Calígula

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Calígula
Imperador romano
Caligula bust.jpg
Busto de Caio Calígula no Museu do Louvre, Paris
Governo
Reinado 16 de março de 37-24 de janeiro de 41
(Cônsul desde 39)
Antecessor Tibério
Sucessor Cláudio
Dinastia Júlio-claudiana
Vida
Nome completo Caio Júlio César Augusto Germânico
Nascimento 31 de agosto de 12
Anzio
Morte 24 de janeiro de 41 (28 anos)
Roma
Esposas Júnia Claudilla
Lívia Orestila
Lólia Paulina
Milônia Cesônia
Filhos Júlia Drusila
Pai Germânico
Mãe Agripina Maior

Caio Júlio César Augusto Germânico (em latim Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus; 31 de agosto de 12 d.C. - 24 de janeiro de 41), também conhecido como Caio César ou Calígula (Caligula), foi imperador romano de 16 de março de 37 até o seu assassinato, em 24 de janeiro de 41. Foi o terceiro imperador romano e membro da dinastia júlio-claudiana, instituída por Augusto. Ficou conhecido pela sua natureza extravagante e cruel. Foi assassinado pela guarda pretoriana, em 41, aos 28 anos. A sua alcunha Calígula, à qual significa "botinhas" em português, foi posta pelos soldados das legiões comandadas pelo pai, que achavam graça em vê-lo mascarado de legionário, com pequenas caligae (sandálias militares) nos pés.

Era o filho mais novo de Germânico que, por sua vez, era sobrinho do imperador Tibério. Germânico é considerado um dos maiores generais da história de Roma. Já a mãe de Calígula era Agripina. O futuro imperador cresceu com a numerosa família (tinha dois irmãos e três irmãs) nos acampamentos militares da Germânia Inferior, onde o pai comandava o exército imperial (1416). Após a celebração em Roma do triunfo do seu progenitor, marchou com ele para o Oriente. Germânico viria a falecer durante a sua estadia em Antioquia, em 19. Após enterrar o seu pai, Calígula regressou com mãe e os irmãos para Roma, onde a incomodidade que a sua presença gerava no imperador degenerou em inimizade, causadora provável das estranhas mortes de uma série de parentes do futuro imperador, entre os quais, dois dos seus tios. As suas relações com Tibério pareceram melhorar quando este se mudou para Capri e foi designado pontifex maximus. À sua morte —a 16 de março de 37—, Tibério ordenou que o império devia ser governado conjuntamente por Calígula e Tibério Gemelo.

Após desfazer-se de Gemelo, o novo imperador tomou as rédeas do império. A sua administração teve uma época inicial pontuada por uma crescente prosperidade e uma gestão impecável; porém, a grave doença pela qual passou o imperador marcou um ponto de inflexão no seu jeito de reinar. Apesar de que uma série de erros na sua administração derivaram numa crise econômica e numa fome, empreendeu um conjunto de reformas públicas e urbanísticas que acabaram por esvaziar o tesouro. Apressado pelas dívidas, pôs em funcionamento uma série de medidas desesperadas para restabelecer as finanças imperiais, entre as que se destaca pedir dinheiro à plebe.

Militarmente, o seu reinado esteve caracterizado pela anexação da província da Mauritânia (a cujo monarca assassinou numa das suas visitas a Roma), pelo insucesso na conquista da Britânia e pelas tensões que açoitaram as províncias orientais do império. No Oriente, deu amostras da sua graça mediante a concessão dos territórios de Bataneia e Traconítide ao seu amigo Herodes Agripa I, e da sua megalomania ao ordenar que fosse erigida uma estátua na sua honra no Templo de Jerusalém; enquanto no Ocidente deu-as da sua demência ao pedir o exército que em vez de atacar as tribos britanas se pusesse a recolher conchas, o tributo que segundo ele essas águas lhe deviam ao monte Capitolino e ao monte Palatino.

Segundo determinados historiadores, nos seus últimos anos de vida esteve envolvido numa série de escândalos entre os quais se destacam manter relações incestuosas com as suas irmãs e até mesmo obrigá-las a prostituir-se. A 24 de janeiro de 41, foi assassinado pelos executores de uma conspiração integrada por pretorianos e senadores, e liderados pelo seu praefectus, Cássio Querea. O desejo de alguns conspiradores de restaurar a república viu-se frustrado quando, no mesmo dia do assassinato de Calígula, o seu tio Cláudio foi declarado imperador pelos pretorianos. Uma das primeiras ações de Cláudio como imperador foi ordenar a execução dos assassinos do seu sobrinho.

Existem poucas fontes sobreviventes que descrevam o seu reinado, nenhuma das quais refere de maneira favorável. Pelo contrário, as fontes centram-se na sua crueldade, extravagância e perversidade sexual, apresentando-o como um tirano demente.[1] Embora a fiabilidade destas fontes seja difícil de avaliar, de acordo com o conhecido com certeza a respeito do seu reinado, trabalhou incansavelmente a fim de aumentar a autoridade do princeps; tendo de fazer face a várias conspirações surgidas com o objeto de derrocá-lo e lutando a fim de reduzir a influência do senado, esmagando a oposição que este órgão legislativo continuava exercendo. Tornou-se o primeiro imperador em apresentar-se frente do povo como um deus.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Nascido com o nome de Caio Júlio César Germânico a 31 de agosto de 12 nas imediações de Anzio,[2] Calígula era o terceiro dos seis filhos sobreviventes do matrimônio entre Germânico e Agripina.[3] Os seus irmãos foram Nero e Druso,[3] e as suas irmãs Júlia Lívila, Drusila e Agripinila.[3] Por parte do seu pai era sobrinho do futuro imperador Cláudio.[4]

Germânico, o seu pai, era um importante membro da dinastia júlio-claudiana; e é hoje em dia considerado como um dos maiores generais do Império Romano.[5] Era filho de Nero Cláudio Druso e Antónia, a Jovem, neto de Tibério Cláudio Nero e Lívia; e sobrinho neto e filho adotivo de Augusto.[6]

Agripina era filha de Marco Vipsânio Agripa e Júlia, a Velha,[3] e neta de Augusto e Escribônia.[3]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Uma caliga.

