aeronaves, e os pilotos Estadunidenses costumavam apelidá-los de caixas-pretas (another "black box" installed in our plane). E, de fato, os primeiros registradores de voz de cabina eram realmente pretos como todos os demais aviônicos. Logo se percebeu que, após um acidente, era bem mais fácil encontrar o equipamento entre os destroços se ele possuísse uma cor destacada. Hoje, eles geralmente apresentam uma cor laranja ou vermelho vivo, e ao contrário do que muitos pensam, ela não possuiu um transmissor de GPS. Quando submersa, o que dificulta a sua identificação visual, a caixa negra é capaz de emitir um pulso sonoro, na frequencia de 37,5 kHz, a uma profundidade de até 4.267 m

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro projeto e construção de um protótipo de caixa-preta que se tem notícia foi do engenheiro francês François Hussenot (1912–1951).[1] Construído em 1941, era um dispositivo rudimentar equipado com espelhos, em que um filme fotográfico era sensibilizado por flashes vindos dos instrumentos de bordo. O dispositivo foi aperfeiçoado durante a 2ª Guerra Mundial, passando a utilizar fita de metal ou bobinas de alumínio que eram, de forma inerente, muito mais resistentes às chamas do que a fita plástica convencional e, portanto, mais apropriado para resistir a um acidente aeronáutico.

Até então, não havia a gravação de áudio a bordo. Em 1958, o cientista e engenheiro de aviação australiano David Warren produziu um protótipo que chamou de "Unidade de Memória de Voo". Em 1953, Warren havia auxiliado nas investigações de várias quedas inexplicadas de aviões Comet, o que estava colocando em risco o futuro da aviação comercial. A partir de então, passou a desenvolver o projeto de um dispositivo de gravação de áudio da cabine do piloto e dos dados do voo. Gravava quatro horas de conversas na cabine e registrava as leituras dos controles. O áudio era gravado em uma bobina de aço magnetizada.

No entanto, o dispositivo foi rejeitado pelas autoridades de aviação, que não viram grandes benefícios na sua utilização, enquanto pilotos afirmavam que seriam "espionados" e viam aquilo como um risco para as suas carreiras profissionais. Warren, então, levou sua invenção para o Reino Unido, onde encontrou interesse por parte das autoridades e dos fabricantes.

A partir de 1960, o equipamento ficou conhecido nos EUA e já se davam os primeiros passos para torná-lo obrigatório nos aviões comerciais.[2]

Gravadores atuais[editar | editar código-fonte]

Com os avanços da tecnologia, as caixas-pretas utilizam como meio de gravação, os chips em invólucro resistente às chamas e impactos com capacidade de gravação bem superior.

A caixa-preta é um instrumento de uso obrigatório e universal, e as autoridades aeronáuticas são unânimes quanto a sua utilidade e valor. Como resultado dos protestos dos pilotos e seus respectivos sindicatos em época imediatamente anterior à sua introdução, todos os equipamentos de gravação de voz ou CVR possuem um botão "Erase" (apagar), que permite, somente após um pouso normal, apagar todo o conteúdo gravado pelo equipamento, impedindo assim um uso inapropriado ou anti-sigiloso de suas gravações.

Referências

  1. François Hussenot (em inglês). Wikipedia. Página visitada em 18/4/2014.
  2. Quem inventou a caixa-preta?. BBC Brasil (16/4/2014). Página visitada em 18/4/2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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