Durante a sua infância (com apenas dois ou três anos) acompanhou o seu pai nas campanhas que este liderou a norte de Germânia; tornando-se o mascote do exército.[7] Aos soldados divertia-os o fato de ir vestido com um uniforme militar em miniatura que incluía botas e armadura,[7] e por isso deram-lhe a carinhosa alcunha de "Calígula" ("botinhas").[8] Aparentemente, o futuro imperador odiava a sua alcunha.[9]

Quando tinha sete anos acompanhou a Germânico a uma expedição à Síria.[10] Nessa expedição faleceu o seu pai a 10 de outubro de 19. Segundo Suetônio, Germânico foi envenenado através de um agente contratado por Tibério, que via ao general como um perigoso rival político.[11]

Após a morte do seu pai, mudou-se a Roma com a sua mãe até deteriorarem-se as relações entre ela e Tibério.[10] O imperador não podia permitir que Agripina se casasse, por medo a que o seu marido se tornasse um possível adversário político,[12] e ela e Nero foram exilados em 29 sob acusações de traição.[13] [14] Calígula, que por essa época era um adolescente, foi enviado a viver com a sua bisavó e mãe de Tibério, Lívia.[10] Após a morte de Lívia, foi acolhido pela sua avó Antônia.[10] Em 30, Druso César foi encarcerado e Nero faleceu no exílio, não é sabido se por inanição ou por suicídio.[14] [15] Suetônio escreve que após o desterro da sua mãe e os seus irmãos, ele e as suas irmãs ficaram como pouco mais que prisioneiros de Tibério, e submeteu-os a uma estreita vigilância por parte dos soldados imperiais.[16]

Em 31, Calígula passou a fazer parte do pessoal encarregado dos cuidados de Tibério em Capri, onde o jovem permaneceu durante seis anos.[10] Surpreendentemente, Calígula reconciliou-se com o imperador.[17] Segundo certos historiadores era um excelente ator que, vendo o perigo, decidiu esconder o ressentimento que albergava para Tibério.[10] [18] Um observador disse de Calígula:

Cquote1.svg Nunca houve aqui um melhor servente ou um pior mestre.[10] [18] Cquote2.svg

Em 33, Tibério concedeu-lhe o cargo de questor, que conservou até a sua nomeação como imperador.[19] Por essa época faleceram em prisão Agripina e Druso, a sua mãe e irmão.[20] [21] Calígula contraiu matrimônio com Júnia Claudilla. Este matrimônio terminou com a morte de Júnia durante um parto no ano seguinte.[22] [23] Tornou-se amigo do praefectus, Névio Sutório Macro, que resultaria ser um importante aliado.[22] Incitado por Calígula, Macro falou bem a Tibério a respeito do seu amigo de modo a que o imperador não albergasse para o filho do seu velho rival nenhuma suspeita.[24]

Em 35, Calígula e Tibério Gemelo foram designados herdeiros ao trono.[25]

Imperador[editar | editar código-fonte]

Início do seu reinado[editar | editar código-fonte]

Calígula frente da tumba dos seus antepassados, por Eustache le Sueur, 1647.

Quando Tibério faleceu a 16 de março de 37, a sua posição e títulos adquiridos como princeps foram transferidos a Calígula e ao neto de Tibério, Tibério Gemelo. Apesar de Tibério ter então 77 anos, alguns historiadores defendem que foi assassinado.[22] [26] Tácito escreve que o praefectus Macro asfixiou o imperador a fim de garantir a ascensão de Calígula;[26] Suetônio afirma que até mesmo o novo herdeiro pôde ter sido o autor do assassinato.[22] Pela sua vez, Fílon e Josefo registram que Tibério faleceu por morte natural.[27] Respaldado por Macro, Calígula foi designado imperador em solitário ao anular o testamento de Tibério alegando demência deste ao outorgá-lo.[28]

Calígula aceitou todos os poderes do principado que lhe conferiu o senado e, quando entrou em Roma a 28 de março, foi recebido por uma grande multitude que o aclamou entre outros com as alcunhas de "o nosso bebé" e "a nossa estrela".[29] É descrito como o primeiro imperador que, no momento da sua ascensão, era apreciado por todos.[30] Este apreço era devido ao fato de ser o filho do finado Germânico,[29] muito amado pela plebe, bem como o sucessor de Tibério, cuja época final no trono fora terrível para o povo romano.[31] Segundo Suetônio foram sacrificados cerca de 160.000 animais na sua honra durante os três primeiros meses do seu reinado.[32] [33] Segundo Fílon, os primeiros sete meses do reinado de Calígula foram dos mais felizes que experimentara o Império em muito tempo.[34]

Os primeiros atos de Calígula como imperador foram generosos com o povo e o exército embora, segundo Dião Cássio, fora em parte devido a simples interesses políticos:[28] O imperador concedeu à guarda pretoriana e às tropas urbanas e fronteiriças uma generosa recompensa pelos serviços prestados, a fim de ganhar o apoio do exército.[28] Destruiu os documentos nos quais ficaram registrados os nomes dos acusados de traição durante o mandato de Tibério, declarou que os juízos por traição eram coisa do passado e chamou para Roma os exilados.[35] Ajudou os afetados pelo sistema de impostos imperial, desterrou os delinquentes sexuais e celebrou luxuosos espetáculos, tais como os combates de gladiadores, ganhando assim o apoio do povo.[36] [37] Também recolheu os ossos da sua mãe e os seus irmãos e depositou-os no Ara Pacis.[38]

Enfermidade, conspirações e câmbio de atitude[editar | editar código-fonte]

Fazendo realidade um auspício formulado em princípios do seu reinado, Calígula caiu gravemente enfermo em outubro de 37. Esta doença é descrita nomeadamente pelo historiador Fílon,.[39] Dião Cássio também a menciona brevemente na sua obra.[40] Segundo Fílon a sua doença devia-se a que Calígula, após ser nomeado imperador, tornou-se amigo demais dos excessos.[41] O império ficou paralisado ao receber a notícia da doença, pois o seu jovem monarca levara-os para um período de prosperidade que diziam equiparável ao de Augusto.[42] Embora Calígula conseguisse recuperar-se por completo desta doença, o estar tão perto da morte marcou um ponto de inflexão no seu modo de reinar,[43] tal qual indica Josefo.[44]

Após recobrar a saúde, Calígula ordenou assassinar várias pessoas que prometeram as suas vidas aos deuses se o imperador se recuperava.[45] Forçou a cometer suicídio àqueles exilados durante o seu reinado: a sua esposa; o seu sogro, Marco Silano; e o seu primo, Tibério Gemelo.[45] [46]

Fílon escreve que Gemelo instigou uma conspiração contra Calígula enquanto o imperador estava enfermo.[47] Antes de se suicidar, Silano foi julgado por Calígula[48] pois Júlio Grecino, o encarregue de justiçá-lo num primeiro momento, recusou, sendo executado por isso.[48] Suetônio crê que estes complôs eram pura imaginação do imperador.[49]

Reformas públicas[editar | editar código-fonte]

Quadrans emitido a fim de celebrar a abolição dos impostos de 38. Notar que o anverso da moeda tem uma gravura da liberdade, que simboliza a libertação do povo da pressão fiscal.[50]

Em 38, a administração de Calígula focou-se nas reformas públicas e políticas que precisava o império. Foi publicado um documento com os registros das despesas que realizara o imperador, algo nunca feito durante o reinado de Tibério; os afetados pelos incêndios foram ajudados; foram abolidos certos impostos; e impulsionados os eventos desportivos. Também foram admitidos novos membros nas ordens senatorial e equestre.[51] Talvez o mais significativo deste período seja a volta das eleições democráticas.[52] Dião Cássio disse desta decisão do imperador que:

Cquote1.svg …embora causasse o deleite da plebe, não era um ato sensato, pois as oficinas voltariam a cair uma vez mais nas mãos de muitos, fazendo que os fundos se empregassem para fins privados em lugar de obter renda, do qual derivariam muitos desastres.[53] Cquote2.svg

Durante este mesmo ano, Calígula foi duramente criticado por ordenar execuções sem juízo prévio. A mais significativa foi a do ex prefeito do pretório Sutório Macro, a quem em muitos sensos Calígula devia o trono.[40]

Crise econômica e fome[editar | editar código-fonte]

Segundo Dião Cássio, o império teve de fazer face a uma grave crise econômica em 39.[40] Suetônio estabelece o começo da crise em 38.[54] A política de Calígula, pontuada pela generosidade e a extravagância, esgotou as reservas financeiras do Império. Os historiadores antigos afirmam que Calígula reagiu acusando falsamente alguns senadores e cavaleiros para os multar e até mesmo executá-los com o propósito de se apoderar do seu patrimônio.[55] Com o objeto de fazer face à crise, Calígula pôs em funcionamento uma série de medidas desesperadas, algumas das quais são descritas pelos historiadores; como pedir dinheiro ao povo nos atos públicos.[56] Estabeleceu novos impostos nos juízos, casamentos e prostíbulos,[57] e implementou leilões pelas vendas dos gladiadores nos espetáculos.[55] [58] Os testamentos de cidadãos romanos que deixavam os seus bens a Tibério foram reinterpretados de modo a que Calígula recebesse esses bens.[59] Os centuriões que adquiriram propriedades durante saques foram obrigados a devolver a sua pilhagem ao Erário,[59] e os oficiais responsáveis pelo cobro dos impostos relativos ao uso de calçadas foram acusados de incompetência e malversação, e multados duramente.[59]

O Obelisco Vaticano foi inicialmente construído no Egito pela administração de Calígula. Originariamente foi concebido como o centro de um hipódromo construído na província.

Talvez fosse esta crise econômica a causadora de uma breve fome de grandes dimensões que açoitou o império por essa época, embora os historiadores clássicos difiram nas suas opiniões: Segundo Suetônio, era devida a que Calígula confiscara a maioria de carruagens públicas.[55] Segundo Sêneca, o motivo foi que Calígula impediu o uso de barcos para o transporte de cereais para os utilizar como ponte flutuante.[60]

Urbanismo[editar | editar código-fonte]

Apesar da crise econômica, Calígula efetuou numerosos projetos de construção durante o seu reinado. Alguns destes edifícios eram públicos, mas a maioria foram erigidos com um fim privado.

Segundo Flávio Josefo, os projetos mais importantes realizados durante o reinado de Calígula foram as ampliações dos portos de Régio (atual Régio da Calábria e Sicília). Após efetuar tais obras, foi possível aumentar o volume de cereais embarcados desde o Egito.[61] Estas reformas talvez fossem realizadas em resposta ao episódio de fome.

Foram completados o Templo de Augusto e o Teatro de Pompeu, começou a construção de um anfiteatro nas imediações da Saepta,[62] e foi reformado o Palácio Imperial.[63] Começaram a construir o Aqua Claudia e o Anio Novus, aquedutos que Plínio o Velho considerava maravilhas da engenharia.[62] [64] [65] Foi erigido um grande circo, conhecido como o Circo de Caio e Nero. Para decorar este edifício, foi transportado um grande obelisco da província do Egito, o atual Obelisco Vaticano, que foi erigido no seu centro.[66] Em Siracusa, foram reparadas as muralhas e os templos da cidade.[62] Foram construídas novas estradas e reparadas as antigas.[67] [68] O imperador também planejava reconstruir o palácio de Polícrates de Samos, terminar o Templo de Apolo Didimeu em Éfeso e fundar uma cidade no cume dos Alpes.[62] Contudo, o mais ambicioso dos projetos que Calígula quis efetuar foi o de escavar um canal através do Istmo de Corinto, na então província romana da Acaia (atualmente Grécia).[62]

Em 39, Calígula efetuou um espetaculoso trabalho de engenharia; construiu uma ponte flutuante temporária que ligava os portos de Baias e Puteoli empregando barcos.[69] Tem-se escrito que esta ponte rivalizava com a que ergueu o Rei Persa Xerxes I a fim de cruzar o Helesponto.[69] Calígula, que não sabia nadar,[70] atravessou o rio em lombo do seu cavalo, Incitatus, e portando a armadura de Alexandre o Grande.[69] É provável que o imperador realizasse isto a fim de cumprir a predição de Tibério Cláudio Trasilo, que dissera que ninguém tinha mais possibilidades de se tornar imperador que aquele que cruzara a cavalo a Baía de Baias.[69]

Ordenou a construção de duas enormes embarcações, as quais foram encontradas nas profundezas do Lago de Nemi. Estes dois barcos figuram entre os maiores do mundo antigo; o menor de eles foi construído com o fim de albergar um templo consagrado a Diana, enquanto o maior era em essência um palácio para o imperador, com solos de mármore e o seu próprio sistema de canharias.

Calígula e o senado[editar | editar código-fonte]

Em 39, as relações entre Calígula e o senado deterioraram-se gravemente.[71] [72] Embora se desconheça a origem desta disputa, é sabido que houve uma série de fatores que a agravaram em larga medida. Desde que Tibério se retirou em Capri em 26, o senado acostumara-se a tomar as suas próprias decisões; mas a ascensão ao trono de Calígula alterou este fato.[73] Além disso, os juízos por traição de Tibério eliminaram um grande número de senadores partidários da dinastia júlio-claudiana, tais como Asínio Galo.[73]

Calígula revisou os casos dos acusados por traição durante o reinado de Tibério, e com base nos documentos, decidiu que muitos senadores não eram dignos de confiança.[71] Estes homens foram investigados, e em muitos casos julgados.[71] Como resultado, o imperador substituiu o cônsul e executou vários senadores.[74] Suetônio escreve que Calígula denegriu gravemente a vários senadores ao obrigá-los a aguardar e depois a correr detrás do seu carro.[74]

Após o estancamento das suas relações com o senado, Calígula teve de fazer face a um grande número de conspirações instigadas com o fim de derrocá-lo.[75] No fim de 39, o imperador descobriu um complô no que se viu envolvido o seu cunhado, Marco Emílio Lépido.[75] Pouco depois mandou executar o governador da Germânia, Cneu Cornélio Lêntulo Getúlico, acusando-o de fazer parte de outra conspiração.[75]

Guerra no Ocidente[editar | editar código-fonte]

Militarmente, o reinado de Calígula esteve pontuado pela expansão das fronteiras do Império através da anexação da província de Mauritânia e pelo começo dos preparativos para a conquista da ilha da Britânia (província romana).

Mauritânia era um reino cliente de Roma governado por Ptolemeu da Mauritânia, a quem Calígula mandou executar durante uma das suas visitas a Roma.[76] Após a morte do seu governante, os territórios que formavam o reino foram anexados ao Império e divididos em duas províncias independentes.[77] O descontente surgido entre os habitantes das duas novas províncias derivou numa importante revolta, que seria sufocada durante a administração de Cláudio.[78] [79] Dião Cássio escreveu um capítulo inteiro a respeito da anexação da Mauritânia, que desapareceu.[80]

O imperador planejou uma campanha contra os Britanos em 40, mas a sua execução foi realmente estranha: segundo escreve Suetônio na sua obra As Vidas dos Doze Césares, o imperador dispôs as tropas em formação de batalha ao longo do Canal da Mancha e ordenou que atacaram permanecendo na água. Posteriormente ordenou que os soldados deviam recolher conchas da água como "o tributo que o oceano devia ao monte Capitolino e ao monte Palatino".[81] Devido à prática ausência de fontes, o que ocorreu ali é motivo de debate até mesmo entre os escritores contemporâneos a Calígula. Os historiadores modernos apresentaram um grande número de teorias, numa tentativa de explicar estas ações. O mais fatível é que esta viagem fosse concebida como uma simples missão de exploração e reconhecimento do terreno,[82] ou com o objetivo de aceitar a rendição do cacique britano Admínio.[83] [84] Também é possível de que os antigos historiadores se referissem a estas "conchas"[85] em senso metafórico, querendo referir-se aos genitais femininos (é provável que as tropas visitassem prostíbulos), ou à captura de barcos britanos quando pequeno tamanho.[86] [87] Na cunhagem de moedas, o imperador engrandeceu os seus sucessos militares.[88] [89] [90]

Calígula, o deus[editar | editar código-fonte]

Ruinas do Templo de Castor e Pólux no Fórum Romano. As fontes antigas sugestionam que durante o seu reinado, Calígula ampliou o palácio anexo a esta estrutura.

Em 40, Calígula desenvolveu uma série de políticas muito controvertidas que fizeram da religião um importante elemento do seu papel político. O imperador começou a realizar as suas aparições públicas vestido de deus e semideus, como Hércules, Mercúrio, Vênus e Apolo.[91] Referia a si mesmo como um deus quando comparecia ante os senadores, e ocasionalmente aparecia nos documentos públicos com o nome de Júpiter.[92] [93] Erigiu três templos adicados a si mesmo; dois em Roma e um em Mileto, na província da Ásia.[93] No Fórum, o Templo de Castor e Pólux foi vinculado diretamente à residência imperial no Palatino e dedicado a Calígula.[93] [94] Foi a esta época que começou a aparecer como um deus frente da plebe.

A política religiosa de Calígula rompia totalmente com a dos seus predecessores. Segundo Dião Cássio, os imperadores vivos podiam ser adorados no Oriente , enquanto os imperadores mortos o podiam ser em Roma.[95] Augusto até mesmo escreveu uma obra a respeito do seu espírito, embora Dião considere este ato como uma medida extrema que os imperadores preferiam esquivar.[95] Calígula foi muito mais além ao obrigar o senado e o povo a render-lhe culto em vida.[96]

Política no Oriente[editar | editar código-fonte]

Durante o seu reinado, aconteceram uma série de revoltas e conspirações com origem nas províncias orientais. O imperador recebeu para esta tarefa a ajuda do seu amigo Herodes Agripa, a quem nomeou governador dos territórios de Bataneia e Traconítide.[97] [98]

Esta difícil situação no Oriente era motivada pela conjunção de três fatores: a difusão da cultura grega, a lei romana e os direitos dos judeus.

Para agravar a situação, o praefectus do Egito, Aulo Avílio Flaco, não era homem de confiança do imperador. Flaco fora fiel a Tibério, conspirara contra a mãe de Calígula e contava com ligações com os egípcios separatistas.[99] Em 38, o imperador decidiu vigiar a Flaco, para o que enviou Agripa para Alexandria sem prévio aviso.[100] Segundo Fílon, a visita foi recebida com protestos contra a comunidade grega, que cria que Agripa queria proclamar-se rei dos judeus.[101] Flaco tratou de contentar os gregos e Calígula ao levantar estátuas do imperador nas sinagogas da região.[102] Como resultado, estouraram distúrbios na cidade,[103] ao que Calígula respondeu relevando Flaco do seu posto e executando-o.[104]

Em 39, Agripa acusou Herodes Antipas, o tetrarca de Galileia e Pereia, de traçar uma rebelião contra o governo romano com o apoio do Império Parta. Antipas confessou e Calígula exilou-o. Como recompensa, Agripa recebeu as províncias de Bataneia e Traconítide.[44]

Em 40, ocorreram novos distúrbios em Alexandria que enfrentaram gregos e judeus.[105] Os judeus foram acusados de se negarem a render culto ao imperador,[105] e esse mesmo ano estouraram distúrbios na cidade de Jamnia.[106] O motivo da revolta era o descontente que gerara entre a população judaica a construção de um altar. As tensões foram em aumento até os dirigentes religiosos ordenarem destruí-lo.[106] Em retaliação, Calígula ordenou pôr uma grande estátua sua no Templo de Jerusalém,[107] algo incompatível com o monoteísmo judeu.[108] Fílon escreveu que:

Cquote1.svg Considerava [Calígula] suspeitos à maioria dos judeus, como se fossem as únicas pessoas que desejavam opôr-se.[108] Cquote2.svg

Temendo que a ordem do imperador provocasse o estouro de uma guerra civil, o governador da Síria, Públio Petrônio, adiou a sua execução.[109] Finalmente, convencido por Agripa, Calígula revogou tal ordem.[105]

Escândalos[editar | editar código-fonte]

Sestertius com a gravura de Calígula, por volta de 38. O reverso representa as três irmãs de Calígula, Agripina, Drusila e Júlia Lívila, com as que se rumorejou que o imperador manteve relações incestuosas.

As fontes sobreviventes oferecem um importante número de histórias a respeito de Calígula que ilustram a sua crueldade e a sua demência.

As fontes contemporâneas, Fílon de Alexandria e Sêneca, o Moço, descrevem o imperador como um demente irascível, caprichoso, derrochador e enfermo sexual.[110] [111] [112] [113] Era acusado de alardear de se acostar com as mulheres dos seus súditos,[114] de matar por pura diversão,[115] de provocar uma fome ao gastar demais dinheiro na construção da sua ponte,[116] e de querer erigir uma estátua de si mesmo no Templo de Jerusalém com o objeto de ser adorado por todos.[107]

Fontes posteriores, entre as que se destacam Suetônio e Dião Cássio, repetiram nos seus relatos os fatos indicados por autores anteriores e acrescentaram novas histórias de loucura. Calígula foi acusado de manter relações incestuosas com as suas irmãs:Agripina a Menor, Drusila e Júlia Lívila. Suetônio o descreve com tendo:"Estatura alta,corpo enorme,de pescoço e pernas delgadas.Olhos fundos,fronte larga e carrancuda e cabelos raros e alto da testa desguarnecido.Tinha corpo cabeludo e rosto horrível e repelente,e ele procurava torná-lo cada vez mais feroz,ensaiando diante de um espelho,para inspirar terror e espanto". Também se disse que as obrigara a prostituir-se.[117] [118] [119] Além disso, estes historiadores acusam de enviar algumas tropas a efetuar exercícios militares absurdos,[80] [120] e de tornar o palácio num bordel.[56] Provavelmente a história mais famosa é a que conta que o imperador quis nomear o seu cavalo, Incitatus, cônsul e sacerdote.[58] [93] [121]

A validez destas fontes é questionável pois, na cultura política romana, a demência e a perversão sexual iam da mão nas crônicas que descreviam os maus governantes.[122] [123]

Assassinato e consequências[editar | editar código-fonte]

Busto de Calígula do século I, atualmente exposto em Getty Villa.

As fontes antigas descrevem o reinado de Calígula como um açuite para as ordens senatorial e equestre.[124] Segundo Josefo, as ações do imperador desencadearam uma série de conspirações na sua contra,[125] [126] [127] até finalmente ser assassinado; no mesmo, viram-se envolvidos os integrantes da guarda pretoriana, liderados por Cássio Querea.[128] Embora o complô fosse concebido somente por três homens, é provável que muitos senadores, soldados e equites estivessem à par do mesmo e, de certa forma, envolvidos.[129] [130]

Segundo Josefo, as motivações de Querea para cometer o assassinato eram puramente políticas.[131] Suetônio escreve que o motivo do assassinato foram as zombarias de Calígula, que usava nomes pejorativos para se referir a Querea,[125] ao que considerava um afeminado e um arrecadador de impostos incompetente.[132] [133] As alcunhas mais empregues pelo imperador para se referir ao praefectus eram Priapo e Vênus.[125] [132]

A 24 de janeiro de 41, Querea e alguns pretorianos abordaram Calígula enquanto ele se dirigia a um grupo de novos atores que participavam de jogos.[134] Os pormenores a respeito deste acontecimento variam ligeiramente de um escritor a outro, mas todos coincidem em que Querea foi o primeiro a apunhalar o imperador, seguido pelo restante de conspiradores.[132] [134] [135] Suetônio assinala as similaridades entre o assassinato de Calígula e o de Júlio César. O historiador escreve que o velho Caio Júlio César (Júlio César) e o novo Caio Júlio César (Calígula) foram assassinados por 30 conspiradores liderados por um homem chamado Cássio (Cássio Longino e Cássio Querea).[136] Quando os guarda-costas germanos do imperador se deram conta de que Calígula estava sendo atacado, este já era morto. Cheios de raiva e dor, os germanos responderam assassinando conspiradores, senadores, transeuntes e inocentes por igual.[134] [137]

O senado tratou de usar a morte de Calígula para restaurar a república[138] e, pela sua vez, Querea tentou convencer o exército para que apoiasse os senadores.[139] Porém, os militares permaneceram leais à figura do imperador,[139] e a plebe unanimemente pediu que os assassinos de Calígula fossem levados frente da justiça.[140] [141] Vendo-se sem apoios, os assassinos apunhalaram a mulher de Calígula, Milônia Cesônia, e à sua filha, Júlia Drusila, a quem romperam o cranio ao bater a cabeça contra um muro.[142] Contudo, foram incapazes de encontrar o tio de Calígula, Cláudio, que fugiu da cidade.[143] [144] Após ter-se assegurado o apoio da guarda pretoriana, Cláudio foi designado imperador e, nada mais aceder ao trono, o tio de Calígula ordenou a execução dos assassinos do seu sobrinho.[144] [145] Segundo Suetônio, o corpo do imperador foi escondido até poder ser incinerado e sepultado pelas suas irmãs. Permaneceu no Mausoléu de Augusto até que, em 410, durante o saque de Roma, as suas cinzas foram espalhadas.

Historiografia[editar | editar código-fonte]

Oferecer uma visão exata a respeito do reinado de Calígula é extremamente difícil. Somente duas fontes contemporâneas ao imperador chegaram à atualidade: os trabalhos de Fílon de Alexandria e Sêneca, o Moço. As obras do primeiro, Da Embaixada a Caio e Flaco, proporcionam alguns pormenores a respeito dos começos do reinado de Calígula, mas centrados nos acontecimentos que rodearam à população judaica que habitava as províncias da Judeia e Egito. As obras de Sêneca oferecem algumas anedotas a respeito da personalidade de Calígula; porém, a objetividade destes escritos foi questionada devido a que o próprio Sêneca esteve prestes a ser executado pelo imperador em 39, quando foi acusado de participar numa conspiração para derrocá-lo.[146]

Existiram obras coetâneas que relatavam detalhadamente o seu reinado, mas estas obras desapareceram. Além disso, os historiadores que as escreveram foram riscados de parciais, quer por ser críticos demais quer por aduladores com o imperador.[147] Em qualquer caso, as fontes primárias perdidas, unidas às obras de Sêneca e Fílon, serviram de base das fontes secundárias e terciárias sobreviventes, escritas pelas seguintes gerações de escritores. É conhecido o nome de alguns de eles, tais como Clúvio Rufo e Fábio Rústico, autores de dois escritos que criticavam duramente a Calígula, agora perdidos. Rústico foi um conhecido amigo de Sêneca, famoso entre os seus coetâneos pelo elegante uso que fazia dos recursos literários e pela tergiversação de que eram vítimas as suas histórias.[148] [149] Rufo era um influente senador que se viu envolvido no assassinato do imperador.[150] A irmã de Calígula, Agripina a Menor, escreveu uma autobiografia que relatava o período do seu irmão como imperador, a qual também se perdeu. Agripina fora exilada pelo seu irmão como consequência das suas conexões com Marco Emílio Lépido, que conspirou contra ele.[75] A herança do filho de Agripina, Nero, foi tomada pelo seu tio.

A maior parte do conhecido deste imperador procede de Suetônio e Dião Cássio, cuja objetividade é posta em dúvida devido à sua condição de patrícios. Suetônio redigiu a sua obra oitenta anos depois da morte de Calígula, enquanto Dião Cássio o fez 180 anos depois. Embora o trabalho de Dião Cássio seja muito valioso, da sua obra apenas sobreviveu um pequeno resume escrito por João Xifilino, um monge do século XI.

Suetônio dedica 21 capítulos da sua obra a Calígula como imperador, e a partir do capítulo 22 declara que falará de Calígula como um monstro.[63]

Outra série de fontes proporcionam uma perspectiva limitada do reinado deste imperador. Josefo oferece uma detalhada descrição do assassinato, e Tácito outorga alguma informação sobre a sua vida durante o reinado de Tibério. Tácito, supostamente o mais objetivo dos historiadores da Antiguidade, escreveu uma pormenorizada história de Calígula, mas parte dos seus Anales perderam-se. A Naturalis Historia de Plínio o Velho contribuiu também alguns pormenores a respeito da sua vida.

Das poucas fontes sobreviventes, não existe nenhuma que ofereça uma visão favorável do imperador. A escassez e parcialidade dessas fontes dou lugar a importantes lacunas a respeito do seu reinado. Dos seus dois primeiros anos no trono não sobreviveu praticamente nada e, além disso, os importantes eventos acontecidos durante o seu reinado, tais como a anexação da Mauritânia, a campanha na Britânia e as diferenças com o senado, não foram descritas devidamente.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Demência[editar | editar código-fonte]

Pintura renascentista de Calígula.

Exceto Plínio o Velho, todas as fontes sobreviventes descrevem a Calígula como um louco. Porém, não se sabe se estão falando literal ou figuradamente. Além disso, é difícil separar a realidade da ficção levando em conta a impopularidade do imperador entre essas fontes. Os historiadores modernos trataram de atribuir uma razão médica ao seu instável caráter, alegando a possibilidade de que padecera encefalite, epilepsia ou hipertiroidismo; fala-se de adiatrepsia, uma palavra grega que o imperador aplicou para descrever a sua própria conduta.[151] [152] [153]

Fílon de Alexandria, Flávio Josefo e Sêneca, o Moço descrevem Calígula como um demente, mas alegam que esta loucura era resultado da experiência dos anos.[44] [154] [155] [156] Segundo Sêneca, o imperador transformou-se num homem arrogante, iracundo e grosseiro na sua ascensão ao trono.[156] [157] Josefo pensa que foi o poder que tornou Calígula um arrogante, fazendo-lhe acreditar que era um deus.[44] Pela sua vez, Fílon defende que a sua personalidade experimentou um radical câmbio quando esteve prestes a falecer de uma doença.[158] Segundo Juvenal, o imperador bebeu uma poção que o tornou louco.[159] [160]

Epilepsia[editar | editar código-fonte]

Suetônio escreve que Calígula padeceu epilepsia quando era novo.[161] Os historiadores modernos teorizaram que o imperador vivia com um profundo e contínuo medo a sofrer um ataque associado à sua doença.[162] [163] Apesar de que aprender a nadar era parte da educação imperial, o imperador não o fez,[164] [165] pois os epilépticos podem sofrer ataques causados pela luz que se reflete na água.[166] Também é dito dele que falava com a lua cheia,[74] e a lua é relacionada ocasionalmente com a epilepsia.[167] [168]

Hipertiroidismo[editar | editar código-fonte]

Muitos historiadores defenderam que Calígula padecia hipertiroidismo.[169] [170] Este diagnóstico é baseado na irritabilidade e na "olhada" do imperador, descrita por Plínio o Velho.

Calígula na ficção[editar | editar código-fonte]

Calígula foi encarnado por:

  • John Simm na mini-série Imperium: Nerone (2004). Esta obra, dividida em dois episódios, narra a vida do imperador Nero da sua infância até a sua morte. Calígula aparece como uma personagem secundária.
  • Szabolcs Hajdu no filme Calígula (1996)
  • John McEnery na mini-série A.D. (1985). Nela é descrita a vida dos primeiros cristãos na época de Tibério, Calígula, Cláudio e Nero.
  • Malcolm McDowell em Calígula (1979), um filme cheio de imprecisões históricas que descreve como Calígula assassina a Tibério e inicia um reinado pontuado pelas suas excentricidades.
  • Jay Robinson em O manto Sagrado (1953), Filme épico passado nos últimos anos do reinado de Tibério. Calígula aparece como uma personagem secundária.
  • John Hurt na série de televisão Eu, Cláudio (1976); esta série é baseada no romance de Robert Graves, Eu, Cláudio, que descreve a vida da dinastia júlio-claudiana narrada pelo tio de Calígula, Cláudio.
  • Emlyn Willians desempenhou o papel de Calígula em Eu, Cláudio, filme baseado também no romance de Graves (1937). Nunca se completou.
  • Courtney Love representou-o no falso avanço de Gore Vidal's Caligula, aparentemente um "refilmagem" de 1979.[171]
  • A obra de Nat Cassidy, The Reckoning of Kit and Little Boots, descreve a vida do dramaturgo isabelino Christopher Marlowe e a de Calígula, com a fictícia presunção de este estar trabalhando num escrito a respeito do imperador no momento do seu assassinato. Insiste-se nas similaridades entre os dois personagens; ambos faleceram sendo apunhalados em 29 ocasiões e ambos tinham uma curiosa perspectiva religiosa. A obra foca-se também na relação entre o imperador e a sua irmã Drusila, e na sua profunda aversão para Tibério. Foi estreada em Nova Iorque em junho de 2008.[172] [173]
  • "Caligula" de Albert Camus,[174] é uma obra de fição na qual o imperador Calígula regressa após abandonar o palácio durante três dias e três noites seguidas da morte da sua irmã querida, Drusilla. Depois, o novo imperador usa o seu poder para "trazer o impossível ao reino do provável".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Tibério
Imperador romano
37 — 41
Sucedido por
Cláudio


Precedido por
Marco Aquila Juliano e Caio Nônio Asprenas
Cônsul do Império Romano
39 – 41
Sucedido por
Cláudio e Caio Cecina Largo


Notas e referências

  1. Philip Milnes-Smith, From Caligula to Constantine. Tyranny and Transformation in Roman Portraiture , Journal of roman studies, ISSN 0075-4358, Nº 93, 2003, pág. 319.
  2. Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 8 (do sítio Lacus Curtius)
  3. a b c d e Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 7
  4. Dião Cássio, História Romana LIX.6
  5. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 4
  6. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 1
  7. a b Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 9
  8. "Caligula" é uma palavra formada a partir da palavra latina caliga, que significa bota de soldados, e o diminutivo -ul.
  9. Sêneca, Da firmeza do sábio XVIII 2-5
  10. a b c d e f g Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 10
  11. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 2
  12. Tácito, Anales IV.52
  13. Tácito, Anales V.3
  14. a b Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 54
  15. Tácito, Anales V.10
  16. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 64
  17. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 62
  18. a b Tácito, Anales VI.20
  19. Dião Cássio, História Romana LVII.23
  20. Tácito, Anales VI.23
  21. Tácito, Anales VI.25
  22. a b c d Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 12
  23. David Wardle, Caligula and his wives , Latomus: revue d'études latins, ISSN 0023-8856, Vol. 57, Nº. 1, 1998 , pags. 109-126.
  24. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio VI.35
  25. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 76
  26. a b Tácito, Anales VI.50
  27. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio, IV.25; Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIII.6.9
  28. a b c Dião Cássio, História Romana LIX.1
  29. a b Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 13
  30. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio II.10
  31. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 75
  32. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 14
  33. Fílon afirma que foram realizados sacrifícios em todos os territórios do Império, mas que estes não costaram tantas vítimas como diz Suetônio. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio II.12
  34. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio II.13
  35. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 15
  36. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 16
  37. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 18
  38. Dião Cássio, História Romana LIX.3
  39. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio II–III
  40. a b c Dião Cássio, História Romana LIX.10
  41. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio II.14
  42. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio III.16
  43. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio IV.22
  44. a b c d Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XVIII.7.2
  45. a b Dião Cássio, História Romana LIX.8
  46. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio V.29
  47. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio V.28
  48. a b Tácito, Agrícola 4
  49. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 23
  50. Anthony A. Barrett, Caligula's quadrans issue, Latomus: revue d'études latins, ISSN 0023-8856, Vol. 57, Nº. 4, 1998 , pp. 846-852
  51. Dião Cássio, História Romana LIX.9–10
  52. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 16.2
  53. Dião Cássio, História Romana LIX.9.7
  54. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 37
  55. a b c Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 38
  56. a b Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 41
  57. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, 40
  58. a b Dião Cássio, História Romana LIX.14
  59. a b c Dião Cássio, História Romana LIX.15
  60. Sêneca, Da Brevidade da Vida XVIII.5
  61. Flávio Josefo, Antiguidades judaicas XIX.2.5
  62. a b c d e Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 21
  63. a b Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 22
  64. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Cláudio 20
  65. Plínio o Velho, Naturalis Historia XXXVI.122
  66. Plínio o Velho, Naturalis Historia XVI.76
  67. Dião Cássio, História Romana LIX.15
  68. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 37
  69. a b c d Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 19
  70. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 54
  71. a b c Dião Cássio, História Romana LIX.16.
  72. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 30
  73. a b Tácito, Anales IV.41
  74. a b c Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 26
  75. a b c d Dião Cássio, História Romana LIX.22
  76. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 35
  77. Plínio o Velho, Naturalis Historia V.2
  78. Dião Cássio, História Romana LX.8, LX.24
  79. Plínio o Velho, Naturalis Historia V.11
  80. a b Dião Cássio, História Romana LIX.25
  81. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 45-47
  82. Bicknell, P. [1968], The Emperor Gaius' Military Activities in A.D. 40, 496-505
  83. Dávies, R.W. [1996], The Abortive Invasion of Britain by Gaius, 124-128
  84. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Valígula 44
  85. Conchae em latim.
  86. Wardle, D. [1994], Suetonius' Life of Caligula : a Commentary, 313
  87. Woods, David [2000], Caligula's Seashells, 80-87
  88. S. Brackmann, Die militärische Selbstdarstellung des Caligula. O testemunho das moedas entra em conflito com a história antiga. Em: Gymnasium. Nº. 112, 2005, pags. 375–383.
  89. Para uma história alternativa a respeito das campanha de Calígula na Britânia, ver a obra de J. G. F. Hind, Caligula and the Spoils of Ocean : a Rush in the Far North-West?. Britannia. A Journal of Romano-British and Kindred Studies. Nº. 34, 2003, pags. 272–274.
  90. D. Woods, Did Caligula Plan to bridge the English Channel?. The Ancient World Nº. 33, 2002, pags. 157–170.
  91. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XI-XV
  92. Dião Cássio, História Romana LIX.26
  93. a b c d Dião Cássio, História Romana LIX.28
  94. J. Sanford. ¿Tuvo Calígula complejo de Dios?. Página visitada em 2003.
  95. a b Dião Cássio, História Romana LI.20
  96. Dião Cássio, História Romana LIX.26-28
  97. Flávio Josefo, Antiguidades judaicas XVIII.6.10
  98. Fílon de Alexandria, Flaco V.25
  99. Fílon de Alexandria, Flaco III.8, IV.21
  100. Fílon de Alexandria, Flaco V.26-28
  101. Fílon de Alexandria, Flaco V.29
  102. Fílon de Alexandria, Flaco VI.43
  103. Fílon de Alexandria, Flaco VII.45
  104. Fílon de Alexandria, Flaco XXI.185
  105. a b c Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XVIII.8.1
  106. a b Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XXX.201
  107. a b Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XXX.203
  108. a b Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XVI.115
  109. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XXJI.213
  110. Sêneca, o Moço, Da Ira xviii.1.
  111. Sêneca, o Moço Da Ira III.xviii.1.
  112. Sêneca, o Moço Da Brevidade da Vida xviii.5.
  113. Fílon de Alexandria, Da embaixada a Caio XXIX
  114. Sêneca, o Moço, Da Firmeza do Sábio xviii.1
  115. Sêneca, o Moço, Da Ira III.xviii.1
  116. Sêneca, o Moço Da Brevidade da Vida xviii.5
  117. Dião Cássio, História Romana LIX.11
  118. Dião Cássio, História Romana LIX.22
  119. Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 24
  120. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 46-47
  121. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 55
  122. YOUNGER, John G. (2005), Sex in the Ancient World from A to Z, 16
  123. Philip Milnes-Smith, From Caligula to Constantine. Tyranny and Transformation in Roman Portraiture . Journal of roman studies, ISSN 0075-4358, Nº 93, 2003 , pag. 319.
  124. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.1
  125. a b c Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 56
  126. Tácito, Anales 16.17
  127. Flávio Josefo, Antiguidades judaicas XIX.1.2
  128. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.3
  129. Flávio Josefo, Antiguidades judaicas XIX.1.10, XIX.1.14
  130. Barret, 1989, 242f
  131. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.6
  132. a b c Sêneca, o Moço, Da Firmeza do Sábio xviii.2
  133. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.5
  134. a b c Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 58
  135. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.14
  136. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 57, 58
  137. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.15
  138. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.2
  139. a b Flávio Josefo, Antiguidades judaicas XIX.4.4
  140. Tácito, Anales XI.1
  141. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.20
  142. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 59
  143. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.2.1
  144. a b Robert Graves, Eu, Cláudio.
  145. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.3.1
  146. Dião Cássio, História Romana LIX.19
  147. Tácito, Anales I.1
  148. Tácito, Vida de Cneu Júlio Agrícola X.
  149. Tácito Anales XIII.20
  150. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas XIX.1.13
  151. Michel Dubuisson, L'adiatrepsia Caligula, Latomus: revue d'études latins, ISSN 0023-8856, Vol. 57, Nº. 3, 1998 , pags. 589-594. Adiatrépsia vêm a dizer, aproximadamente, descaro, impassibilidade ante as consequências que podia entranhar qualquer ocorrência do seu gênio ou engenho.
  152. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula, 29, 1.
  153. Pedro Voltes Grandes mentiras da história.
  154. Fílon de Alexandria, Da Embaixada a Caio XIII
  155. Sêneca, o Moço, Da Firmeza do Sábio XVIII.1
  156. a b Sêneca, o Moço, Da Ira I.xx.8
  157. Sêneca, o Moço, Da Firmeza do Sábio XVII-XVIII
  158. Fílon de Alexandria, Da Embaixada a Caio III-IV
  159. Veia-se A. Winterling, Caligula – Eine Biográfie. München 2003, S. Munich 2003, p. 175-180. Ios. Ant. DIU. 19,2,4 A. Aparentemente o rumor de que a suposta loucura do imperador foi provocada pela ingestão de uma estranha poção estendeu-se de pelo Império.
  160. Suetônio cita o rumor em As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 50.2.
  161. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Calígula 50.
  162. Benediktson, D. Thomas (1991), Caligula's Phobias and Philias : Fear of Seizure?, 159-163
  163. C. Berling, Caligula est hante par la mort, Magazine litteraire, ISSN 0024-9807, Nº 453, 2006 , pag. 45.
  164. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Vida de Augusto 64.
  165. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares 54
  166. Pearn, J.H. (1977), Epilepsy and Drowning in Childhood, 1510-11
  167. Temkin, O. (1971), The Falling Sickness, 3-4, 7, 13, 16, 26, 86, 92-96, 179
  168. Françoise Gury, L'idéologie impériale la lune: Caligula, Latomus: revue d'études latins, ISSN 0023-8856, Vol. 59, Nº. 3, 2000 , pp. 564-595.
  169. Katz, R.S. (1972), The Illness of Caligula, 223-25
  170. Morgan, M.G. (1973), Caligula’s Illness Again, 327-29
  171. Caligula' Gives a Toga Party (but Non One's Really Invited).
  172. The Reckoning of Kit and Little Boots (Village Voice).
  173. The Reckoning of Kit and Little Boots (Ny Theare Cast).
  174. Universidad del Valle. Calígula, de Albert Camus. Página visitada em 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Calígula
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Calígula